Solidariedade
Apesar da fama, os americanos não são frios quando o assunto é
solidariedade. Por incrÃvel que pareça eles me ensinaram a ser mais
solidária. Foi aqui que eu aprendi a dizer “obrigada†para tudo. Não
que antes eu fosse uma pessoa mal educada, mas é que aqui eles
falamâ€obrigadoâ€, “desculpe†e “licença†a todo momento. Seja para
coisas simples como descer do ônibus ou apenas porque alguém depois de
passar pela porta segurou para o próximo passar.
Depois de presenciar vária vezes as pessoas ajudando umas as outras,
passei a fazer também mesmo quando estou apressada. Se por acaso
alguém derrubar algo na rua, não importa se é horário de rush ou não,
várias pessoas vão parar para ajudar. Se mala está pesada, ou alguém
está tentando subir as escadas com um carinho de bebê, pode ter
certeza que receberão uma mãozinha.
É engraçado quando algum turista começa a olhar para cima tentando
achar a direção certa. Rapidamente ouvi-se: está precisando de alguma
informação? Quando o meu irmão veio me visitar aqui em Nova York pela
primeira vez, eu tinha acabado de chegar, então não conhecia bem a
cidade. Estávamos olhando o mapa e discutindo com farÃamos para chegar
no pier 17. Uma senhora, que estava sentada do outro lado do vagão se
aproximou e perguntou para onde nós estávamos querendo ir. Nos deu
todas as informações necessárias. Foi tão solÃcita que nos deixou sem
graça. Ficamos até com o sorriso amarelo de tanto dizer obrigado.
Presenciei uma vez uma senhora cair no chão. Três pessoas ligaram para
o 911. Duas enfermeiras pararam, sendo que uma delas estava com o
filho de uns 6 meses e o marido. Ela tinha tantas bolsas. Começou a
abrir e a tirar lenço umedecido, papel toalha, lÃquido para
esterelizar o corte. Um outro correu para pegar gelo. Sem falar no
médico que parou, a examinou e só saiu do local quando a ambulância
chegou.
Aprendi a dizer “desculpe†por qualquer coisa também. Até quando
acontece de esbarrar com uma pessoa dobrando a esquina vindo na
direção contrária. Mas como todo lugar do mundo, de vez enquando você
irá esbarrar com um sem educação falando alto ao telefone detro do
trem, por exemplo.
Viajar sem sair da cidade
Uma das vantagens de morar em Nova York é que é possÃvel matar o desejo de estar em outro paÃs rapidinho. Este fim de semana eu fui até a Argentina, ou melhor, até Buenos Aires. Era como se chamava o restaurante no Lower East Side, em Manhattan. Nem preciso dizer que a carne era de primeira né?
Para começar as famosas empanadas igualzinhas as que comi quando estive na terra do Maradona. Talvez até mais gostosas. E para acompanhar um vinho tinto argentino sensacional. Quem já passou por Buenos Aires sabe bem do que estou falando. A carne lá é deliciosa e barata.
Bem, voltando ao restaurante. Foi difÃcil decidir o que iria comer. O menu oferecia as melhores opções da culinária argentina. Depois de tanta indecisão, escolhi uma picanha óbvio! E de sobremesa uma panqueca de doce de leite que nunca comi igual.
Jantar super agradável, comida deliciosa… tudo isso ao som de muita música latina. Mas a sensação de estar em outro lugar foi embora ao sair do restaurante. O frio abaixo de zero me fez “retornar†a Nova York!
Happy 2010!
Nevou no fim de semana passado. O cenário está perfeito para os turistas que vieram celebrar o Natal em Nova York. Acho que apenas as crianças e os turistas gostam da coisa branca. Para que trabalha e mora na cidade é uma verdeira bagunça. Especialmente porque a primeira neve do ano não veio tÃmida, foi uma forte tempestade. Nunca vi nada igual antes. Eu não conseguia nem andar direito com a neve no meu rosto, olhando para o chão e tentando não levar um tombo. Antes de começar a nevar, já é possÃvel ver os caminhões pela cidade para amenizar o estrago. Eles tiram a neve das ruas para os carros poderem circular. No dia seguinte, os parques estão cheios de crianças brincando de guerra com bolas de neve ou escorregando nas ladeiras com seus “sledsâ€, briquedo que parece uma prancha de plástico.
Ainda sobre o Natal, a decoração da cidade e as vitrines das lojas estão lindas. Parece até competição de tão caprichadas. As pessoas tirando fotos a todo momento e os adultos voltando a ser crianças, assim como eu. No inÃcio desse mês, milhares de pessoas foram conferir a famosa árvore de Natal do Rockfeller Center ser acesa. Com milhares de luzes e enfeites, o sÃmbolo é um espetáculo imperdÃvel.
Os pinheiros de Natal começaram a ser vendidos no final de novembro. Os preços variam entre 20 e 150 dólares. Dificilmente encontramos uma árvore artificial por aqui. Tradicionalmente muitos esperam para adquirir na véspera, e só se desfazem três ou quatro semanas depois. A parte triste da história é quando as pessoas começam a se desfazer do sÃmbolo mais famoso da comemoração natalina. Semana que vem vai ser fácil ver várias árvores pelas calçadas. Mas é legal ter um pinheiro em casa. O cheiro é delicioso. E é bem divertido escolher qual irá com você enfeitar a sua casa durante as festas de fim de ano.
E falando um pouco sobre o reveillon. Aqui não é comum as pessoas usarem branco. Aliás, elas não ligam para a cor da roupa que vão vestir. Apenas usam uns adereços coloridos, como chapéu por exemplo. Entrei em umas cinco lojas diferentes. E fiquei surpresa porque não encontrei uma roupa branca. Nem uma!!!
Aqui as pessoas se reunem as sete horas da noite, jantam, passam a virada em alguma festa e no máximo as duas da madrugada todos já estão indo para casa. Talvez seja uma boa idéia porque evita que as pessoas bebam demais e saiam fazendo besteira por aÃ. Inclusive, no último dia do ano o metrô é de graça para incentivar as pessoas a deixar os carros em casa.
Desejo um sensacional 2010 para todos, com muita paz, amor e saúde. E que a gente possa se divertir muito ainda por meio dos meus textos. “Vejo†vocês ano que vem!
A comemoração mais esperada do ano
Eu nunca vi tanto feriado como aqui. Eles tem feriado para tudo. Só em homenagem aos que morreram em guerras, acho que já conheci uns quatro diferentes.
Na última quarta-feira do mês de novembro, milhares de pessoas foram ao Central Park para ver os balões da parada do Thanksgiving serem inflados. Apesar da multidão, era possÃvel andar tranquilamente pelo local. A prova disso era o números de pais que levaram os filhos pequenos para ver os personagens em tamanho famÃlia. Ao lado do sensacional Museu de História Natural, estava o mais popular amigo verde das crianças, o Shrek.
No dia seguinte, quase de madrugada, as pessoas já começam a se aglomerar no local. Segundo os que viram de perto, foi uma farra. Os balões percorrem as ruas de Manhattan saindo do meio do Central Park até a frente de uma das lojas de departamentos mais famosa do mundo, a Macy’s. No fim da parada, o Papai Noel abre oficialmente a temporada de Natal na cidade de Nova York.
Ainda sobre a comemoração do thanksgiving, o feriado é um mais tradicionais dos Estados Unidos, traduzindo Dia de Ação de Graças. A celebração é por causa dos primeiros imigrantes que chegaram no paÃs e não tinham comida suficiente para se alimentar. Portanto a data simboliza o fim da colheita, onde todos se reuniam para dividir a enorme ceia com direito a peru e tudo. Até hoje a ceia acontece nos lares aqui nos Estados Unidos. E outras delÃcias como purê de batata doce e torta de nozes são oferecidas durante o jantar. É uma verdadeira fartura. O dia se assemelha muito com o nosso Natal. FamÃlia reunida, comida boa e muita risada. Adoro o feriado porque todos comemoram, independentemente da religião.
E a última sexta-feira do mês acontece sempre a Black Friday, ou seja sexta-feira negra. É a liquidação mais esperada do ano. Neste dia é possÃvel comprar TV’s com 70 por cento de desconto, laptops mais baratos e vários outros eletrônicos. Muitos dormem na fila para garantir a compra. Umas 7h30 da manhã sai para comprar alguns eletrônicos e pude ver caixas e mais caixas das megas TV’s sendo levadas para casa. A cidade inteira entra em promoção. É uma verdadeira loucura. Se você pensa em vir conhecer Nova York e, claro gastar um pouquinho, aconselho vir em novembro. Desde do inÃcio do mês é fácil encontrar pechinchas em todo lugar.




