Na minha cidade os tambores tocam um pouco mais cedo. Ela se veste de esperança e alegria e vai para as ruas festejar. Celebra o mar, o sol, o suor.
A minha cidade é assim, canta para esquecer os seus males e suas dores.
Há folia e menos maracatu do que se deveria. Mas há batuque sim. Há festa e folguedo.
Embora cortada pela cicatriz que lhe revolve as entranhas e separa periféricos de abastados, minha cidade dança. Em todos os lados. Com seus bois e seus pagodes. Seus trios e orquestras. Com seus litorais festivos e suas lagoas escuras e margens fétidas.
Minha cidade também chora enquanto faz a festa.
Mas faz tanta diferença quando ela dança…

