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Ainda sobre o ENEM 2010 – o que de fato está pegando?


12/11/2010 - 18:11 -

É triste ver o rumo que os incidentes ocorridos no ENEM 2010 estão tomando. A partir de uma pauta estabelecida pela imprensa de oposição ao Governo Federal (FOLHA DE SÃO PAULO, GLOBO Jornal, Rádio e TV, com suas sucursais – CBN à frente, ESTADÃO), o Ministro Hadad gasta todo o tempo seguindo as iscas lançadas e algumas questões mais construtivas para o aperfeiçoamento do ENEM deixam de ser abordadas.

Não estou cobrando uma análise de caráter pedagógico, porque isso é querer demais da chamada grande mídia nacional. Quem leu o meu post anterior sabe do que estou falando.

Refiro-me, aqui, ao uso político-eleitoreiro do “terceiro turno†das eleições presidenciais que parece já iniciado! Daqui de São Paulo, onde me encontro, é que isso fica claríssimo. Mas, como quase toda a pauta de notícias do país inteiro é gerada daqui, o rumo das discussões sobre o ENEM segue um descaminho lamentável.

Acabo de ouvir os “doutos†comentários do ex-ministro Paulo Renato, de triste lembrança, que causam arrepios. Este senhor, que vem patrocinando, no âmbito da Rede Escolar de São Paulo, o Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar), esquece, por exemplo, que, em 2009: 20 mil provas foram trocadas, “vaquinhas†para xerox de provas foram feitas e que amigos  dos funcionários foram intimados a empacotar novas prova.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado, em 1992, pelo ex-ministro Paulo Renato de Souza (PSDB), atual secretário de Educação do Estado de São Paulo. Naquele tempo, ele se propunha apenas a avaliar desempenho estudantil; não carregava os interesses de milhões que almejam um lugar no ensino superior e de milhares que querem suas escolas ranqueadas no topo da lista que, lamentavelmente, o MEC vem divulgando oficialmente a cada ano. Nem por isso o ex-ministro do PSDB tem a nobreza de dar ao atual Governo os devidos descontos.


Segundo Conceição Lemos, “em 2009, ele [Paulo Renato] esculhambou o Enem, quando uma  prova foi roubada da Gráfica Plural, do Grupo Folha [de São Paulo], com o qual a Secretária da Educação de São Paulo assinou contratos de mais de R$ 27 milhões. Paulo Renato – continua Conceição Lemos,- sabe melhor do que ninguém que esses ‘problemas’ não deveriam ocorrer, mas ocorrem. Mas parece que [o ex-Ministro] se ‘esqueceu’ do que aconteceu com as provas Saresp 2009, que é um exame nos moldes do Enem. Os seus números ‘dizem’ que a qualidade da educação pública em São Paulo vai bem, embora muitos alunos continuem saindo da escola sem saber ler.â€

O grave de tudo isso é que, em 2009, a mídia que hoje destrói o ENEM, devido à lamentável aplicação de provas com erros de orientação aos estudantes, “comprou†a versão da Secretaria de Educação de São Paulo de que o Saresp do ano passado transcorreu maravilhosamente bem. Só que isso não é verdade. “Por exemplo, em Araraquara (273 km a noroeste de SP)â€, segundo Lemos, no dia 18/11, 20 mil alunos perceberam, ao mesmo tempo, que as provas de português estavam misturadas com as de geografia — cujo conteúdo só poderia ser conhecido no dia seguinte, junto com a prova de história. A assessoria de imprensa da SEE disse que o erro de empacotamento das provas foi isolado e não comprometeu a avaliação. Só as provas de geografia seriam substituídas, as demais deveriam ser guardadas. Em alguns locais, sobraram provas. Em outros, faltaram. Os alunos tiveram de fazer ‘vaquinha’ para xerocar o exame. Segundo fontes da Secretaria de Educação de São Paulo, amigos dos funcionários foram convidados a ir à gráfica para ajudar a empacotar as provas do Saresp 2009. Foi no dia em que deu apagão em vários estados brasileiros, devido a Itaipu. Todo mundo ficou no escuro. São apenas alguns dos ‘problemas’ do Saresp 2009, que Paulo Renato e a mídia corporativa ignoraram lá atrás. E continuaram esta semana, quando se uniram para detonar o Enemâ€, conclui Conceição Lemos.

Por que, para problemas parecidos, tratamentos diferentes?

Cadê a isonomia tão alardeada pelos “especialistas†nos últimos dias?

Citando isso, quero isentar o MEC de responsabilidades nos desencontros burocrático-administrativos do ENEM deste ano?

Absolutamente, não. Quero apenas exigir de uma imprensa que se diz isenta o mesmo peso e a mesma medida para problemas idênticos.

E exijo mais: que mesmo circunscrevendo-se ao terreno mais pobre e limitado da burocracia, considere-se, de uma vez por todas, que os problemas de impressão de algumas centenas de provas do ENEM, além de sanáveis, pela aplicação de novas provas aos interessados, são insignificantes, quando se consideram os milhões que responderam as provas corretas. Se a questão é de gestão – com o “s†sibilante, pronunciado de forma bem paulista, já que essa é a grande e, aparentemente, única chave para o bom funcionamento dos serviços públicos -, por que não discutirmos, por exemplo, a regionalização do EXAME NACIONAL, de modo a contornar o gigantismo que torna sua gestão mais vulnerável? Que tal fazê-lo de modo regionalizado, preservando a igualdade possível para os testes, que a Teoria da Resposta ao Item pode assegurar?

Se a Teoria da Resposta ao Item (TRI) – ver maiores informações no link http://www.historiadigital.org/2009/07/saiba-o-que-e-teoria-da-resposta-ao.html – sequer é discutida pelos noticiosos que se mostram extremamente preocupados com os direitos à igualdade dos que se submeteram aos exames, como esperar dessa imprensa de ocasião que discuta a proibição do uso de lápis e borracha, de relógio e de calculadora nos exames? Falo disso, não somente por razões pedagógicas, mas porque aí houve quebra de isonomia na forma como a proibição foi administrada. Mas, diante da teoria do “quanto pior melhor†que acomete certa oposição e seus porta-vozes, parece querer muito! Entretanto, esse é nosso dever: reivindicar uma imprensa que nos considere inteligentes, e, por isso, dignos de respeito. A liberdade de imprensa tem de ser sagrada, mas jamais para disseminar a confusão e tentar impor uma impressão de caos, quando temos um país que, em meio aos percalços próprios de tudo o que é humano e gigantesco, como esse último ENEM, parece avançar para uma terra de direitos iguais, inclusive frente aos testes e instrumentos de medidas educacionais, por mais que estes sejam limitados e passíveis de jamais, em sua própria essência, garantir a plena igualdade dos que, por natureza e por conta da história, serão sempre diferentes.

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O ENEM de 2010…como manter seu caráter avaliativo?


07/11/2010 - 17:07 -

Parece que os bons tempos do ENEM estão chegando ao fim: refiro-me às suas origens de instrumento de avaliação do Ensino Médio, sem qualquer pretensão de se constituir em elemento “prestigioso†de criar “rankings de qualidade†para escolas e cursos, além de representar “exame vestibular†integral ou parcial às escolas de nível superior.

A meu ver, as fraudes do ano passado foram apenas a parte visível de um mal-entendido que é, na verdade, pedagógico, e que ameaça ferir de morte uma prática avaliativa já bastante prestigiada e, ela própria, bem avaliada por quem vem se dedicando a pensar os modos e meios de aperfeiçoar a educação escolar brasileira. Vou tentar explicar, nos limites de um post, o que estou querendo dizer com as afirmativas que acabam de ser feitas.

É uma unanimidade entre os estudiosos da educação nacional que o Ensino Médio – ou as etapas da educação básica a ele correspondentes – sempre foram, no Brasil, um segmento propedêutico (preparatório) ao Ensino Superior e quase nada mais do que isso. Sobretudo quando a Educação Profissional se fundiu oficialmente ao Ensino Médio – falo dos anos de 1930 para cá,  tornando-se, inclusive, legalmente compulsória, por um período, de todo o então 2º Grau -, foi que o Ensino Médio nacional viu se agudizar, ainda mais, sua falta de personalidade.

Afinal, quais as características próprias do Ensino Médio no Brasil? Etapa escolar destinada a ampliar e aprofundar os saberes estudados no Ensino Fundamental? Período escolar obrigatório para acesso à Educação Superior e, como tal, preparatório para esse novo nível de ensino, ou, ainda, sequência de anos destinados ao domínio de expedientes necessários à concorrência a vagas nos cursos superiores mais concorridos?

Sem respostas concretas a estas perguntas, o Conselho Nacional de Educação definiu, há mais de uma década, as Diretrizes Curriculares dessa etapa da escola básica, que foram seguidas pelos Parâmetros Curriculares, por iniciativa do MEC. Qual o saldo desses esforços? Eu responderia: somente a força da tradição, com práticas costumeiras executadas por décadas, e exceções pontuais de escolas ou professores que, contra a corrente, buscavam fazer do Ensino Médio uma oportunidade de formação para a vida, baseada nos saberes letrados úteis e necessários ao chamado “novo mundo do conhecimento†que vem se impondo à nossa juventude…

E é aqui que começou a pesar o ENEM, no seu formato original: elogiado como um instrumento que buscava avaliar capacidade de leitura, compreensão e produção de discursos letrados claros e coerentes que, ao mesmo tempo, secundarizava o memorizado ou previamente formulado, procurando aferir a capacidade de raciocinar, deduzir, induzir, de pensar, enfim, o instrumento começou a influir efetivamente na organização do ensino em muitas escolas. Quem atentou para as notícias destes dias pré-ENEM 2010, deve ter notado a fala de muitos gestores de escolas, dizendo que vinham adequando seus programas e práticas escolares do Ensino Médio ao ENEM que vinha se impondo nos últimos anos. Era, na verdade, a transformação dos dispositivos legais presentes na LDB, nas Diretrizes do Conselho Nacional e do MEC, tornados  prática pedagógica, levando o Ensino Médio a ter, pela primeira vez, um perfil claramente voltado para a aferição de habilidades voltadas para a vida concreta que estariam, finalmente, sendo desenvolvidas na escola.

Mas, eis que o ENEM começa a ser “exame vestibular†e “instrumento de classificação de escolasâ€, num ranqueamento oficial patrocinado pelo próprio MEC! Com isso, o que era “instrumento de avaliação para correção de conteúdos e práticas†transforma-se em “elemento de eliminação/classificação de pessoas, escolas e até redes escolares 

Aí, a meu ver, é que se encontra, para começo de conversa, o germe da fraude já verificada no ano passado e o seu antípoda, que é o medo de que ela ocorra também no nível pessoal, contaminando uma prática que tinha um caráter emancipatório, como diria Paulo Freire, porque indutor de qualidade e excelência. Frente à cobiça dos que querem lucrar – pessoal ou institucionalmente – com os resultados do ENEM, vemos serem limitadas as práticas comuns na vida de quem se sente falível e, por isso, se encontra mais à vontade quando pode usar lápis e borracha, por exemplo. Num teste de tamanha complexidade e extensão, com horário para terminar, é possível imaginar a proibição do uso de um simples relógio para administrar o tempo necessário à execução de toda a tarefa com algum nível de segurança? Se esses instrumentos são de uso quotidiano na escola, e instrumentos de trabalho de quem é falível (ou seja, todos nós), sendo franqueados até nas provas para acesso de doutores ao cargo de docentes nas universidades, qual o mal de utilizá-los para responder o ENEM? Dizer que é para evitar erro no preenchimento das respostas não pode convencer a ninguém… Como não pode convencer a proibição do uso de calculadoras. Afinal, elas existem para serem usadas, como o serão, sem dúvida alguma, pelo resto da vida dos avaliados. Não seria melhor que eles as usassem na prova, para mostrar que sabem usar corretamente o que vão utilizar pelo resto da vida?!

Finalmente, mas não sem uma importância igual ou maior do que as razões citadas anteriores, os novos objetivos do ENEM tornaram efetiva a transformação do que era reconhecido como sua maior virtude: o caráter caracteristicamente discursivo dos enunciados das questões, que exigiam compreensão, raciocínio, argumentação e criatividade para responder os itens da prova. A fim de dar conta do novo caráter do ENEM, encolhem já neste ano de 2010 os enunciados das perguntas, exigem-se mais saberes pré-estabelecidos e, desse modo, corre-se o risco de voltar “tudo a ser como dantes, no quartel de Abrantesâ€.

É esperar para conferir, sem deixar de registrar a unanimidade de Governo e Oposições sobre a principal exigência do ensino atual, que é a conquista de uma qualidade compatível com o crescimento que o país vem experimentando!

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Como ver nitidamente, em meio a um preconceito que turva os olhos e a mente de quem somente se nutre da mesma fonte?


03/11/2010 - 20:59 -

A chamada “grande mídia nacionalâ€, de tanto entoar, como um mantra, a cantiga de que Dilma era o atraso e de que Serra era o avanço, levou uma parcela significativa de nossa classe média, situada em todos os níveis, a deixar de ver a mensagem de cada um e quem as estava apoiando. Nem mesmo a TFP, o Fundamentalismo Cristão de diversas denominações e o que restou da Cruzada Golpista com Deus e pela Família, empunhando ferozmente a bandeira tucana, como quem ressurgia de um túmulo desses filmes trash do tipo “Sexta-Feira 13â€, foram capazes de permitir a muita gente ver quem representava o progresso para o povo brasileiro…

Até a campanha assentada num discurso imediatista de “mais salário mínimo jáâ€, incluindo a promessa de “décimo terceiro para o Bolsa-Família já em janeiro†foi capaz de revelar, para quem somente se informa pela “Globoâ€, pela “Veja†ou pela “Folha de São Pauloâ€, quem tinha uma verdadeira postura populista, sem qualquer compromisso com um projeto nacional generoso e democrático, porque inclusivo e sustentável. O que pude sentir, pelos votos de amigos e amigas inteligentes e querid@s, é que o discurso da imprensa de massa tem conseguido convencer até pessoas de boa vontade, que o chique é ser serrista…ou, até mesmo pró-Marina… Já a Dilma, porque ligada ao Lula, era (e não sei se vai continuar sendo) a cafonice travestida de assassina, incompetente, ventríloqua ou tantas outras coisas negativas! É preciso olhar somente para um lado ou ter acesso apenas a versões de uma única fonte – na verdade com um único objetivo – para ver na Presidenta Dilma despreparo! Agora, o que me espanta é ver esse comportamento ditado pelo preconceito de uma certa elite sulista – São Paulo incluído aqui – que inferioriza o Brasil original, representado pelo Nordeste…

É bom dizer-se à exaustão que, por mais que deva nos orgulhar a esmagadora vitória da nova Presidenta no Norte e no Nordeste, ao qual os geógrafos do PSDB anexaram Minas Gerais e Rio de Janeiro, sem qualquer voto das duas regiões para os dois candidatos à presidência no segundo turno, mesmo assim Dilma teria sido eleita a primeira mulher para a Presidência do Brasil…

Quanto ao preconceito gestado e parido pela coligação encabeçada por Serra e patrocinada pela chamada grande imprensa nacional – na verdade nanica, pelo que produz de forma hipócrita e inconfessável -, não posso deixar de exortar @s compatriotas de boa vontade para o monstro que se avulta e é alimentado, cujo limite pode ser palavras de ordem que vi em mais de um blog, frente ao resultado do segundo turno, mandando, por exemplo, que se fizesse o favor de afogar um nordestino para o bem do país… Sobre isso, vale atentar para a análise de uma paulistana lúcida – minha querida amiga e mestra Maria Lúcia Montes – que, conhecendo mais do que as praias do Nordeste, mandou-me por correio eletrônico, no calor da vitória daquela que expressa a continuidade de um projeto que rompe com séculos de privilégios para uns poucos e humilhações para a maioria! Veja o que diz minha lúcida orientadora do mestrado e de uma vida inteira:  “É hora de celebração, aquela que compartilhei com vocês graças ao poema de Pedro Tierra que uma amiga querida me enviou. Mas é hora também de reflexão. Ontem, li todas as notícias e avaliações e comentários de todos os ‘blogs sujos’ que me forneceram as informações que compartilhei com vocês nesses últimos meses. Nas notícias do UOL sobre as eleições, um comentário de Plínio de Arruda Sampaio, que disse considerar a eleição de Dilma “uma lástimaâ€, declarando: – “Acho um absurdo ir para a Presidência da República uma senhora desconhecida. [...] Pode até dar certo, já que é uma incógnita total, mas o mais provável é que [o governo dela] dê errado”. Isto, continua Maria Lúcia,  me fez pensar no que significa de fato, no momento atual, ter uma “posição de esquerda†no espectro político brasileiro. Quase como ter uma “posição ambientalista†como a de Marina, que quase nos custou esta eleição, ao levá-la para o segundo turno e deixar Serra livre por mais um mês para prosseguir com sua campanha de difamação e calúnia, na demolição de todas as conquistas dos 8 anos  de trabalho do governo Lula. Isso foi  também o que me lembrou, mais uma vez, o quanto gente de São Paulo, seus políticos e seu povo, fechados numa arrogância intolerável, não têm a menor ideia de que país é este em que vivem (o grifo é meu).  Dilma é desconhecida e uma incógnita total para quem, cara pálida? Talvez fosse melhor o Serra, já que, este sim, é conhecido?? Há vida inteligente, há pessoas admiráveis, há carreiras políticas extraordinárias que se constroem por este Brasil afora e que são simplesmente ignoradas em São Paulo, porque não são paulistas… (mais um grifo meu) Mesmo o PT, na época de sua fundação, achava que a história das lutas operárias começava em 1979, com as greves do ABC, abominando Getúlio Vargas por ter destruído o movimento operário (as ligas anarquistas dos anos 1920) e por ser um abominável conciliador de classes. Nada como um dia após o outro ou uma mudança do lugar de onde se vê a política, para convencer Luís Inácio Lula da Silva de que é mais difícil do que fazem supor as generalizações simplistas governar este país pensando em seu povo e, ao mesmo tempo, com uma perspectiva de estadista. Não por acaso Getúlio e JK passaram a ser referências para ele.  Serra, nem de longe suspeita do que se trataria, e Plínio, em que pese sua posição política no extremo oposto, vai na mesma direção. Então, encontrei um texto belíssimo do Rodrigo Vianna [que já postei anteriormente] que implicitamente respondia ao Plínio, numa reflexão que se parece muito com o poema de Pedro Tierra. Acho que vale a pena ler e pensar sobre isso. O Brasil não se resume ao eixo Rio-SP. Pensar este país gigantesco é pensar na sua diversidade, regional, socioeconômica e cultural, e considerar tudo isso de uma perspectiva que busca restabelecer o equilíbrio da igualdade, da justiça e da inclusão social. Esta é a nossa maior riqueza, que se encarna na imensa generosidade do nosso povo. Isto é o que eu acho que Lula trouxe para a política. É também uma perspectiva a que Dilma saberá dar continuidade, tenho certeza. (mais um grifo meu). Leiam o texto [do Rodrigo Vianna] e depois vejam alguns dos comentários. Alguns disseram que se deveria acrescentar Darcy Ribeiro e Celso Furtado à lista do Rodrigo. Outros comentaram o quanto o texto os havia tocado. Dilma não é uma, mas muitas pessoas-símbolos. E ao evocar a trajetória histórica que pode se condensar em um Nome, ela puxa um fio da memória por onde passam outros tantos personagens, familiares e desconhecidos, que só têm registro no afeto dos que os conheceram e os perderam (meu último grifo, com sublinhado).

Aqui deixo uma pergunta: quem é o atraso e quem é o avanço nessa história?

Enquanto vocês pensam, passo a maior parte do maravilhoso poema de Pedro Tierra, que não tem vergonha de pôr sua mestria e seus sentimentos a serviço da política:

500 anos esta noite

Pedro Tierra

De onde vem essa mulher
que bate à nossa porta 500 anos depois?
Reconheço esse rosto estampado
em pano e bandeiras e lhes digo:
vem da madrugada que acendemos
no coração da noite.

De onde vem essa mulher
que bate às portas do país dos patriarcas
em nome dos que estavam famintos
e agora têm pão e trabalho?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem dos rios subterrâneos da esperança,
que fecundaram o trigo e fermentaram o pão.

De onde vem essa mulher
que apedrejam, mas não se detém,
protegida pelas mãos aflitas dos pobres
que invadiram os espaços de mando?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem do lado esquerdo do peito.

Por minha boca de clamores e silêncios
ecoe a voz da geração insubmissa
para contar sob o sol da praça
aos que nasceram e aos que nascerão
de onde vem essa mulher.
Que rosto tem, que sonhos traz?

Não me falte agora a palavra que retive
ou que iludiu a fúria dos carrascos
durante o tempo sombrio
que nos coube combater.
Filha do espanto e da indignação,
filha da liberdade e da coragem,
recortado o rosto e o riso como centelha:
metal e flor, madeira e memória.

No continente de esporas de prata
e rebenque,
o sonho dissolve a treva espessa,
recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho,
afasta a força que sufoca e silencia
séculos de alcova, estupro e tirania
e lança luz sobre o rosto dessa mulher
que bate às portas do nosso coração.

[.................................................................]

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Ela representa uma luta que “vem de longe 


31/10/2010 - 22:00 -

Aqui nesse espaço, quando sei que não posso dizer melhor, dou a palavra aos que disseram bem o que gostaria de ter dito. Por isso transcrevo o belíssimo texto a seguir, da autoria de Rodrigo Vianna, publicado neste domingo histórico – 31/10/2010 – dia em que o povo brasileiro elegeu a primeira mulher como Presidenta do Brasil. Fiz uma pequena alteração, mas apenas no tempo de um verbo, pois o texto, sendo profético, foi escrito antes da eleição acontecer…

“Serra não deu as caras pela manhã nesse dia decisivo. Ele prefere a noite e as sombras. Dilma começou a jornada com um café-da-manhã simbólico em Porto Alegre: ao lado de Alceu Collares (PDT), Olívio Dutra e Tarso Genro (PT). Já escrevi aqui que Dilma é o reencontro do PT com o trabalhismo de origem varguista.

Depois de lutar contra a ditadura em organizações de esquerda marxista, Dilma optou pelo PDT quando a democracia voltou, nos aos 80. Esteve ao lado de Brizola, foi secretária de Alceu Collares no governo gaúcho. E não renega essa história, assim como não renega o passado de resistência à ditadura.

Brizola, esse grande brasileiro, costumava dizer: “venho de longe, de muito longeâ€. A frase tinha um sentido duplo: ele queria dizer que vinha de uma cidadezinha lá do interior gaúcho, e ao mesmo tempo que representava uma corrente de lutas enraizada no imaginário popular. Era um contraponto ao PT – que na época imaginava que as lutas populares no Brasil tinham começado em 79, com as greves do ABC.

Dilma vem de longe, sim!

Dilma representa as lutas sociais do Brasil, e poderíamos ir buscar esse fio da história lá nas lutas anti-coloniais e anti-escravistas – de Tiradentes e Zumbi. Mas fiquemos no passado mais recente. Dilma é o tenentismo que lutou contra a República Velha. Dilma é o trabalhismo de esquerda. Dilma é o nacionalismo de Vargas – com Petrobrás, BNDES e o fortalecimento do Estado. Não é à toa que o ódio da elite anti-nacional contra Vargas tenha reaparecido agora com o ódio contra Lula e Dilma.

A candidata petista vem de muito longe.

Dilma é a Campanha da Legalidade em 61 – movimento em que Brizola resistiu contra o golpe, entrincheirando-se no Palácio do Piratini e convocando a Rede da Legalidade.

Dilma é Luiz Carlos Prestes. Dilma é Arraes. Dilma é Francisco Julião e suas Ligas Operárias.

Dilma é a resistência ao Golpe de 64, a resistência à ditadura e ao AI-5. Dilma é Lamarca, é Marighella e a esquerda de armas na mão contra a ditadura. Mas Dilma é também o MDB de Ulysses e da luta pela democracia formal. Nos anos 70, parecia que essas duas vertentes não iriam se encontrar nunca. Mas elas se encontraram!

Dilma é a greve de 79. Dilma é Vila Euclides. Dilma é a Campanha das Diretas e a Constituição cidadã de 88.

Dilma é Brizola. Dilma é Lula.

Dilma vem de longe. Concentra em sua candidatura lutas históricas do povo brasileiro. Dilma é a defesa de um legado de  8 anos. Defesa de um governo que teve, sim, muitos erros. Mas significou um avanço tremendo nesse país de tradição oligárquica e conservadora.

Dilma é a retomada do fio da história do Brasil. Um fio interrompido em 64. Dilma é o MST e as centrais sindicais. Dilma é o Brasil dos movimentos sociais, da luta contra concentração de terra e renda, contra a concentração da informação na mão de meia dúzia de famílias.

É importante eleger uma mulher – sim! Importantíssimo, e nos próximos dias poderemos avaliar isso melhor. Mas Dilma não é simplesmente “mulherâ€. É uma brasileira que ousou lutar contra a ditadura, em organizações clandestinas. Isso a velha elite não perdoa. É uma marca tão forte quanto os quatro dedos do operário que nunca será aceito na velha turma.

Dilma vem de longe. Dilma não é uma “invenção do Lulaâ€. Dilma concentra a esperança de um Brasil mais justo.

Nesse dia histórico, depois de uma campanha exaustiva e lamentável por parte da direita, é preciso ainda estar atento. Porque do outro lado há gente que também vem de longe.

Serra representa o golpismo de Lacerda, Olympio Mourão, das marchas com Deus e a família. Serra é a concentração de renda dos militares, Serra é a ditadura. Infelizmente, jogou no lixo sua história somando-se ao que há de pior na história brasileira.

Serra vem de longe também. Serra é o liberalismo de FHC, Serra é o desmonte do Estado, Serra é  Brasil dos anos 90 que se ajoelhava diante dos EUA, e que desprezava a unidade latino-americana.

Serra é um Brasil que vem de longe nos grandes e pequenos golpes contra a democracia. Por isso, é preciso estar atento nessa dia decisivo. Atento às urnas, aos boletins de urna, à fiscalização das urnas.

Votar em Dilma foi votar num país que vem de longe. E que pode chegar muito mais longe nas próximas décadas.â€

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“Ninguém tem maior amor que aquele que dá a própria vida pelos irmãosâ€


30/10/2010 - 12:47 -

O bispo Dom Luiz Carlos Eccel, de Caçador, Santa Catarina, divulgou nesta sexta-feira, 29, uma carta de apoio à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

Segue a íntegra da carta:

“Já havia lido o discurso do Papa Bento XVI, aos Bispos do Maranhão, em visita ad limina apostolorum. Muito interessante o discurso do Papa. Ele não pode deixar de cumprir sua missão de Pastor Universal, exortando o Povo de Deus, especialmente no que diz respeito à defesa da VIDA.

O Santo Padre foi muito oportuno e feliz nas suas colocações, porque o Estado Brasileiro é laico, mas seu povo é religioso, e isto precisa ser respeitado. Quando digo que o povo é religioso é porque está disposto a fazer a Vontade de Deus e não somente dizer: Senhor, Senhor…, como às vezes se pretende, de maneira especial dentro da própria Igreja.

Existem facções sociais, políticas e religiosas especializadas em fazer lavagem cerebral, deixando as pessoas sem convicções, mas com obsessões, e com a consciência invencivelmente errônea. Ficam semelhantes aos grãos de pipoca que levados ao fogo, não estouram, e com mais fogo, mais duros ficam. Tornam-se donas da “verdadeâ€. Estão até manipulando o texto do Papa, para
justificar a sede do poder. (cf.
http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp)

É a Vontade de Deus que nos salva e não a nossa, e sobre isto precisamos sempre nos exortar mutuamente, como diz o Apóstolo São Paulo. Portanto, que nossa fé seja sempre vivificada pela mútua exortação. Pode ocorrer de nos esquecermos que somos todos peregrinos caminhando para a Casa do Pai, e quando lá chegarmos, poderemos ouvir de Jesus o seguinte:

‘Afastai-vos de mim, vós que praticastes a injustiça, a maldade’ (Lc13,27). Creio que ninguém vai querer ouvir isto naquela hora. Seu passaporte está em dia? Pode ter certeza de que a eternidade existe… Assim, busquemos alimentar nossa fé, sem esquecer, como diz o Papa, que ela deve implicar na política. A fé sem obras é morta, diz a Escritura Sagrada. E uma das obras que deve provir da fé, é o nosso voto consciente em pessoas que vão governar para o bem comum, respeitando a vida em todas as suas etapas e dimensões.

No mesmo dia em que li o discurso do Papa, assistindo ao telejornal, à noite, escutei o pronunciamento da candidata e do candidato à presidência do Brasil a respeito do discurso do Papa. Ambos concordaram com as Palavras do Papa, dizendo que é missão dele exortar para uma vida coerente com os valores da fé e da moral, e que as palavras do Papa valem para todas as pessoas de fé, no mundo inteiro. O Papa falou, também, que o voto deve estar a serviço da construção de uma sociedade justa e fraterna, defensora da vida.

Como Bispo da Igreja Católica, e como cidadão brasileiro, fico feliz por saber que nosso Presidente tem defendido a vida, e sempre se pronunciou contra o aborto. Nesses últimos anos, o Brasil tem crescido e melhorado em todos os aspectos, de maneira especial no respeito à vida e à valorização da dignidade humana. Esta é a Vontade de Deus! E as pessoas, em plena posse de suas faculdades mentais, vão reconhecer esta verdade.

Nosso país está em pleno desenvolvimento e assim queremos continuar e, depois de 500 anos, nosso povo quer eleger, pela primeira vez, uma mulher que tem compromisso com a vida e provou isso com sua própria vida. Como? Ela não fugiu para o exterior durante a ditadura, mas a enfrentou com garra e, por isso, foi presa e torturada. Ela queria um país livre, e que todas as pessoas pudessem viver sem medo de serem felizes, vencendo a mentira e o ódio com a verdade e o amor, servindo aos ideais de liberdade e justiça, com sua própria vida. Disse Jesus: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida pelos irmãos†(Jo 15,13).

Obrigado, Santo Padre, por suas sábias palavras! A Dilma é a resposta para as nossas inquietações a respeito da vida. Quem sofreu nos porões da ditadura, não mata. Mas teve gente que matou a vida no seu ventre para fugir da ditadura, e, portanto, não deveria se comportar como os fariseus, que jogam pedras, sabendo-se pecadores. E Jesus disse: “Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem entregar sua vida por causa de mim, vai salvá-la†(Mt 10,39).

Vamos fazer o nosso Brasil avançar ainda mais, com Dilma, que já provou ser coerente, competente e comprometida com a VIDA. O dragão devastador não pode voltar ao poder. Deus abençoe os leitores e eleitores, governos e governados. Saúde e paz a todos (as)! Tudo o que você me desejar, eu lhe desejo cem vezes mais. Obrigado.

Caçador, 28 de outubro de 2010
Dom Luiz Carlos Eccel
Bispo Diocesano de Caçador

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Quero – porque sempre lutei por isso – que a educação do Brasil continue crescendo e dando acesso a todos…


29/10/2010 - 19:21 -

Tendo eu nascido no interior e, para prosseguir meus estudos, tendo tido que migrar, sacrificando meus pais e desenraizando-me de meu torrão natal, defendo quem representa o prosseguimento das políticas de educação desenvolvidas pelo presidente Lula. E, nessa defesa, faço uma homenagem à Professora Ana Dayse, que tem implementado essa política de democratização do ensino superior, fazendo com que a UFAL deixe de ser de Maceió, para ser de todo o Estado de Alagoas.


Leia o manifesto abaixo recém-divulgado:

Manifesto de Reitores das Universidades Federais, à Nação Brasileira

Da pré-escola ao pós-doutoramento – ciclo completo educacional e acadêmico de formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional – consideramos que o Brasil encontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programas implementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.

Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceram a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.
Este período do Governo Lula ficará registrado na história como aquele em que mais se investiu em educação pública: foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; institui-se a Universidade Aberta do Brasil; foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País; e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens. Com a implantação do REUNI, estamos recuperando nossas Universidades Federais, de norte a sul e de leste a oeste. No geral, estamos dobrando de tamanho nossas Instituições e criando milhares de novos cursos, com investimentos crescentes em infraestrutura e contratação, por concurso público, de profissionais qualificados. Essas políticas devem continuar para consolidar os programas atuais e, inclusive, serem ampliadas no plano Federal, exigindo-se que os Estados e Municípios também cumpram com as suas responsabilidades sociais e constitucionais, colocando a educação como uma prioridade central de seus governos.
Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.
Finalizamos este manifesto prestando o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao Presidente Lula por tudo que fez pelo País, em especial, no que se refere às políticas para educação, ciência e tecnologia. Ele também foi incansável em afirmar, sempre, que recurso aplicado em educação não é gasto, mas sim investimento no futuro do País. Foi exemplo, ainda, ao receber em reunião anual, durante os seus 8 anos de mandato, os Reitores das Universidades Federais para debater políticas e ações para o setor, encaminhando soluções concretas, inclusive, relativas à Autonomia Universitária.

Alan Barbiero – Universidade Federal do Tocantins (UFT)
José Weber Freire Macedo – Univ. Fed. do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Aloisio Teixeira – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Josivan Barbosa Menezes – Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)
Amaro Henrique Pessoa Lins – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Malvina Tânia Tuttman – Univ. Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Ana Dayse Rezende Dórea – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Maria Beatriz Luce – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Antonio César Gonçalves Borges – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Maria Lúcia Cavalli Neder – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Carlos Alexandre Netto – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Miguel Badenes P. Filho – Centro Fed. de Ed. Tec. (CEFET RJ)
Carlos Eduardo Cantarelli – Univ. Tec. Federal do Paraná (UTFPR)
Miriam da Costa Oliveira – Univ.. Fed. de Ciênc. da Saúde de POA (UFCSPA)
Célia Maria da Silva Oliveira – Univ. Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Natalino Salgado Filho – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Damião Duque de Farias – Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Paulo Gabriel S. Nacif – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Felipe .Martins Müller – Universidade Federal da Santa Maria (UFSM).
Pedro Angelo A. Abreu – Univ. Fed. do Vale do Jequetinhonha e Mucuri (UFVJM)
Hélgio Trindade – Univ. Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ricardo Motta Miranda – Univ. Fed. Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hélio Waldman – Universidade Federal do ABC (UFABC)
Roberto de Souza Salles – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Henrique Duque Chaves Filho – Univ. Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Romulo Soares Polari – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Jesualdo Pereira Farias – Universidade Federal do Ceará – UFC
Sueo Numazawa – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
João Carlos Brahm Cousin – Universidade Federal do Rio Grande – (FURG)
Targino de Araújo Filho – Univ. Federal de São Carlos (UFSCar)
José Carlos Tavares Carvalho – Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Thompson F. Mariz – Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
José Geraldo de Sousa Júnior – Universidade Federal de Brasília (UNB)
Valmar C. de Andrade – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
José Seixas Lourenço – Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
Virmondes Rodrigues Júnior – Univ. Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Walter Manna Albertoni – Universidade Federal de São Paulo ( UNIFESP).

Aqui, se fosse possível, os signatários, que viveram a era FHC como docentes e, alguns, também como gestores da educação, teriam dito: “rechacem a política neo-liberal do outro candidato, que vê investimento em educação como gasto, e, neste dia 31, vote 13 – DILMA para PRESIDENTE.â€

É o que vou fazer, elegendo, com mais segurança do que nunca, uma nova presidenta para todos os brasileiros e todas as brasileiras!!!

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PARA QUEM SABE LER AS MENSAGENS AINDA ATUAIS DE UM CERTO GALILEU…


28/10/2010 - 20:55 -

Os comentários à minha última postagem, que trazem à tona o carinho da Laís, do Zé Osmando, do Pompe, da Cledilma e do Ricardo Leal, sempre muito pródigos e companheiros, encorajam-me a retornar a essa prática prazerosa (e terapêutica) de blogar, num momento em que as criaturas do bem se encontram tão constrangidas com o que vem rolando numa imprensa que se diz grande, mas que, de tão pequena, tende a desaparecer.

A campanha eleitoral como um todo e essa reta final, em particular, tomou um rumo que jogou na vala comum pessoas cuja tarefa é orientar com base no bem e na verdade. É triste vermos autoridades religiosas do campo católico se enredarem numa teia que expressa o avesso do bem… Pensava eu que a fala de um certo cardeal brasileiro, com quem convivi um dia – ele jovem doutor da Gregoriana e eu um insignificante seminarista -, dita, às vésperas do conclave que elegeu o atual chefe supremo da Igreja Católica,  contra o Lula, era expressão de alguém que, doutor em teologia dogmática, tinha dificuldade de se pensar equivocado, ao menos nos assuntos temporais…

Ledo engano esse meu, quando vejo alguns bispos – felizmente muito poucos – rasgarem a mensagem de Cristo, tomando partido pela má vontade e estigmatizando quem jamais se posicionou contra a vida e o bem! Pelo que aprendi da Boa-Nova de Jesus e busco tenazmente pôr em prática, ainda que alguém, por uma hipótese, venha a cometer um ato de desrespeito à vida e ao bem, ou mesmo uma insensatez, mesmo assim, é nosso dever acolher o que contritamente volta ao aprisco! No extremo, diz Jesus, ser cristão ao pé da letra é acolher e perdoar, até quando não há arrependimento, cuja expressão material representa o “dar a outra face  Nesse quesito, felizmente, a candidata Dilma Rousseff tem sido exemplar e espero que sirva de exemplo para muitos que ultrajam e caluniam em nome de uma fé e de uma religião que não consegue se traduzir em atos coerentes! Mas, basta dessa conversa, pois nunca pensei que fosse um dia tentar ensinar o Pai-Nosso a eméritos senhores cuja função seria me dar essa lição!

Sobre política, prefiro ficar com algumas criaturas do bem, cujas faces bem humoradas apresento a vocês, com a licença de quem as concebeu:

 

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RENASCENDO DAS CINZAS…


27/10/2010 - 9:09 -

Depois de mais de dois meses submerso, volta à tona, para expressar a indignação de quem sempre acreditou na democracia e por ela lutou, sem esconder os defeitos que ela, infelizmente, carrega. Peço que leia o que meu filho me mandou, do modo como ele me encaminhou:

Deus me livre de que o tempo me corroa a humildade e me faça querer ser dono da verdade, destes que não ouvem com o coração e não escrevem com alma. E que me permita um dia, quando os cabelos – se restarem – ficarem brancos, escrever como o aposentado Carlos Moura, da mineira Além Paraíba, faz hoje numa carta aberta ao jornalista Ricardo Noblat, respondendo a uma agressão insólita e desnecessária que fez, ontem, em seu blog, a Lula, dizendo que lhe falta, desde que decidiu eleger Dilma, “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidadeâ€. A carta de Moura foi publicada no Escrevinhador, de Rodrigo Vianna, e eu a reproduzo aqui:
Noblat

Quem é você para decidir pelo Brasil (e pela História) quem é grande ou quem deixa de ser? Quem lhe deu a procuração? O Globo? A Veja? O Estadão? A Folha?
Apresento-me: sou um brasileiro. Não sou do PT, nunca fui. Isso ajuda, porque do contrário você me desclassificaria,  jogando-me na lata de lixo como uma bolinha de papel. Sou de sua geração. Nossa diferença é que minha educação formal foi pífia, a sua acadêmica. Não pude sequer estudar num dos melhores colégios secundários que o Brasil tinha na época (o Colégio de Cataguases, MG, onde eu morava) porque era só para ricos. Nas cidades pequenas, no início dos sessenta, sequer existiam colégios públicos. Frequentar uma universidade, como a Católica de Pernambuco em que você se formou, nem utopia era, era um delírio.
Informo só para deixar claro que entre nós existe uma pedra no meio do caminho. Minha origem é tipicamente “brasileiraâ€, da gente cabralina que nasceu falando empedrado. A sua não. Isto não nos torna piores ou melhores do que ninguém, só nos faz diferentes. A mesma diferença que tem Luis Inácio em relação ao patriciado de anel, abotoadura & mestrado. Patronato que tomou conta da loja desde a época imperial.
O que você e uma vasta geração de serviçais jornalísticos passaram oito anos sem sequer tentar entender é que Lula não pertence à ortodoxia política. Foi o mesmo erro que a esquerda cometeu quando ele apareceu como líder sindical. Vamos dizer que esta equipe furiosa, sustentada por quatro famílias que formam o oligopólio da informação no eixo Rio-S.Paulo – uma delas, a do Globo, controlando também a maior  rede de TV do país – não esteja movida pelo rancor. Coisa natural quando um feudo começa a  dividir com o resto da nação as malas repletas de cédulas alopradas que a União lhe entrega em forma de publicidade. Daí a ira natural, pois aqui em Minas se diz que homem só briga por duas coisas: barra de saia ou barra de ouro.
O que me espanta é que, movidos pela repulsa, tenham deixado de perceber que o brasileiro não é dançarino de valsa, é passista de samba. O patuá que vocês querem enfiar em Lula é o do negrinho do pastoreio, obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo relho. O sotaque que vocês gostam é o nhém-nhém-nhém grã-fino de FHC, o da simulação, da dissimulação, da bata paramentada por láureas universitárias. Não importa se o conteúdo é grosseiro, inoportuno ou hipócrita  (“esqueçam o que eu escreviâ€, “ tenho um pé na senzala†“o resultado foi um trabalho de Deusâ€). O que vale é a forma, o estilo envernizado.
As pessoas com quem converso não falam assim – falam como Lula. Elas também xingam quando são injustiçadas. Elas gritam quando não são ouvidas, esperneiam quando querem lhe tapar a boca.  A uma imprensa desacostumada ao direito de resposta e viciada em montar manchetes falsas   e armações ilimitadas (seu jornal chegou ao ponto de, há poucos dias, “manchetar† a “queda†de Dilma nas pesquisas, quando ela saiu do primeiro turno com 47% e já entrou no segundo com 53 ) ficou impossível falar com candura. Ao operário no poder vocês exigem a “liturgia† do cargo. Ao togado basta o cinismo.
Se houve erro nas falas de Lula isto não o faz menor, como você disse, imitando o Aécio. Gritos apaixonados durante uma disputa sórdida não diminuem a importância histórica de um governo que fez a maior revolução social de nossa História.  E ainda querem que, no final de mandato, o presidente aguente calado a campanha eleitoral mais baixa, desqualificada e mesquinha desde que Collor levou a ex-mulher de Lula à TV.
Sordidez que foi iniciada por um vendaval apócrifo de ultrajes contra Dilma na internet, seguida das subterrâneas ações de Ãndio da Costa junto a igrejas e da covarde declaração de Monica Serra sobre a “matança de criancinhasâ€, enfiando o manto de Herodes em Dilma. Esse cambapé de uma candidata a primeira dama – que teve o desplante de viajar ao seu país paramentada de beata de procissão, carregando uma réplica da padroeira só para explorar o drama dos mineiros chilenos no horário eleitoral – passou em branco nos editoriais. Ela é “acadêmicaâ€.
A esta senhora e ao seu marido você deveria também exigir “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidadeâ€.
Você não vai “decidir†que Lula ficou menor, não. A História não está sendo mais escrita só por essa súcia  de jornais e televisões à qual você pertence. Há centenas de pessoas que, de graça,  sem soldos de marinhos, mesquitas, frias ou civitas, estão mostrando ao país o outro lado,  a face oculta da lua. Se não houvesse a democracia da internet vocês continuariam ladrando sozinhos nas terras brasileiras, segurando nas rédeas o medo e o silêncio dos carneiros.
Carlos Torres Moura
Além Paraíba-MG

P.S. Noblat, para quem não conhece, é um pernambucano que bloga para o panfleto “O Globo” e que torce e distorce mais do que o Jabor, a Kramer ou o Merval. Do mesmo time, enfim.


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Nota de falecimento e Missa de 7º dia


20/08/2010 - 16:54 -

Nota de Falecimento

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Você já visitou o Xingó?


10/08/2010 - 8:48 -

Do planejamento que fiz em fins do ano passado para ir trabalhar no Sertão de Alagoas – mais precisamente, em Delmiro Gouveia – ficou-me um xodó tão grande com a região que desde então já lá estive três vezes somente nesse primeiro semestre de 2010.


Da serra onde fica Ãgua Branca, às peculiaridades do Rio São Francisco, vale a pena visitar – sobretudo no meio do ano, quando toda a natureza, por conta da chuva, encontra-se plenamente desperta – a microrregião denominada de Alagoana do Sertão do São Francisco, situada na confluência dos Estados de Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Bahia, no sudoeste do nosso Estado (ver, no mapa a seguir, a região de número 2).


Tudo nessa microrregião é lindo, a começar pela cidade de Piranhas, não por acaso conhecida como Cidade Presépio.


Estive hospedado recentemente na Pousada-Fazenda Remanso, bem na beira do Rio São Francisco, a um quilômetro do Povoado Entre-Montes, sob os cuidados sertanejos – que quer dizer zelosos e hospitaleiros – da Jaqueline Rodrigues, grande anfitriã.


Da Fazenda Remanso saiu a volante para a Grota do Angico, onde trucidou Lampião, Maria Bonita e quase todo o seu bando.

Cheia de história, a região tem em Delmiro Gouveia – antiga vila da Pedra – outro capítulo de uma rica história protagonizada pelo cearense que deu nome ao município e que mostrou para o mundo, nos inícios dos anos de 1900, na contramão do discurso racista que era feito sobre os mestiços brasileiros – inclusive pelo ilustre Euclides da Cunha – que os sertanejos eram capazes de grandes feitos… De uma hidrelétrica que quase forneceu energia para todo o nordeste em plena República dos Coronéis, a uma Fábrica de Linhas que rivalizou com a indústria Inglesa de então, Delmiro somente não eletrificou o Nordeste no início do Século XX por conta da perversa força dos mandantes que ainda hoje infelicitam a nossa região.


É em torno do Velho Chico – seja da sua força motriz (como na Usina de Angiquinho, vista acima, feita por Delmiro, há cerca de 100 anos), seja pelo potencial turístico que ele tem – que gira, de verdade, em torno de tudo o que nos atrai na região… Quando os Governos de Alagoas e dos municípios daquela área vão despertar para o potencial de lazer ali existente?


Que beleza a região do Talhado! Em maio, hospedei-me nos chalés do Seu José Francisco, no Mirante do Talhado – que é como se chama a Pousada – vendo, sobre os canions do riacho homônimo, a exuberância da natureza, da cultura e da hospitalidade sertanejas! Passamos – eu, Ivanilda, Didi, meu neto, meu filho Elcio, minha nora Maria Cecília e seu filho, o doce Caíto – um final de semana inesquecível! O Brasil – antes de Alagoas – vem despertando para o hotel fazenda que já mereceu até prêmio nacional…


E o lago da represa Xingó?  Que beleza…


Não sei se você, que já esteve lá, fazendo o belíssimo passeio de catamarã, se deu conta de uma coisa: voltando à região bem recentemente – eu e Ivanilda, com meu irmão Beto, minha cunhada Hermé e meus sobrinhos Lúcio, Rodolfo e Izabelle – fui alertado por esses jovens para um fenômeno não tão estranho quanto parece à primeira vista… Primeiro: para fazer o passseio, você precisa conhecer bem o caminho, pois, do lado de Alagoas, nada indica como chegar! Depois: você tem de ir para Sergipe, pois, somente lá se tem acesso ao barco, que está sempre repleto de sergipanos, baianos e gente do sul e do sudeste, e sempre via Aracaju! É lá, ainda, que estão, bastante à mão, o restaurante, as lojas de souvenirs, mil facilidades, enfim…


E aí é que vem o mais estranho: o barco sergipano – com seus guias sergipanos -, leva-nos a desfrutar do lago formado pela barragem, mas, apontando como belezas inigualáveis somente o que se encontra no lado alagoano – nos municípios de Piranhas, Olho D’Ãgua do Casado e Delmiro Gouveia! Não é incrível!? A beleza que os sergipanos vendem é alagoana…enquanto nós…


Até o banho propiciado pelo passeio é alagoano: ele fica no canion do Talhado, como ficam ali a gruta de São Francisco bem como a gruta do próprio Talhado!

Até quando vamos ver essa desídia dos que mandam no sertão de Alagoas?! Com a palavra os que, não contentes em tornarem quase inacessível a região por conta da miséria das estradas, ainda deixam os que querem promover o turismo, para além das praias, a ver navios – digo, catamarãs dos vizinhos!

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