A inveja é uma manifestação de comportamento conhecida, comentada, sentida e como mais caracterizá-la? Existe apenas em algumas pessoas? Todas em alguma ocasião manifestam este comportamento? Quem já foi vítima deste sentimento? Como pode ser observada, ocasionalmente, em pessoas que pareciam ser amigas e, de uma hora para outra, começaram as demonstrações de animosidade? Só tentando encontrar causas para entender este fenômeno ruim que acomete muita gente, ou sentindo na pele, ou sendo vítima.
No interior ouvia-se que os invejosos são dotados de um poder tão maléfico que era capaz de adoecer pessoas, animais e até matar plantas, com o chamado “mal olhado”. Entrava aí à conhecida, e muito solicitada, benzedeira, para neutralizar a força do mal. Como recursos utilizavam alguns matos específicos, em feixe, sacudidos na vítima, sempre acompanhados por rezas ditas em voz alta, até os matos ficarem murchos..também com tantas sacudidas… Este procedimento durava alguns dias, até a energia negativa inexistir..Não se cobrava pelas visitas,mas era agraciada com presentes.No fundo,havia o aspecto psicológico de quem convidava a benzedeira ,porque envolvia a crença no retorno à saúde e dava uma tranqüilidade.
A inveja é um sentimento dirigido ao outro, movida por uma carga de desejo de destruição. Funciona assim: como não possuo o que o outro tem, busco meios para destruir, por palavras ou ações. Ela é observada entre irmãos, parentes, amigos, colegas de aula, trabalho. É mais comum do que se dá conta.
Para buscar suas origens tem-se que ir à historicidade do ser humano. O passado é determinante na vida do sujeito. O comportamento e formas de pensar são resultantes de um somatório das experiências vivenciadas. Tem-se que ir à infância, ao relacionamento com a mãe, ou de quem fez a vez, para se descobrir como este sentimento maléfico apareceu e persistiu pela vida a fora. Diz Melanie Klein que “a inveja pressupõe a relação do indivíduo com uma só pessoa e remonta a mais arcaica e exclusiva relação com a mãe. Acrescenta que há nestas relações de objeto o processo de internalização, que tem origem na oralidade. Parece que para o invejoso não há saída; sua forma de sentir está em como interagiu com sua mãe. Caberá aos demais viventes perceberem com quem está lidando e descobrir a melhor forma para neutralizar a força do invejoso.

