Sente medo?
O medo é um sentimento comum entre os humanos. Muito raro alguém revelar que não tem medo. Em alguma fase da vida sentiu, com certeza. Há graus de medo, alguns sendo aterrorizantes e outros que dá para lidar. Os medos são os mais diversos, desde o de barata, ao de perder pessoas queridas, ficar dependente dos outros, o de envelhecer, sofrer do hoje conhecido alemão (Alzheimer),antigamente falava-se em caduquice, de perder o emprego, de ficar sozinha, de desfazer um casamento, da violência, de sequestro, de ter câncer, entre outros.
O problema para quem sente o medo é que ele às vezes se torna um impedimento para algumas atividades. Lembro do medo de falar em público, para quem optou pela carreira do magistério, por exemplo. Ou você trabalhar em uma empresa e não poder viajar de avião para participar de conferências, congressos. Estas limitações são prejudiciais ao desempenho da pessoa. Conheço algumas que não conseguem dirigir e ficam dependendo dos outros. Sofrem por não conseguir o que os outros fazemcom naturalidade. As suas origens são as mais diversas; algumas  se conhece as causas e outras estão nas profundezas da mente. Mas o que fazer?
A partir do momento que se tem consciência do que tem medo, o querer trabalhar este medo é um caminho para sentir que poderá viver melhor. Dra. Susan Jeffers estudou o medo e criou uma teoria interessante e que faz sentido. Na mente humana, segundo ela, existem um eu superior e um eu inferior. No eu superior constam todos os pensamentos de otimismo, de força positiva, de alegria, de bom humor, de desejo de vencer, de criatividade e outros. Já no eu inferior constam tudo quanto é pensamento negativo, desestimulante, de tristeza, de desânimo, de desamparo e outros. Caberá a cada um favorecer um ou outro. O medo está, logicamente, no eu inferior e a saÃda dependerá do trabalho que fizer para prevalecer este eu superior, sufocando aquele que é obstáculo na nossa vida. Sabemos que há cargas de hormônios e o  histórico de cada um envolvidos, embora a Dra. Susan não leve em conta estes fatores em sua teoria. O que ela faz é estimular exercÃcios para que a pessoa passe do eu inferior para o outro. Ela coloca que “o único meio de se livrar do medo é fazer algo. É fazê-lo. A repetição do que lhe causa medo fará você superar aquele medo especÃficoâ€.Acrescenta que há uma constante briga entre os dois “eus”. Por exemplo: surge o medo real de perder o emprego e o eu inferior diz que vai ser uma desgraça; já o eu superior permite o pernsamento de que virá um emprego bem melhor, menos estressante e com mais qualidade de vida. Treinar constantemente para a prevalência de pensamentos que impulsionem e motivem para ir em frente. A abordagem cognitiva faz você ir, aos poucos, entrando em contato com a causa do medo. O aproximar do objeto, ou do sentimento, vai fazendo com que este contato faça com que o medo perca a intensidade. A psicanálise vai levar você a expressar o seu medo através da linguagem, trazer sonhos, dando suas interpretações, descobrindo como lidar com ele, até você conseguir aboli-lo de sua vida. Geralmente o processo é mais longo, até por ir mais profundamente ao problema.
Lembro agora de um livro que li  há muitos anos, do Chico Buarque:â€O Chapeuzinho amarelo†e que na sua essência trata do medo. Uma garota temia o Lobo, até que um dia depara-se com ele e percebe que  não era tão feroz como havia acreditado e o Lobo era um bolo, um bobo. A grande lição que deixa é que o medo pode ser maior do que se acredita e o objeto ou sentimento ao ser confrontado, desde que ele tenha sido trabalhado, perde a sua força. Não significa que se estar livre de sentir medo, mas a vida exige que se vá em frente e , se tiver oportunidade, fazer como a garota do livro do Chico: olhar de frente o â€loboâ€, constatando que a maior ferocidade estar dentro de cada um e que, depois desta descoberta, a vida se tornará mais fácil de ser vivida.

