Episódio com o técncico Dunga expõe ao Brasil parcialidade jornalística da Rede Globo
Na primeira entrevista coletiva , após o editorial, criticando o treinador da seleção brasileira, exibido no Fantástico no último dia 20, Dunga apareceu aparentemente mais tranquilo, mais relaxado e até menos antipático nas suas respostas aos entrevistadores.
Na parte final da coletiva, o técnico reconheceu que trabalha sob grande pressão e quando se toma determinadas atitudes nessa situação corre-se o risco de se cometer erros e injustiças.Em nome desse reconhecimento Dunga, num surpreendente ato de humildade, pediu desculpas à torcida brasileira e nas entrelinhas pediu aos jornalistas que o deixassem trabalhar em paz.
Tal atitude foi, novamente, mal interpretada por boa parte da imprensa esportiva do País.O técnico de nossa seleção , em nenhum momento afirmou que cometeu atitudes erradas junto a imprensa, nem a qualquer veículo de comunicação.O pedido de desculpas foi dirigido à torcida que, em sua grande maioria, apoia as atitudes do treinador dentro do campo e não merece ser “agredida” pelo seu mau humor extra campo.
O discurso de Dunga apesar de soar como um desabafo, pode ter sido “orquestrado” por Ricardo Teixeira, presidente da CBF ,que se viu “em maus lençóis” com a recusa do treinador da seleção em prestigiar a Rede Globo, chegando a colocar o cargo à disposição, caso o Presidente continuasse insistindo em dar privilégios a detentora dos direitos de transmissão dos jogos da Copa para o Brasil.
As desculpas de Dunga, apesar de dirigidas exclusivamente para a torcida brasileira, parecem ter agradado tanto a direção da CBF, quanto a da Rede Globo que, curiosamente, desescalou Alex Escobar, um dos pivôs da crise entre Dunga e a emissora carioca, para participar das futuras entrevistas coletivas da seleção brasileira.
Dunga( que sempre teve apoio irrestrito de Teixeira)por sua vez, apesar de perceber que dificilmente, em virtude de seus posicionamentos em relação a “Venus Platinada”, permanecerá no cargo após a Copa, sai vitorioso e fortalecido desse embate entre as línguas ferinas do jornalismo global e o desgastante “stress” do próprio. O mais importante é que, nessa guerra de bastidores ,prevaleceu o bom senso e o bom ambiente dentro da delegação e comissão técnica de nossa seleção.
O campeoníssimo Mario Jorge Lobo Zagallo, em determinada época como técnico da seleção ,esbravejou para imprensa a famosa frase: ” Vocês vão ter que me engolir!”. Dunga, ao contrário de Zagallo, de engolido virou engolidor.Engoliu a CBF, a imprensa e a grande mídia eletrônica do país e, independentemente do que deixou vazar nos microfones, provocou, via programa Fantástico, uma anti-lição de profissionalismo. A Rede Globo ,depois de engolida pelo nosso treinador, mostrou ao Brasil como não se deve fazer jornalismo.Pior que o vazamento dos palavrões de Dunga nos microfones, foi o vazamento , na reportagem de Tadeu Schmidt , da (im)parcialidade jornalística da Rede Globo só demonstrada, ao que parece, à custa de favores e privilégios.
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