Archive for the ‘Elcio Verçosa’ Category

As cheias de junho em Alagoas: choramos as perdas causadas por capricho da natureza, por vontade de Deus ou por algo muito mais sério?

sábado, julho 10th, 2010

Quando eu era bem menino – no ano de 1949 – Alagoas experimentou uma enchente que causou grandes tragédias para a época: foi quando, até o Farol de Maceió, que ficava por trás da Catedral, veio abaixo, com toda a barreira que se estende daquele ponto até quase a antiga Rodoviária. Segundo Carlito Lima, a tragédia contabilizou mais de 50 mortos, como você poderá ver em pormenores em http://meninosdaavenida.blogspot.com/2009/05/as-aguas-de-1949-por-carlito-lima.html e de cujo blog retirei a foto que segue:

Se você não está conseguindo reconhecer a foto acima, eu lhe digo do que se trata: os trilhos retorcidos são do bonde e a ponte em ruínas é a do Salgadinho, arrastada pelo riacho do mesmo nome.

Lá para as bandas de Porto Calvo – onde eu vivia – os estragos dessa cheia de 1949 não foram tão grandes, até porque naquela época os centros urbanos do interior eram menores, havia casas pobres, mas, não as favelas de hoje e quase ninguém morava nas margens dos rios.

Afinal, Porto Calvo, então, resumia-se, praticamente, ao núcleo urbano que existia encarapitado no alto do morro, presidido pela igreja de Nossa Senhora da Apresentação.

Pois bem: aquela cheia, segundo praticamente todos os portocalvenses da época – inclusive correligionários do prefeito -,  teria rendido ao filho deste um avião. Era um teco-teco, é bem verdade, mas, inacessível praticamente a todos os ricos, usineiros, inclusive. O avião em questão ficou conhecido, por muitos anos, como “o avião da cheia  Eu voei naquele avião – devia ter uns oito anos – cujo dono foi muito conhecido em Alagoas e acabou morrendo assassinado devido a sua truculência com os desafetos. Esse é o primeiro fato de que fui testemunha: se ele não é de todo verdadeiro, pelo menos é indicativo de que, por trás das catástrofes alagoanas costuma haver algo que cheira a podre…

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Segunda historieta: entre o Natal e Ano Novo do ano que se foi estive em Portugal e tive o prazer de andar, pela segunda vez, por todo o trecho lusitano do vale do Douro.

Essa viagem entra aqui porque nos meses de dezembro e janeiro em Portugal chove sem parar. Neste final de ano de 2009 as ameaças de cheia povoavam a grande mídia: esperava-se alagamento, sobretudo, no Peso da Régua e nas cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, que ficam na foz do dadivoso, mas também perigoso rio Douro. Pois bem: circulando pelas margens desse rio, escutei mais de um patrício dizer em bom português: “Infelizmente, tenho de reconhecer que essa cheia do Douro é portuguesaâ€. E eu, estranhando a frase, perguntava se aquilo era mais um produto do pessimismo lusitano, ao que os meus interlocutores diziam, com outra pergunta: “O senhor, por acaso, está escutando estragos do Douro na Espanha, onde fica a maior parcela do curso do rio? Lá, eles já domaram o rio, enquanto nós o deixamos ao sabor dos caprichos da naturezaâ€. (Corte) – Passemos agora para a terceira sequência.

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Não é de hoje que nos defrontamos com a fúria dos rios Paraíba e Mundaú ou de seus aparentemente inofensivos afluentes. A destruição de São José da Lage, em 1969, ainda está clara em minha cabeça. Há cerca de dois meses encontrei com Joaquim Alves e recordamos ligeiramente a migração dele para Maceió por conta daquela catástrofe. Ele chegou um dia na minha sala de aula como flagelado: era um tempo em que não dava para dizer que a ocupação do solo ribeirinho era do modo como se faz hoje – o rio levou a Lage, com sua igreja Matriz e boa parte das casas das pessoas de melhor nível econômico…

Pela Geografia, sabemos que os rios de Alagoas terminam, por si sós ou por meio de outros de que são tributários, correndo para o Oceano Atlântico por duas vertentes: a do São Francisco, cujos rios costumam ser temporários, e a vertente Oriental ou do Atlântico, que correm diretamente para o mar ou para as lagoas. Destes, fazem parte os rios que causaram as enchentes deste mês de junho. Eles são o terceiro (Mundaú) e o quarto (Paraíba), contando de cima para baixo. Talvez o que a maioria não saiba é que, dos maiores rios dessa vertente – e de todo o Estado, na verdade – o Mundaú é o maior, com 190 Km, seguido do Paraíba. Eles só perdem em extensão para o velho Chico.

Ambos – Mundaú e Paraíba – nascem no Agreste Pernambucano e vêm descendo por seus leitos entre serras, com cachoeiras significativas, como a de Dois Irmãos – na divisa dos municípios de Viçosa e Cajueiro, cuja beleza podemos ver a seguir:

Já imaginaram a carreira e a força das águas deixadas à toa, quando os aguaceiros se precipitam nas épocas em que isso acontece quase que regularmente? Já pensaram se a chuva aumentar como esses rios tendem a se comportar? Agora, esses rios, que têm em suas imediações inúmeros açudes, são fiscalizados regularmente? Os próprios açudes são feitos com licenças ambientais e de engenharia adequadas? O que tem sido feito em relação às matas ciliares devastadas há décadas? E quanto ao assoreamento desses rios que,nos tempos de estiagem, deixam ver boa parte de seu leito?

Se considerarmos o tratamento que vem sendo dado ao açude de Palmeira dos Ãndios, que, segundo todo mundo, está prestes a ser arrombado pelas águas, veremos que não temos nenhuma política para os recursos hídricos – nem de controle das catástrofes, quanto mais de gestão das águas. Estamos como os portugueses do belíssimo Vale do Douro: lamentando a cheia de ontem na vertente Oriental e a seca de quase sempre na vertente do São Francisco.

Isso que eu estou dizendo – mas a que a imprensa quase não se refere, até as crianças sabem a seu modo: sábias as palavras de um menino de cerca de oito anos, que ouvi numa matéria da TV: “a culpa dessa cheia não é de Deus, nãoâ€, disse ele; “é das águas mesmo!â€. O que parece uma tautologia é, na verdade, pura filosofia do senso comum.

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Vou terminar esse post de hoje pagando uma dívida com um leitor meu -  o Alessandro – que em seu comentário de 13.05.2010  alertou-me para um erro de imagem: eu tinha postado uma foto de outro estaleiro que não o de Suape. Como sempre fui professor de dar a mão à palmatória quando me engano e de buscar a resposta certa demandada por qualquer aluno, segue abaixo a foto verdadeira do navio “João Cândidoâ€. (Fonte: Carta Capital).

A figura do presidente Lula vai junto porque, afinal, diferentemente das velhas políticas de dotar o Nordeste de indústrias sempre complementares ao projeto de desenvolvimento do Sul e do Sudeste, ele é aquele quem, contra tantas vozes disfarçadas que o criticam, começa a realizar o projeto embutido na velha Sudene, ou seja, dotar nossa região de indústria de base e, assim, agregar ao que temos e elaboramos, o valor que antes ia para as outras regiões, quando não para o exterior.

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Finalmente mesmo: mais um retorno aos meus leitores. Obrigado ao Ricardo Leal por observar que a foto é da seleção de 1958. É a de nossa primeira copa e o erro é, de fato, por todas as razões, imperdoável.

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Ufa! Parece que finalmente nos livraremos do dunguismo…

sábado, julho 3rd, 2010

A tragédia Dunga, cujos efeitos anunciados, há mais de três anos, esteve para desabar sobre nossas cabeças desde exatas duas semanas, finalmente ocorreu..

Sou um torcedor como muitos: já desisti de todos os times da minha juventude, permanecendo apenas com a Canarinha, como era chamada carinhosamente a nossa seleção nos bons tempos em que se jogava futebol.

Em pé: Djalma Santos, Zito, Bellini, Nílton Santos, Orlando e Gilmar
Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo,
o time que goleou a Suécia por 5 a 2, na final, em 1968, e o massagista Mário Américo.

Naquele tempo jogar tinha o mesmo significado que brincar, como, aliás, tem em muitas outras línguas do mesmo ramo da nossa, a ponto de constituírem uma única palavra: assim, o jogo era alegre, divertido, lúdico, com licença do pleonasmo…

GARRINCHA, NUM VERDADEIRO BALÉ

Pois bem: quando pensávamos estar definitivamente livres da era Parreira – em que ganhar não era conseqüência do jogo, mas a própria razão daquilo que deveria ser uma brincadeira – eis que esse fantasma voltou personalizado naquele que encarnou esse ideal: o “capitão†Dunga, de triste lembrança para os que admiram o futebol-arte.

Permanentemente tomado pela obsessão da disciplina de caserna a qualquer custo – sendo isso uma meta em si mesma -, “união e força†– que me desculpe o CSA –  eram o lema e o jogo representava um combate de uma falange que busca os resultados antes de qualquer coisa. Desse modo, de olhos e ouvidos vendados, o “comandante†à frente da “pátria em chuteirasâ€, como diria Nelson Rodrigues, com aquele nome do personagem errado da história da Branca-de-Neve, sempre acreditou mais em transpiração do que em inspiração, como falou ontem um comentarista da ESPN.

Assim, buscando fazer da “Canarinha†um time como qualquer outro da Europa, o tresloucado Dunga roubou o que no jogador brasileiro fazia a diferença – a criatividade genial que sempre pesou decisivamente na hora em que a tática não funcionava. Sem falar ser esse o charme do nosso futebol sempre a encantar o mundo… Construindo uma equipe a sua imagem e semelhança e abominando – como Narciso – todo jogador que não refletisse sua figura como chutador de bola, o comandante, que sempre esteve mais para “sargento†– com todo respeito a essa patente -, alimentou comportamentos dignos de pena, como os de Felipe Melo, além de produzir  um time que, segundo meu filho disse um dia antes dessa derrota de ontem, era capaz de ir, de lances geniais no primeiro tempo, a um comportamento irreconhecível no segundo tempo…

Dunga foi vítima de sua própria receita! No seu time sempre sobrou petulância e soberba na proporção inversa da habilidade, da criatividade e do fairplay…

Acordei hoje com a notícia na TV de que os jogadores, ao homenageá-lo pela derrota, lamentavam por não haverem ganho a copa para ele, imaginem! Nesse quesito “culto à personalidadeâ€, sinceramente, sou mais Maradona, com toda sua pinta de bobo da corte… Afinal, esse pelo menos já jogou futebol de verdade!

Por isso, essa derrota, que me levou a blogar sobre futebol – que, absolutamente não domino – é para dizer:

- Ciao, Comandante. Já vai tarde, para a Itália, de preferência, que é isso que você deseja… Fique longe de nós e, quem sabe, o “dono†de nossa seleção volte a pensar no que viu em sua infância e juventude e se lembre que agora é dever nosso superar a escrita de 1950, já que a Copa, em 2014, vai ser aqui e é bastante recomendável que, como anfitriões, joguemos bonito, sejamos campeões, de preferência, e com muito fairplay…

Se voltarmos a ter o futebol arte, quem sabe o CRB, o SPORT CLUBE DO RECIFE e o FLUMINENSE voltem a ter pelo menos mais um torcedor – eu –, sem contar que a Canarinha não vai perde definitivamente mais de um torcedor – eu, também, com toda certeza.

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Autoridade pública que, em seus atos, usa linguagem criptografada, agride o direito alheio…

quarta-feira, junho 23rd, 2010

Em meio aos achaques que me abateram nas últimas semanas, tive o privilégio de passar quatro horas na Escola de Magistratura com os jovens juízes que estão ingressando na carreira. Foi uma tarde de muitas conversas sobre educação e cultura em Alagoas.

No desenrolar das quatro horas em que falamos de educação e cultura em Alagoas, fiz referência a uma prática frequente no meio jurídico, que considero complicada, ainda que não tivéssemos entre nós, alagoanos, um índice tão expressivo de analfabetismo – absoluto e funcional – ou uma subescolarização que bate a média nacional e nordestina: refiro-me ao uso do “juridiquês†ou “jargão dos profissionais do direito†nos processos e nas sentenças!

Embora esse não seja um problema exclusivo dessa tribo (basta ver os médicos falando, na televisão, sobre “estenoseâ€, “edemaciadoâ€, “enfartado†e coisas do gênero), causa espécie (essa seria uma expressão do povo do direito) a presença, em processos de pessoas simples, de expressões como “fumus boni jurisâ€, “inaudita altera parsâ€, “ipso factoâ€, quando não palavras e expressões do vernáculo, as quais, segundo minha mestra Maria Lúcia Montes, não fazem parte da linguagem de gente…  É que, embora registradas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa ou nos dicionários, as mais das vezes são palavras arcaicas ou específicas de uma região, do domínio de um público muito específico ou do vocabulário científico que somente se justifica pela necessidade de circulação e compreensão no mundo inteiro – são os tais “nomes científicosâ€, derivados, quase sempre do bom e velho, mas morto latim…

Para mim, quem escreve para o público em geral tem que ser claro e usar termos e expressões ao alcance de qualquer pessoa…

 Pois bem: voltando às minhas aulas na ESMAL, lá encontrei uma jovem juíza chamada Marina Gurgel, que foi sensível à discussão, a ponto de me mandar uma pérola de sentença passada por um juiz baiano.

Chamado Gerivaldo Neiva (foto acima), o juiz de Conceição do Coité (Bahia) foi genial – pela simplicidade e pela sensibilidade – ao proferir sentença a favor de um carpinteiro, por exemplo, com a preocupação de, não somente fazer justiça, mas, também, de ter sua decisão entendida pelo suplicante (como se diz no juridiquês de quem demanda algum direito).

Com a licença da Juíza Marina Gurgel e do Juiz Gerivaldo Neiva, passo a transcrever imagens e a sentença sobre “O Celular do Carpinteiroâ€:

 

Processo Número: 0737/05

Quem Pede: José de Gregório Pinto

Contra quem: Lojas Insinuante Ltda, Siemens Indústria Eletrônica S.A e Starcell Computadores e Celulares.

 

Vou direto ao assunto.

O marceneiro José de Gregório Pinto, certamente pensando em facilitar o contato com sua clientela, rendeu-se à propaganda da Loja Insinuante de Coité e comprou um telefone celular, em 19 de abril de 2005, por suados cento e setenta e quatro reais.

Leigo no assunto, é certo que não fez opção por fabricante. Escolheu pelo mais barato ou, quem sabe até, pelo mais bonitinho: o tal Siemens A52. Uma beleza!

Com certeza foi difícil domar os dedos grossos e calejados de marceneiro com a sensibilidade e recursos do seu Siemens A52, mas o certo é que utilizou o aparelhinho até o mês de junho do corrente ano e, possivelmente, contratou muitos serviços. Uma maravilha!

Para sua surpresa, diferente das boas ferramentas que utiliza em seu ofício, em 21 de junho, o aparelho deixou de funcionar. Que tristeza: seu novo instrumento de trabalho só durou dois meses. E olha que foi adquirido legalmente nas Lojas Insinuante e fabricado pela poderosa Siemens… Não é coisa de segunda-mão, não! Consertado, dias depois não prestou mais… Não se faz mais conserto como antigamente!

Primeiro tentou fazer um acordo, mas não quiseram os contrários, pedindo que o caso fosse ao Juiz de Direito.

Caixinha de papelão na mão, indicando que se tratava de um telefone celular, entrou seu Gregório na sala de audiência e apresentou o aparelho ao Juiz: novinho, novinho e não funciona. De fato, o Juiz observou o aparelho e viu que não tinha um arranhão.

Seu José Gregório, marceneiro que é, fabrica e conserta de tudo que é móvel. A Starcell, assistência técnica especializada e indicada pela Insinuante, para surpresa sua, respondeu que o caso não era com ela e que se tratava de “placa oxidada na região do teclado, próximo ao conector de carga e microprocessador.â€Â Seu Gregório: o que é isto? Quem garante? O próprio que diz o defeito diz que não tem conserto…

Para aumentar sua angústia, a Siemens disse que seu caso não tinha solução neste Juizado, por motivo da “incompetência material absoluta do Juizado Especial Cível – Necessidade de prova técnica.â€Seu Gregório: o que é isto? Ou o telefone funciona ou não funciona! Basta apertar o botão de ligar. Não acendeu, não funciona. Prá que prova técnica melhor?

Disse mais a Simens: “o vício causado por oxidação decorre do mau uso do produto.â€Â Seu Gregório: ora, o telefone é novinho e foi usado apenas para falar. Para outros usos, tenho outras ferramentas. Como pode um telefone comprado na Insinuante apresentar defeito sem solução depois de dois meses de uso? Certamente não foi usado material de primeira. Um artesão sabe bem disso.

O que também não pode entender um marceneiro é como pode a Siemens contratar um escritório de advocacia de São Paulo, por pouco dinheiro não foi, para dizer ao Juiz do Juizado de Coité, no interior da Bahia, que não vai pagar um telefone que custou cento e setenta e quatro reais? É, quem pode, pode! O advogado gastou dez folhas de papel de boa qualidade para que o Juiz dissesse que o caso não era do Juizado ou que a culpa não era de seu cliente! Botando tudo na conta, com certeza gastou muito mais que cento e setenta e quatro para dizer que não pagava cento e setenta e quatro reais! Que absurdo!

A loja Insinuante, uma das maiores e mais famosas da Bahia, também apresentou escrito de advogado, gastando sete folhas de papel, dizendo que o caso não era com ela por motivo de “legitimatio ad causamâ€, também por motivo do “vício redibitório e da ultrapassagem do lapso temporal de 30 diasâ€Â e que o pobre do seu Gregório não fez prova e então “allegatio et non probatio quasi non allegatio.â€

E agora seu Gregório?

Doutor Juiz, disse Seu Gregório, a minha prova é o telefone que passo às suas mãos! Comprei, paguei, usei poucos dias, está novinho e não funciona mais! Pode ligar o aparelho que não acende nada! Aliás, Doutor, não quero mais saber de telefone celular, quero apenas meu dinheiro de volta e pronto!

Diz a Lei que no Juizado não precisa advogado para causas como esta. Não entende seu Gregório por que tanta confusão e tanto palavreado difícil por causa de um celular de cento e setenta e quatro reais, se às vezes a própria Insinuante faz propaganda do tipo: “leve dois e pague um!â€Â Não se importou muito seu Gregório com a situação: um marceneiro não dá valor ao que não entende! Se não teve solução na amizade, Justiça é para isso mesmo!

Está certo Seu Gregório: O Juizado Especial Cível serve exatamente para resolver problemas como o seu. Não é o caso de prova técnica: o telefone foi apresentado ainda na caixa, sem um pequeno arranhão e não funciona. Isto é o bastante! Também não pode dizer que Seu Gregório não tomou a providência correta, pois procurou a loja e encaminhou o telefone à assistência técnica. Alegou e provou!

Além de tudo, não fizeram prova de que o telefone funciona ou de que Seu Gregório tivesse usado o aparelho como ferramenta de sua marcenaria. Se é feito para falar, tem que falar!

Pois é, Seu Gregório, o senhor tem razão e a Justiça vai mandar, como de fato está mandando, a Loja Insinuante lhe devolver o dinheiro com juros legais e correção monetária, pois não cumpriu com sua obrigação de bom vendedor. Também, Seu Gregório, para que o Senhor não se desanime com as facilidades dos tempos modernos, continue falando com seus clientes e porque sofreu tantos dissabores com seu celular, a Justiça vai mandar, como de fato está mandando, que a fábrica Siemens lhe entregue, no prazo de 10 dias, outro aparelho igualzinho ao seu. Novo e funcionando!

Se não cumprirem com a ordem do Juiz, vão pagar uma multa de cem reais por dia!

Por fm, Seu Gregório, a Justiça vai dizer à assistência técnica, como de fato está dizendo, que seu papel é consertar com competência os aparelhos que apresentarem defeito e que, por enquanto, não lhe deve nada.

À Justiça ninguém vai pagar nada. Sua obrigação é fazer Justiça!

A Secretaria vai mandar uma cópia para todos. Como não temos Jornal próprio para publicar, mande pelo correio ou por Oficial de Justiça.

Se alguém não ficou satisfeito e quiser recorrer, fique ciente que agora a Justiça vai cobrar.

Depois de tudo cumprido, pode a Secretaria guardar bem guardado o processo!

Por último, Seu Gregório, os Doutores advogados vão dizer que o Juiz decidiu “extra petitaâ€, quer dizer, mais do que o Senhor pediu e também que a decisão não preenche os requisitos legais. Não se incomode. Na verdade, para ser mais justa, deveria também condenar na indenização pelo dano moral, quer dizer, a vergonha que o senhor sentiu, e no lucro cessante, quer dizer, pagar o que o Senhor deixou de ganhar.

No mais, é uma sentença para ser lida e entendida por um marceneiro.

 

Conceição do Coité, 21 de setembro de 2005

Gerivaldo Alves Neiva

Juiz de Direito

 

Pelo ineditismo da forma de agir do Juiz Neiva e pelo serviço de cidadania que ele presta aos que se encontram sob sua jurisdição, passo para vocês o link de seu maravilhoso blog:

http://gerivaldoneiva.blogspot.com/2007/08/processo-nmero-073705-quem-pede-jos-de.html

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Capazes de realizar grandes feitos – intelectuais, inclusive – são somente os da elite econômica e diplomada?

sábado, junho 19th, 2010

Depois de quase três semanas ausente, aqui estou blogando novamente. Desculpem-me os que me dão a honra do acesso a esta página: é que, depois de uma gripe que durou quase três semanas – por conta de não haver me vacinado, evidentemente – vi cair sobre mim, como uma avalanche, tudo o que foi ficando acumulado… Mas, agora, totalmente recuperado e com a trabalheira em dia, retorno com o propósito de blogar ao menos duas vezes por semana – já que sou um aposentado ocupadíssimo.

Infelizmente, nessa minha volta tenho que lidar com um tema triste – o desaparecimento de nosso meio do incomensurável escritor José Saramago.

Esse tema, inclusive, impõe-me uma reflexão sobre um preconceito das elites nacionais – sejam elas assim chamadas por conta do dinheiro que têm, da patota que frequentam ou dos diplomas que carregam. Refiro-me ao modo como são vistos os que, não sendo da corriola, são considerados indignos de honrarias ou de ocupar determinados cargos, por não terem alta escolarização, ainda que mostrem serviço competente e que resultam, em última instância, em benefício gordo até para essas elites… Esse preconceito é tão empedernido que muitos esquecem até de sua própria trajetória ou dos seus antepassados, quando não inventam diplomas que não existem…

Pois bem: José de Sousa Saramago, cidadão português, é a prova viva de que um diploma não é tudo na vida – às vezes, se você quer saber, somente atrapalha, já que enaltece a ignorância! Nós que já tivemos o nosso escritor maior que não careceu de qualquer diploma para alcançar o domínio do pensamento e da língua – refiro-me ao Mestre Graça –, já deveríamos ter nos desvencilhado desse olhar pervertido e perverso, nascido na colônia e alimentado generosamente no Império e na República Velha, e que insiste em pensar que somente existe qualidade intelectual em quem cursou toda a escola regular e é detentor de um canudo de nível superior…

Não estou querendo dizer aqui que a escola não seja importante – ontem e hoje – e que o estudo em níveis formais cada vez mais altos não sejam importantes: o que pretendo dizer é que, para além da escola, o estudo e a mente aberta para aprender com os livros e no dia-a-dia é que são indispensáveis para a construção de um sábio. Repito; o que importa é e-s-t-u-d-a-r  e   p-e-n-s-a-r… O diploma deve ser sempre consequência do domínio da sabedoria e jamais instrumento que, por si só, torna o portador um sábio! E quando digo isso estou falando do “heterodidata†– termo que ouvi, há poucos dias, de minha querida amiga Marinaide Queiroz, ao se referir ao próprio pai e que penso ter sido o caso do meu: eles não foram “autodidatasâ€, porque ninguém aprende sozinho; mas, mesmo sem escola e sem diploma, foram sábios ao seu modo, porque, atentos à vida, ao convívio com os outros e na vivência com os livros, fizeram-se pensadores originais e pessoas que sempre tinham algo a ensinar a nós, que vivemos anos e anos alisando as bancas da escola e acumulando diplomas…

Vamos examinar um pouco a trajetória do José Saramago, que parece me dar razão: nascido de pais muito pobres, tendo que abandonar a escola antes de concluir o que hoje chamamos de Nível Médio, começou a se sustentar do exercício de profissões manuais, até se converter num tradutor e, em seguida num escritor que chega a receber das mãos do Rei Carlos Gustavo, da Suécia, em 10 de  dezembro de 1998, o Prêmio Nobel de Literatura.

 

Copyright © FLT-Pica 1998 – SE-105 17 Stockholm, Sweden – Foto: Anders Wiklund

Segundo o Jornal de Poesia da NET, considerando a trajetória literária pouco exitosa do escritor português até a maturidade, “nada permitia supor que José Saramago viria a se tornar quem hoje é: [...] um romancista lido e admirado em todo o mundo, traduzido para 21 idiomas e insistentemente apontado, desde 1994, como um dos favoritos para ganhar Prêmio Nobel de Literatura, tradicionalmente anunciado no mês de outubro e que seria o primeiro concedido a um autor de língua portuguesa. Pois foi aí, já quase sexagenário, que a vida de José Saramago – menino pobre que não teve um livro antes dos 19 anos e que na juventude trabalhou como mecânico de automóveis (embora não saiba dirigir) – se pôs a trepidar, num benfazejo terremoto que em pouco mais de uma década haveria de redesenhar a sua paisagem existencialâ€. Esse texto foi profético, já que o nosso escritor recebeu, de fato, o único prêmio Nobel dado até hoje a um escrito de língua portuguesa.

 José Saramago mostra Medalha do Nobel Medal. Copyright © Pressens Bild AB – Foto: Toni Sica

O que dizer desse homem fenomenal que, sem ser bacharel, mestre ou doutor – quanto mais pós doutor – , escrevia ao som de Mozart, Bach ou Beethoven?  Há alguma coisa que tire o brilho desse lusófono que nos orgulha a todos que nos comunicamos por meio da “Última Flor do Lácioâ€, ou estavam enganados todos os que votaram pela concessão do prêmio mais honroso que se pode hoje oferecer a alguém?

Se alguém como Saramago pôde ser reconhecido como literato, ainda que não tivesse escolaridade formal completa, o que impede que outros – você sabe de quem estou falando – não possam também ser aceitos como plenamente capazes do ponto de vista intelectual, até porque tiveram o mesmo tipo de formação escolar e trajetória profissional do escritor – Curso Médio inconcluso e ocupação no campo da mecânica?

José Saramago, que acaba de ir-se desta vida, deixou uma filha, Violante, bióloga, de seu primeiro casamento, e dois netos, Ana e Tiago. Faleceu em Lanzarote, ilha do arquipélago das Canárias (Espanha), para onde se mudou em fevereiro de 1993, depois que teve seu livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo†censurado em Portugal.

 Recebeu o título de ‘filho adotivo’ da ilha e ali viveu os últimos anos de sua vida, com sua segunda mulher,  Pilar del Río, sua tradutora para o espanhol e revisora das antigas traduções e com seus cães de estimação.

Rainha Sílvia, da Suécia, em 1998, no Banquete Nobel em Stockholm.
Copyright © FLT-Pica 1998, S-105 17 Stockholm, Sweden – foto: Claudio Bresciani

Lamentável a falta que Saramago nos fará – ele que, dizendo-se ateu, não deixa de ser imortal pelo legado que nos deixa. Sábio até no modo de escrever, dizia: Não escrevo mais que duas páginas por dia. Ao fim da segunda, paro, mesmo que pudesse continuar. Parece pouco, mas duas páginas por dia todos os dias, ao fim do ano são quase oitocentas.â€

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Na próxima semana, o interior de Alagoas vai se afogar em cultura….

sexta-feira, maio 28th, 2010

Com uma qualidade cada vez mais apurada, a FUNDAÇÃO DELMIRO GOUVEIA, com sede na cidade que leva o nome de seu patrono, no sertão de Alagoas, promove, de 3 a 5 de junho próximo, mais uma edição da SEMANA DELMIRO GOUVEIA. Essas datas constituem o próximo fim-de-semana que começa na quinta-feira, com o feriado de CORPUS CHRISTI.

Reproduzindo a saga de seu patrono, a FUNDEG mostra, já pelo nono ano consecutivo, que é também possível se produzir no alto sertão alagoano, feitos raramente vistos em Alagoas, inclusive na sua capital: refiro-me a um evento de três dias, com uma programação que prima pela qualidade e que pensa no público como um todo.

A Semana Delmiro Gouveia, em sua 13ª edição,  vai de oficinas de artesanato e educativas – envolvendo desde a literatura oral, até o uso da Internet na escola -, passando pela música, pelo cinema, pelo teatro, pelas artes plásticas e pela dança -, até um ciclo de palestras e debates e um menu de artistas na praça de dar inveja a muitos eventos culturais de cidade grande cujos governantes ou produtores culturais prezam pela cultura de seu povo…

O esporte como instrumento de inclusão social também será destacado, juntamente com a apresentação de artistas na Praça de Eventos da cidade de Delmiro Gouveia, da quinta até o sábado.


O foco das discussões, como é de se esperar, é sempre essa figura difícil de decifrar sem cair na mitificação fácil – refiro-me a DELMIRO GOUVEIA, que foi, segundo Mauro Mota, “civilizador de terras, águas e genteâ€.

Delmiro será tema de uma mesa redonda, na sexta-feira, com a minha participação, de meu filho, que é Cineasta e Doutor em Filosofia, e do criador e inspirador desse e dos eventos anteriores, professor Edvaldo Nascimento.

Sobre Delmiro será, também, a exposição “O Modernizador do Nordesteâ€, que tem a pesquisa histórica feita pelo Prof. Edvaldo e a curadoria de Francisco Pernambucano de Melo, grande historiador brasileiro que se encontra entre as maiores autoridades que têm tratado da saga do industrial da Vila da Pedra.

Esse post não pode ser encerrado sem que se diga mais sobre esse visionário de cuja mente saiu a inspiração para criar a FUNDAÇÃO DELMIRO GOUVEIA e que, mesmo afastado de sua diretoria, continua sendo o grande apoio de sua diretoria nesse e nos eventos anteriores.


Refiro-me ao Prof. Edvaldo Nascimento.

Vereador por Delmiro, no segundo mandato, ele é hoje, além de professor das redes estadual e municipal de ensino, mestrando do Programa de Mestrado em educação da UFAL.

Segundo diz o site Vermelho, “sua paixão pelo resgate cultural vem desde a criação da Fundação Delmiro Gouveia (Fundeg), entidade que é uma referência cultural no Estado de Alagoas, tendo sido seu presidente por seis anos. Recentemente, foi produtor executivo do filme ‘Lá vem o Juvenal’, documentário que retrata a vida do jóquei alagoano, realizado com a articulação feita pela Fundação Delmiro Gouveia com outras entidades. O filme conta a trajetória do vaqueiro que deixou o sertão de Alagoas ainda na adolescência e foi para a cidade grande, o Rio de Janeiro, transformando-se em renomado profissional de corridas de cavalos, vencedor do Grande Prêmio Brasil de Turfe por cinco vezes.

O documentário de média-metragem – com cartaz reproduzido acima –  leva como nome o bordão que marcou a carreira do jóquei, criado por Hernani Pires Ferreira, locutor oficial de corridas no Hipódromo da Gávea.

Para Edvaldo Nascimento “Essa história do Juvenal é um resgate da história de Alagoas, de um sertanejo que venceu”.

Para comprovar a qualidade de um evento feito no sertão alagoano , veja,  a seguir, a sua programação, na íntegra, e sinta-se com vontade de passar o feriadão em DELMIRO GOUVEIA, empanzinando-se de buchada de bode e muita cultura:


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Será que é tão difícil cuidar de nossa cidade?

sábado, maio 22nd, 2010

Maceió é uma dádiva do Criador: aqui a natureza urra de beleza, enquanto os cuidados com o que nos foi dado de graça são tão mesquinhamente dispensados!

Segundo penso, uma das principais funções do Prefeito com sua turma de auxiliares é cuidar da cidade, como um síndico cuida do prédio que lhe entregam por eleição! Evidentemente que, para mim, o cuidar de um espaço humano – portanto de convivência – implica manter os equipamentos físicos em ordem, ainda que não somente esses: promover ações socialmente necessárias é, no caso do Governo Municipal, porque público, dever primordial! Afinal, de que vale uma cidade bonita, com um povo faminto, sub-escolarizado – quando não sem escolaridade alguma -, sem saúde, em profunda insegurança??!!

Mas, como dizem que a grande dificuldade de atender aos direitos sociais da população mais carente financeiramente e o fato de que os recursos orçamentários são sempre escassos – essa é a fala renitente dos planejadores de políticas públicas desde a ditadura, em cuja fileira eu não me alinho -, por que não cuidar direitinho ao menos de alguns aspectos físicos da cidade?

Já bloguei aqui, por exemplo, sobre a imundície de nossas ruas: claro que ruas limpas exigem população educada, mas o que custa, por exemplo, coibir a ação dos carroceiros que ficam tirando os entulhos daqui pra li, quando a Prefeitura só faz recolher o resultado dessa “brincadeira de mau gostoâ€, assim mesmo quando os moradores da rua emporcalhada não suportam mais? Vejam a foto que tirei essa semana da rua por onde passo para trabalhar todo dia:

 Essa fotografia pode ser repetida toda semana: essa foi tirada numa terça-feira e foi crescendo a semana inteira; enquanto isso, os carroceiros – que transitam nas vias públicas sem qualquer controle – vão se oferecendo aos moradores da cidade para “remover†entulhos, cobrando, inclusive, caro, porque, segundo eles, o lugar para onde vão levar o material é muito longe…

Viajando por lugares considerados ricos, já tive oportunidade de ver práticas públicas de cuidados com as cidades que sempre achei ser fruto dos recursos que sobravam e do povo que sabia se conduzir, até que, no final deste ano, prestei atenção a algumas coisas que vi em Portugal, de quem, podemos dizer, herdamos muitas mazelas! E vi práticas ali até mais avançadas do que na Noruega ou na Dinamarca, por exemplo! Uma delas foi na cidade do Porto: em muitas praças lá estavam os saquinhos para os esquecidos que passeiam seus cachorros e que fotografei e apresento aqui, como prova do que digo:

 

E não venham me dizer que apanhar o cocô dos cachorros tem a ver com educação escolar ou coisa do tipo: no bairro de Higienópolis, em São Paulo, por exemplo, onde mora um PIB per capita somente comparável ao bairro dos Jardins, e onde mais se cria cão e gato no Brasil, se você não andar olhando muito atentamente para o chão, vai amargar uma plastada a cada passo! Não fosse minha nora tão atenta e eu voltaria para casa, quando lá estou a passear, com o pé literalmente atolado na merda!

Outro modo de cuidar bem das pessoas que eu vi ser praticado em Lisboa – e já tinha visto em Oslo, na Noruega – é em relação aos pontos de ônibus: sem as guaritas confortáveis de Londres, de Amsterdam ou mesmo de Paris, no entanto não faltam os pequenos indicativos de onde você está e para onde o ônibus ou o bonde que ali passa vai lhe levar! Veja que gracinha a foto de um ponto  nas cidades maiores de Portugal…

Claro que o coletivo tem que ser pontual, pois ali temos as horas da parada, razão pela qual é desnecessária qualquer coberta no ponto, já que eu vou chegar ali somente na hora pré-estabelecida.

Sei que somente com esses cuidados não teremos uma cidade mais humanizada: mas, esses exemplos são apenas um pouco do que se tem direito e do que a autoridade pública tem que fazer para os moradores… Aliás, é bom dizer que isso somente é feito justamente porque a população tem consciência de seus direitos e os exige… já que cidadania, segundo a experiência delçes, precisa existir antes, durante e depois das eleições!!!

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O princípio da boa Administração Pública

sábado, maio 15th, 2010

Realizando a VI Edição de sua já tradicional SEMANA DE DIREITOS HUMANOS, a SEUNE, por meio de seu curso de Direito, torna real o compromisso de atuar sempre em favor da sociedade.

 

Sob o competente e entusiasmando comando da Professora Mestra Cláudia Amaral desde o início – graças ao que se  consegue contar sempre com o apoio de tod@s os que fazem a SEUNE -,  a VI Semana de Direitos Humanos acontece de hoje até 21 de maio próximo, na sede da Instituição (esquina da ladeira da antiga Rodoviária com a Av. Dom Antônio Brandão, no Farol). Este ano o tema central é “O PRINCÃPIO DA BOA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICAâ€.

 

  Iniciando a semana com a JUSTIÇA ITINERANTE NA SEUNE, idéia da Professora Celina Bravo, coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica da Faculdade, e que já se encontra em sua segunda edição, a SEUNE torna claro para a sociedade que o fato de ser uma instituição particular não a exime do compromisso com a sociedade. Segundo seu Diretor-Geral, o Procurador Aposentado Sebastião Palmeira, “se o Estado não faz ou faz mal, cabe à Sociedade Civil, por meio de suas organizações, assumir a responsabilidade social que lhes cabe e ir ao encontro dos interesses públicos. É isso que a SEUNE vem e continuará fazendoâ€.

Hoje, portanto,  dia 15 de maio de 2010 (sábado), das 8 às 17 horas, a realização da Segunda Edição da Justiça Itinerante na SEUNE se desenvolverá numa ação conjunta que envolverá o Tribunal de Justiça de Alagoas, a Defensoria Pública de Alagoas e o Núcleo de Prática Jurídica da SEUNE, que trabalhará com os alunos do curso de Direito daquela instituição de ensino. Durante todo o dia serão oferecidos diversos serviços GRATUITOS à população de toda Maceió, dentre eles: emissão de certidão de nascimento, carteira de identidade, CPF, carteira de trabalho, ações das mais diversas naturezas cíveis como: divórcio, pensão alimentícia, tutela, reconhecimento de paternidade, retificação de registro civil, além de casamento comunitário para 200 casais.

Na edição da Justiça Itinerante da SEUNE do ano passado (confira na foto acima), foram atendidas  mais de 2.000 pessoas, tendo sido registradas a emissão de 244 de Cédulas de Identidade, 159 títulos de Eleitor, 120 Carteiras de Trabalho, 837 Fotos 3×4, além da propositura, pelo Núcleo de Prática Jurídica da SEUNE juntamente com a Defensoria Pública, de 456 ações cíveis, todas com resolução no mesmo dia.  Além desses serviços, o dia foi encerrado com a celebração de 250 casamentos no auditório da instituição.

O acontecimento foi um grande sucesso, já que conseguiu cumprir sua meta principal – atender a comunidade e prestar serviços de verdadeira relevância social, criando um laço, cada vez mais estreito, entre a SEUNE e as comunidades carentes que lhe são próximas, como Reginaldo, parte do Jacintinho e do Feitosa, sobretudo, que já utilizam habitualmente os serviços do Núcleo de Prática Jurídica.

Segundo a professora Celina, que coordena essa atividade pela SEUNE, “o Tribunal de Justiça e a Defensoria Pública de Alagoas e a Faculdade esperam superar o sucesso na edição da Justiça Itinerante deste ano, buscando ampliar, ainda mais, o número de atendimentos e de serviços já ofertados. É nesse sentido, merecem uma menção honrosa o TJ e a Defensoria, sem cuja participação nada disso seria possível.†De acordo com a Vice-Diretora da SEUNE, Professora Lana Lisiêr, que coordena toda a vida acadêmica da Instituição e que é também professora do Curso de Direito, “para nós a boa justiça é a que vem sem demora e, na hora certa, atendendo às necessidades dos sujeitos de direitos por excelência, que são aqueles que somente têm por eles o sentido e as ações de justiça do Estado e dos que podem ajudá-los, como a SEUNEâ€.

A VI SEMANA DE DIREITOS HUMANOS, em sua continuidade, tratará de temas de interesse geral da sociedade como LICITAÇÃO PÚBLICA, PREVIDÊNCIA DO SERVIDOR PÚBLICO, NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO, CORRUPÇÃO ELEITORAL, ORÇAMENTO PÚBLICO, PROBIDADE E IMPROBIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

Do seu time de feras foram escalados como palestrantes ou ministrantes de mini-cursos Cláudia Muniz do Amaral, Delano Sobral Rolim, Ramon J. A. da Silva, Juliana Jota, Delson Lyra, Carlos Roberto M. da Silva. Como convidados a Semana contará com a participação dos professores Luciano Ferraz (UFMG), Paulo Brêda (Presidente da Comissão de Combate à Corrupção Eleitoral da OAB/Nacional), Gabriel Ivo (Professor da UFAL e procurador do Estado), Deputado Judson Cabral (PT/Alagoas) e Ricardo Maurício Freire Soares (UFBa.).

Durante a semana ocorrerá o lançamento da revista eletrônica “OLHARES PLURAISâ€, cuja coordenação científica e editorial encontra-se sob a batuta da Professora Anne Francialy da Costa Araújo.

E, permeando os momentos mais especificamente acadêmicos, a VI SEMANA DE DIREITOS HUMANOS DA SEUNE terá torneio de futebol e amostras de cinema  Informações mais pormenorizadas, você, que é estudante universitário ou simpleSmente interessado pelo tema, encontra no sítio eletrônico www.seune.edu.br

 Aqui,o corpo diretivo da SEUNE e de seus cursos (da esquerda para a direita):

na  fila da  frente: Elcio Verçosa – Coordenador Acadêmico, Lana Lisiêr – Vice-Diretora da Faculdade, Sebastião Palmeira – Diretor-Geral; na segunda fila, Heliana Silva – Coordenadora do curso de Enfermangem, Adriana Peixoto – curso de Ciências Contábeis, Roberto Torres – Administração, Cláudia Amaral – Direito, Tutmés Airan – ex-coordenador do Núcleo de Prática Jurídica e Anne Francialy – Coordenadora do Núcleo de Pesquisa) .

 

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João Cândido, petróleo, racismo, emprego…

quinta-feira, maio 13th, 2010

Como vocês já perceberam, quando alguém diz melhor, dou-lhe a palavra… Assim, nesse dia 13 de MAIO, penso que o que vem a seguir tem tudo a  ver! Vejam o que diz Beto Almeida (*):

“Nesta sexta-feira a Transpetro lançou ao mar o navio petroleiro João Cândido. Batizado com o nome de um dos nossos heróis, marinheiro negro, filho de escravos e líder da Revolta da Chibata (gravura acima), o navio tem 247 metros de comprimento, casco duplo que previne acidente e vários significados históricos.

 Primeiro, leva a industrialização para Pernambuco, contribuindo para reduzir as desigualdades regionais. Em segundo lugar, dá um cala-boca para quem insinuou de forma maldosa que o PAC era apenas virtual. Em terceiro, prova que está em curso a remontagem da indústria naval brasileira criminosamente destruída na era da privataria (ver, a seguir, Estaleiro em Suape, de onde saiu o petroleiro):

 

Como um simbolismo adicional, um total de 120 operários dekasseguis foram trazidos do Japão, com suas famílias, para juntarem-se aos operários nordestinos que construíram o navio. Os primeiros não precisam mais morar longe da pátria; os outros, saem do canavial para a indústria e não precisam mais pegar o pau-de-arara, nem entoar com amargura a Triste Partida, de Patativa do Assaré, como um certo pernambucano teve que fazer na década de 50. Até que virou presidente.

Mulheres trabalhando como chefes de equipe de soldagem no Estaleiro Atlântico Sul, no município de Ipojuca, em Pernambuco, pronunciavam frases orgulhosas lembrando que não sabiam nem que esta também poderia ser uma tarefa feminina. O ex-pescador de caranguejo contava em depoimento agreste que antes do estaleiro não sabia direito como ganhar o sustento da família a cada dia que acordava. O ex-canavieiro, agora operário, destaca que não depende mais temporalidade insegura da colheita da cana e quando acorda já tem para onde ir, quando antes vivia a insegurança. Estes alguns dos vários depoimentos colhidos na inauguração do navio petroleiro João Cândido ao ser lançado ao mar pernambucano. Deixa em terra um rastro de transformação.

Inicialmente, na vida destas pessoas antes lançadas ao deus-dará de uma economia nordestina reprimida, desindustrializada. A transformação atinge os municípios mais próximos, pois no local onde foi construído o estaleiro, uma antiga moradora, Mônica Roberta de França, negra de 24 anos, que foi escolhida para ser a madrinha do navio, dizia que ali era um imenso areal, não tinha nada. Agora tem uma indústria e uma escola técnica para os jovens da região. E que só agora ela tem seu primeiro emprego na vida com carteira assinada. 

Desculpas à Nação

Para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o lançamento do João Cândido ao mar tem o mesmo alcance histórico do gesto de Getúlio Vargas quando deu forte impulso à nacionalização da indústria naval brasileira, na década de 30, por meio da empresa de navegação estatal. “Aqueles que destruíram a indústria naval tem que assumir sua responsabilidade e pedir desculpas à Naçãoâ€, disse Campos na solenidade que teve a participação de 5 mil pessoas aproximadamente, sobretudo dos operários.

O Navio João Cândido abre uma nova rota para a economia brasileira. Incialmente, porque a Petrobrás já não será obrigada a desembolsar cerca de 2,5 bilhões de reais por ano com o afretamento de navios estrangeiros. Há, portanto, um revigoramento do papel do Estado na medida em que a reconstrução da indústria naval brasileira é resultado direto de encomendas da nossa empresa estatal petroleira. O que também permite avaliar a gravidade e o caráter antinacional das decisões que levaram um país com a enorme costa que possui, tendo montado uma economia naval de peso internacional respeitável, retroceder em um setor tão estratégico. 

E isso quando nossa economia petroleira, há anos, já dava sinais de expansão, mesmo quando estavam no poder os que promoveram o espantoso sucateamento, a desnacionalização e a abertura da navegação em favor dos países que querem impedir nosso desenvolvimento. Este tema, certamente, não poderá faltar nos debates da campanha presidencial deste ano.

 Almirante negro

A escolha do nome João Cândido também foi destacada na solenidade por meio do novo ministro da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Eloy Moreira. Vale registrar que há pouco mais de um ano Lula participou de homenagem ao Almirante Negro inaugurando sua estátua na Praça XV, no Rio, que estava há anos guardada, supostamente porque não teria havido grande empenho da Marinha na realização desta solenidade. Pois bem, agora João Cândido não está apenas nas “pedras pisadas do caisâ€, com diz a maravilhosa canção de Bosco e Blanc. Está na estátua e está cruzando mares levando para o mundo afora o nome de um de nossos heróis. 

Navegar é possível

O novo petroleiro estatal, portanto, é uma prova real de que sim “navegar é possívelâ€, como dizia uma faixa no ato. Navegar na rota inversa daquela que promoveu o desmantelamento da nossa indústria naval. Navegar na rota da revitalização e qualificação do papel protagonista do estado. Recuperar um curso que havia sido fundado lá durante a Era Vargas onde se combinava industrialização e nacionalização com geração de empregos e direitos trabalhistas. Se no período neoliberal foi proclamada a idéia de destruir a “Era Vargasâ€, agora, está não apenas proclamada, mas já colocada em marcha, a necessidade de reconstruir a partir dos escombros da ruína das privatizações – entulho neoliberal – tendo no dorso no navio-gigante o nome heróico do líder da Revolta da Chibata. Sem revanchismo, o episódio permite lembrar outra canção: “É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou darâ€

(*) O autor é Presidente da TV Cidade Livre de Brasília e o texto foi publicado no Boletim “CARTA MAIORâ€, não por coincidência datado de hoje, 13 de maio de 2010. Aqui sou responsável apenas pelas ilustrações.

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Está nos outdoors da cidade inteira… e é um caso de delegacia…

quarta-feira, maio 12th, 2010

Veja o outdoor acima – tudo começa como se fôssemos completamente ignorantes: o que há mais de 13 anos se chama de ENSINO MÉDIO, os caras chamam ainda de  2º Grau…

Vamos lá que a ignorância seja deles e que, por estarem desatualizados, continuem com a velha nomenclatura, ainda que sem o direito de fazê-lo, já que deveriam ser do ramo: mas, entrando direto no mérito da questão, é possível ser considerado como concluinte da última etapa da Educação Básica – Ensino Médio – em um ou dois meses?

Sem mais, a resposta à pergunta seria sim, sob uma condição básica geral: mediante Exames Supletivos, desde que, para o Ensino Médio – por eles denominado de 2º Grau – o pretendente tivesse dezoito anos ou mais! Obviamente que o pressuposto é de que os Exames Supletivos a que vierem a se submeter sejam regulares…

Aqui no nosso Estado isso seria possível, porém, se não existisse, para o Sistema de Ensino de Alagoas – determinado pelo Conselho Estadual de Educação, no uso das prerrogativas concedidas por lei – um porém: segundo o que determina o nosso Conselho há quase dez anos, os Exames Supletivos são de competência exclusiva do Poder Público Estadual – leia-se Secretaria Estadual de Educação.

Até uma Secretaria Municipal, no território alagoano, somente pode fazer Exames Supletivos se receber delegação do Conselho Estadual de Educação e. assim mesmo, apenas para o Ensino Fundamental. Qualquer outra coisa do tipo é ilegal!

Essas são as condições gerais para se conseguir certificado de Ensino Fundamental ou Médio em curto espaço de tempo em Alagoas. A regra criada pelo nosso Conselho de Educação foi justamente para coibir a “sabedoria†de alguns empresários da educação que, atuando nas brechas da legislação, usaram dessa prática entre nós por uns bons cinco ou mais anos… logo após a última lei geral da educação… a tão falada LDB.  Assim, qualquer forma de certificar segundo o que promete a propaganda do outdoor representa emissão ilegal de certificação de estudos, para o que somente existe um remédio: cadeia!!!!

Há, ainda, em Alagoas, segundo minha interpretação,  uma outra possibilidade legal de se abreviar estudos para obtenção de certificado de Ensino Fundamental ou Médio:  é via curso de Educação de Jovens e Adultos devidamente autorizado pelo Conselho, com avaliação no processo e uma série de condições que jamais admitem a conclusão dos cursos em 1 ou 2 meses…

Eu acrescentaria que existe ainda, em Alagoas, uma outra possibilidade de se ter um certificado do Ensino Fundamental ou Médio em uma semana, além dos Exames Supletivos Gerais: seria via RECLASSIFICAÇÃO, prevista na LDB, o que somente pode ser feito por uma escola devidamente regular junto ao Conselho que, recebendo um jovem além da idade mínima prevista e sem escolaridade formal prévia – ou seja, com estudos feitos aqui e ali, com a ajuda de pessoas e com a aplicação pessoal – tenha o seu saber avaliado e atestado pela escola como correspondente ou acima do que se exige para o Ensino Fundamental ou para o Ensino Médio, conforme o caso! Estamos trabalhando com a hipótese de um gênio, mas eles existem e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação dá abertura para acolher todos os excepcionais…inclusive os superdotados! Nestes casos, inclusive, há um artigo destinado à abreviação da escolaridade de quem tem excepcional desempenho…

Qualquer outra forma de abreviar estudos é picaretagem… Provavelmente nesse outdoor trata-se de gatos – sabe aquele povo que pega trabalhador rural para ser sub-assalariado fora de Alagoas – somente que atuando no campo do ensino: eles pegam os incautos – ou metidos a sabidos – e os levam para algum Estado vizinho – talvez Sergipe – cujo Conselho de Educação não regulamentou a Educação de Jovens e Adultos como manda a legislação, e forja um exame supletivo feito por uma instituição qualquer, emitindo um certificado que jamais será suficiente para cobrir a ignorância – ou a malandragem – de quem quer que tenha optado por essa via… Afinal, a promessa de “viagem incluída” implica em sair de Alagoas para os “exames com aprovação garantida”…

O que eu não entendo é por que os Ministérios Públicos Estadual e/ou Federal – ou simplesmente a Polícia Federal – não rastreiam essa turma que vem atuando em Alagoas há mais de dois anos e dá-lhes um trancão: lembro-me que coisa semelhante já foi feita por vivaldinos do Rio de Janeiro e deu processo pesado! O Deputado Alberto Cavalcante disse-me, há alguns meses, que estava encaminhando uma medida via AL, mas, até agora não vi efeito!

Temos, no caso de que estou falando, no mínimo, propaganda enganosa, já que eles não entregam o que prometem, ou seja, um certificado quente, sequer… Infelizmente o Conselho Estadual de Educação não tem poder de polícia, cabendo-lhe, no máximo, a denúncia!

Assim, cuidado para não cair em mais um conto do vigário…sem trocadilho, por favor!

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Método infalível para se livrar do telemarketing…

quarta-feira, maio 5th, 2010

Toca o telefone…


Alô.

- Pois não, pode ser comigo mesmo.


- Élcio.


- Desculpe interromper, mas quem está falando?


- Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?

- Alô, poderia falar com o responsável pela linha?

- Quem fala, por favor?

- Sr. Élcio, aqui é da Telemar, estamos ligando para oferecer a promoção Telemar linha adicional, onde o Sr. tem direito…

- Aqui é Rosicleide Judite, da Telemar, e estamos ligando…

- Bem, pode…


- De que telefone você fala? Meu bina não identificou!


- Você trabalha em que área, na Telemar?


- Você tem número de matrícula na Telemar?

- 10331.

- Telemarketing Pro Ativo.

- Senhor, desculpe, mas creio que essa informação não está sendo necessária.

- Então estarei desligando, pois não posso ter segurança que falo com uma funcionária da Telemar. São normas de nossa casa.

- Além do mais, sempre sou obrigado a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a Telemar.


- Só um momento enquanto verifico.

- Mas posso garantir…

- Ok…. Minha matrícula é 34591212.

(Dois minutos depois)

- Só mais um momento.

(Cinco minutos depois)

- Senhor?

- Mas senhor…


- Aqui é da Telemar, estamos ligando para oferecer a promoção, onde o Sr. tem direito a uma linha adicional. O senhor está interessado, Sr. Élcio?

(coloquei o telefone em frente ao aparelho de som e deixei a música REBOLATION, tocando no Repeat (quem disse que um dia essa droga não iria servir para alguma coisa?)

- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.

- Pronto, Rosicleide, obrigado por ter aguardado. Qual o assunto?

- Rosicleide, vou ter que transferir você para a minha esposa, porque é ela quem decide sobre alteração e aquisição de planos de telefones. Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.

Depois de tocar a porcaria toda da música, Ivanilda atendeu:

- Obrigado por ter aguardado…. pode me dizer seu telefone, pois meu bina não identificou..

- Com quem estou falando, por favor.


- Rosicleide de que?


- Qual sua identificação na empresa?


- Obrigada pelas suas informações, em que posso ajudá-la?

- 10331.

- Rosicleide

- Rosicleide Judite (já demonstrando certa irritação na voz).

- 34591212 (mais irritada agora!).

- Aqui é da Telemar, estamos ligando para oferecer a promoção, onde a Sra tem direito a uma linha adicional. A senhora está interessada?

- Vou abrir um chamado e em alguns dias entraremos em contato para dar um parecer! Pode estar anotando o protocolo por favor…..alô, alô!

TUTUTUTUTU…

- Desligou…. nossa que moça impaciente!

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