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A (im)parcialidade jornalística da Rede Globo

terça-feira, junho 29th, 2010

Episódio com o técncico Dunga expõe ao Brasil parcialidade jornalística da Rede Globo

Na primeira entrevista coletiva , após o editorial, criticando o treinador da seleção brasileira, exibido no Fantástico no último dia 20, Dunga apareceu aparentemente mais tranquilo, mais relaxado e até menos antipático nas suas respostas aos entrevistadores.

Na parte final da coletiva, o técnico reconheceu que trabalha sob grande pressão e quando se toma determinadas atitudes nessa situação corre-se o risco de se cometer erros e injustiças.Em nome desse reconhecimento Dunga, num surpreendente ato de humildade, pediu desculpas à torcida brasileira e nas entrelinhas pediu  aos jornalistas que o deixassem trabalhar em paz.

Tal atitude foi, novamente, mal interpretada por boa parte da imprensa esportiva do País.O técnico de nossa seleção , em nenhum momento afirmou que cometeu atitudes erradas junto a  imprensa, nem a qualquer veículo de comunicação.O pedido de desculpas foi dirigido à torcida que, em sua grande maioria, apoia as atitudes do treinador dentro do campo e não merece ser “agredida” pelo seu mau humor extra campo.

O discurso de Dunga apesar de soar  como um desabafo, pode ter sido “orquestrado” por Ricardo Teixeira, presidente da CBF ,que se viu “em maus lençóis” com a recusa do treinador da seleção em prestigiar  a Rede Globo, chegando a colocar o cargo à disposição, caso o Presidente continuasse insistindo em dar privilégios a detentora dos direitos de transmissão dos jogos da Copa para o Brasil.

As desculpas de Dunga, apesar de dirigidas  exclusivamente para a torcida brasileira, parecem ter agradado tanto a direção da CBF, quanto a da Rede Globo que, curiosamente, desescalou Alex Escobar, um dos pivôs da crise entre Dunga e a emissora carioca, para participar das futuras entrevistas coletivas da seleção brasileira.

Dunga( que sempre teve apoio irrestrito de Teixeira)por sua vez, apesar de perceber que dificilmente, em virtude de seus posicionamentos em relação a “Venus Platinada”, permanecerá no cargo após a Copa, sai vitorioso e fortalecido desse embate entre as línguas ferinas do jornalismo global e o desgastante “stress” do próprio. O mais importante é que, nessa guerra de bastidores ,prevaleceu o bom senso e o bom ambiente dentro da delegação e comissão técnica de nossa seleção.

O campeoníssimo Mario Jorge Lobo Zagallo, em determinada época como técnico da seleção ,esbravejou para imprensa a famosa frase: ” Vocês vão ter que me engolir!”. Dunga, ao contrário de Zagallo, de engolido virou engolidor.Engoliu a CBF, a imprensa e a grande mídia eletrônica do país e, independentemente do que deixou vazar nos microfones, provocou, via programa Fantástico, uma anti-lição de profissionalismo. A Rede Globo ,depois de engolida pelo nosso  treinador, mostrou ao Brasil como não se deve fazer jornalismo.Pior que o vazamento dos palavrões de Dunga nos microfones, foi o vazamento , na reportagem de Tadeu Schmidt , da (im)parcialidade jornalística da Rede Globo só demonstrada, ao que parece, à custa de favores e privilégios.

etcetal@tudoglobal.com.br

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Por que a Rede Globo quer”pegar no pé”de Dunga?

terça-feira, junho 22nd, 2010

O que Tadeu Schmidt não disse em seu “desabafo editorial” foi que Dunga vetou uma entrevista exclusiva que seria dada à Rede Globo, naquele mesmo domingo para o Fantástico, com tres jogadores da seleção.

No programa Fantástico do último domingo, o jornalista Tadeu Schmidt surpreendeu os expectadores ao iniciar sua apresentação do boletim sobre a Copa.  Como se estivesse lendo  um editorial o jornalista criticava, de forma contundente, o comportamento do técnico da nossa seleção nas entrevistas coletivas.Em certo momento Schmidt  afirmou: “O técnico Dunga não apresenta nas entrevistas comportamento compatível de alguém tão vitorioso no esporte. Com frequência, usa frases grosseiras e irônicas”.

A matéria continuou com inserções da entrevista coletiva de Dunga, após a vitória sobre a seleção da Costa do Marfim, e destaca um momento em que o técnico da seleção teria deixado vazar no microfone supostos xingamentos ao repórter Alex Escobar , da Rede Globo.

Quem acompanha  Dunga desde  sua contratação para dirigir a seleção brasileira, sabe que o relacionamento dele com boa parte da imprensa esportiva não é dos melhores.Criticado, no início, por “jornalistas especializados” pela falta de experiência na função, o treinador enclausurou-se dentro de seus pensamentos e convicções, ignorando as críticas e os desgostosos de plantão.

Com total apoio do presidente da CBF, Dunga pode colocar em prática toda a planificação de trabalho que culminaria na disputa da Copa de 2010.Ao lado do “assessor” Jorginho, fez experimentos de planos táticos, convocou diversos atletas e deu uma nova “alma” à seleção, que havia saído derrotada e abatida da Copa de 2006.

Nos quase quatro anos no comando técnico da seleção ,Dunga colecionou importantes vitórias e alguns títulos, como Copa América e Copa das Confederações.Classificou o Brasil para a Copa de 2010 com tres rodadas de antecedência, fato inédito, desde que as eliminatórias sul americanas passaram a ser disputadas em grupo único.

Apesar do sucesso obtido como treinador, Dunga continuou sendo criticado e as vezes até hostilizado por alguns setores da imprensa, fazendo com que o mesmo se afastasse cada vez mais dos holofotes e entrevistas, e nestas, quando aconteciam ,por algum tipo de obrigatoriedade, como as coletivas após os jogos, Dunga mostrava-se nervoso e irritado e respondia quase todas as perguntas ironicamente.

A pressão da imprensa sobre o treinador culminou com a divulgação da lista dos jogadores que disputariam a Copa na África do Sul. A convocação de alguns e, principalmente, a não convocação de outros, motivou a nossa “imprensa especializada” em transformar, uma vez mais, o nosso vitorioso técnico em alvo de pesadas críticas.

Quando chegou na África do Sul, Dunga parece ter imposto a clausura, sua companheira desde que assumiu a seleção, aos jogadores.Promoveu dificuldades de acesso à concentração dos jogadores, treinos secretos e proibição de qualquer atleta dar entrevistas.

O atacante Robinho ,antes da estréia do Brasil na Copa, desobedeceu o “chefe” e concedeu entrevista para Rede Globo.O clima esquentou dentro da comissão técnica, mas Robinho se desculpou com o técnico e companheiros de equipe e o episódio não teria maiores repercussões, mas pode ter sido o início da motivação da Rede Globo de “pegar no pé” do treinador .

O que Tadeu Schmidt não disse em seu “desabafo editorial” foi que Dunga vetou uma entrevista exclusiva que seria dada à Rede Globo, naquele mesmo domingo para o Fantástico, com tres jogadores da seleção, inclusive Luis Fabiano, grande nome do jogo contra a Costa do Marfim.

A Globo teria negociado a entrevista diretamente com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, mas o técnico da seleção mandou avisar a produção da emissora que ninguém daria entrevista exclusiva.

O incidente entre Dunga e Alex Escobar aconteceu no exato momento em que o repórter dava a notícia do veto da entrevista, por telefone, a Tadeu Schmidt. Dunga interrompeu a entrevista para perguntar a Escobar se havia algum problema. “Nem estou olhando para você, Dunga”respondeu Escobar.O técnico  resmungou em voz baixa, mas o suficiente para ser captado pelo microfone: “Besta, burro, cagão!”

Independente da grosseria transmitida pelo técnico Dunga, ficam alguns questionamentos no ar:

-Até que ponto, a Rede Globo de Televisão, detentora dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo para o Brasil, pode ter privilégios junto a entidade máxima do nosso futebol?

-Qual será sua parcela de responsabilidade caso o episódio gere uma crise dentro do ambiente da seleção, num momento em que a mesma se mostra apta para disputar e conquistar o título?

-Por que só agora a Rede Globo resolveu “pegar no pé” do nosso treinador?

etcetal@tudoglobal.com.br

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