Armando Nogueira era o último dos mestres de uma escola que mudou a cara do jornalismo na televisão.Sua morte deixa órfãos uma legião de jornalistas e cronistas esportivos.
Conheci Armando Nogueira em 1995, quando trabalhava na Televisão Profissional, empresa que produzia para o canal SPORTV,da Globosat, o programa Esporte Real, comandado  por ele.
Naquela época “Mestreâ€Armando, como era chamado pelas pessoas mais próximas,já não era mais o todo poderoso diretor da Central Globo de Jornalismo,função que exerceu por quase 30 anos e o transformou numa espécie de Ãcone do jornalismo televisivo.
O que logo me agradou no “Mestre†foi saber que ele era,como eu, torcedor do Botafogo.Numa de nossas primeiras conversas , após perceber certo entusiasmo de minha parte ,fez questão de me contar alguns detalhes da vida de Heleno de Freitas, um dos maiores Ãdolos da história botafoguense.
O “Mestre†era vaidoso, gabava-se de sua memória e adorava conversar sendo o centro das atenções, e coitado de quem ousasse contrariá-lo em público.Ironicamente o destino me forçou,sem o menor senso de ousadia,a correr tal risco.
Numa de minhas paradas na redação do programa Esporte Real, me deparo com alguns livros do “Mestre†e percebo que um deles foi impresso na Editora MitavaÃ.Quase sem querer pergunto se ele sabia quem era MitavaÃ.Virando-se de frente para mim, me encarando sério e, quebrando um repentino silêncio no ambiente, me responde em tom de desafio: “não sei não meu filho e o senhor por um acaso saberia?â€Meio sem graça, mas aceitando o desafio desandei a recitar:
“MitavaÃ
Bom lavrador e vaqueiro
Deixa o sertão brasileiro
Vai combater
Macobeba maldito
Que devora o mato e o mito
Rádio Jornal e TV
Lança
E com certeiro bote
Fere o monstro no cangote
Prá valer
E ferido assim de morte
Bicho ruim não quer morrer
E o caboclo injuriado
Toma o caminho do mar
Jurando que um dia
Vai voltar
Tira daqui
Leva prá lá
O que hoje da prá rir
Amanhã da prá chorar
Maldito bicho
Se me ouviu
E não gostou do meu samba
Vai prá longe do Brasilâ€
O silêncio tornou-se impiedoso até ser quebrado por uma das produtoras do programa: “ Seu Armando o Ricardo é poeta, já escreveu dois livros …â€.E seguiu-se um diálogo mais ou menos assim:
“E foi você que escreveu esse poema , meu filho?â€
“ Não seu Armando, não fui eu e, para falar a verdade, isso não é um poema é a letra de um samba enredoâ€.
” Samba enredo?Que samba enredo é esse meu filho?â€
“É o samba da Escola Unidos da Tijuca de 1981.â€
“Poxa, que memória meu filho! Além de saber o samba sabe também o ano e a escolaâ€.
Poucas semanas depois discutia-se, na mesma sala da redação do programa, quem era o goleiro do Flamengo num antológico  FLAXFLU de 1968, em que o tricolor venceu o rubro negro com um gol irregular, de mão, do ponta direita Wilton. A maioria dos presentes, inclusive o “Mestreâ€, insistiam que era Marcial e uma minoria, da qual eu fazia parte, achava que era Marco Aurélio.Novamente, num Ãmpeto incontrolável,voltei a recitar para os presentes:
“é o seguinte galera, naquela época o time do Flamengo jogava com Marco Aurélio,Jaime,Murilo,Paulo Henrique e Carlinhos,Ditão e Fefeu,Paulo Alves,Almir,Silva e Gilson Nunes e o Fluminense com Félix,Oliveira,Galhardo,Assis e Marco Antonio,DenÃlson e Lulinha,Wilton,Flavio,Samarone e Lula.”
Após um rápido silêncio um surpreso e boquiaberto “Mestre†decreta:“discussão encerrada,deve ser mesmo o Marco Aurélio, não tenho como duvidar de uma memória que guarda tão bem escalações futebolÃsticas e sambas enredos….”
Depois desse dia sempre que surgia alguma dúvida nas pautas sobre escalações ou coisas do gênero “Mestre†Armando ordenava: “ vá perguntar àquele poetinha do segundo andar 
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