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Dirceu Lindoso

segunda-feira, abril 4th, 2011

Reproduzo neste blog o discurso que pronunciei durante a solenidade de entrega do título de Doutor Honoris Causa, da Universidade Federal de Alagoas, ao grande cientista social alagoano Dirceu Lindoso, no último dia 25 de março, no Espaço Cultural da Ufal. Na sequência, divulgarei as demais falas proferidas nesta justa homenagem que a academia alagoana fez a esse que é, sem dúvida, hoje, o maior intelectual vivo das Alagoas! Quem quiser maiores detalhes da homenagem, deve acessar o site da Ufal: www.ufal.gov.br

DIRCEU LINDOSO

(Discurso pronunciado por Anivaldo Miranda durante a solenidade de entrega do título de Doutor Honoris Causa da Ufal, no Espaço Cultural, Praça Visconde de Sinimbu em Maceió, AL, no dia 26 de março de 2011)

 

Sem dúvida estamos todos vivenciando hoje um dia muito especial. O dia em que o povo de Alagoas começa a saldar uma grande dívida de gratidão. E o que é mais importante: é que começa a saldar essa dívida pela maneira mais apropriada e através do conduto mais legítimo para fazê-lo.

Refiro-me, como todos bem sabem, à nossa dívida comum para com o cientista social Dirceu Lindoso, que hoje recebe das mãos da Magnifíca Reitora Ana Dayse o merecido título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Alagoas, a instituição mais qualificada e mais apropriada para fazer o reconhecimento público da inquestionável importância e do grande valor científico da obra de Dirceu.

Ressalte-se, porém, que a Universidade Federal de Alagoas não se limitou hoje apenas ao reconhecimento da obra de Dirceu. Foi mais além e, por isso, torna-se porta-voz privilegiada do povo alagoano, quando, além do cientista, homenageia também o homem, o profissional, o militante político e o grande cidadão alagoano que é Dirceu Lindoso.

É em função dessa homenagem ao cidadão político Dirceu Lindoso que estou aqui, atendendo a honroso convite dos organizadores desta solenidade, para falar um pouco da trajetória política de Dirceu com quem compartilhei muitos anos de militância clandestina no antigo Partido Comunista Brasileiro, o PCB, e da resistência ao regime militar.

Muitos não sabem mas, para além e até antes de sua longa e produtiva vida de estudioso, Dirceu conseguiu ser aquilo que o italiano Antonio Gramsci caracterizaria como um intelectual orgânico, ou seja, aquele que não apenas produz teorias e reflexões sobre a realidade social, mas também participa ativamente do processo de materialização e comprovação dessas teorias com olhos voltados para a transformação da sociedade.

Em outras palavras, com isso quero lembrar que Dirceu foi buscar inspiração e material para sua criatividade científica, em boa parte na

militância política que teve como membro do Comitê Estadual do PCB, no final da década de 1950 e início da década de 1960, em Alagoas, quando o partido estava sob a direção de Jaime Miranda.

Aliás, esse foi talvez o período de maior ebulição política em Alagoas durante todo o transcorrer do século XX. Essa ebulição política encontra sua explicação no fato de ter sido a primeira vez na história de Alagoas em que as chamadas classes representativas do mundo do trabalho intervieram com um consistente projeto de mudanças econômicas e sociais na arena política alagoana.

Fruto de intelectuais engajados como Dirceu, os movimentos sindical, estudantil, dos trabalhadores rurais, as associações representativas dos profissionais liberais e formadores de opinião constituíram o maior movimento de massas em favor de mudanças democráticas e de rupturas sociais que Alagoas jamais conheceu.

O golpe de Estado representou um profundo corte nesse rico e inigualável processo. E Dirceu, como tantos outros líderes daquele movimento, pagaria caro, muito caro, por sua ousadia socialista.

Preso em 1 de abril de 1964 pela polícia política de Alagoas, Dirceu fez parte da legião de centenas e centenas de pessoas, homens e

mulheres,  que foram encarceradas pelos agentes do regime militar e fez parte, também, da última leva de presos políticos a serem libertados 9 meses depois.

Exilado no Rio de Janeiro, Dirceu manteve-se clandestinamente como membro do Comitê Central do PCB até os anos da anistia política, combinando essa condição de resistente político, cheia de riscos e enormes tensões

pessoais, com suas atividades profissionais de professor que foi da Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro, e colaborador do Museu Nacional e do Museu Imperial de Petropólis.

É aqui que ressalta ainda mais o valor desse grande e corajoso intelectual, porque apesar do grande preço pessoal que pagou como cidadão e democrata pelo fato de lutar contra a Ditadura, ainda assim teve força incomum para escrever a sua maravilhosa obra. Sinceramente, não é positivamente fácil ter determinação e autocontrole para produzir intelectualmente no contexto das perseguições, riscos, intimidações e perigos que cercavam aqueles e aquelas que ousassem criticar e fazer oposição ao regime militar fascista que se implantou no Brasil.

O melhor de tudo é que essa circunstância dolorosa do exílio, do isolamento forçado, da desestabilização da vida pessoal, das perseguições políticas, não contaminaram a obra nem a pessoa de Dirceu com amarguras e rancores.

Tampouco contaminaram a obra de Dirceu suas convicções ideológicas. Militante comunista e discípulo de Marx, podemos dizer que Dirceu nunca foi, como de resto o próprio Marx também nunca o foi, um marxista doutrinário.

Do marxismo Dirceu valeu-se do método e da genialidade das análises histórico-concretas de Marx sem prescindir, todavia, das contribuições e ensinamentos de todos os demais gênios das ciências sociais para interpretar, sem qualquer mecanicismo, a história do povo de Alagoas. História que ele viu e reviu desde o olhar das chamadas classes subalternas, desde o olhar dos escravos, dos negros, dos índios, dos trabalhadores, dos homens e mulheres do campo, das classes médias, da grande maioria formadora do universo do trabalho.

Filho de Maragogi, voz tardia mas nem porisso absolutamente legítima dos grandes cenários históricos do Quilombo dos Palmares, da Revolta dos Cabanos, das Invasões Holandesas, da resistência anti-Colonial, da saga representada pelos trabalhadores da cana-de-açúcar e sua inimaginável  opressão, da riqueza e exuberância da civilização da Mata Atlântica e do verdor dos nossos mares, Dirceu deu a Alagoas uma extraordinária contribuição  para o resgate de sua memória.

E no contexto desse resgate, ajudou-nos de uma forma absolutamente rara, ou seja, ajudou-nos e vai continuar nos ajudando a conhecer e melhor formar nossa identidade como civilização brasileira, nordestina e alagoana, bem como ajudou-nos e vai continuar nos ajudando e fornecendo notáveis instrumentos para aumentar nossa autoconsciência como povo e sociedade.

O Partido Popular Socialista, sucedâneo do antigo PCB, através do seu Diretório Nacional e do seu presidente nacional, Roberto Freire, pediu-me para transmitir a toda a comunidade de estudantes, professores, funcionários e técnicos da UFAL as mais calorosas congratulações por este ato de justiça e de reconhecimento acadêmico a este grande amigo, grande mestre e grande alagoano que é Dirceu Accioly Lindoso. Muito Obrigado.

 

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Conselho Gestor da APA do Pratagy

sexta-feira, maio 28th, 2010

Dando prosseguimento à campanha de resgate das unidades de conservação

de caráter estadual em Alagoas, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente

e dos Recursos Hídricos (SEMARH), através de sua Superintendência do

Meio Ambiente, realizou ontem o processo de escolha dos representantes

das instituições da sociedade civil na composição do Conselho Gestor da

APA do Pratagy.

Realizado na Sala de Reuniões da própria SEMARH, o processo de escolha

transcorreu rapidamente porque a maioria das vagas ofertadas

correspondia ao número de instituições que se habilitaram no prazo e

conforme as exigências do edital publicado pelo Secretário de Meio

Ambiente e Recursos Hídricos, Alex Gama. A exceção ficou por conta do

segmento empresarial, que registrava seis aspirantes para três vagas.

Todavia, mediante consenso, as empresas postulantes preencheram com três

suplentes e três titulares as vagas disponíveis.

 De acordo com o Superintendente de Meio Ambiente da SEMARH, Anivaldo Miranda, preenchidas as vagas que a sociedade civil vai ocupar, restará apenas, para completar o processo, marcar a data da posse do Conselho, em princípio prevista para a primeira quinzena do mes de julho, quando deverá ser aprovado o regimento interno do Conselho e apresentado o diagnóstico da situação atual e dos problemas que afetam a Área de Proteção Ambiental (APA) do Pratagy.

 ”A APA do Pratagy -disse Anivaldo – foi criada há mais de duas décadas mas nunca saiu do papel. Agora ela conta com um colegiado, representativo da sociedade civil e dos poderes públicos, que dividirão entre sí a gestão ambiental daquele espaço que tem ativos ambientais valiosos a serem preservados, a exemplo dos mananciais de água da Bacia Hidrográfica do Pratagy, fundamentais para o abastecimento de água da cidade de Maceió.”

 Além  das instituições civis, da SEMARH e do IMA, fazem parte do Conselho Gestor da APA do Pratagy representantes da UFAL, do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, do IBAMA, ICM-Bio, prefeituras de Messias, Rio Largo e Maceió, além da CASAL. A seguir, a listagem das entidades civis que comporão o Conselho:

 INSTITUIÇÕES ELEITAS AO CONSELHO GESTOR APA DO PRATAGY

Sociedade Civil

ONG´s

Comitê da Bacia Hidrográfica do Pratagy

 Titular: João Fernando SampaioSuplente: Tatiana de Oliveira Simões

 Instituto de Formação Social e Pesquisa Ambiental – IFOSPAM

 Titular: Paulo Fábio Porto Esperon

Suplente: Luciano André Chaves Correia

Instituto de Pesquisa e Preservação ambiental – IPPA

 Titular: Márcia Valéria Vasconcelos de Carvalho

Suplente: Leonardo Lyra de Oliveira Santos

 Movimento Pela Vida – MOVIDA

 Titular: Eva Priscyla de Moraes Barros

Suplente: Fernando Antônio Vieira Veras

Técnico Científico

Universidade Federal de Alagoas- UFAL

 Titular: Ana Paula Lopes da SilvaSuplente: Arthur Costa Falcão Tavares

 Organizações Comunitárias

Prefeitura Comunitária de Cultura e Promoção da Paz do Complexo Residencial Benedito Bentes

 Titular: Silas de Oliveira SantosSuplente: Ivanilsa Pereira Costa

 Associação Beneficente da Comunidade Boca do Rio

 Titular: Marcos PimentelSuplente: Alex Vital da Silva Oliveira

 Empresários

USINA CAETE – UNIDADE CACHOEIRA – TITULAR

Titular: Maria de Fátima Araújo Amorim

 C IA ALAGOANA DE EMPREENDIMENTOS – SUPLENTE

Suplente: Suzana Oiticica Pinto Guedes Paiva

 USINA SANTA CLOTILDE – TITULAR

Titular: Tatiana de Oliveira Simões

 OITICICA INDUSTRIAL E COMERCIO LTDA – FRASCALLI – SUPLENTE

Suplente: Edenia Maria Oiticica

CIA  MERCANTIL AGROPECUÁRIA PRATAGY – CIMAPRA – TITULAR

Titular: José Ronaldo Lima da Silva

 BRITEX MINERAÇÃO LTDA – SUPLENTE

Suplente: Raphael Piati Oiticica de Paiva

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