É triste ver o rumo que os incidentes ocorridos no ENEM 2010 estão tomando. A partir de uma pauta estabelecida pela imprensa de oposição ao Governo Federal (FOLHA DE SÃO PAULO, GLOBO Jornal, Rádio e TV, com suas sucursais – CBN à frente, ESTADÃO), o Ministro Hadad gasta todo o tempo seguindo as iscas lançadas e algumas questões mais construtivas para o aperfeiçoamento do ENEM deixam de ser abordadas.
Não estou cobrando uma análise de caráter pedagógico, porque isso é querer demais da chamada grande mÃdia nacional. Quem leu o meu post anterior sabe do que estou falando.
Refiro-me, aqui, ao uso polÃtico-eleitoreiro do “terceiro turno†das eleições presidenciais que parece já iniciado! Daqui de São Paulo, onde me encontro, é que isso fica clarÃssimo. Mas, como quase toda a pauta de notÃcias do paÃs inteiro é gerada daqui, o rumo das discussões sobre o ENEM segue um descaminho lamentável.
Acabo de ouvir os “doutos†comentários do ex-ministro Paulo Renato, de triste lembrança, que causam arrepios. Este senhor, que vem patrocinando, no âmbito da Rede Escolar de São Paulo, o Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar), esquece, por exemplo, que, em 2009: 20 mil provas foram trocadas, “vaquinhas†para xerox de provas foram feitas e que amigos  dos funcionários foram intimados a empacotar novas prova.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado, em 1992, pelo ex-ministro Paulo Renato de Souza (PSDB), atual secretário de Educação do Estado de São Paulo. Naquele tempo, ele se propunha apenas a avaliar desempenho estudantil; não carregava os interesses de milhões que almejam um lugar no ensino superior e de milhares que querem suas escolas ranqueadas no topo da lista que, lamentavelmente, o MEC vem divulgando oficialmente a cada ano. Nem por isso o ex-ministro do PSDB tem a nobreza de dar ao atual Governo os devidos descontos.
Segundo Conceição Lemos, “em 2009, ele [Paulo Renato] esculhambou o Enem, quando uma  prova foi roubada da Gráfica Plural, do Grupo Folha [de São Paulo], com o qual a Secretária da Educação de São Paulo assinou contratos de mais de R$ 27 milhões. Paulo Renato – continua Conceição Lemos,- sabe melhor do que ninguém que esses ‘problemas’ não deveriam ocorrer, mas ocorrem. Mas parece que [o ex-Ministro] se ‘esqueceu’ do que aconteceu com as provas Saresp 2009, que é um exame nos moldes do Enem. Os seus números ‘dizem’ que a qualidade da educação pública em São Paulo vai bem, embora muitos alunos continuem saindo da escola sem saber ler.â€
O grave de tudo isso é que, em 2009, a mÃdia que hoje destrói o ENEM, devido à lamentável aplicação de provas com erros de orientação aos estudantes, “comprou†a versão da Secretaria de Educação de São Paulo de que o Saresp do ano passado transcorreu maravilhosamente bem. Só que isso não é verdade. “Por exemplo, em Araraquara (273 km a noroeste de SP)â€, segundo Lemos, no dia 18/11, 20 mil alunos perceberam, ao mesmo tempo, que as provas de português estavam misturadas com as de geografia — cujo conteúdo só poderia ser conhecido no dia seguinte, junto com a prova de história. A assessoria de imprensa da SEE disse que o erro de empacotamento das provas foi isolado e não comprometeu a avaliação. Só as provas de geografia seriam substituÃdas, as demais deveriam ser guardadas. Em alguns locais, sobraram provas. Em outros, faltaram. Os alunos tiveram de fazer ‘vaquinha’ para xerocar o exame. Segundo fontes da Secretaria de Educação de São Paulo, amigos dos funcionários foram convidados a ir à gráfica para ajudar a empacotar as provas do Saresp 2009. Foi no dia em que deu apagão em vários estados brasileiros, devido a Itaipu. Todo mundo ficou no escuro. São apenas alguns dos ‘problemas’ do Saresp 2009, que Paulo Renato e a mÃdia corporativa ignoraram lá atrás. E continuaram esta semana, quando se uniram para detonar o Enemâ€, conclui Conceição Lemos.
Por que, para problemas parecidos, tratamentos diferentes?
Cadê a isonomia tão alardeada pelos “especialistas†nos últimos dias?
Citando isso, quero isentar o MEC de responsabilidades nos desencontros burocrático-administrativos do ENEM deste ano?
Absolutamente, não. Quero apenas exigir de uma imprensa que se diz isenta o mesmo peso e a mesma medida para problemas idênticos.
E exijo mais: que mesmo circunscrevendo-se ao terreno mais pobre e limitado da burocracia, considere-se, de uma vez por todas, que os problemas de impressão de algumas centenas de provas do ENEM, além de sanáveis, pela aplicação de novas provas aos interessados, são insignificantes, quando se consideram os milhões que responderam as provas corretas. Se a questão é de gestão – com o “s†sibilante, pronunciado de forma bem paulista, já que essa é a grande e, aparentemente, única chave para o bom funcionamento dos serviços públicos -, por que não discutirmos, por exemplo, a regionalização do EXAME NACIONAL, de modo a contornar o gigantismo que torna sua gestão mais vulnerável? Que tal fazê-lo de modo regionalizado, preservando a igualdade possÃvel para os testes, que a Teoria da Resposta ao Item pode assegurar?
Se a Teoria da Resposta ao Item (TRI) – ver maiores informações no link http://www.historiadigital.org/2009/07/saiba-o-que-e-teoria-da-resposta-ao.html – sequer é discutida pelos noticiosos que se mostram extremamente preocupados com os direitos à igualdade dos que se submeteram aos exames, como esperar dessa imprensa de ocasião que discuta a proibição do uso de lápis e borracha, de relógio e de calculadora nos exames? Falo disso, não somente por razões pedagógicas, mas porque aà houve quebra de isonomia na forma como a proibição foi administrada. Mas, diante da teoria do “quanto pior melhor†que acomete certa oposição e seus porta-vozes, parece querer muito! Entretanto, esse é nosso dever: reivindicar uma imprensa que nos considere inteligentes, e, por isso, dignos de respeito. A liberdade de imprensa tem de ser sagrada, mas jamais para disseminar a confusão e tentar impor uma impressão de caos, quando temos um paÃs que, em meio aos percalços próprios de tudo o que é humano e gigantesco, como esse último ENEM, parece avançar para uma terra de direitos iguais, inclusive frente aos testes e instrumentos de medidas educacionais, por mais que estes sejam limitados e passÃveis de jamais, em sua própria essência, garantir a plena igualdade dos que, por natureza e por conta da história, serão sempre diferentes.





























