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Quem é Cúmplice da Podridão da Corrupção?

quinta-feira, agosto 25th, 2011

Reprodução de artigo da vereadora Heloísa Helena

O brilhante escritor – e Prêmio Nobel de Literatura – Gabriel Garcia Marques em análise sobre a corrupção no seu país proclamou “na Colômbia onde aperta sai pus!”… igualzinho aqui no Brasil mas ainda bem que foi ele quem falou pois assim os vadios da política alagoana não podem gritar contra mim “agressiva, histérica”! Embora eu nem mais me importe com essa cantilena deles até por que minha maravilhosa porção ternura é preciosa demais pra usar com a canalha da política… pra eles reservo mesmo é a minha insuportável porção caldeirão de fervura!

Mas vamos aos fatos dos longos últimos dias… Corrupção, Corrupção, Corrupção, Corrupção! Ou como diz na Legislação: Formação de Bando ou Quadrilha, Tráfico de Influência, Lavagem de Dinheiro, Condescendência Criminosa, Improbidade Administrativa, Intermediação de Interesse Privado, Peculato, Prevaricação, Corrupção Ativa e Passiva, Exploração de Prestígio, etc, etc… e pra completar tudo isso, diz a Lei – e a Lenda – que deverá cumprir muitos anos de Prisão todo Político Ladrão!

Alguns dirão, relembrando fato histórico importante, que o Brasil desde a Carta de Pero Vaz de Caminha adotou o “jeitinho”… lembramos todos que após 450 linhas de preciosos e interessantes detalhes sobre tudo o que via, o dito cujo termina nas últimas três linhas solicitando ao El-Rei Dom Manoel uma “singular mercê” (num misto de nepotismo e tráfico de influência) em liberar – sem pena pagar – o seu genro preso em São Tomé por ser mal acostumado a roubar igrejas e surrar padres.

Na história recente do nosso país continua se vendo tudo no quesito roubalheira dos cofres públicos e impunidade… Na política de Juros estratosféricos para o parasitismo do capital financeiro e lucros dos bandos políticos que em torno do poder orbitam; Na política de privatização (assumida ou enrustida) com dinheiro público; Nos financiamentos de campanha (muitos empresários cínicos criticam a corrupção, mas adoram financiar político ladrão); Na Estruturação do Orçamento e Execução (onde são liberadas “Emendas” sob a égide do Propinódromo e da Promiscuidade mais bandida e vulgar); Na indicação preferencial para a ocupação de Cargos Públicos de profundos conhecedores do ofício de descaradamente roubar; Na comercialização dos segredos de Estado ganhando milhões às custas do tráfico de influências; Na ostentação vulgar da riqueza e patrimônio construído pelos saqueadores dos cofres públicos e integrantes da rede criminosa; Nas  modalidades mais “criativas” de dólares roubados transportados nas peças íntimas do vestuário masculino ou produtos alimentícios; Etc, Etc!

Nos fatos recentes sobre novos episódios de corrupção e banditismo político, a polêmica foi toda direcionada para o debate sobre intolerância, uso de algemas e direitos dos presos! Os indícios relevantes de Crimes contra a Administração Pública e as provas incontestáveis da velha metodologia da vigarice política e patrimonialista na Gestão do Aparelho de Estado foram escamoteadas. Quero deixar registrado o profundo respeito que tenho aos argumentos utilizados, mas também o profundo desprezo que tenho por muitos cínicos manipuladores e falsários que usam esses argumentos apenas para proteger os apaniguados e associados governistas das operações criminosas (em Alagoas é a mesma cantilena quando prendem políticos larápios!). Vejamos os importantes argumentos utilizados – com o palavreado assemelhado -  pelos governistas e respectiva base bajulatória para cobrarmos dessas mesmas autoridades o rigor na aplicação da Lei e a veemência nos discursos quando estiverem sendo investigados e expostos de forma humilhante os milhões de Pobres do Brasil ou os Inimigos das Majestades de Plantão: 1. Garantir a existência de uma Justiça eficaz, sóbria, séria, racional, cautelosa, incontestável nas atitudes e providências tomadas; 2. Garantir o impedimento da violação da legislação que protege a imagem, a intimidade, a privacidade e assim evitando a exposição humilhante do preso e a destruição da sua honra e dignidade antes de rigorosamente apuradas as denúncias em obediência ao Estado Democrático de Direito. 3. Garantir a apuração e punição rigorosa em eventuais excessos cometidos pelo Aparato Repressivo Policial com ilegalidades no cumprimento de mandatos de busca, apreensão e prisão. Sendo sempre importante lembrar – às “Autoridades” viciadas na roubalheira e aos eleitores omissos ou cúmplices – que deve ser uma luta incansável da sociedade preservar a Honra e a Dignidade de quem a tem… Político Ladrão e os dele Associados já a perdeu quando resolveu ser parte dos Podres Submundos do Poder.

Para terminar só lembrando a alguns cínicos governistas que condenam a “truculência” da Polícia Federal diante dos Roubos aos Cofres Públicos que esse mesmo Comando Político (Lula, Dilma, José Dirceu) USOU em agosto de 2003– mesmo sob os dignos protestos de honestos petistas e corajosas Associações de Policiais Federais em todo país – a brutal força do Centro de Operações Táticas da Polícia Federal (diretamente ligada à Casa Civil e Presidência da República) armada de fuzis, cassetetes e bombas de gás para espancar 15 (quinze) funcionários do INSS que em Brasília REIVINDICAVAM SALÁRIOS (entre eles a hoje Deputada Estadual RJ/ Janira Rocha e uma Senadora da República/eu, Heloísa sem medo dos Gritos dos Senhores da Casa Grande Palaciana e sem nenhuma etiqueta na testa dizendo o preço!). Mas… Avante que a Vida é Bela… mesmo quando nos deparamos com uns calhordas nos Caminhos traçados por ela!!

 

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“Só enriquece na Política quem é Ladrão!”

quinta-feira, abril 14th, 2011

Reprodução de artigo da vereadora Heloísa Helena

Uma preliminar: … o poder não muda as pessoas, apenas as revela! Ou seja, o mau-caráter obterá na política um luxuoso e exuberante espaço para seu mau-caratismo exercitar! Um alerta: … quem gosta de político ladrão ou se associa e usufrui das riquezas roubadas e vulgarmente exibidas por eles, não leiam este artigo… ele é “agressivo” como diziam das minhas éticas posições políticas durante a campanha eleitoral!

Aqui estou eu para falar sobre um tema rotineiro – pela impunidade como se dá a repetição dos episódios – que é a tal Corrupção, que asco em quem não é bandido deveria permanentemente fomentar. A este assunto só volto por assistir estarrecida, entre outros muitos casos, a mais uma façanha de políticos alagoanos: roubar dinheiro da merenda escolar para comprar uísque e ração (… pobres cachorros que não merecem esse tipinho ordinário de donos(as)!). Revisando o que suas excelências fizeram: … Roubaram dinheiro da merenda escolar das crianças pobres para fazer a feira de produtos caríssimos dos políticos ricos e suas curriolas.  Estamos falando de crianças pobres já duramente submetidas a todas as formas de negação dos seus direitos pela indigência social e já submetidas a dolorosas formas de miséria humana… geralmente pelas mesmas mãos sujas daqueles que dinheiro público roubam!

A primeira vontade que tenho é lembrar como são encarcerados os pobres que roubam uma lata de leite ou um celular… Imaginem o que aconteceria se um pai de família pobre, de uma dessas cidades, tivesse entrado num depósito da Prefeitura pra roubar merenda… Lembram como são tratados os pobres? São jogados naquelas celas imundas de fezes e urina em chão podre e frio ou tomado pelo calor insuportável… lugar maldito onde pobres são aniquilados na sua dignidade humana pois são estuprados, violentados, arrastados pelos bandidos de “hierarquia” superior para se incorporar ao narcotráfico ou serem assassinados! E nós sabemos que parte muito importante da sociedade em geral defende esse comportamento primitivo na punição aos pobres, mas cinicamente e covardemente muda de posição e rigor metodológico quando se trata dos seus amiguinhos políticos ricos… sempre na medíocre expectativa de aqui ou acolá ser beneficiado com a patifaria política

Enquanto tudo isso acontece… a imensa riqueza roubada pelos grandes e poderosos exala e muito a fedentina política deles e mostra também nas vidas dos mais pobres os dias de desamparo e tristeza profunda porque não têm garantido pelo dinheiro público o acesso à Educação, Saúde, Moradia, Emprego, Saneamento, Segurança, Assistência Social… etc etc…

Infelizmente em nossos tempos sombrios, ainda constitui uma minoria aqueles (as) capazes de corajosamente verbalizar, se indignar ou enfrentar as estruturas em putrefação das insaciáveis gangues políticas e suas camarilhas que nunca se contentam com as imensas riquezas roubadas dos pobres. Nunca se contentam e sempre querem muito mais… como dizia Vieira, conjugam de todas as formas e modos o verbo roubar… dos uísques comprados com o roubo das merendas até a esperteza de proteger o dinheiro sujo em paraísos fiscais! Infelizmente também são muitos os políticos ladrões que se perpetuam no poder pela inocência ou ignorância de alguns e pela desprezível omissão e cumplicidade de outros pusilânimes e igualmente corruptos!

E mesmo que a lógica formal, fiscal, financeira, contábil, orçamentária mostre claramente que só enriquece na política quem é ladrão ainda teremos tempos muito difíceis pela frente no cotidiano de combate a essas súcias de vadios poderosos que continuam a manchar a honra e a dignidade da nossa querida e tão sofrida Alagoas! Devemos ao menos lutar pelo cumprimento da Lei – Código Penal – Crimes contra a Administração Pública… que diz que vai pra cadeia quem patrocina tráfico de influência, intermediação de interesse privado, exploração de prestígio, corrupção ativa e passiva… no popular safadeza política! E, mesmo que a realidade implacável diga que não adianta lutar, muitos de nós continuaremos firmes caminhando feito peregrinos incansáveis que a vida impiedosamente marcou, mas não dobrou aos encantos esnobes e apodrecidos das estruturas da política e do poder!

Heloísa Helena (@_Heloisa_Helena  e heloisa.ufal@uol.com.br )

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No Egito: ou racha, ou não vai

quarta-feira, fevereiro 16th, 2011

Milton Temer

Imagens ao vivo pela Al Jazeera, pela BBC e até pela inexpressiva GloboNews, mostraram a massa ensandecida após discurso do ditador Mubarak, pela TV estatal, anunciando sua permanência na na presidência, do Egito, quando todos já festejavam sua renúncia.

Como se explicaria tal decisão cínica sem deduzir que teria sido produto de conversações, ao longo do dia, em que se estabeleceu inquestionável consenso na cúpula militar do País, com assentimento e coordenação, a partir do Departamento de Estado nos EUA e Israel?

Não durou um dia esse sentimento de perplexidade diante da decisão absolutamente inimaginável nos momentos anteriores ao discurso. Mubarak se obrigou a uma renúncia, transmitida pelo vice que já se anuncia como candidato desse esquema de poder, arrogante para dentro e contra seu povo, e absolutamente submisso e acovardado diante de potências ocidentais, os Estados Unidos em particular, que o determinou como capataz de Israel. Mas o anúncio, feito por quem o fez — o vice Suleiman,  já citado entre os fortes candidatos do processo eleitoral que por acaso se venha a instituir –, mostra que podemos estar diante de um episódio lampedusiano. ˜Que tudo mude para que tudo continue como antes”. E isto fica marcado pela entrega do poder ao Conselho Superior das Forças Armadas, sinal que apenas uma etapa da luta foi superada.

Afinal, não há um general egípcio que não tenha se locupletado na infindável corrupção proporcionada pelos US$ 1,5bi de ajuda militar anual americana ao país. Quantia suficiente para compra de equipamentos, mas também com sobras para a compra de consciência desses maganos, de molde a torna-los cúmplices das atrocidades sionistas contra os palestinos de Gaza. Tudo, evidentemente, em nome da garantia de paz falaciosa com o Estado sionista vizinho, ilegal e gigantescamente nuclearizado. Difícil, portanto, encontrar algum deles com capacidade de colocar o guiso no gato, e ousar propor uma transferência do imenso poder econômico entre eles distribuido para o conjunto da sociedade que pede mudanças radicais

Por outro lado, da primeira hora, já era sabido que a solução alternativa a gosto dos irmãos siameses — EUA e Israel — na aplicação das políticas imperialistas no Oriente era Omar Suleiman, vice de algibeira. E quem é Omar Suleiman? O WikiLeaks já revelou, quando da divulgação de seus papéis sobre a região: é o principal agente da CIA no Cairo; é um torturador que agiu diretamente sobre presos de Abu Ghreib. É um monstro que o Tribunal de Haia, fosse independente, já teria convocado há muito tempo, como réu de crimes contra a humanidade.

Diante de tal contexto, impossível imaginar desdobramento favorável ao retorno de um Egito digno e aglutinador de uma República Árabe Unida, marca maior do período anti-imperialista dos anos Nasser, se não houver uma ruptura militar, a partir da tropa, na rua. Uma ruptura em que oficiais intermediários coloquem seus soldados e seus tanques a serviço das massas que ocupam praças da Liberdade nas principais cidades do Egito. Promovendo uma desequilíbrio de forças em favor da resistência popular desarmada. Uma ruptura que pode não se dar necessariamente nos próximos dias, mas que deve ser objetivo a alcançar nos próximos movimentos de pressão que não poderão cessar, sob risco de tudo se perder. Porque o primeiro sinal dessa junta que assumiu o governo — agradecendo a Mubarak, por sua “generosidade”– não poderia ser mais preocupante. Como primeira medida de importância, reafirmaram a validade de todos os acordos internacionais do Egito. Por que tanta pressa? Para dizer aos sionistas xenófobos do governo Netanyahu que podem continuar bombardeando túneis de suprimentos na fronteira de Gaza com o Egito. Que, possivelmente, manterão o bloqueio sobre a Faixa de Gaza.

Por isso tudo, é preciso deixar bem claro que a Revolução Egípcia apenas deu um primeiro passo. Importante, mas bastante limitado se não for degrau para outras iniciativas mais consequentes — definição de Suleiman como carta do mesmo naipe de Mubarak; julgamento das atrocidades cometidas contra manifestantes e presos políticos de longa data; intervenção nos segmentos econômicos controlados por cúmplices de Mubarak; efetivação da reforma constitucional de molde a impedir qualquer retorno aos métodos governamentais anteriores. Estes são passos fundamentais para afirmar que o movimento não trocou apenas seis por meia dúzia.

Com que forças a oposição pode impor tais mudanças? É preciso considerar que movimentos sociais, sem a referência orgânica de um partido político com capacidade de ajustar movimentos táticos a uma estratégia programática definida, são vulneráveis à dispersão por conta de sua essência politicamente fragmentada. E 30 anos de despotismo absolutista, autoritário e repressor, eliminando pela tortura e o assassinato as melhores mentes libertárias da Nação, deixam sequelas difíceis de recuperar em umas poucas semanas.

Na ausência desse instrumento essencial para uma visão universal, e até revolucionária, do processo em curso, é fundamental ressuscitar o espírito de Nasser como arma de recuperação da dignidade egípcia, capaz de livrar a Nação de sua maldita “elite” – um segmento privilegiado, vendido ao imperialismo americano e subserviente na cumplicidade com o arbítrio do sionismo fascista, em Israel, sobre as populações palestinas de Gaza e Cisjordânia –. É essencial que a pressão popular se organize e mantenha a pressão sobre a jovem oficialidade; aquela que conviveu com os dias de resistência na Praça Tahirir, no Cairo, e em todos os outros pontos do País.

Se isso se concretizar, o que nasceu como ação espontânea de massas inspiradas no exemplo tunisiano de semanas anteriores, limitado à retomada de direitos humanos mínimos, pode se transformar num processo de mudanças qualitativas na composição de forças políticas no Oriente Médio. Um processo que leve à derrocada de todos os governos reacionários da região, capatazes dos interesses das grandes companhias petrolíferas, e garanta a legalização e a existência de fato da nação Palestina, ora vítima de longa e criminosa ocupação estrangeira.

Milton Temer é diretor-técnico da Fundação Lauro Campos

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