Posts para a tag ‘Educação’

Procuradora quer fim de bancada evangélica e lobby católico

segunda-feira, agosto 29th, 2011

Simone Andréa Barcelos Coutinho, procuradora em Brasília do município de São Paulo, pretende uma reforma no código eleitoral que impeça no Congresso Nacional a existência de representações religiosas, ainda que informais, como o lobby católico e a bancada evangélica.

“Num Estado laico todo poder emana da vontade do ser humano, e não da ideia que se tenha sobre a vontade dos deuses ou dos sacerdotes”, escreveu no Site Consultor Jurídico. “Se o poder emana do ser humano, o direito do Estado também dele emana e em seu nome há de ser exercido.”

Ela argumenta: “Tendo em vista que são identificáveis, por exemplo, uma ‘bancada evangélica’ e um ‘lobby católico’ no Congresso Nacional brasileiro, que há partidos cuja legenda inclui o adjetivo ‘cristão’, e que frequentemente polêmicas religiosas invadem o cenário eleitoral, como falar-se em separação entre Estado e Igreja, em ausência de relações de dependência e, sobretudo, de aliança entre o Poder Público e as religiões? Não há proibição legal para a eleição de alguém tendo, como plataforma política, seu ativismo religioso ou sua filiação a determinada crença. Assim, a separação entre os negócios do Estado e os da fé ficam seriamente comprometidos, e, destarte, instabiliza-se a própria noção de ‘Estado laico’. O Poder Legislativo é um dos Poderes da União; se não for o Legislativo laico, como falar-se em Estado laico?”

A procuradora considera que o Estado laico pressupõe “o pluralismo de ideias, a tolerância, o respeito à multiplicidade de consciência, de crenças, de convicções filosóficas, políticas e éticas”. O que, segundo Simone, é impossível de se obter quando há interferências religiosas no Estado, porque elas, por sua natureza, são redutoras e restritivas, ainda que sejam ditadas com o suposto objetivo do “bem comum”.

Encerra seu artigo pontificando: “Para efetividade do Estado laico, é de rigor que a legislação crie mecanismos que a propiciem. A reforma do Código Eleitoral apresenta-se como o foro adequado para o enfrentamento do problema e adoção de proposições legislativas, como sugerido neste estudo. Sem a adoção de normas de salvaguarda do laicismo estatal, desde o processo eleitoral, as religiões continuarão a dar o tom de campanhas eleitorais, de decisões políticas, da ação legislativa, comprometendo, indefinidamente, a efetividade do Estado laico, determinada pela Constituição”.

Bom senso

A direção do Jardim de Infância da 404 Norte decidiu acabar com o momento de oração que era feito diariamente até a semana passada. A prática deve permanecer suspensa porque, de acordo com o secretário adjunto de Educação, Erasmo Fortes, a atitude fere a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que determina que unidades da rede pública não podem realizar atividades religiosas.

Perseveremos no laicismo também no twitter: @Carlopo

 

PDF Printer    Enviar artigo em PDF   

Professores de ciências, sem fé nas ciências

quinta-feira, novembro 12th, 2009

Pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) mostrou que estudantes evangélicos querem se tornar professores de ciências, mas não aceitam a teoria da evolução, descoberta por Charles Darwin.

Evolução não é mais teoria, mas lei da natureza

Evolução não é mais teoria, mas lei da natureza

O biólogo com mestrado em Zoologia do Museu Histórico Nacional, Luis Fernando Marques Dorvillé, questiona como alguém pode ensinar ciências sem acreditar na teoria de Darwin. Nos últimos oito anos ele entrevistou alunos evangélicos da UFF e da Universidade Estadual do Rio (Uerj) para sua tese de doutorado na UFF. Dos 245 matriculados no curso de Biologia da Uerj, em São Gonçalo, 23% são evangélicos. O número é mais alto do que revelou o Censo de 2000 (15,44% dos brasileiros são evangélicos), mas muito próximo das estimativas de crescimento que o próximo Censo deve mostrar em 2010.

Dorvillé distribuiu questões como “Comente a frase: alguns seres vivos têm parentesco maior entre si do que com outros”. Descobriu que 70% dos alunos protestantes desconfiam da teoria da evolução, assim como 30% dos católicos e 20% dos espíritas e umbandistas.

De um aluno o professor obteve esta pérola como resposta: “Minha avó não é macaca. Então foi Deus quem criou o homem.” Pobre animal! Outros estudantes querem conciliar o inconciliável e aceitar a evolução, porém tendo Deus como guia do processo. Alguns admitem a evolução para outras espécies, menos para o homem, pois este teria alma. Só nós outros, desalmados, seríamos resultados da evolução da espécie. Olhando ao redor, às vezes a gente pensa que realmente algumas pessoas não evoluíram…

Há ainda os que querem forçar que o universo foi criado em seis dias, mas a leitura não seria literal, e então inventam que entre um dia e outro ocorreram eras geológicas e o processo de evolução. São realmente misteriosos os caminhos da fé! Dias que duram eras geológicas é tão compatível com a realidade quanto uma virgem ter filho. Mas parece que não há incompatibilidades para a crença humana.

A área de ciências é uma das que mais sofre com a falta de professores no país. Pela carência de profissionais, a maioria dos formandos consegue emprego assim que deixa a universidade. “Muitos deles estudam biologia justamente porque o acesso é mais fácil. Não tem muita disputa de vagas no vestibular”, constata o professor Dorvillé.

Tristes trópicos, como diria o recém falecido Claude Lévi-Strauss.

A pergunta que fica: as seitas aceitariam um pregador confessadamente ateu? Para resistir a tudo isso, realmente a ciência tudo pode naqueles que a fortalecem.

PDF Printer    Enviar artigo em PDF