Agência Alagoas
Um marco na história do Clima Bom. Foi a frase que deu o tom de praticamente todos os pronunciamentos feitos durante a visita do governador Teotonio Vilela Filho ao bairro, na manhã desta terça-feira, 12. Uma, porém, arrancou aplausos das dezenas de pessoas que lotaram o espaço de eventos Samyra Festas, localizado no conjunto Rosane Collor, onde o chefe do Executivo foi recebido por lÃderes comunitários, representantes de associações, de organizações não-governamentais, da igreja, e demais entidades representativas.
O povo presente levou sugestões ao governador, além de realizarem crÃticas para contribuir com o trabalho do governo do Estado.
“Se alguém escrevesse um livro da história de Alagoas hoje, com certeza o dia 12 de janeiro de 2010 entraria no livro como um momento histórico para nós do Rosane Collorâ€, disse André Luiz dos Santos, funcionário público, que à noite trabalha como garçom, ao falar da presença do governador no bairro.
“Tenho orgulho, governador, de morar na periferia. Só peço ao senhor que a gente da periferia tenha o mesmo tratamento, por parte da polÃcia, que é dado à s pessoas que moram na Ponta Verdeâ€, afirmou, referindo-se à s abordagens policiais, e completou: “Não que eu acho ruim. Acho que é necessário para a nossa segurança, mas é preciso tratamento igualâ€.
André Luiz disse que “para que tudo aconteça é preciso investimento em educação, investir em nossos jovens, porque se isso for feito, não adianta colocar 10 mil policiais aqui no Clima Bom. Eles só vão ter o trabalho de prender. É preciso investir em educação,culturaâ€.
Segurança pública, educação, saúde e geração de emprego e renda foram os principais apelos dos moradores da região para melhorar os serviços públicos prestados no bairros.
“Como pai e presidente do Conselho Tutelar, que todos os dias recebe mães desesperadas por causa dos filhos que estão nas drogas, peço ao senhor que olhe para nossas crianças, para nossos jovens, que entram nesse mundo, querem sair mas não conseguem. Falta emprego para os pais e muitas acabam se prostituindo para sobreviverâ€, relatou Ariudo Alves de Souza, que também faz parte da ONG Viva Clima Bom.
Ele mandou seu recado para os poderes constituÃdos: “É preciso que todos vejam essa questão com muito carinho. A gente só vê abriga por causa de aumento do duodécimo. Por que esses poderes não tiram um centavo para ajudar as crianças que estão na marginalidade?â€,questionou o lÃder comunitário.
O diretor da Escola Benedita de Castro, Naildo Silva Melo, agradeceu a presença do governador Teotonio Vilela e disse que “a atitude de estar aqui no meio do povo só poderia ser tomada pelos grandes lÃderes. Só os grandes lÃderes vão aos seus liderados para ouvir suas queixas e delas fazer sua plataforma de Governoâ€.
A respeito dos problemas da educação, o diretor lembrou que Alagoas está virando uma nova página, pois de acordo com o secretário Rogério Teófilo, um ginásio poliesportivo será construÃdo na escola, além da qualificação profissional para os jovens que concluem o ensino médio será garantida.
O representante da Pastoral da Criança, Valdomiro Pontes, disse que aquele era um marco na história do Clima Bom. “Há 17 anos moro aqui e nunca tinha visto um governador ouvir nossa comunidadeâ€, afirmou. Porém, Pontes pediu ao chefe do Executivo mais segurança para o bairro.
Eliane Lima, diretora da unidade de saúde do bairro, ex-prefeita comunitária, integrante da ONG Bem com a Vida e da Pastoral do Idoso, entregou ao governador uma lista de prioridades para o bairro, que é composto pelos conjuntos Rosane Collor, Colibri, Sombra dos Eucaliptos, Osman Loureiro, Colina dos Eucaliptos II e Luiz Pedo I.
Ela também ressaltou que é a primeira vez, nos 30 anos que mora no bairro, que um governador vai à comunidade ouvir os moradores. “Eles só aparecem em época de comÃcio, por isso hoje é um momento muito importanteâ€, destacou a diretora.
Cada representante social presente, recebeu uma lista de reivindicações para encaminhar aos órgãos competentes. Na lista, Eliane Lima, assim como muitos, requisitaram serviços como a reforma e ampliação do minepronto socorro Assis Chateaubriand, no Tabuleiro do Martins; construção de um hospital no bairro; entre outros pleitos para melhor abrigar os moradores da região.