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Um milhão de internautas contra construção de Belo Monte

sexta-feira, fevereiro 4th, 2011

Dentro de 5 dias a Rede Avaaz – uma organização que articula campanhas da sociedade civil mundialmente através da Internet – pretende enviar para a presidenta Dilma Roussef os e-mails de protesto de nada menos do que 1 (um) milhão de internautas, a maioria esmagadora de brasileiros e brasileiras, que pedem a interdição do início das obras da hidrelétrica de Belo Monte cujo impacto implicará na devastação de 400.000 hectares da floresta amazônica e impactos em centenas de quilômetros do Rio Xingu.

Além dos desmatamentos, os organizadores da campanha de protesto informam que mais de 40.000 pessoas, a maioria comunidades indígenas amazônicas, serão duramente prejudicadas pela hidrelétrica e obrigadas a deixar seus locais de moradia. Para a consecução das obras – denunciam os articuladores do protesto – será escavada uma mega vala cujas dimensões seriam maiores do que o Canal do Panamá.

Os articuladores do protesto, utilizando dados da WWF –World Wildlife Foundation, uma organização internacional de defesa da biodiversidade no planeta, com afiliada no Brasil, sustenta que, apenas lançando mão de programas de eficiência energética seria possível viabilizar energia equivalente a 14 usinas como a que se pretende construir em Belo Monte.

De acordo, ainda, com os organizadores do protesto, que já conta com 450.000 adesões (dados desta quinta-feira, 3 de fevereiro), os maiores interessados na construção da hidrelétrica são as grandes empreiteiras e a empresa Eletronorte, a despeito da existência de alternativas menos impactantes e mais limpas para a produção de energia capaz de sustentar o crescimento brasileiro sem causar perdas devastadoras na já cambaleante biodiversidade planetária.

Os dados dos animadores do protesto ganham maior credibilidade a julgar pela crise aberta no contexto do licenciamento ambiental da obra. A Rede Avaaz informa que, por se negar a assinar a licença prévia do projeto, o presidente do IBAMA renunciou e foi imediatamente substituído por outro que assinou imediatamente a citada licença, numa demonstração da complexidade dos impactos ambientais a serem causados e da complexidade ainda maior das medidas mitigadoras do empreendimento e, inclusive, a complexidade da equação danoXbenefício decorrente do projeto que, no mínimo, está a merecer uma bem mais aprofundada avaliação e debate nacional.

Para as pessoas que desejem maiores informações sobre a campanha contra o início das obras de Belo Monte ou associar-se ao protesto, informamos o endereço eletrônico da Rede Avaaz: http:www.avaaz.org/po/pare belo monte/?vI

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Retrocessos na política ambiental

terça-feira, junho 8th, 2010

Reproduzo a seguir o teor de manifesto que algumas das principais organizações civis ambientalistas divulgaram para denunciar os rumos daquilo que pode ser considerada a maior ofensiva conservadora já presenciada no Brasil para liquidar com os avanços obtidos nas políticas públicas brasileiras de proteção ao meio ambiente e sustentabilidade do desenvolvimento.

   O detalhe é que essas instituições, politicamente neutras em termos partidários, não hesitam em desmascarar a conivência do governo Lula para com as diversas iniciativas que, a partir dos setores mais retrógrados do Congresso Nacional, pretendem pulverizar a legislação ambiental duramente conquistada em anos de luta, consensos e experiência de toda a vasta comunidade que lida com a temática do meio ambiente.

    Sob o pretexto de uma falsa aceleração do crescimento econômico, o próprio governo central lidera uma campanha de desqualificação das ações e políticas ambientais, bem como dos seus atores, sejam eles agentes públicos ou cidadãos e cidadãs comuns, para criar a impressão de que as leis, normas e procedimentos da legislação ambiental são inadequados.

    Nesse sentido, não raro consideram que as políticas ambientais, no formato atual, se constituem em obstáculos à oferta e criação de empregos, o que redunda na criação de um clima de animosidade, cujo objetivo é esconder a subserviência palaciana de Brasília aos interesses dos grandes conglomerados econômicos e financeiros que não aceitam abrir mão dos seus lucros quando se trata da necessidade de adequar seus projetos aos ditames da sustentabilidade.

    Tomar conhecimento dos detalhes da ofensiva conservadora torna-se missão urgente para tantos quantos se opõem aos retrocessos em matéria ambiental, principalmente nas condições de um mundo que, a cada dia, presencia o agravamento da crise ambiental mundial e o esforço internacional para a mudança positiva de comportamentos e de velhos paradigmas ligados a um conceito de progresso completamente superado e avesso à verdadeira sustentabilidade, seja ambiental, social ou econômica.

Eis o manifesto:

Política Ambiental no Brasil à beira do abismo

 As entidades signatárias manifestam nesta Nota sua forte preocupação com a atual conjuntura da política ambiental Brasileira, agravada ainda mais com a situação atual por que passam os servidores públicos federais ambientais (MMA / IBAMA / ICMBio / SFB) cujas reivindicações merecem nosso total apoio. O descaso do governo federal para com as carreiras ambientais constitui a derradeira e inequívoca evidência de que presenciamos uma crise inaceitável na política socioambiental brasileira, em pleno Ano Internacional da Biodiversidade.

As evidências de que o projeto de crescimento econômico fomentado pelo governo federal ruma na contramão do desenvolvimento sustentável são inúmeras e graves.

Vejamos:

 1) Até agora o executivo federal não se posicionou de forma clara, pública e firme contrário ao movimento de flexibilização generalizada da nossa legislação federal sustentado – em dezenas de audiências públicas recentes – por representantes governistas da bancada ruralista no Congresso Nacional. Dentre as proposições em curso que visam desconstituir algumas das principais garantias legais pós-Constituição de 1988 destacamos:

I – a desfiguração do código florestal com propostas de anistia generalizada para consolidar o uso econômico de desmatamentos ilegais em áreas protegidas ou de risco (Reservas legais e áreas de preservação permanente);

II – propostas para enfraquecer o Zoneamento Ecológico-econômico como instrumento de planejamento fundamental para promoção da sustentabilidade retirando do próprio governo federal o controle sobre a sua qualidade e consistência;

III – proposta para eliminar o poder normativo do CONAMA, órgão de primeira importância do Sisnama por garantir a participação, legitimidade e transparência no desenvolvimento de normas e parâmetros técnicos ambientais;

IV – proposta para suprimir a prerrogativa do executivo de criar unidades de conservação, obrigando a sua homologação pelo legislativo.

2) A aprovação na Câmara dos Deputados, em dezembro de 2009, de dispositivo no Projeto de Lei Complementar (12/09) que suprime o poder supletivo do órgão ambiental federal para o exercício da fiscalização, ou seja, de cobrir a eventual omissão dos órgãos ambientais estaduais, comprometendo de forma significativa o controle do desmatamento e, conseqüentemente, o controle federal sobre o cumprimento das metas de redução de CO2 contidas na Política Nacional de Mudanças Climáticas.

3) O não lançamento até hoje, pela Casa Civil da Presidência da República, da revisão do Plano Nacional de Prevenção e Controle dos Desmatamentos na Amazônia, revisão esta iniciada no primeiro semestre de 2008. Espera-se que a atual revisão inclua as ações relativas aos compromissos estendidos para o Cerrado, parte integrante das metas do item anterior.

4) A defesa exaltada e publicitária de um Programa de Aceleração do Crescimento 2 pautado fundamentalmente em obras de infra-estrutura altamente impactantes e despidas de avaliação ambiental integrada e estratégica. O PAC, em nenhuma de suas versões, contém planejamento correlato que indique um fortalecimento da gestão ambiental capaz de garantir sustentabilidade aos seus objetivos.

5) A insistência na aprovação, inclusive com pressão política exercida sobre técnicos do órgão de licenciamento ambiental federal e manifestações autoritárias na mídia por parte de representantes do TCU e da ABIN contrárias às organizações da sociedade civil que questionam legitimamente no judiciário obras de infra-estrutura comprovadamente anti-econômicas e flagrantemente causadoras de graves impactos socioambientais, como a UHE – Belo Monte, no Pará, e a rodovia BR 319, no Amazonas, cortando o coração da Amazônia.

6) O bloqueio na Casa Civil, em atendimento à pressão do Ministério de Minas e Energia, na criação de novas áreas protegidas sob pretexto de desenvolver estudos para prospecção de áreas para mineração pondo em risco áreas com alto potencial de conservação de biodiversidade.

E por fim,

7) a recusa do executivo federal em cumprir acordo firmado com servidores das carreiras ambientais federais, induzindo com isso a evasão de técnicos qualificados do setor ambiental para outros órgãos públicos melhor estruturados e remunerados, ou mesmo instituições privadas, o que comprometerá sobremaneira a já pouco estruturada política ambiental brasileira.

O fortalecimento institucional dos órgãos responsáveis pela implementação das políticas e legislação ambientais é vital, e não acontecerá sem um tratamento sério e responsável às legítimas demandas dos seus servidores ambientais e da sociedade civil.

O tratamento anti-isonômico e de 2ª categoria conferido às carreiras ambientais nos órgãos federais precisa ser revisto e as demandas apresentadas merecem ser atendidas no curtíssimo prazo.

A omissão do poder executivo federal em relação ao flagrante ataque à nossa legislação socioambiental em curso no Congresso Nacional é também inaceitável cabendo aos líderes políticos do governo federal, em especial ao Presidente Lula, defender a implementação da legislação em vigor e o fortalecimento das instâncias de gestão ambiental federal.”

Em 28 de abril de 2010, assinam:

Grupo de Trabalho Amazônico

Rede de Ongs da Mata Atlântica

Apremavi – Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida

Amigos da Terra – Amazônia Brasileira

Associação de Defesa Ambiental – Kanindé

Conservação Internacional – CI

Fundação SOS Mata Atlântica

Gambá – Grupo Ambientalista da Bahia

Imaflora – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola

Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia

Inesc – Instituto de Estudos Socioeconômicos

IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia

ISA – Instituto Socioambiental

ICV – Instituto Centro de Vida

Vitae Civilis – Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz

WWF – Brasil

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CEPRAM decide hoje destino de reduto de tartarugas

terça-feira, junho 1st, 2010

 O Conselho Estadual de Proteção Ambiental –CEPRAM – vai colocar em pauta, nesta terça-feira, em sua reunião ordinária do mês de junho, o pedido de licença de implantação para o megacondomínio Barra de São Miguel Empreendimentos SPE, cujo maior atrativo para futuras vendas serão moradias de luxo a serem construídas na última e mais expressiva faixa de vegetação de restinga do litoral médio de Alagoas, em área que o próprio CEPRAM já havia indicado como passível de transformação em unidade de conservação por seu inegável valor em termos de biodiversidade, paisagismo e barreira contra a erosão marinha.

Marcada para ter início às 14 horas na sala de reuniões do Palácio Zumbi dos Palmares, sede do governo estadual, a concessão da licença de implantação vai certamente provocar intenso debate, principalmente de parte das representações da sociedade civil, preocupadas com o acelerado ritmo de supressão de vegetação protegida em Alagoas, sob o pretexto de atendimento incondicional a qualquer reclamo do poder econômico.

Como a área de restinga a ser devastada é o último refúgio seguro, em toda área litorânea que vai de Maceió à Barra de São Miguel, para a desova de tartarugas, entidades ambientalistas, tendo à frente a ONG Salsa de Praia, com sede em Marechal Deodoro, já ingressaram com representações junto ao Ministério Público Federal para cassar a licença prévia já concedida pelo CEPRAM e impedir a licença de implantação que entrará hoje em debate. Para melhor entendimento do assunto, a licença prévia aprova ou desaprova a concepção e localização de qualquer empreendimento, enquanto a licença de implantação aprova ou desaprova o projeto de engenharia que dá início às obras.

Além de postular com veemência o valor da restinga que vai da Praia do Francês ao início da Barra de São Miguel, classificando-o como santuário para desova de tartarugas, os ambientalistas e representantes de outras instituições civis que votaram contra a devastação da restinga, consideram que qualquer intervenção no local irá configurar claro cometimento de crime ambiental, tendo em vista que a vegetação do local é de proteção permanente, conforme os termos da Lei da Mata Atlântica e outros diplomas legais que regulam a matéria ambiental, principalmente em áreas costeiras.

 Se o CEPRAM der guarida às pretensões da empresa que quer ocupar a restinga, que é de São Paulo, mas se apresenta em Alagoas apenas com seu nome de fantasia, os ambientalistas já estão decididos a fazer uma campanha nacional sobretudo invocando o absurdo da continuidade da supressão do que ainda resta dos manguezais e restingas do litoral de Alagoas, em pleno ano de 2010, que foi classificado pelas Organização das Nações Unidas (ONU), como o Ano Internacional da Biodiversidade.

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