Congresso Internacional de Psicanálise no Rio de Janeiro. Dentre os palestrantes, o mais interessante, para mim, começou com uma fábula. Mesmo adultos, a atenção é mais despertada quando há histórias ou fábulas para introduzir um tema que mereça esforço para acompanhar o assunto. Parece-me que as portas do intelecto se abrem e a expectativa do que vem a seguir fica voltada para algo prazeroso. Sempre falei para os meus meninos que em uma dissertação, redação, um bom começo é condição para despertar o interesse do conteúdo que vem a seguir. É possÃvel que o gostar de fábulas, de histórias esteja ligada à nossa infância e o quanto da nossa imaginação, criatividade, fantasias foram despertadas pelos contos contados, ou o que foi lido, o que foi criado. Se a história não fosse repetida da mesma forma, a reclamação acontecia. A repetição para estruturar alguns pensamentos era necessidade mental; salvo se fosse uma história nova. A linguagem na repetição tinha mesmo que ser da mesma forma, embora o desfecho já fosse por conhecido. O fim do que fosse lido ou contado não envolvia o aspecto da curiosidade, pois era o gostar, ou segurança, que implicava já o sabido.
As fábulas de Ésopo são antiqüÃssimas e continuam atuais. Mexendo em algumas anotações, descubro referências sobre quem ele foi. Conta-se que viveu, mais ou menos, entre 620 e 560 a.C. Era um escravo grego, feio, moreno, muito inteligente, dotado de uma grande agilidade mental; foi vendido e comprado inúmeras vezes. Por ter viajado muito, passado por inúmeros senhores, conhecido todo tipo de gente, adquiriu um grande conhecimento sobre a humanidade. Descobriu profundamente as fraquezas humanas. Usava de uma extrema sinceridade no convÃvio com os demais, sendo por demais crÃtico,chegando a incomodar. Julgava as pessoas de forma objetiva, pois delas conhecia o lado negro da alma e seus mistérios, disfarces, orgulho e máscaras.
Conta-se que em uma de suas viagens à Ilha de Tebas, revelou, com sua sinceridade habitual, o quanto ela era encantadora para os olhos de quem a via a distância, mas de perto era apenas um amontoado de ervas daninhas. Sua morte foi causada por este posicionamento, uma vez que contrariou os habitantes do lugar. Foi levado ao alto de um despenhadeiro e jogado para não mais incomodar a humanidade. De Ésopo, suas fábulas permanecem atuais e delas há sempre uma lição a ser tirada. De sua história de vida também fica alguma coisa. As pessoas se sentem desconfortáveis, muitas vezes, com a verdade. Parecem que a não autenticidade e as máscaras são necessárias no convÃvio social. Para até você se deparar com a sua verdade há, à s vezes, a necessidade de ajuda da Psicologia,ou da Psicanálise, para que seja revelado,por você mesmo, o saber que há e que não se sabe.

