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Mitsubishi Eclipse GS V6

segunda-feira, junho 7th, 2010

Pouca gente sabe, mas o Eclipse nasceu de uma parceria – no fim dos anos 80 – entre a Mitsubishi e a Chrysler. Dessa união nasceriam o Plymouth Laser e o Eagle Talon. O Laser sequer sobreviveu à primeira geração. Desapareceu em 1994, vítima de anemia aguda de vendas. O segundo ficou restrito ao mercado norte-americano até 1998, já na segunda geração, quando a divisão da Chrysler foi fechada. Já o Eclipse continuou no mercado. Dos Estados Unidos ele foi para o Canadá e até para Taiwan. Por aqui, chegou em 1992, com marcantes faróis afilados escamoteáveis e linhas que contrastavam com o que tínhamos na época.

Mas foi apenas na segunda geração, de 1995, com linhas musculosas, que o Eclipse “vingou” por aqui. E anos mais tarde viria a se tornar febre entre os adeptos do tuning, depois de estrelar o filme Velozes e Furiosos, de 2001. A terceira geração do carro, com linhas mais comportadas, apresentada em 2000, não obteve o mesmo sucesso do anterior. O carro deixou de ser importado no ano seguinte e, fazendo jus ao nome, desapareceu.

Nesta quarta geração, a marca volta a apostar em um visual mais musculoso. Desenvolvido e fabricado pelo braço norte-americano da Mitsubishi, que fica na cidade de Normal, em Illinois, suas linhas remetem à segunda geração, com faróis ovalados na dianteira. O pára-choque mantém uma grande entrada de ar. Se você acha que é para resfriar o intercooler, está enganado. Esta geração abandonou de vez o motor turbo, como você verá adiante. Na traseira, as lanternas são o destaque, com refletores circulares e linhas angulosas.

Sob o capô, não há mais um “caracol”, como os iniciados gostam de identificar a turbina. O esportivo utiliza um V6 de 3,8 litros e 267 cv. Bloco, virabrequim, bielas e pistões são os mesmos do Pajero Full. As novidades começam no cabeçote, que conta com o Mivec (Mitsubishi Innovative Valve timing-and-lift Electronic Control). É um sistema que trabalha como um comando de válvulas variável. No eixo do comando (um em cada bancada) há três ressaltos de admissão. Abaixo das 3 600 rpm, dois deles acionam as duas válvulas, que se movem independentemente com aberturas diferentes. Depois dessa rotação, um sistema hidráulico aciona uma trava que faz os balancins de admissão atuarem obedecendo ao terceiro ressalto de admissão. A partir daí, as duas válvulas abrem mais e ao mesmo tempo, fazendo o motor respirar melhor em altas rotações.

Pé calibrado

Na prática, o funcionamento do sistema é imperceptível. Até porque, em uma acelerada, você vai estar preocupado em acertar a frente do Eclipse e trocar as marchas no limite de giro. Com o controle de tração ativado, as rodas dianteiras não patinam na hora de sair, já que o motor corta antes. Em compensação, essa é a maneira mais lenta de arrancar: o carro leva 8,3 segundos para chegar aos 100 km/h. Para dirigir este Eclipse, você vai ter que calibrar o pé e desligar o controle de tração por meio de um botão à esquerda do volante. Acertando a arrancada, você vai levar 7,6 segundos para chegar aos 100 km/h. Se as rodas patinarem, o tempo fica 4 décimos mais longo. O número chega perto de um Nissan 350Z, que tem 280 cv e foi 7 décimos mais rápido. Vale lembrar que o Eclipse testado por nós marcava apenas 12 milhas no odômetro.

O câmbio de seis marchas é bem escalonado e a alavanca tem engates resolutos – até quem não tem experiência em dirigir um esportivo vai se familiarizar. A suspensão segue o modelo utilizado no Lancer, com McPherson na dianteira e multilink de quatro braços na traseira. Em outras palavras, rodas independentes nos dois eixos. A Mitsubishi não tropicalizou a suspen são, mas é inegável que um esportivo precisa ter acerto mais firme em qualquer lugar do mundo. O Eclipse tem e agarra bem nas curvas, mas, no limite, a dianteira começa a sair. Aí é necessário aliviar o pé do acelerador para trazer o carro de volta à trajetória original. No aspecto diversão, ele perde para o 350Z.

Graves na traseira

O interior segue o padrão da marca. É simples e sem grandes luxos. Não há, por exemplo, computador de bordo. É uma escola “purista” que acredita que um esportivo é feito para ser guiado. Ou seja, sem grandes distrações no interior. Mas o Eclipse até faz algumas concessões e vem equipado com um sistema de som do fabricante norteamericano Rockford Fosgate, que conta com subwoofer de 10 polegadas no porta-malas (que ainda assim comporta 445 litros de bagagem) e comandos para mudar as estações atrás do volante. As linhas internas agradam pelos elementos circulares presentes nos mostradores, no console e nas saídas de ar. Ao centro do painel fica um visor que traz informações do rádio, uma bússola, relógio digital e o marcador da temperatura externa. O espaço para quem vai na frente é bom – e ainda há bancos concha. Mas, como um típico 2+2, cabem apenas duas crianças no banco traseiro.

Apenas oito concessionárias da marca, das 106 existentes no Brasil, vão comercializar e dar assistência técnica ao Eclipse. O pequeno volume de vendas – cerca de 150 unidades por ano, segundo o fabricante – ajuda a entender a história. O Eclipse custa 153 990 reais. É vendido apenas na versão manual, mas a marca não descarta a possibilidade de trazer a caixa automática de cinco velocidades no futuro. Um 350Z sai por 237 000 reais e, a mais que o Eclipse, traz a tradição e a tração traseira, item indispensável quando se fala em direção esportiva.

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Chrysler PT Cruiser

terça-feira, fevereiro 23rd, 2010

Chrysler PT CruiserA vida do consumidor de automóveis não é nada fácil. Antes, a dificuldade era a falta de opções. Agora é o excesso, inclusive com algumas equações difíceis de resolver. Vale a pena, por exemplo, comprar um carro supercompleto que gasta um bocado de combustível? Essa é a pergunta que qualquer interessado no Chrysler PT Cruiser terá de se fazer antes de considerar sua aquisição.

Com estilo retrô, o carro vem muito completo desde a versão Classic. Nela, ele vem com banco do motorista com regulagem elétrica, ar-condicionado, direção hidráulica, vidros, retrovisores e travas elétricas, cambio automático de quatro marchas AutoStick, computador de bordo, freios a disco nas quatro rodas com ABS e toca-CD com entrada auxiliar, mas sem leitura de MP3. As rodas, de aro 15â€, são de aço, uma falha que desaparece diante do preço: R$ 56,9 mil. Para um carro chamativo, espaçoso e bem acabado como o PT Cruiser, é uma pechincha.

Chrysler PT Cruiser

Mas o carro é ainda mais interessante na versão Limited. Os bancos são de couro e os dianteiros vêm com aquecimento, algo excelente para regiões frias ou que enfrentam muito frio de vez em quando. As rodas, de aro 17â€, são de liga-leve e polidas, assim como os borrachões nas portas. Os cromados estão ainda na grade dianteira e nos puxadores das portas.

Para agradar ainda mais, o Limited vem com sistema de som Boston, de alta fidelidade, teto-solar elétrico, rack de teto ajustável, controlador de velocidade e faróis de neblina. Tudo por R$ 65,9 mil. É mais barato do que um Honda City topo de linha, carro bem inferior em termos de espaço e de acabamento.

Chrysler PT Cruiser

Ao volante

Seria um pacote imbatível não fossem os senões do carro. O primeiro e o mais grave deles é consumo, bastante alto para um veículo do porte do PT Cruiser. Com motor 2,4-litros de 143 cv a 5.200 rpm e 220 Nm a 4.000 rpm, movido apenas a gasolina, ele fez segundo o computador de bordo, meros 4 km/l em trajeto essencialmente urbano. É possível que, na estrada, ele consuma menos, mas 4 km/l na cidade é de assustar qualquer orçamento, especialmente aqueles que vêm no PT Cruiser uma excelente relação entre custo e benefício. E se importam com ela.

Chrysler PT Cruiser

Isso se explica tanto pela ineficiência tecnológica do motor quanto pelo câmbio automático de quatro marchas. No primeiro ponto, nota-se a ineficiência pelo tamanho do motor e o que ele gera de potência e torque. É algo equivalente ao que a maioria dos motores 2-litros do mercado conseguem, com deslocamento bem menor.

Com relação ao câmbio, ele até responde bem ao acelerador, mas não facilita a vida do carro no que se refere a consumo. Melhor seria ele ter mais marchas e um motor com sistemas de diminuição de consumo e maximização de desempenho, como comando de válvulas variável ou injeção direta de gasolina, mas isso encareceria seu preço.

Chrysler PT Cruiser

Por seu estilo exótico, o PT Cruiser oferece uma posição de dirigir diferente da dos demais carros. Na hora de manobrar, isso exige uma certa atenção, já que a traseira vai bem mais longe do que o motorista está acostumado a calcular (bom seria que ele viesse com sensor de estacionamento de série). A dianteira também é longa e demanda costume para ser bem tratada.

Facilitaria bastante se o PT Cruiser tivesse ajuste de distância da coluna de direção, mas ele só tem regulagem de altura. O banco, com comandos elétricos, tem ajuste de altura, o que acaba minimizando a falta do controle de distância da direção.

O painel, com três mostradores analógicos, é de leitura simples, mas a coloração azul não oferece a melhor visualização à noite. Pelo menos o painel não reflete luz, como o do Chevrolet Agile, que tem a mesma cor de iluminação.

Chrysler PT Cruiser

Nos bancos traseiros, o espaço é bastante razoável para três passageiros adultos. As pernas também contam com bom espaço, tanto por conta do entre-eixos de 2,62 m quanto pela posição alta de sentar, o chamado “ponto Hâ€. Passageiros mais altos também não vão poder reclamar de pouco espaço para a cabeça, em razão do teto alto.

Será na hora de viajar, entretanto, que os donos do PT Cruiser vão se dar por mais satisfeitos. Além do rack no teto, que permite levar um pouco mais de carga, se for preciso, o porta-malas é de 538 l. Espaçoso como poucos no mercado e com a facilidade de um interior modular, com bancos traseiros fáceis de rebater e de retirar.

Chrysler PT Cruiser

Quando se fala na dirigibilidade do PT Cruiser é que aparecem os outros “senões†do carro. Não chegamos a avaliá-lo em estrada, mas ele parece bem mais firme que outros PT Cruiser que avaliamos anteriormente. O problema é virar seu volante e manobrá-lo.

Além das proporções incomuns de carroceria, o modelo retrô da Chrysler esterça muito pouco. Em manobras em vagas pequenas, típicas de condomínios e shopping centers, o PT Cruiser exige paciência. O mesmo acontece em ruas estreitas. O diâmetro de giro do carro parece o de veículos muito maiores do que ele, assim como o consumo.

Se fosse possível resumir o que se pode encontrar no PT Cruiser, nós o faríamos assim: ele tem espaço, consumo, acabamento e esterço de carro grande e preço de carro compacto. Para quem puder lidar bem com a questão de consumo, o pacote é dos mais interessantes à disposição no mercado atualmente.

Chrysler PT Cruiser

 

FICHA TÉCNICA – Chrysler PT Cruiser Limited

MOTOR Quatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal, quatro válvulas por cilindro, refrigeração a água, 2.429 cm³
POTÊNCIA 143 cv a 5.200 rpm
TORQUE 220 Nm a 4.000 rpm
CÂMBIO Automático Autostick de quatro velocidades, com overdrive
TRAÇÃO Dianteira
DIREÇÃO Por pinhão e cremalheira; hidráulica
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 17â€, de liga leve
PNEUS Dianteiros e traseiros 205/50 R17
COMPRIMENTO 4,29 m
ALTURA 1,54 m
LARGURA 1,70 m
ENTRE-EIXOS 2,62 m
PORTA-MALAS 538 l
PESO (em ordem de marcha) 1.585 kg
TANQUE 57 l
SUSPENSÃO Dianteira independente, do tipo McPherson, com braços inferiores de controle assimétricos, molas helicoidais e barra estabilizadora; traseira com eixo rígido, conexão watt, molas helicoidais e amortecedores a gás de alta pressão
FREIOS Discos ventilados de 280 mm com pinças deslizantes de pistão simples na dianteira e discos sólidos de 270 mm com pinças de pistão simples, ABS e controle de tração de baixa velocidade
CORES Cinza escuro, prata, vermelho, Surf Blue, preto, Azul Met, Verde Met, branco
PREÇO R$ 65,9 mil
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Chrysler 300C SRT-8

quinta-feira, novembro 5th, 2009

Chrysler 300C SRT-8 É incrível como um sedan de cinco metros (4999 mm) pode ser tão interessante. Essa versão evoluída da série HEMI, uma paixão inquestionável, nascida lá nos anos 1950, está longe de ser o que há de mais moderno e hi-tech em termos de automóvel, mas sua configuração já é o suficiente para sustentar a fama de imbatível. Ou quase. Seus competidores diretos apresentam conjuntos mais eficientes, como é o caso do Cadillac STS. Mesmo com sistema de tração integral ele pesa menos que o 300C SRT-8, e só não é mais rápido porque a Cadillac ainda não apresentou o novo motor com 500 cavalos que está no forno. Contudo, enquanto o seu lobo não vem, o Chrysler 300C SRT-8 HEMI é uma opção e tanto. Tradicional, o HEMI moderno exibe qualidades interessantes embora a solução aplicada seja antiga. Fazendo valer a máxima: “Não existe substituto para capacidade cúbicaâ€, a engenharia da DaimlerChrysler ministrou uma dose de 400cc sobre a capacidade volumétrica (5.7 litros) do antigo V8, o que a fez saltar para 6.1 litros. Um salto pequeno se considerarmos os 85 cavalos a mais extraídos do propulsor.

Chrysler 300C SRT-8 (2)

Para fazer o clássico motor V8 OHV transbordar potência, mesmo com todas as suas limitações, a turma tratou de fazer com ele o mesmo que Ford fez por estas bandas com a série Zetec RoCam. Massas foram subtraídas, atritos foram reduzidos, a taxa de compressão foi ampliada e, para gerenciar a temperatura mais elevada, todo o sistema de arrefecimento foi revisto. As válvulas de exaustão ganharam um componente a mais em seu miolo: o sódio, garantindo melhor dissipação do calor. Os cabeçotes de alumínio tiveram sua geometria revista e, para assegurar o equilíbrio, o coletor de exaustão agora é dimensionado – um belo trabalho sobre a dinâmica dos gases. A tração continua sendo traseira, mas a caixa de marchas seqüencial automática utilizada ganhou um novo software de gerenciamento, prevendo a necessidade de trocas mais ágeis. Afinal, houve coerência. De que adiantaria o trabalho sobre o propulsor se o câmbio, ao ser trabalhado, continuasse exigindo tempo extra para engatar as marchas – algo comum à maioria dos seqüenciais automáticos. Porém, mesmo mais rápido, foi mantida a configuração tradicional: apenas cinco velocidades.

Chrysler 300C SRT-8

Outra alteração importante, essa sob o aspecto da esportividade, incomum aos sedans grandes americanos, foi o estabelecimento dos picos de potência e torque em rotação mais elevada. Os 425 cavalos, a mesma potência do histórico 426 HEMI com duplo carburador de corpo quádruplo, surgem acima dos seis mil giros (6.200 rpm) e o torque máximo, essa é a pedra de toque, está logo ali a 4.800 rpm – 1.400 giros abaixo. Essa sim é uma relação de esportividade, considerando-se que a queda nas rotações durante as trocas de marcha é igual a 1.000-1.500 giros. Mas, se por um lado houve um grande trabalho sobre o propulsor, por outro o carro continua precisando passar por um regime de emagrecimento. É verdade que são cinco metros de automóvel, mas a aplicação de materiais mais leves faria o C300 SRT-8 perder miseravelmente 200 kg, o que o tornaria mais rápido nas acelerações, ampliaria a velocidade final e o mesmo conjunto de freios se tornaria ainda mais eficaz.

A suspensão independente nas quatro rodas, claro, favorece o comportamento dinâmico e faz este sedan esportivo render como tal, mesmo ele pesando 1.888 kg – em ordem de marcha. Na dianteira há triângulos assimétricos e superpostos e na traseira cinco links todos atrelados a um sub-chassis. Molas e amortecedores foram recalibrados e as barras estabilizadoras ganharam corpo. Os freios, discos ventilados nas quatro rodas, são acionados por pinças com quatro pistões e se acomodam sob rodas aro 20 pol. Vale notar, entre os opcionais há a possibilidade de uma relação final um pouco mais curta, com o uso de pneus traseiros de perfil mais baixo. Há muita eletrônica embarcada e tudo é pela segurança: ESP, ABS e sistema de controle sobre a expansão dos airbags. E, ainda, para ampliar a visão noturna, há faróis de alta intensidade (HID).

Chrysler 300C SRT-8 (3)

O estilo faz o gênero purista e a grade do radiador, devemos reconhecer, é uma das melhores reedições dos anos dourados da Chrysler, assim como a linha de cintura alta; as caixas de roda bem “justas†e as próprias dimensões. Diz a DaimlerChrysler que o sedan é capaz de fazer de 0 a 100 km/h abaixo dos 6 segundos e que o quarto de milha (403 m) chega antes dos 14 segundos.

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