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O Que dizer da LEI DA PALMADA?

segunda-feira, novembro 1st, 2010

Vivi uma época em que as palmatórias nas escolas estavam sendo abolidas, embora o seu uso era  com consentimento das famílias e das escolas. Entretanto, aos pais cabiam  ainda usar do castigo físico para colocar os filhos no caminho da decência, honestidade, obediência às leis e bondade. Não acreditavam que “o pau que nasce torto não tem jeito, nasce tortoâ€. Com severidade e autoridade o filho entraria nos “eixos†e no equilíbrio. As meninas, geralmente, eram mais sonsas ou mais dóceis, cabendo mais aos meninos serem vítimas das famosas surras, ministradas mais com os cinturões. Conheci um adulto que o cinturão era “batizado†de “correinha do papai†e esta era usada com todo o furor do pai e ai de quem tentasse interferir na surra, pois apanhava também. Aos pais não lhes cabiam culpas ou remorsos, vez que já reproduziam a agressão sofrida em seus corpos. As marcas, hematomas gerados eram sinais de que o medo à desobediência estava registrado e que para repetir o ato reprovável teria que pensar duas, três vezes, até não repetir mais.

Outubro de 2010. Dia das crianças. Tenho acesso a duas entrevistas dadas pelo professor de Psiquiatria Infantil da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dr. Arthur Kummer, a duas redes mineiras de TV: A Bandeirantes e a Rede Minas. O tema a ser tratado era sobre a LEI DA PALMADA. Por ser ao vivo, os telespectadores mandavam suas opiniões, questionavam o Professor. Um deles falou que uma palmada não faz mal a ninguém; outro dizia que o pai deu palmadas e que era um homem de bem. Houve outros depoimentos, comumente do ponto de vista individual. O dr. Arthur começa a falar eliminando o aspecto pessoal e evitando, também, falar do ponto de vista do “achismoâ€. Seu posicionamento se fundamenta em dados científicos e em pesquisas realizadas sobre o uso das palmadas e outros tipos de punições físicas e/ou psicológicas, nos Estados Unidos, com 2.500 crianças. Foram estas observadas, acompanhadas, analisadas. As conclusões que os pesquisadores chegaram apontam que qualquer tipo de violência, mesmo a palmada, por mais “simples†que os pais atribuam jamais devem ser usadas, pois as conseqüências são danosas, gerando uma diminuição no desenvolvimento cognitivo, produzindo pessoas agressivas, entre outras.

E a punição por desobediência, rebeldia nunca deverá ser usada?  O entrevistado apresenta alternativas de punições, como a privação de um programa de TV, a suspensão temporária da mesada e algumas outras atitudes que gerarão uma conscientização para não mais cometer o ato desaprovado. Acrescenta que o Estado está tomando ao seu cargo a proteção de crianças e adolescentes indefesos. Os pais, por mais autoridade que tenham, não têm o direito de por serem adultos espancarem ou darem palmadas nas crianças, apenas por serem pequenas, ou adolescentes frágeis.  Ao Estado, através dos seus Conselhos Tutelares terão que se prepararem para possuírem em seu quadro funcional, profissionais que estejam preparados para, de forma adequada, orientarem os pais que necessitam de orientação quanto à educação de seus filhos. Reconhece, até porque tem experiência próxima, que muitos destes Conselhos possuem profissionais imaturos, pois alguns aprovam uma “palmadinhaâ€. Jamais a agressão física deverá ser usada.

Do que vi fica uma lição: há formas diferentes de lidar com a criança, sem necessariamente usar da palmada, embora quem é pai ou mãe sabe que há ocasiões em que a paciência fica no limite. Nesta hora, a melhor coisa a ser feita é apelar para o bom senso, a lucidez e agir de forma controlada. Parece-me que os casos de agressão havido no passado, possivelmente, transformaram pessoas em super autoritárias, algumas com síndrome de pânico, em alguma ocasião na vida, outras alcoólatras e com outros tipos de patologia. Talvez tais comportamentos fossem aflorar de qualquer jeito, mas talvez fosse fruto das marcas deixadas na infância ou adolescência. Quem poderá garantir o que foi ou deixou de ser? Em relação à educação muito é controlável e muito é incógnita.

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