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Tomar decisões

quarta-feira, setembro 29th, 2010

O homem normal é conflituoso; desde criança  e até que o ser consciente ocupe lugar em seu viver,ela é solicitada a decidir. Vai aprendendo que a ação tem implicações, gera conseqüências. Seu comportamento social tem que prevalecer sobre o individual e Durkheim, famoso sociólogo francês, descrevia como as regras  legais e sociais têm que serem dominantes para haver equilíbrio na sociedade. Como a criança está em processo de formação, vai aprendendo, aos poucos, o respeito pelo que é do outro. Entra em conflito, por vezes, por querer as duas opções, ou mais, que lhe surgem(exemplo:como escolher brinquedos…e outras). Não há medo de errar, não racionaliza as possibilidades, não há culpa. Recordo no interior o que acontecia com os pastoris, em período natalino. Tinha-se que escolher torcer pelo azul ou pelo vermelho e eu, pequenina, não entendia. Achava lindas ambas as cores, por que ter que escolher? E me diziam:â€Torcer pela Diana não vale! Acho que desde aí senti a dúvida e o conflito instalados, talvez até precocemente. À medida que vai crescendo, as escolhas surgem e meio criança, meio adolescente, começam mesmo a se instalarem os conflitos e pior acontece ao se deparar com o futuro, na escolha de uma profissão. Quantas dúvidas, quantos medos de errar na escolha! Lembro de quantos jovens sentiam necessidade de mudar de curso, após constatarem após um ano, às vezes penúltimo ano, que não era aquilo que queria para viver sua vida produtiva, como profissional. Felizes os que abarcaram a profissão e se encontraram. O “fardo†do trabalho profissional torna-se mais suave.

Pessoas adultas creio que sofrem muito mais com as decisões e quando estas ultrapassam o âmbito pessoal, então se avoluma a insatisfação, o medo de errar e a covardia em querer mudar. O temor de se apossar das rédeas de sua vida. E agora?  Vem o medo de ferir, perder afetos e deixar de ser amadas. Tudo vai implicando em pesar as conseqüências. Fiz certo? Poderia ter buscado outra solução? Se não há alternativas, claro que não há decisões!

A frustração, o inconformismo, os dilemas, as angústias, em algumas épocas da vida, se fazem mais presentes. Busca-se, nestas ocasiões, a opinião de algum (a) amigo (a) mais próximo. O dividir o problema dá uma sensação de alívio, embora ele esteja lá latejando. Em algumas ocasiões, a saída mais adequada é a busca por auxílio de um psicólogo ou psicanalista e aí vai ser iniciado o processo do uso da linguagem; vai ser iniciada a aprendizagem da nomeação dos sentimentos. A sua escuta vai acontecendo e alguns “insights†vão surgindo, às vezes dentro da sessão e , muitas vezes, fora dela, no só depois. As reflexões acontecidas, as falas ditas, os sonhos contados e interpretados pela própria pessoa, faz das tomadas das decisões algo mais  amadurecido.  A decisão nunca vem de fora, pois é dentro de si que está a sua verdade.

Quem não anseia na vida, em alguma ocasião, entregar as rédeas do  destino para uma fada que soubesse ,mais do que nós, para onde deveríamos seguir, sem errar muito? Só que esta fada pode estar dentro de cada um e ela tem que ser alimentada, escutada, para fazer com que se tenha discernimento para encontrar o caminho certo(?), mesmo cheio de obstáculos, mesmo com conflitos, mesmo com bifurcações.Jamais ficar na indecisão, como Millôr, em sua “Bíblia do caos,†questiona:â€O que é que faz um cara quando não tem coragem suficiente para enfrentar e nem covardia bastante para correr?†Acrescento: viver o fim cada dia e ,enquanto isso, ficar sentado em cima da  infelicidade.

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