A cena é pouco provável, mas divertida de imaginar. Em um escritório em Betim (MG), um executivo da Fiat segura a foto do Idea e clama a engenheiros e designers: “É tempo de mudar”. Com este slogan a Fiat lança a primeira reestilização de seu monovolume, lançado no Brasil em 2005. Concorrendo com o envelhecido Chevrolet Meriva, o Idea chega com fôlego de jovem, desenho ousado e novas opções de acabamento e motores. O preço? Bem, ele também mudou. Para mais.
Antes de falar do bolso, vale dar uma olhada no Idea. A reformulação do monovolume é, por enquanto, exclusiva da América Latina – na Europa o Idea continua como está, e com uma concorrência maior, com a nova geração do Opel Meriva.
A dianteira passou por grandes mudanças, com faróis maiores, para-choque reformulado e capô com um forte vinco em “Vâ€. A lateral recebeu novas maçanetas e retrovisores, enquanto a traseira sediou uma estreia nacional: a lanterna com LEDs.
Adotada pela primeira vez em um carro brasileiro (alguns modelos de implementos rodoviários e ônibus já usam o sistema), a lanterna com 20 diodos emissores de luz tem maior vida útil e menor consumo de energia, segundo a Fiat. Guias de luz similares às adotadas no Citroën Grand C4 Picasso garantem a “identidade noturna†do carro, tática também adotada pelo novo Volkswagen Fox.
A tampa do porta-malas perdeu o porta-placa, que foi para o para-choque. Na versão Adventure o estepe oculta a ausência, mas nas outras versões a lataria limpa gera uma sensação de que algo está faltando. Por dentro há pouco a ser dito: o cluster de instrumentos ganhou novos grafismos e o volante é novo, mas o painel é o mesmo, podendo apenas receber um segundo tom de acordo com a versão.
Sem ar-condicionado
Seguindo a discutÃvel postura de muitos fabricantes, a Fiat não oferece ar-condicionado de série para as duas versões de entrada do Idea, a Attractive 1,4 (R$ 43.590) e Essence 1,6 16V (R$ 45.610). Incluindo o equipamento de conforto, os dois modelos sobem para R$ 47.170 e R$ 49.190, respectivamente.
Concorrendo com Chevrolet Meriva Joy (R$ 47.321), o Idea com motor 1,4 de 80 cv / 81 cv (E/G) não sofreu alterações mecânicas, mantendo o fraco desempenho do modelo anterior. Esta versão também é a única que não pode receber o câmbio automatizado Dualogic, um dos motivos pelo qual a versão responderá a 20% das vendas, segundo a Fiat.
Modelo de maior volume do novo Idea, o Essence 1,6 16V adota o mesmo motor de até 117 cv (com etanol) usado no Punto 2011. Com preço acima da antiga versão ELX 1,8, o Essence será o carro chefe do catálogo, com 40% das vendas.
Uma das unidades avaliadas pelo WebMotors, o Essence 1,6 16V Dualogic (R$ 51.300 equipado com ar-condicionado) oferece um custo-benefÃcio mais favorável em relação aos outros modelos da linha. O motor E.TorQ é suficiente para o trânsito urbano, sendo que boa parte do mérito é dos 16,8 kgfm de torque – 80% desta força vem a 1.500 rpm.
Infelizmente o câmbio automatizado não acompanha o ritmo do carro, com uma lentidão de resposta que pode irritar os mais afoitos. Trancos em baixas velocidades também serão difÃceis de evitar.
A suspensão um pouco mais firme do que outros modelos da Fiat foi mantida, mas a altura elevada (1,70 m) e a ausência do controle de estabilidade impedem que o carro faça curvas em velocidades mais elevadas. Por ser um veÃculo familiar, a dinâmica do Idea está de acordo com sua proposta.
Mais potência, menos discrição
Se você quiser um Idea com motor 1,8 16V de até 132 cv, ficará restrito à s versões Adventure (R$ 56.900) e a inédita Sporting (R$ 54.280). Os apliques externos dos dois modelos podem não agradar a todos, mas a força extra é bem-vinda para quem andará com o carro sempre carregado ou em cidades com subidas Ãngremes.
O câmbio manual do Idea Sporting avaliado é o mesmo das versões 1,8 anteriores. Ou seja, curso de engate mais longo do que a concorrência e imprecisão nos engates. O sistema não é ruim, porém consumidores mais exigentes podem questionar a qualidade da transmissão em um carro de R$ 54 mil.
Por fora o Idea Sporting ganhou novas rodas de 16 polegadas, spoilers e ponteira do escapamento cromada. Os acessórios dão um ar diferente ao monovolume, mas não agradaram a todos os presentes no lançamento do carro, no Guarujá (SP). Se o modelo esportivo fez alguns torcerem o nariz, o Adventure, entretanto, gerou uma unanimidade de opinião.
Criadora do estilo “off-road de brincadeiraâ€, em 1999, a Fiat parece estar exagerando na fórmula que ela mesma desenvolveu. Assim como no Palio Weekend, o Idea Adventure ganhou generosas capas de plástico sobre as caixas de roda, além de um enorme friso lateral e para-choques anabolizados. Como se tanta opulência não bastasse (são 25,2 cm extras no comprimento graças aos acessórios), a grade cromada do radiador ganhou o nome “Adventureâ€.
Resumo
Em um segmento com poucas novidades (não há previsão de mudança no Meriva antes de 2011), o Fiat Idea vem em boa hora. Apesar de acima do modelo anterior, os preços estão de acordo com a concorrência, com destaque para a versão Essence. Oferecer o motor 1,8 16V somente para versões customizadas restringe a liberdade de escolha do cliente, mas agora o Idea conta com quatro versões, como o Meriva.
A versão Adventure bebeu demais da fonte dos aventureiros urbanos, mas o Sporting oferece um visual mais palatável aos olhos. No geral, o pedido fictÃcio dos executivos lá no começo do texto foram atendidos: o Idea mudou. Se para melhor ou pior, só o tempo dirá.
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