Quem acompanha as “aventuras ” de Nelson Tanure em empresas de comunicação, não se surpreendeu com o fim da versão impressa do JB
A notÃcia sobre o fim da circulação impressa do Jornal do Brasil é uma desagradável surpresa e deixará órfãos profissionais e leitores, amantes do bom jornalismo,que já fizeram do JB, publicado desde 1891, ser, nos anos de ouro do jornalismo impresso, o maior jornal do Brasil.
Ironicamente, o JB sobreviverá, na versão em que vangloria-se ter sido pioneiro:a eletrônica. O JB Online foi o primeiro jornal diário do paÃs a ser publicado na internet.E é nessa versão que o “dono da marcaâ€, empresário Nelson Tanure, promete manter o JB.
O que se espera é que a marca “JBâ€, de tanta credibilidade e prestÃgio num passado não tão longÃnquo, não desapareça de vez.Tal preocupação torna-se real, quando se faz uma rápida análise sobre a presença de Nelson Tanure em empresas de comunicação.
O baiano Nelson Tanure despontou no cenário nacional no governo de Fernando Collor, onde ganhou projeção e dinheiro . Amigo de Zélia Cardoso de Mello, ex-ministra de Economia, foi daquele governo que  saiu capitalizado para comprar o estaleiro Verolme e começar a criar um império empresarial, que chegou a reunir além do estaleiro, o grupo Docas, Jornal do Brasil,TV JB,Gazeta Mercantil,Intelig,Cia do Corpo,Editora Peixes, entre outras.
Tanure sempre foi polêmico no seu modo do gestão, se especializando em problemas trabalhistas, inadimplências planejadas, grandes demandas judiciais e outros métodos nada ortodoxos. O empresário também virou mestre em comprar empresas em decadência, para pegar somente a parte boa delas e deixar os passivos com os antigos controladores.
Utilizando-se deste método, Tanure “comprou†o Jornal do Brasil em 2001. Ele adquiriu na prática somente o tÃtulo, deixando a parte ruim, como o passivo com fornecedores, governo e empregados para a empresa antiga, praticamente em insolvência. Comprou a marca, sem assumir o passivo.
Entre 2002 e 2003, o empresário teve os direitos de publicação da revista americana especializada em economia “Forbes†no Brasil. Em 2003, arrendou o diário econômico “Gazeta Mercantilâ€. Em grave crise e com dÃvida trabalhista superior a R$ 200 milhões, Tanure rescindiu o contrato de licenciamento do uso da marca e devolveu o jornal a seu antigo dono Luiz Fernando Levy.( Em junho de 2009, a “Gazeta†deixou de circular.)
Em 2007 adquiriu a Editora Peixes, que  publicava as revistas Gula, Viver Bem, Fluir, Speak Up e Próxima Viagem, entre outras. Hoje, a Peixes deixou de publicar vários tÃtulos e passa por sérias dificuldades.
Ainda em 2007 criou a TV JB e arrendou horários na rede CNT para veiculação.Não conseguindo honrar o arrendamento, nem os salários da maioria dos funcionários contratados, Tanure foi obrigado a tirar e emissora do ar poucos meses depois.
Nenhuma destas empresas citadas acima foi recuperada por Nelson Tanure, pelo contrário,  tiveram as suas marcas usadas e descredibilizadas, seus conteúdos perderam  qualidade e credibilidade, não viram os acordos comerciais serem honrados, deixaram os seus funcionários nas mãos de predadores e credores a ver navios.
*Com informações de O Globo e Folha da Manhã
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