Posts para a tag ‘Antropologia’

O mundo ficou mais pobre no Ășltimo dia de outubro…

sexta-feira, novembro 13th, 2009

Lévi-Strauss

Refiro-me Ă  morte de LĂ©vi-Strauss (Ă© bom pronunciar “lĂȘvistrouss”, para distinguir do caipira da calça jeans). Beirando os 101 anos de idade, o antropĂłlogo belga – e nĂŁo francĂȘs, como pensa a maioria – Claude LĂ©vi-Strauss, nasceu em Bruxelas, BĂ©lgica. Tendo dedicado sua vida Ă  elaboração de modelos baseados na linguĂ­stica estrutural, articulada Ă  antropologia, deu contribuiçÔes fundamentais para o progresso da antropologia social – para o estudo do mito e para as estruturas de parentesco, especialmente. Fez os estudos secundĂĄrios no LycĂ©e Janson de Sailly, Paris, e superiores na faculdade de direito de Paris e na Sorbonne. Estudou filosofia e direito e diplomou-se em Paris (1932). DaĂ­ talvez a confusĂŁo quanto a sua origem.

LĂ©vi-Strauss foi professor de sociologia na Universidade de SĂŁo Paulo (1934-1937), tendo sido seu fundador. Vindo para o Brasil com a informação de que poderia conviver com os “selvagens” nos arredores de SĂŁo Paulo, desenvolveu estudos sobre esta cidade (fotogrĂĄficos, sobretudo) e sobre um grupo indĂ­gena – os nhambiquaras -, somente que, neste caso, bem longe da capital paulista, resultando daĂ­ sua teoria e sua notoriedade.

Nhambiquaras

O Professor LĂ©vi-Strauss deu aulas nos Estados Unidos (1950-1954), para onde fugiu dos nazistas, tendo aĂ­ conhecido o linguista Roman Jakobson. Dessa parceria Ă© quer nasce a “Antropologia Estrutural”. LĂ©vi-Strauss fixou-se, depois, na Universidade de Paris, tornando-se catedrĂĄtico de antropologia do CollĂšge de France (1959), onde permaneceu atĂ© se aposentar (1982). Sua obra teve grande repercussĂŁo e transformou de maneira radical o estudo das ciĂȘncias sociais, mesmo com reaçÔes exacerbadas nos setores ligados principalmente Ă  tradição humanista, evolucionista e marxista. Segundo Rosane Pavam (Carta Capital, 11/11/2009), “para ele o real tinha uma construção invisĂ­vel que era preciso decifrar. (…), tendo concebido grandes sĂ­nteses intelectuais, inspirado nos modelos das partituras de mĂșsica. (…) Embora inspirado pela arte, ele construiu sistemas lĂłgicos para explicar o mundo da natureza e da cultura. Reivindicava exatidĂŁo para as ciĂȘncias humanas. (…) Em vez de olhar para o futuro, LĂ©vi-Strauss escolheu investigar o passado, em busca de entender por que nos tornamos o que somos”. Ainda para Pavam, LĂ©vi-Strauss começou e desenvolveu sua obra intelectual num tempo em que as noçÔes de primitivo, em referĂȘncias aos povos com tecnologia pouco desenvolvida, causavam um interesse espetacular nos “modernos”: ele inseriu o “selvagem” no jogo da civilização e o assemelhou, de forma impressionante, a todos os outros seres humanos.

LĂ©vi-Strauss alinhou-se entre os antropĂłlogos sociais que procuram por meio de comparaçÔes descobrir verdades fundamentais do comportamento humano em escala universal. Ganhou renome internacional com os livros “As estruturas elementares do parentesco”(1949), “Tristes TrĂłpicos” (1955), “O Pensamento Selvagem” (1962), “Antropologia estrutural” (1958), “O totemismo hoje”(1962), os quatro volumes de MitolĂłgicas – O cru e cozido”(1964), “Do mel Ă s cinzas” (1967), “A Origem das maneiras Ă  mesa”, (1968), o segundo volume de “Antropologia estrutural” (1973) e a coletĂąnea de ensaios “Le Regard Ă©loignĂ©â€ (1983).

AlĂ©m de tornar-se imortal da Academia de CiĂȘncias Francesa (1973), LĂ©vi-Strauss foi membro de muitas academias cientĂ­ficas, especialmente europeias e americanas, e detentor de muitas outras honrarias como Grand-croix de la LĂ©gion d’honneur, Commandeur de l’ordre national du MĂ©rite, Commandeur des Palmes acadĂ©miques, Commandeur des Arts et des Lettres, Commandeur de l’ordre de la Couronne de Belgique, Commandeur de l’ordre de la Croix du Sud du BrĂ©sil, Ordre du Soleil levant, Étoile d’or et d’argent e Grand-croix de l’ordre du MĂ©rite scientifique du BrĂ©sil. Ele foi tambĂ©m doutor honoris causa das universidades de Bruxelles, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, MontrĂ©al, MĂ©xico, QuĂ©bec, ZaĂŻre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras. Em suma: perdemos um homem do mundo e um cidadĂŁo que era motivo de mais orgulho para o jĂĄ tĂŁo orgulhoso povo francĂȘs.

(Maiores informaçÔes no site

http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1775.html)

e na revista “CARTA CAPITAL” desta semana.

Create PDF    Enviar artigo em PDF