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Você costuma usar o seu pisca?

quarta-feira, dezembro 16th, 2009

Se você respondeu afirmativamente à pergunta acima, você é uma exceção em Maceió. E um exemplo de civilidade, diga-se de passagem! O normal é ir-se dirigindo e, como manda o regulamento, ao buscar acesso a uma via preferencial, ao menos, aguardar-se que o veículo que vem trafegando passe antes de você entrar ou cruzar, a menos que ele dê sinal de pisca-pisca, dizendo que vai entrar na rua em que você está aguardando.

Carro Quantos costumam fazer isso em Maceió – usar o pisca-pisca, em atenção aos outros e a sua própria segurança?

Pelos meus cálculos, um terço dos motoristas e das motoristas, se muito…Estou correto no meu pensar? É isso que manda a regra de trânsito?

Pois, em Maceió, o uso do pisca-pisca é excepcional. Penso que isso, como tudo o mais, tem a ver com um certo modo de pensar alagoano – sobretudo nas classes mais aquinhoadas economicamente, que é onde se encontram os possuidores de veículo motorizado, – cujos integrantes têm uma dificuldade enorme de pensar no atendimento às regras comuns de convivência como condição de uma vida menos insegura e mais pacífica.

Já ouvi turistas dizerem que os alagoanos são paradoxais nesse particular: o que têm de amorosos e acolhedores no trato pessoal, têm de agressivos e desrespeitosos ao volante. E é verdade: como é difícil ver um carro parar na faixa de pedestres para que estes possam cruzar a via pública com a segurança que o Código tenta garantir.

Faixa

Também, aqui para nós: quantas faixas de pedestre nós temos – ao menos apagadinhas, como costumam estar as poucas que existem – em nossa cidade?

Nos lugares onde essas faixas são obrigatórias – que são os cruzamentos – quantas você consegue encontrar? Claro que sem estas demarcações de salvaguarda dos direitos de quem está a pé, os motoristas calculam onde parar o carro no cruzamento, caso haja alguém atravessando – quando param – e os transeuntes imaginam que o motorista, sabendo que ali há uma faixa imaginária, vai parar.

Digo isso a vocês na qualidade de motorista e pedestre que, aliás, todos somos uma vez ou outra. E não estou falando da situação dos bairros populares, onde esse meu papo pode ser considerado por alguns gestores públicos como conversa de quem não tem assunto: falo da Ponta Verde, para dar meu exemplo. Saia das ruas que ficam dentro do bairro e tente ir a pé caminhar na praia… Você vai correr riscos de atropelamento por absoluta falta de faixas ou semáforos! Aquele da Praça do Lions chegou recentemente e por milagre!

Agora, nesse papo, vai uma pergunta: a quem caberia uma política decente e com possibilidade de ser eficaz na nossa convivência no trânsito? Evidentemente que essa educação não poderia ter apenas a forma de campanhas, como costuma acontecer em nossa Alagoas, e deveria ser precedida da transformação de Maceió, ao menos, numa cidade toda organizada para o trânsito de todos, segundo as normas regulamentares.

Carroça

E aqui estou falando da preparação da cidade para a convivência, não somente de motoristas e pedestres, mas de ciclistas, de motoqueiros, de carroceiros e de catadores…

Por que as carroças e as bicicletas não têm qualquer tipo de identificação e, por isso, andam no contrafluxo de todo o movimento das vias públicas?

Será que não há uma forma de disciplinar esse tráfego indiano em que se transformou o trânsito em Maceió?

Motos

Penso que o comportamento temerário destes é fruto da ausência de uma boa e permanente educação de trânsito, com a aplicação do rigor da lei para os transgressores.

E quem pensa que essa é uma tarefa restrita à escola, imagina uma população de carroceiros, de peões de obra, de catadores e de transeuntes de tipo europeu, todos suficientemente escolarizados, e não uma multidão de pessoas, na sua maioria, desescolarizadas…

Ambbulantes

E olhe que deixei de lado os ambulantes, essa multidão de desesperados que descem, em geral, dos bairros que ficam nas grotas e nos tabuleiros, todos pressurosos por um bom ponto de venda quando descem, e destroçados pelo cansaço de um dia estafante de trabalho quando voltam para casa, a imensa maioria empurrando seus carrinhos…

Conheço uma cidade no Brasil em que se respeita, ao menos, a faixa de pedestre: refiro-me a Brasília, e o autor dessa façanha tem um nome: Cristóvão Buarque. Quando governador, ele gastou uma nota, mas transformou o trânsito da cidade, de um duelo, numa relação de convivência humana pautada por algumas regras básicas. Já aqui, onde a educação para o trânsito se dá de forma episódica – tendo sido a última um Bburro sem raboapelo à paz que já foi esquecido -, vivemos uma guerra do salve-se quem poder.

Com a proliferação de motos e a multidão de bicicletas – estas, sobretudo, no final do dia e aquelas o tempo inteiro – sem que se venha em nosso socorro, a quem devemos apelar?

Será que o DETRAN, cobrando tão caro os emplacamentos e multando adoidado, não poderia vir em socorro dos maceioenses?

Precisamos de quem tente pôr juízo na cabeça de quem transita por nossas vias públicas – sejam condutores de qualquer coisa sobre rodas ou pedestres – pois, segundo entendo, as regras do Código de Trânsito  valem para todo mundo que transita e que, sendo uma convenção, precisa ser conhecida e atendida por qualquer criatura humana, que pretenda sair incólume do safári diário em que se transformou a tarefa de sair de casa.

Vamos levantar nBicicletaossa voz e reivindicar educação permanente para uma convivência urbana no trânsito de Maceió. Se não estivermos motivados pelo amor a nossa vida, vamos construir, ao menos, uma cidade civilizada para os que nos visitam… Reivindiquemos um mutirão das autoridades – não importa se estaduais ou municipais – antes que a mortandade ou a invalidez cheguem a níveis que nos impeçam de desfrutar da cidade. E neste assunto não esqueçam do perigo para os ciclistas e dos ciclistas: quem teve já a felicidade de visitar países como a Dinamarca e a Holanda sabe do que estou falando…

A propósito: você já viu algum ciclista atropelado?

Ou alguém atropelado por uma bicicleta?

Misericórdia!

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