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Belo Monte: agir antes que comecem a derrubar as árvores

segunda-feira, fevereiro 7th, 2011

O governo já emitiu a licença inicial para Belo Monte e as empreiteiras podem começar a derrubada das árvores a qualquer momento! A nossa petição urgente para parar esta barragem será entregue em Brasília esta semana:

Chegou a hora de uma ação urgente, o governo já liberou a derrubada de árvores para abrir o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte.

A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.

A Amazônia é um tesouro incalculável, por isto precisamos gerar uma indignação imediata. Nos últimos dias centenas de brasileiros inundaram o gabinete da Presidente Dilma com telefonemas, e mais de 416.260 pessoas já assinaram a petição. Agora, vamos aumentar a pressão. Assine a petição de emergência para a Dilma parar Belo Monte e proteger a Amazônia — ela será entregue de forma espetacular com os parceiros indígenas da Avaaz em Brasília na semana que vem:

http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl

A Eletronorte, quem mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que a licença para iniciar as obras seja liberada mesmo antes do projeto cumprir as normas ambientais.

Especialistas que estudaram o projeto concordam que a usina é uma catástrofe ambiental. Três semanas atrás o ex-Presidente do IBAMA se demitiu ao se recusar a ceder a pressão política para assinar a licença de Belo Monte. Mas o governo federal rapidamente apontou Américo Ribeiro Tunes, um substituto leal que caladamente assinou a licença pouco depois de assumir o cargo.

A hidrelétrica iria inundar pelo menos 400.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.

Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.

A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:

http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl

Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma. Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor. Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.

Com esperança

Ben, Graziela, Alice, Ricken, Rewan e toda a equipe da Avaaz

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Um milhão de internautas contra construção de Belo Monte

sexta-feira, fevereiro 4th, 2011

Dentro de 5 dias a Rede Avaaz – uma organização que articula campanhas da sociedade civil mundialmente através da Internet – pretende enviar para a presidenta Dilma Roussef os e-mails de protesto de nada menos do que 1 (um) milhão de internautas, a maioria esmagadora de brasileiros e brasileiras, que pedem a interdição do início das obras da hidrelétrica de Belo Monte cujo impacto implicará na devastação de 400.000 hectares da floresta amazônica e impactos em centenas de quilômetros do Rio Xingu.

Além dos desmatamentos, os organizadores da campanha de protesto informam que mais de 40.000 pessoas, a maioria comunidades indígenas amazônicas, serão duramente prejudicadas pela hidrelétrica e obrigadas a deixar seus locais de moradia. Para a consecução das obras – denunciam os articuladores do protesto – será escavada uma mega vala cujas dimensões seriam maiores do que o Canal do Panamá.

Os articuladores do protesto, utilizando dados da WWF –World Wildlife Foundation, uma organização internacional de defesa da biodiversidade no planeta, com afiliada no Brasil, sustenta que, apenas lançando mão de programas de eficiência energética seria possível viabilizar energia equivalente a 14 usinas como a que se pretende construir em Belo Monte.

De acordo, ainda, com os organizadores do protesto, que já conta com 450.000 adesões (dados desta quinta-feira, 3 de fevereiro), os maiores interessados na construção da hidrelétrica são as grandes empreiteiras e a empresa Eletronorte, a despeito da existência de alternativas menos impactantes e mais limpas para a produção de energia capaz de sustentar o crescimento brasileiro sem causar perdas devastadoras na já cambaleante biodiversidade planetária.

Os dados dos animadores do protesto ganham maior credibilidade a julgar pela crise aberta no contexto do licenciamento ambiental da obra. A Rede Avaaz informa que, por se negar a assinar a licença prévia do projeto, o presidente do IBAMA renunciou e foi imediatamente substituído por outro que assinou imediatamente a citada licença, numa demonstração da complexidade dos impactos ambientais a serem causados e da complexidade ainda maior das medidas mitigadoras do empreendimento e, inclusive, a complexidade da equação danoXbenefício decorrente do projeto que, no mínimo, está a merecer uma bem mais aprofundada avaliação e debate nacional.

Para as pessoas que desejem maiores informações sobre a campanha contra o início das obras de Belo Monte ou associar-se ao protesto, informamos o endereço eletrônico da Rede Avaaz: http:www.avaaz.org/po/pare belo monte/?vI

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Usinas nucleares no rio São Francisco

quinta-feira, agosto 26th, 2010

O Brasil é o país do corporativismo. Isso explica o porquê do caminho tortuoso percorrido recorrentemente pelos assuntos que requerem debate intenso e transparência máxima por serem de amplo interesse público. Um exemplo dessa alergia ao bom debate é a condução do projeto que pretende a implantação de uma central nuclear e várias usinas atômicas no Nordeste brasileiro, mais precisamente em algum ponto dos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe ou Bahia.

 Advirto, de antemão, que não alimento qualquer preconceito contra a energia nuclear. Como toda forma de energia manipulada por homens e mulheres, ela apresenta riscos e impactos, vantagens e desvantagens a serem consideradas em cada situação. No Brasil, a energia nuclear deveria estar sendo discutida, planejada e viabilizada no contexto de uma ampla reavaliação e reflexão nacional sobre nossa matriz energética, a partir dos novos cenários do aquecimento global, da sustentabilidade dos recursos naturais e das possibilidades tecnológicas que o futuro nos oferece.

Não é esse, positivamente, o espírito que comanda os planos do governo Lula para implantação das usinas nordestinas. Esses planos, de repente caíram de pára-quedas nas capitais dos quatro Estados, seguidos de diversos debates “chapa branca” destinados a exaltar apenas as vantagens socioeconômicas da implantação da central nuclear e estimular, veladamente, uma feroz disputa entre os governos locais, para saber quem vai assegurar, em seus respectivos territórios, a localização do projeto.

Portanto, ao invés de constituir uma alternativa concebida e defendida em ampla interação com um leque de outras alternativas energéticas (solar, eólica, da biomassa, etc.), complementares entre si e racionalmente dispostas em verdadeiro programa energético nacional, posto às claras e para discussão de todo o país, o projeto das usinas já veio com forte cheiro corporativo, com conotação de disputa semelhante às famosas “guerras fiscais” entre estados e com informações truncadas.

Em outras palavras, o projeto já surgiu fomentando uma concorrência regional acirrada entre os quatro estados, por empregos qualificados e arrecadação de impostos, o que não deixa de ser uma forma perversa de substituir o debate amplo, científico e cidadão,  por uma refrega fratricida que irá, inevitavelmente, subtrair das populações alvo a liberdade de definir se querem ou não querem essas usinas. E, no caso de sua aceitação, a concorrência fomentada irá prejudicar, também, a qualidade das escolhas tecnológicas a serem feitas e a liberdade de, eventualmente, fazer-se a implantação da central nuclear com as melhores salvaguardas, a maior segurança existente, as garantias confiáveis e as compensações ambientais necessárias.

Quando a notícia da implantação da central nuclear alcançou o Nordeste, falou-se de dois cenários para sua implantação: no litoral, confrontando-se com o Oceano Atlântico, e na calha do rio São Francisco. Agora ficamos sabendo que a localização pra valer sempre foi mesmo a calha do Velho Chico. O litoral apareceu tão somente para suavizar a pílula.

 Juntando as peças do quebra-cabeças não fica difícil de matar a charada. As usinas nucleares vão para a calha do rio São Francisco seguramente como compensação aos impactos negativos que o Projeto da Transposição terá na diminuição da capacidade de geração de energia do sistema hidrelétrico ali construído. As autoridades esconderam o jogo, mas agora fica claro que o rio vai ter que pagar, mais uma vez, um alto preço porque, dependendo do tipo de usinas a ser escolhido, uma enorme quantidade de água doce deverá ser usada para fins de refrigeração do sistema.

Os possíveis locais para implantação das unidades nucleares são Belém do São Francisco, Cabrobó e Lagoa Grande, em  Pernambuco; Poço Redondo, Porto da Folha e Gararu, em Sergipe e, finalmente, Belo Monte, Traipú ou Penedo, em Alagoas, todos às margens do rio. Conforme a escolha tecnológica a ser feita (chaminés ou circuito fechado) cerca de 3m³/s (três metros cúbicos por segundo) ou 60 m³ (sessenta metros cúbicos) de água do São Francisco serão utilizados no processo¹, o que ressalta ainda mais a necessidade de maiores informações e transparência nas decisões a serem tomadas, até porque não se sabe se as usinas projetadas serão de tecnologia avançada ou de concepção já ultrapassada.

“O que engorda o boi é o olho do dono,” ensina a sabedoria popular. Portanto, em tempos de debate eleitoral, ao invés do blá,blá,blá mentiroso de quem trouxe ou não trouxe verbas federais, o que realmente deveria estar sendo discutido pelos candidatos a senador e deputado federal nos quatro estados que brigam pelo projeto das usinas, são assuntos estratégicos como esse do futuro da nossa energia e do nosso meio ambiente. Mas, como os candidatos até agora não se dispuseram a fazê-lo, façamos nós, antes que os destinos do Nordeste sejam sempre decididos fora de suas fronteiras.

(1) Informações colhidas junto à CCR do Baixo/Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco

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