Não sei o quanto de mim sou mulher
Ricardo Cabus
Não sei o quanto de mim sou mulher
Se na lágrima que deita calada
numa manhã cinzenta
Se na inconstância do desejo
que nuveia a tristeza
Não sei o quanto de mim sou mulher
Se no querer-me livre
assim como os outros
Se no querer-me onipresente
assim como Ele
Não sei…
Sei que de tanto gostar
carregá-la em mim
faz-me feliz
Cacos inconexos (Ricardo Cabús) por Chico de Assis
Esperei que as águas de junho levassem minha tristeza
lavassem minha angústia
mas serviram apenas para afogar-me num lago sombrio
de onde ainda busco-me em ti.
Te quero minha
me quero teu
mas um outro tempo sombreja meu presente
e vou ao léu de um pesadelo
em busca de um leme invisÃvel.
E você que me traz a paz
e você que me é amor
e você que me dá tesão
esvaece sob meus olhos, aguados.
(E que fazer sem seu sorriso
seu sorriso que retumba
que percola meu peito
e me faz feliz?)
No alto, a lua nuveada, encoberta de vergonha
transmuda meu olhar
e me impede de te ver
deixando-me em busca de um ontem que não quer calar
E eu que sempre cri no futuro
me vejo hoje perplexo
jogado em um chão escuro
percluso do amor
a juntar cacos inconexos.
Ah! O sol está nascendo
Mas eu não estou mais aqui.
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