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Dia mundial do Meio Ambiente

sexta-feira, junho 3rd, 2011

Em 2011 o Brasil vai comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) sob o signo do retrocesso. A acabrunhante aprovação, pela Câmara Federal, de modificações que mutilam o Código Florestal, deu o tom da ofensiva conservadora que vem, nos últimos anos, impondo duros golpes à legislação e às políticas públicas ambientais.
É certo que medidas absurdas como a anistia para desmatadores e a diminuição do espectro das áreas protegidas, como é o caso das matas ciliares, ainda serão objeto de grandes disputas no Senado Federal e de possíveis vetos anunciados pela presidenta da República. Mas, independente dessas possibilidades restauradoras, a simples sinalização negativa dada pela maioria dos deputados federais é já o bastante para aumentar a preocupação em torno do futuro imediato da política ambiental brasileira.
Em outra ocasião pude ressaltar que o Código Florestal não é a uma espécie de Bíblia Sagrada ou de Alcorão. Se debatido com seriedade e bons propósitos, poderia ser aperfeiçoado para atender a certas realidades da pequena agricultura familiar, sem necessariamente redundar em sacrifício das áreas florestadas e da vegetação de topos de morros, encostas e margens de rios, que são fundamentais para maior regularidade da oferta de água, melhor regime de chuvas, melhor qualidade do solo e outras condicionantes essenciais à própria agricultura.
A pressa suspeita e os métodos impositivos que cercaram a votação na Câmara, impediram que o debate do Código incorporasse princípios, tais como pagamentos ou subsídios por serviços ambientais, que poderiam trazer a discussão para os termos em que a questão ambiental está sendo debatida no mundo inteiro, nesse começo de século. Ao invés, portanto, de conduzir essa discussão, como terminou acontecendo, para os estreitos marcos do suposto dilema entre preservar ou produzir, poderíamos ter caminhado, em alguma medida, para a solução do verdadeiro impasse atual, estimulando modelos e legislações capazes de preservar e conservar mais a natureza e, ao mesmo tempo, produzir também mais, um desafio extremamente complexo, mas possível de ser enfrentado através da junção da ciência e da tecnologia com as boas práticas produtivas e mudanças significativas de comportamento.
Ao contrário dessa nova agenda mundial, proposta pela economia verde, o Brasil, notadamente através do setor público e do setor privado, ainda insiste numa agenda produtivista insustentável, que nos coloca em novo ciclo de dependência como exportadores de commodities baratas, produzidas sob altíssimos custos ambientais e sociais, em função de um retorno financeiro que, para a nata do ruralismo, é, hoje, sedutor, mas para a maioria do povo brasileiro, inalcançável, além de futuramente impraticável.
Isso explica, como subproduto ideológico dessa maneira de pensar e agir, a insistência recorrente com que grande parte dos governos, empresas, políticos, mídia e ruralistas alimentam continuamente a falsa incompatibilidade entre políticas ambientais e as atividades da economia, escondendo da opinião pública a incompatibilidade verdadeira, que não é outra senão aquela existente entre a velha maneira de produzir e as novas necessidades de ajustar a produção e o consumo humanos à capacidade de suporte do ecossistema planetário, sob pena de aprofundarmos uma crise ambiental que, no limite, poderá mostrar-se muitíssimo mais adversa, do que é hoje, para a própria espécie humana.
Essa é a razão pela qual a questão ambiental continua a ser tratada como assunto apenas de ambientalistas. E também o motivo pelo qual as políticas ambientais continuam a ser relegadas a um segundo plano ou restringidas aos guetos de especialistas e vistas como estorvo ao chamado progresso e ao crescimento, o que posterga a necessidade inadiável de torná-las transversais a todos os governos e todas as sociedades.
Na esteira das mudanças que a Câmara aprovou golpeando o Código Florestal, há uma longamente orquestrada campanha que vem desmontando a legislação e a política ambientais no Brasil, baseada em falsos diagnósticos e falsas premissas. Tal fato não somente agrava os perigos de maiores desequilíbrios e degradação da natureza, como também compromete seriamente a possibilidade de utilizarmos as políticas ambientais como um potente instrumento de indução à modernização, racionalização e eficiência da economia.
Se quiser consolidar efetivamente um papel de liderança mundial duradoura, o Brasil deve seguir a sua vocação de potencia política pacifista e perseguir o ideal de tornar-se uma sociedade mais igualitária e mais democrática, um centro referência mundial da ciência e da tecnologia, além de abraçar a possibilidade de ser vanguarda da economia verde, sustentável e descarbonizada do futuro. É ilusão saudosista e reacionária imaginar que seremos grandes copiando o modelo militarista, hegemonista e predatório que caracterizou o perfil das grandes potências até o advento da crise ambiental planetária. O futuro nos aponta outro destino e outro caminho. É pegar ou largar!

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Rego de mamões sofre agressão ambiental na Ilha de Santa Rita

quarta-feira, julho 21st, 2010

O Conselho Gestor da área de Proteção Ambiental da Ilha de Santa Rita e Reserva do Saco da Pedra voltou a se reunir nesta terça-feira, 20 de julho, na Sala de Reuniões da Secretaria de Estado do meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas (SEMARH). Da extensa pauta debatida, o assunto que suscitou maiores discussões foi a constatação de que o córrego conhecido como Rego dos Mamões e suas margens continuam sofrendo todo o tipo de ações degradantes.

No curso das discussões, lembrou-se que os diversos proprietários cujos terrenos se estendem até o Rego dos Mamões já sofreram autuações dos órgãos ambientais e já firmaram Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público Estadual, comprometendo-se a recuperar as áreas degradadas e não cometer novos crimes ambientais. Apesar disso, num balanço geral feito por diversos membros do Conselho, novos e antigos focos de poluição e degradação foram observados.

Encerrado o debate, os conselheiros decidiram, por unanimidade, convidar representantes de vários órgãos ambientais, notadamente do Núcleo de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, para retomar as ações referentes ao Rego dos Mamões e diversas construções irregulares que se multiplicam na praia da Reserva Ecológica do Saco da Pedra.

DUPLICAÇÃO DA RODOVIA

Com relação ao acompanhamento das condicionantes das licenças ambientais concedidas para a duplicação da Rodovia AL-101 Sul, que liga a cidade de Maceió à Barra de São Miguel, o Conselho resolveu reiterar convite ao empreendedor, no caso o Departamento de Estradas de Rodagens (DER), para fazer um balanço da aplicação das medidas compensatórias, sobretudo nos locais inseridos dentro dos limites da APA de Santa Rita.

O destaque, na reunião a ser feita com  o DER, será o projeto de replantio de vegetação de manguezal como compensação pela supressão desse tipo de vegetação no trecho inicial da obra, logo após a Ponte Divaldo Suruagy. A idéia é replicar o replantio nos locais onde a operação não pôde ser completada e atingir a meta de restaurar uma área três vezes maior do que aquela que foi sacrificada para permitir a duplicação no local do manguezal.

Encerrando a reunião, mais um assunto referente às atividades de fiscalização foi ventilado: trata-se da presença de artefatos não licenciados de pesca, a exemplo das caiçaras, no contexto do complexo lagunar. Depois de assinalar a data de 9 setembro para a realização da próxima reunião, o Conselho decidiu convidar as entidades parceiras da gestão da APA para formar um consenso em relação à pesca predatória.

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Reserva Ecológica de Roteiro

quarta-feira, maio 5th, 2010

 Terminou nesta terça-feira  o processo de escolha dos representantes dos segmentos da sociedade civil com vistas à composição do Conselho Gestor da Reserva Ecológica (RESEC) dos Manguezais de Roteiro. A escolha foi feita através de consenso na escola do povoado Palatéia, na Barra de São Miguel, onde vive uma comunidade diretamente ligada às atividades de pesca e maricultura da região.

            Conforme o edital que regulamentou a formação do Conselho Gestor da RESEC de Roteiro, três segmentos da sociedade civil, representativos de organizações ambientalistas, entidades empresariais e associações profissionais ou comunitárias teriam que indicar, mediante escolha democrática, os membros do Conselho representativos dos setores não governamentais.

            Presidido pelo Superintendente de Meio Ambiente da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH), Anivaldo Miranda, e pelo Diretor de Unidades de Conservação do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Alex Nazário, o processo de escolha resultou na indicação das ONG’s Pense Brasil e Ifospam, como titular e suplente; da Colônia Z7 e da Associação de Maricultores da Palatéia como titulares e da Colônia de Pescadores Z24 e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Roteiro como suplentes do segmento associações comunitárias e da Usina Caeté como titular e da Associações de Hotéis e Pousadas da Barra de São Miguel como suplente do segmento empresarial.

            Concluída, portanto, a escolha dos segmentos da sociedade civil, o Conselho receberá as indicações das Prefeituras de Roteiro e Barra de São Miguel, do Instituto Chico Mendes (ICM-Bio) e do IMA e SEMARH   para completar sua composição até a data de sua posse e início de atividades previstos para a primeira quinzena de junho próximo em solenidade a ser realizada no próprio povoado da Palatéia.

            Com a conclusão do processo de formação do Conselho Gestor da RESEC de Roteiro, o governo de Alagoas, através da SEMARH e do IMA, terá pela frente apenas a formação do Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) de Murici para completar a estruturação dos colegiados gestores de todas as suas unidades de conservação.

            A RESEC de Roteiro, penúltimo Conselho a ser criado, comporta uma das coleções mais importantes de vegetação de mangue do Estado de Alagoas. Sua proteção e gestão responsável torna-se ainda mais relevante tendo em vista que 2010 foi declarado pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional da Biodiversidade e levando-se em conta que os manguezais constituem um dos biomas mais ameaçados de extinção em nível planetário e na zona costeira do Brasil.

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Cempram debate pauta gigante

segunda-feira, fevereiro 1st, 2010

extração de areiaO Conselho Estadual de Proteção Ambiental –CEPRAM, vai apreciar nesta terça-feira, 2 de fevereiro, a partir das 14 horas, na Sala dos Conselhos do Palácio República dos Palmares, em Maceió, aquela que é, seguramente, a maior pauta de sua história, com mais de 100 pedidos de licenciamento ambiental, principalmente de postos de combustível e processos que foram aprovados pelo governador “ad referendum” do Conselho, envolvendo sobretudo a regularização de empresas que fazem extração de areia (foto) para a construção civil nos rios Paraíba e Mundaú.

O excesso de matérias na pauta é fruto, sobretudo, do acúmulo de processos decorrente das atividades de fim e de começo de ano, das ações de fiscalização do Ministério Público para regularização ambiental de várias cadeias de atividades econômicas impactantes – como no caso das atividades realizadas por empresas que fazem extração de areia para a construção civil – e limitações da capacidade logística do corpo técnico que faz o trabalho de análise e instrução dos processos.

Da pauta fazem parte processos de diversa natureza, desde empreendimentos imobiliários, passando por equipamentos de transmissão de energia e até uma Casa de Farinha, para uso comunitário, no município de São Sebastião sob o patrocínio da Secretaria Estadual de Agricultura.

Dos empreendimentos imobiliários, sobretudo ligados à indústria do Turismo, entram na pauta, entre outros, o pedido da empresa Massagueira Empreendimentos Ltda. para licença de implantação do Loteamento Ilha da Lagoa, localizado no distrito Massagueira de Baixo, em Marechal Deodoro. Na mesma linha, a construtora Halbreich, que pretende inaugurar um projeto hoteleiro de alto valor de mercado, requer licença de operação para uma adutora que deverá fazer captação de águas na área da Fazenda Pituba, zona rural de Coruripe.

Ainda no município de Coruripe, Itacap Um Empreendimentos, requer licença prévia do CEPRAM para condomínio localizado à rodovia AL-101-Sul, enquanto Marcio Vasconcellos Silva requer licença de operação para empreendimento localizado na rodovia AL-101 Norte, sob a denominação Sol Salinas Hotelaria e Serviços no distrito de Ipióca, Maceió. Finalmente, Rosa do Sol Turismo requer licença de operação para Gunga Poranga Hotel, na Barra de São Miguel, empreendimento que já recebeu essa licença do governador, “ad referendum” do Conselho.

Por seu vulto e importância, ainda ressaltam da longa pauta do CEPRAM, o pedido de Engenharq Ltda. que quer licença prévia para construção de 1938 casas populares para o Residencial Brisa do Lago, no bairro de Olho D’água dos Cazuzinhas, em Arapiraca, e da Prefeitura da própria Arapiraca para regularização da implantação da Via Marginal no entorno do Riacho Piauí. (Anivaldo Miranda)

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