As lendas que contam sobre os EUA
 Uma vez recebi um e-mail dizendo que aqui nos EUA os professores ensinavam nas escolas que a amazônia é americana. Enviaram até a foto de um livro com o mapa do Brasil sem a floresta. Procurei na internet esse livro, em livrarias e nada. Cheguei até a perguntar para crianças e descobri que aqui as crianças não aprendem geografia na escola.
Quando resolvi vir morar em Nova York, o que mais as pessoas falavam era: cuidado para não se tornar uma pessoa fria. Bem, acho que tive muita sorte porque até agora só conheci pessoas alegres, educadas e atenciosas. Tudo bem que eles jamais vão te dar aquele abraço tÃpico dos brasileiros, mas vão te cumprimentar com o maior sorriso.
Não existe a qualificação “colega†para eles. Ou o americano é seu amigo ou não é. Não tem meio termo. E quando são, fazem de tudo para te ajudar. São tão fiéis ao ponto de oferecer a casa deles para você morar.Â
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Mudei minha opinião depois que cheguei aqui. E parei de comparar o povo americano com os polÃticos americanos. Essa é a imagem que muitos de nós temos. Que eles se acham os melhores do mundo e que não estão nem aà para o resto do planeta. Até deve existir pessoas assim, mas pode ter certeza não é a maioria.
Quando falo que sou do Brasil, eles abrem um sorriso. E sempre me perguntam o que o povo brasileiro acha dos EUA. A última pessoa quis saber o que os brasileiros achavam do Obama. Se torceram por ele, esse tipo de coisa. Ela me perguntou também se o Brasil estava orgulhoso por eles terem colocado um negro na casa branca. Falei que isso foi bom para mudar a imagem que os brasileiros têm dos Estados Unidos e que todos estavam esperançosos e confiantes. A americana que me olhava atentamente chorou. “Espero que ele nos tire dessa crise e consiga mudar essa situação logo. Espero que um dia todos tenham orgulho de nós. O povo americano tem bom coraçãoâ€, disse ela.
Ãgua torneiral
A maioria das pessoas sabe que a água aqui nos EUA é tratada e que se pode tomar direto da torneira. Pelo menos aqui em NY. Acho que muita gente já deve ter visto em filme como no “Separados pelo casamentoâ€, onde o protagonista toma água da torneira da pia da cozinha.
Apesar da facilidade em beber o lÃquido, é comum encontrar nos supermercados os carrinhos lotados de garrafas de água mineral. Acho que é mania ou consumismo mesmo. Porque necessário não é. Nas prateleiras das delis (delicatessen), farmácias e supermercados existem garrafas de todos os tamanhos e você ainda pode escolher a nacionalidade.
Inclusive andou correndo um boato que não era seguro comprar água engarrafada por não ter certeza da procedência. Por aqui, especialistas estimulam o consumo da água da torneira e afirmam que a água de Nova York é uma das melhores do mundo. Não sei se é verdade, mas notei a diferença no meu cabelo que ficou mais macio e brilhante.
Em algumas cidade o único problema em beber a água direto da torneira, como Connecticut por exemplo, é o cheiro forte de cloro. Em alguns lugares é realmente insuportável tomar o lÃquido. Há uns meses fui “obrigada†a beber na casa de amigos. Não seria nada elegante reclamar ou recusar a água que me ofereceram não é?
8 ou 80
Já mencionei algumas vezes aqui sobre a boa educação dos americanos, mas ultimamente tenho percebido que não é bem assim. Notei que quando eles não são muito educados, a grosseria impera.
 É como se diz no Brasil: é oito ou é oitenta! Não existe meio termo. Pelo menos até agora não vi.
 Fui comprar uns chocolates na loja do M&M’s, que fica na Times Square, e quando fui pagar a funcionária não estava em um dos seus melhores dias. A má vontade e a impaciência eram notórias. Cara amarrada e com semblante pesado, ela me atendeu super mal. Mas a ironia disso tudo está no nome da americana: Karisma. Apesar de se chamar assim, ela de carismática não tinha nada!
ipod? Não, agora é a vez do ipad
No paÃs do consumismo, toda hora tem um produto eletrônico sendo lançado. Depois do sucesso do ipod, recentemente a famosa Apple lançou o ipad. O aparelho é uma mistura de um laptop e um smartphone. Várias mÃdias podem ser acessadas como por exemplo jogos, vÃdeos e fotos. O novo brinquedinho vem em duas versões. Um modelo Wi-Fi de curto alcance que custa 499 dólares e um outro 3G por 800 dólares.
Como sempre os americanos fizeram fila em todo o paÃs para conseguir os primeiros exemplares do produto. Aqui em Nova York, na Apple da Quinta Avenida, teve até gente dormindo na porta da loja para garantir a compra.
Sinceramente acho o ipad desnecessário. Muito grande e sem utilidade para mim que uso meu laptpo em casa com todas essas funções. E quando estou fora, tenho meu smartphone que me atende perfeitamente no que eu preciso. Se criaram com a intenção das pessoas terem algo mais leve que o laptop para carregar acho melhor continuar usando um moderno celular, que tenho certeza que quase todo mundo tem um por aqui.
É Páscoa?
Só comi peixe na sexta-feira santa, porque minha mãe que mora no Brasil me avisou quando seria a semana santa. Porque ao prestar a atenção em um Mc Donalds vi que estava lotado. As pessoas comendo hambugueres e nuggets numa boa. Eu mesma fui convidada para comer costela no feriado santo.
 Aqui não se ouve muito a respeito. Não existem milhares de ovos gigantes de chocolate à venda nos supermercados e nem um turbilhão de propagandas na tv. O máximo que você encontra são umas vitrines tÃmidas com coelhinhos de pelúcia, uns ovinhos sem graça e a frase “Happy Easterâ€, feliz páscoa em português.
O triste é que eles não têm o costume de trocar os ovos de chocolate. Então eu tenho que comprar o meu próprio. Ainda bem que existe um mercado brasileiro em Queens. Lá eu encontrei os mais diversos ovos como serenata de amor e outras delÃcias da terra natal. Os ovos são os mesmos que são vendidos no Brasil, apenas com um detalhezinho: mas bem mais caros!
Feliz Páscoa para todos!
O clima americano
Nunca pensei que um dia eu fosse me preocupar com a previsão do tempo. Em Maceió, cidade onde nasci praticamente só existem duas estações. O verão, que dura quase o ano todo. E o inverno, onde o máximo que acontece são umas chuvas chatas que não chegam a trazer o frio. Então não precisamos nos preocupar com isso.
Quando me mudei para São Paulo a minha rotina mudou. Minhas amigas costumavam chamar de “moda cebolaâ€. Eu saÃa toda agasalhada pela manhã, ao meio dia já tinha tirado a metade das roupas, e a noite colocava tudo de novo. Uma verdadeira loucura! Por causa disso eu vivia doente. Claro que a poluição tem uma enorme parcela de culpa. Talvez maior parcela, mas enfim, deixemos isso para lá!
Bom o fato é que mesmo ainda morando no Brasil, o clima era totalmente diferente da minha cidade natal. Eu precisava checar a previsão do tempo antes de sair de casa para não ser pega de surpresa.
E em Nova York, não é diferente. Como as pessoas andam muito à pé e de metrô, verificar a temperatura é primordial. Quase uma lei. O engraçado é quando esquecemos de verificar o clima, percebemos que vai chover pelas roupas das pessoas. Uns usando capas de chuva e outros até galochas, mesmo antes da chuva dar sinal.
É importante saber com que casaco sair para não passar frio ou calor. Hoje mesmo, apesar de ainda estarmos no inverno fez um dia bonito. Até sai para dar um passeio no parque, mas a alegria durou pouco porque a noite começou a nevar e os avisos por toda cidade alertavam para uma tempestade de neve longa. As escolas não abrirão amanhã e as autoridades por meio da tv aconselhando ao invés de dirigir, usar transporte público.
E graças ao velho hábito de verificar on line a previsão do tempo, estava prevenida com um guarda-chuva na bolsa e quando a neve começou me livrei de chegar em casa parecendo um pinto molhado.
Já sei das mudanças do clima até a próxima semana. E como geralmente as pessoas fazem os planos de acordo com a situação climática, é preciso ficar atualizada. É chato andar na rua quando se está nevando, mas talvez próximo fim de semana tenha um “Valentines Dayâ€, dia dos namorados aqui nos Estados Unidos, super romântico.
A cidade dos loucos
Eu vivo comentando como é fácil achar gente doida em Nova York, mas hoje eu vi um cowboy no metrô! Além do chapéu e roupa de couro, que tinha direito a franjinha e tudo, ele estava com aquelas botas que têm o ferrinho atrás. Estilo xerife dos filmes do velho oeste! Cômico!
Pessoas que brigam com o vento são as mais comuns por aqui. Outro dia vi um homem brigando com a parede. Na imaginação dele havia mesmo alguém ali, era muito real… se a Tv Globo visse, o contratava. Ah, e uma mulher alta e forte no metrô dando murros na parede do trem e xingando os amigos imaginários. Resta saber o porquê da revolta!
E ainda tem aqueles que fazem tudo pela religião. São os fanáticos que ficam gritando no meio da rua ao microfone tentando te converter. Ou dizendo que só eles irão para o céu e blá blá blá!
Existe também aqueles mais dispostos que colocam o fone de ouvido e ficam no sol de 40 graus, cantando e dançando na calçada. São cenas ilárias!
Além dos loucos de verdade, tem os loucos por trabalho, os apressados, os estressados. Você vai passar por no mÃnimo cinco pessoas que parecem que estão falando sozinhas, mas estão ao celular (com aquele negócio bem brega preso no ouvido). Gesticulam, falam alto, brigam, gritam… parecem realmente lelés da cuca.
Nova York coberta de neve
Dizem que tivemos a pior nevasca dos últimos 70 anos. As escolas foram fechadas, muitas pessoas não tiveram de ir ao trabalho e as estradas estavam um caos. O prefeito estava alertando para as pessoas não sairem de casa e dirigirem por conta da tempestade.
Mas em dias como esses, de muito frio e neve existem várias pessoinhas que vibram com a temperatura abaixo de zero. As crianças ficam na maior expectativa e logo que os flocos de neve começam, elas vão para os parques se divertir. Fazem bonecos de neve, escorregam com os seus brinquedos no meio do gelo ou acabam fazendo guerra com as bolas de neve. Elas adoram!
Na noite anterior os caminhões começam a jogar sal nas ruas para derreter o gelo mais facilmente. E eles continuam circulando enquanto a neve estiver caindo. São eles quem mantem as ruas “limpas†ou com condições suficientes para os carros passarem.
Quem pode escolher, assim como eu, tenho certeza que ficou admirando a beleza do inverno da janela de casa embaixo das cobertas. Vale a pena ressaltar que a cidade fica linda e com paisagens super românticas.
Folia verde amarela
Chegou o carnaval no Brasil. Sinceramente eu só me lembrei porque a minha mãe comentou. Aqui em Nova York os americanos não celebram o carnaval. O que é possÃvel encontrar são apenas umas festinhas que os brazucas organizam aqui e acolá. Mas nada que se compare aos nossos trios elétricos em Salvador ou aos blocos de rua em Olinda. E é aquela velha história, quando você não tem, você nem lembra e nem sente falta.
Também convenhamos, imagine pular carnaval com a temperatura marcando 10 ou 15 graus abaixo de zero? Não tem nem graça! Claro que os lugares são aquecidos, mas seria uma confusão sair de casa com shortinhos, mini blusas e, ainda por cima botas, casaco, cachecol e luvas. Dá preguiça só de pensar! E muitas saudades das minhas havaianas…
Se você se chama Manoela…
Eu sempre amei o meu nome. Seja quando a minha mãe brigava comigo quando eu era pequena “Manoelaaaaâ€, ou até mesmo os diversos apelidos como: Manu, Lela, Manuzinha, Manuca, e quando mudei para São Paulo virei a Má. Os paulistas têm mania de chamar todo mundo apenas pela primeira sÃlaba. No fundo até acho bonitinho.
Mas quando mudei para Nova York não sabia que ia ter problemas com o meu nome. Ninguém consegue falar. É um transtorno!!! Saà de tudo, menos Manoela. E lá vai a lista dos nomes que já me chamaram por aqui: Mandela, Manola, Manela, Uamela, Umbrela e Manuel (quando tentam com todo o esforço do mundo). Toda vez que vou fazer um cadastro em uma loja ou algo parecido, entrego a minha identidade para o atendente. Detesto ficar soletrando e sei que se eu falar ele não vai entender mesmo.
Acho que todos os pais deveriam pensar nisso ao escolher o nome dos filhos. Um nome que seja fácil de falar na maioria dos paÃses. Afinal, nunca sabemos aonde os nossos herdeiros vão querer morar quando crescerem não é mesmo?
Tenho um amigo que sofre mais do que eu. Ele se chama Guilherme. E também mora em Nova York. Já falei para ele virar William, que é a tradução do nome. Tenho certeza de que a vida dele seria muito mais fácil. Queria muito que o meu nome tivesse uma tradução por aqui. Mas talvez um dia eu resolva virar Maia, que é o meu sobrenome e é usado como primeiro nome aqui.




