Lula tem plano para criar instituto em 2011
Presidente quer tirar dois meses de férias antes de colocar em prática plano para manter protagonismo na cena política
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procura um imóvel em São Paulo para instalar um escritório a partir de onde pretende manter seu protagonismo no cenário político depois que deixar o governo, no dia 1º de janeiro.
O local preferido é a Vila Clementino, bairro de classe média na Zona Sul paulistana, onde ficava o comitê eleitoral do presidente na campanha de 2002. A escolha ocorre por dois motivos práticos: a proximidade do aeroporto de Congonhas e a facilidade de acesso a São Bernardo do Campo, para onde o presidente voltará depois do mandato.
Lula tem dito que pretende tirar dois meses de férias e depois “voltar com tudo” para trabalhar pela reforma política e eleitoral e a criação de uma frente que dê estabilidade a um possível governo da presidenciável petista Dilma Rousseff.
O chefe do gabinete-adjunto de Gestão e Atendimento da Presidência, Swedenberger do Nascimento Barbosa, foi encarregado de fazer uma pesquisa e apresentar opções de formato jurídico para a entidade que servirá de suporte a Lula. Ex-secretário-executivo da Casa Civil na gestão de José Dirceu, Barbosa tem estudado exemplos de ex-presidentes no exterior. As opções são a criação de uma fundação ou um instituto.
Plano do presidente é manter protagonismo político, com agenda interna e externa
Embora falte menos de quatro meses para o fim do governo, Lula ainda é lacônico ao falar de seus planos. “Ele sofre para admitir que o mandato está acabando”, disse um assessor próximo.Pelo menos uma coisa Lula tem deixado bem clara a seus interlocutores – mesmo fora da Presidência manterá seu papel de destaque na política nacional.
A primeira providência será a extinção formal do Instituto Cidadania, o “governo paralelo” criado em 1990 depois da derrota para Fernando Collor de Mello em 1989 e que, na prática, já não funciona desde a posse de Lula em 2003.
Segundo assessores, o presidente dividirá o tempo entre uma agenda interna e outra externa. Na área internacional, vai priorizar a integração entre países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento com foco na África e América do Sul. Durante os oito anos de governo ele recebeu dezenas de convites para receber títulos de doutor honoris causa, aceitou todos mas com a condição de só recebê-los depois de deixar a Presidência. Isso vai garantir anos de convites para viagens mundo a fora.
Reforma política e defesa de Dilma
Na frente interna, Lula vai se dividir entre viagens pelo País – semelhantes às caravanas da cidadania que realizou antes de ser eleito – e a articulação político-partidária. As prioridades são a reforma política e a criação de uma frente que garanta hegemonia no Congresso e tranqüilidade a um eventual governo Dilma.
Lula tem defendido a realização de uma reforma política, apoiado no discurso de que é preciso um sistema político com partidos fortes. A ideia, entretanto, não é propor a extinção dos partidos atuais e criação de novas siglas. “Ele quer uma espécie de refundação dos partidos com base no binômio militância/reflexão”, disse um interlocutor.
A aliança entre PT e PMDB é a base para a mudança. Os dois partidos vivem uma espécie de lua-de-mel. De um lado peemedebistas estão encantados com a eficiência da máquina do PT. De outro, petistas se dizem impressionados com a capilaridade e extensão do PMDB.
Mas a principal preocupação do presidente é a estabilidade de Dilma. “Ele tem dito que a Dilma é mais frágil politicamente do que ele e se a oposição fez o que fez com ele imagine o que poderá tentar fazer com Dilma”, disse outro assessor palaciano. Sob a justificativa de manter a unidade dos partidos aliados Lula tem dado palpites, “nomeado” assessores e opinado na configuração do eventual futuro governo.
Em Recife, há duas semanas, Lula chegou a falar em criar uma “organização política”. A assessores, tem dado sinais contraditórios. Às vezes fala em uma entidade orgânica, com caráter institucional, outras na articulação de uma base partidária. Nos dois casos, o ponto de convergência seria ele próprio. “Lula é protagonista há mais de 30 anos e não vai sair de cena assim, de uma hora para outra”, disse um interlocutor. “Mas isso não significa que vá interferir no governo”, completou.
Centro de memória
Para isso, Lula vai precisar de uma estrutura física cuja organização está a cargo de Swedenberg Barbosa. Além de servir de espaço para articulação política, o local será um centro de memória dos oito anos de governo. A legislação prevê que o presidente deixe o gabinete vazio para o sucessor e cuide da preservação de seu acervo.
A lei garante três funcionários, dois seguranças, um carro e combustível. No caso de Lula a estrutura será insuficiente. Seu acervo inclui mais de meio milhão de cartas (todas respondidas e guardadas), milhares de retratos, camisas de times de futebol, bonés e presentes recebidos nestes oito anos e guardados pela diretoria de documentação histórica da Presidência. A viabilização financeira desta estrutura, por enquanto, é assunto tabu entre os interlocutores do presidente.
Via: IG
Tucanos viram grife entre artistas mineiros
Cerca de 500 artistas do estado entregam manifesto de apoio aos candidatos Anastasia e Aécio por investimento na cultura
Um desfile com roupas e acessórios inspirados no material de campanha dos candidatos tucanos em Minas marcou o evento de apoio de um grupo de artistas mineiros às candidaturas de Antônio Anastasia, de reeleição ao governo de Minas, e Aécio Neves, ao Senado Federal. Cerca de 500 artistas assinaram um manifesto, entregue aos candidatos na noite desta quarta-feira (08), em evento no Centro Cultural da Praça da Estação, em Belo Horizonte.
O apoio se explica pelo crescimento dos investimentos do Estado na área da cultura durante administração de Aécio Neves. Somente em 2009, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e do Fundo Estadual de Cultura (FEC), reformulados em 2008 pelo governo, foram aprovados mais de 1.400 projetos que representaram um investimento superior a R$ 200 milhões. Este resultado, segundo dados da Secretaria Estadual de Cultura, representou um crescimento de 87% do número de projetos apresentados em relação ao ano anterior. Assim, somente em 2009 foi investido mais do que em todo o período de existência da lei, 11 anos desde sua criação em 1997. Até 2008, o investimento total da lei foi de cerca de R$ 230 milhões para a produção de 3.513 projetos, em 208 municípios.
Entre os nomes que assinaram o manifesto estão os músicos Milton Nascimento, Flávio Venturini, Toninho Horta, Rogério Flausino, Samuel Rosa, André Valadão, Celina Borges, Cesar Menotti e Fabiano; o compositor Fernando Brant; os escritores Ângelo Machado, Sílvia Rubião, Bartolomeu Campos de Queiros, Luis Gifoni e Olavo Romano, o Grupo Galpão, o Grupo Corpo e o Giramundo. No manifesto, os artistas ressaltaram justamente a efetivação do Fundo Estadual de Cultura, do Circuito Cultural da Praça da Liberdade e a criação de prêmios financeiros para apoiar novos nomes da música, cinema e literatura no Estado. “Nos últimos anos, com os governos de Aécio e Anastasia, Minas mudou muito. Na cultura, iniciativas significativas foram efetivadas: o Fundo Estadual de Cultura, Filme Minas, Cena Minas, Música de Minas e os Prêmios Minas Gerais de Literatura ocuparam o espaço que antes era lacuna”, diz parte do texto do manifesto.
Anastasia agradeceu o apoio afirmando que Minas “realiza um forte processo de descentralização da política de apoio cultural para que ela atuasse em todo o estado e não se concentrasse apenas nos centros maiores”.” Essa é uma forma de democratizar o apoio aos produtores culturais e os artistas e o acesso aos bens culturais a toda a população do estado”, afirmou.
Via: IG
STF pode julgar Ficha Limpa antes das eleições, diz Peluso
Decisão tomada no caso de Roriz não significa uma sinalização do julgamento da constitucionalidade do Ficha Limpa pelo Supremo
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, disse hoje que o plenário da Corte “tem possibilidade” de julgar antes das eleições a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa. Em entrevista no Palácio do Planalto, após participar de uma cerimônia, Peluso foi questionado sobre a nova lei, que está impedindo a candidatura de políticos com problemas na Justiça. “É bem possível que se julgue antes das eleições”, disse.
Na rápida entrevista, Peluso disse que a decisão tomada ontem pelo ministro César Ayres Britto, que julgou improcedente a reclamação do candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz, não significa uma sinalização do julgamento da constitucionalidade do Ficha Limpa pelo Supremo. “Não é sinalização de nada. É simplesmente a postura do ministro que deu a decisão”, afirmou Peluso, referindo-se a Ayres Britto.
Roriz está enfrentando dificuldades em manter sua candidatura por causa da nova lei. O TSE indeferiu o registro de sua candidatura, o que levou Roriz a recorrer ao Supremo. Ontem, Ayres Britto negou o recurso ao candidato, que ainda pode recorrer ao plenário do STF.
Peluso evitou ainda comentários sobre o escândalo da quebra de sigilo fiscal de tucanos e parentes do candidato do PSDB à Presidência, José Serra. “Isso é assunto para os políticos”, disse, enquanto tentava deixar o térreo do Planalto e se desvencilhar dos jornalistas.
O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que estava ao lado de Peluso, limitou-se a dizer que o caso da quebra de sigilo está sendo investigado pela Polícia Federal. Barreto chegou a dizer que daria uma entrevista para responder às perguntas dos repórteres, mas deixou o Palácio do Planalto sem atender a imprensa.
TSE usará programa da PF para investigar lavagem de dinheiro
Prestações de contas de campanhas com indícios de irregularidades serão averiguadas no software de lavagem de dinheiro da PF
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assinou um acordo de parceria com o Ministério da Justiça e com a Polícia Federal para usar os programas de computador do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro em prestações de contas de campanha suspeitas de irregularidade.
De acordo com o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, após passar por uma triagem no sistema do Tribunal, contas com indícios de crimes serão submetidas aos programas, que cruzam dados bancários e formam uma espécie de corrente do dinheiro.
Com o software é possível rastrear de onde veio o recurso de determinado doador de campanha, de onde veio o dinheiro que este doador doou e assim consecutivamente. “Um trabalho que nós levávamos meses com planilhas é feito em poucos segundos com o computador, identificando todo o movimento dos recursos até chegar à conta eleitoral”, explicou o Diretor-Geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.
Questionado sobre possibilidade de uso mais amplo da ferramenta, Lewandowski disse que dificuldades técnicas impedem que toda as contas de campanha sejam esmiuçadas com os softwares contra lavagem de dinheiro.
“Nós temos um sistema normal de controle. Se ele detectar algo usa-se o programa”, disse.
Ele também comentou que, no caso de um partido ou coligação pedir investigação de adversários usando o sistema, além da apresentação de indícios, o TSE terá que se manifestar sobre o tema.
“Se essa hipótese acontecer vai ser gerado um processo que é enviado ao plenário e ele decide passa ou não pelo programa”.
Via: IG
Lula: ‘Programa de Dilma na TV foi melhor que novela’
Durante comício em Minas, presidente afirma que propaganda eleitoral da candidata foi ‘mais bonita e emocionante’
Durante comício em Betim, Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou nesta quarta-feira a população a “adotar o hábito, dia sim dia não” de acompanhar o programa eleitoral na TV de Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência. Sem citar a sua participação ontem à noite, Lula disse aos militantes que o programa de 7 de setembro, quando rebateu acusações do adversário José Serra (PSDB), foi “mais bonito do que novela”.
“Vocês viram o programa da nossa candidata na TV ontem à noite (o7/09)? Quem foi que assistiu ao programa? Levante a mão. Eu sei que tem o hábito das pessoas que assistem novelas, mas duvido que tenha capítulo da novela mais emocionante e bonito do que nossa candidata apareceu ontem na TV”, declarou.
Em resposta ao adversário José Serra, que acusa a campanha de Dilma de envolvimento no escândalo da quebra de sigilos de tucanos, Lula saiu em defesa de Dilma no programa que foi ao ar no dia 7. Em depoimento, ele pediu uma reflexão aos brasileiros e disse que “infelizmente o candidato da turma do contra partiu para ataques pessoais e para a baixaria”.
Ao lado de Lula e Dilma, participaram do comício Hélio Costa, Fernando Pimentel, Patrus Ananias e o vice Michel Temer. O comício em prol da chapa do ex-ministro da Comunicação Hélio Costa teve como objetivo alavancar a candidatura de Costa, ameaçada pela subida de Antonio Anastasia (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto.
Lula disse também que, na reta final da campanha, “não sabe mais o que falar” porque precisa conciliar os discursos feitos na agenda casada, de presidente durante o dia e cabo eleitoral da candidata, após o expediente.
Assim como em comícios anteriores, Lula e Dilma repetiram críticas à oposição pelo fim da CPMF no Congresso e pediram a eleição de uma bancada forte de parlamentares para dar sustentação a um eventual governo petista em 2011.
Dilma, que discursou antes de Lula, recorreu as raízes mineiras para pedir votos à sua candidatura , para Fernando Pimentel (Senado) e a chapa de Hélio Costa (governo) e Patrus Ananias (vice). “Essa é uma chapa totalmente mineira”, disse Dilma. O comício começou com discurso de Michel Temer, candidato a vice na chapa de Dilma e presidente do PMDB, que também pediu votos para Costa.
Dilma vovó
Ao abrir o seu discurso, o presidente Lula parabenizou a candidata pela chegada do seu primeiro neto, Gabriel, que deverá nascer nesta quinta-feira. Para amanhã, está prevista em Porto Alegre a cesárea de Paula, filha de Dilma. Segundo familiares, a candidata deixou o comício e seguiu para o Sul ainda na noite desta quarta-feira (08/09).
Em debate Serra faz críticas sobre vazamentos
Além do tucano, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio criticaram petista por quebra de sigilo e por ausência de Dilma
O debate realizado na noite desta quinta-feira pela TV Gazeta e pelo jornal O Estado de S. Paulo virou palco para que o presidenciável tucano José Serra intensificasse as críticas ao governo federal e ao PT pelos casos de quebra de sigilo na Receita Federal. Ao ser questionado por jornalistas da emissora sobre que medidas tomaria para conter o problema, Serra comparou o caso ao vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no ano passado. Segundo ele, o governo dá um “mau exemplo” à população.
“Veja o que aconteceu com o Enem, em que os dados pessoais dos estudantes foram vazados”, disse Serra, ao declarar que o governo quis “transformar o Enem em instrumento eleitoral”. O tucano, então, retomou o caso da quebra de sigilo. “O PT da candidata Dilma está por trás desses vazamentos”, disse. “Quando vem exemplo ruim de cima, não há nada pior do ponto de vista da administração (…) O que tá sobrando no Brasil são maus exemplos.”
Maioria dos ataques foi dirigida a Dilma
Os ataques de Serra foram endossados pelo candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio. “Essa moça (Dilma) tinha que estar aqui. É a única que ninguém sabe o que pensa. Eu to Fu. Acho que ela foi ver Pato Fu”, disse Plínio. O candidato se referiu ao debate realizado recentemente pela Rede Católica. Ausente também naquele dia, Dilma comentou no Twitter um show da banda Pato Fu no momento em que o debate era transmitido. “O Lula que espere. Ninguém conhece a moça. Nem o Lula”, provocou Plínio.
Nos demais blocos, candidatos concentraram-se em outros temas, sem perder o tom crítico em relação ao governo federal. Marina, por exemplo, cobrou de Serra a defesa do Código Florestal. Já o tucano abordou questões como o saneamento básico. Plínio, por sua vez, criticou as políticas do governo para educação e saúde.
Ainda assim, as críticas diretas a Dilma foram sucessivamente retomadas ao longo do debate. “Essa senhora é um produto do marketing político”, disse Plínio. Já Serra abordou a aliança entre Dilma e o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), antigo adversário de Lula.
‘Nada de errado’
Apesar de Dilma ter sido alvo da maior parte das críticas, Plínio reservou a Serra uma pergunta sobre o uso da imagem do presidente Lula na propaganda eleitoral do tucano. O candidato do PSOL disse que o rival “esconde” o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Não escondi o Fernando Henrique. Sou muito amigo dele”, respondeu Serra. “Ele me deu total cobertura ao meu trabalho como ministro da Saúde, em todas as áreas.”
Sobre a presença de Lula em seu programa de TV, Serra acrescentou: “O Lula é presidente da República. Passou pelo meu programa para citar um fato. Não tem nada de errado nisso”, disse o tucano. “Então você precisa demitir seu pessoal da televisão”, ironizou Plínio. “Você não deveria esconder. Porque o Lula é a continuação do FHC.”
Demissão
Apesar do tom duro em relação a Dilma durante todo o debate, Serra deixou para a saída as críticas mais intensas. Ao deixar o estúdio, o tucano pediu a demissão do secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, cobrou explicações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, queixou-se novamente de Dilma e acusou a campanha petista de comandar um “ato criminoso”.
“O governo federal deveria demitir imediatamente o secretário da Receita, o ministro da Fazenda deveria ir ao Congresso Nacional dar as explicações, a candidata Dilma pedir desculpas por ser gente de sua campanha envolvida, e da mesma maneira o presidente Lula pedir desculpas por debochar daqueles cuja privacidade foi invadida criminosamente.”
O assunto, entretanto, já havia sido citado antes mesmo do início do debate, m momento em que os candidatos aproveitaram para criticar Dilma pela ausência no evento. Em vez de comparecer ao debate, a petista optou por fazer um comício em Minas Gerais, ao lado do presidente Lula. A assessoria da ex-ministra alegou problemas de agenda.
“A ausência de Dilma incomoda a democracia”, disse Marina. “É bom que os candidatos apareçam e coloquem suas ideias para comparação”, cobrou Serra, último dos três presidenciáveis ao chegar ao estúdio. “É uma prepotência e uma arrogância achar que não tem obrigação de expor ao público o seu pensamento. Ela é a mais desconhecida entre os candidatos e tinha obrigação de estar aqui”, ironizou Plínio, que engatou no tema da quebra de sigilo.
Via: IG
Para cumprir cota, partidos usam candidatas laranjas
Segundo o MPE, irregularidades ocorrem em alguns partidos que não cumpriram a determinação de ter a cota de 30% de mulheres
Em vez de plataforma política, favores para “encher o partido”. Entre as candidatas aos cargos de deputada estadual e federal no Estado do Rio de Janeiro, pelo menos 70 tiveram seus registros negados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por suspeita de fraude. Segundo o Ministério Público Eleitoral, as irregularidades ocorrem em alguns partidos que não têm candidatas suficientes para cumprir a cota de 30% destinada ao sexo feminino, obrigatória por lei. Assim, escalam ‘laranjas’ – em certos casos, há mulheres que nem sabiam que estavam registradas como candidatas.
Moradora da favela Vila Ipiranga, em Niterói, região metropolitana, a merendeira Lúcia Maria Ferreira da Silva, de 59 anos, se assustou ao saber que seu número como deputada federal pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC) seria o 2717. “Eles disseram que eu só iria encher o partido. Só precisavam dos meus dados para fazer o número. Não me disseram que eu seria candidata a deputada federal”, afirmou Lúcia, que em 2008 tentou vaga para a Câmara dos Vereadores de Niterói pela mesma legenda – na época, conseguiu apenas 200 votos. “Eles têm todos os meus documentos desde essa época.”
Algo semelhante ocorreu com a professora Maria da Aparecida Martins, de 53 anos. Ela se filiou ao Partido Trabalhista Cristão (PTC) com a intenção de se candidatar nestas eleições, mas afirma ter desistido em abril. Mesmo assim, em julho, o partido encaminhou registro em seu nome como candidata a deputada estadual. O pedido não tinha a assinatura da professora nem os documentos exigidos por lei.
O PSDC afirmou que todas as candidatas registradas pelo partido são pessoas filiadas e que desconhece as suspeitas de fraude. Já o PTC informou saber que Maria havia desistido de se candidatar, mas que não encaminhou carta de renúncia ao Tribunal Regional Eleitoral, pois o órgão não requisitou o documento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Dilma aposta em “luz própria”, e Serra, em “virada”
Na disputa polarizada entre duas candidaturas, José Serra (PSDB) viu seu nome deixar a dianteira e, hoje, luta pelo segundo turno. Dilma Rousseff (PT) despontou na garupa da alta popularidade de Lula, até aqui, a principal arma petista. Já Marina Silva (PV) estacionou nas intenções de voto’

Menos de um mês separa o futuro presidente do Brasil de sua consagração pelas urnas, e o desempenho do atual ocupante do cargo, até agora apontado como decisivo para efetivar Dilma Rousseff (PT) como a primeira mulher a ocupar a Presidência, não deve mais ser o único fator a impulsionar a ascensão da candidata, que se delineia desde o fim de maio. O adversário José Serra (PSDB), por sua vez, enfrenta as dificuldades de uma campanha que agora aposta em uma virada nas urnas, feito considerado improvável diante da atual conjuntura.
Em quase três meses de campanha, em uma disputa polarizada entre as duas candidaturas, Serra viu seu nome deixar a dianteira e, hoje, luta pelo segundo turno. Já Dilma despontou na garupa da alta popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva, até aqui, a principal arma petista para se manter no poder. “Sempre que Dilma apareceu junto a Lula de forma massiva, ela mudou de patamar. A aprovação recorde de Lula é o pano de fundo dessa eleição”, afirma Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
Segundo Paulino, a influência de Lula foi reforçada junto ao eleitor graças à televisão, o meio de comunicação mais presente na vida dos brasileiros, com o início da propaganda eleitoral gratuita e da cobertura dos candidatos pelos telejornais. “Chamamos de disparada, mas é um crescimento contínuo, que até aqui foi constante em todos os seguimentos, em todos os setores. Dilma cresceu inclusive nos redutos tradicionais de Serra, como São Paulo e a região Sul”, diz.
Avaliação semelhante tem o cientista político Claudio Couto, da PUC-SP. “É super nítida a subida da Dilma, mas ela é resultado de uma continuidade, essa subida já vinha acontecendo há muito tempo. A entrada da televisão na campanha acentua esse processo. E esse crescimento era previsível porque ela é a candidata de um governo extremamente popular, na figura do presidente Lula”, avalia.
“Luz própria”
O principal motivo, segundo Paulino, é o de que a imagem de Lula, por si só, não transmite votos. “Com o horário eleitoral gratuito, Dilma ganhou voz e passou a ter uma identidade própria. Essa fase de associação a Lula está esgotada. Hoje, ela é considerada pelo eleitor como a candidata à Presidência, e não mais a candidata do presidente. Ela já se afirma com uma luz própria”, avalia.
Tanto a presença maciça de Lula não garante votos automáticos, que seu candidato em SP, Aloisio Mercadante (PT), deve perder no primeiro turno para Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano, que junto de Serra protagonizou um racha na sigla do pleito de 2006, por sua vez, não fez questão de mostrar o companheiro de partido em sua campanha, permitindo a ascensão de Dilma inclusive onde o PSDB deve ter sua maior vitória.
A presença na televisão também se mostrou ineficaz desatrelada de outros fatores. A candidata Marina Silva frustrou as expectativas do PV, que contava com um crescimento automático após as aparições de sua representante em cadeia nacional. A candidata praticamente não oscilou desde que as inserções tiveram início.
Para Couto, soma-se a isso o que chama de “campanha catastrófica”. “Seria difícil conter a escalada de Dilma, mas a queda de Serra se deve ao caráter errático e ambivalente dessa campanha, inclusive com perda de votos do tucano para a petista. É uma candidatura que se apresenta ao mesmo tempo como lulista e com um discurso de direita. É contraditório, difícil de o eleitor acreditar”, afirma.
Nova virada?
Ainda que Dilma tenha um crescimento considerado constante, para Paulino, é difícil prever o desenrolar das pesquisas, mas, segundo ele, é improvável que o quadro se reverta até o dia 3 de outubro. Há ainda, no entanto, um alento à esperança tucana de conseguir impedir uma derrota de primeira. “Em 2006, Lula tinha uma vantagem sobre Alckmin quando surgiu o escândalo dos aloprados [a suposta compra de um dossiê contra Serra por petistas em SP], e o tucano conseguiu tirar alguns votos e levou para o segundo turno”, afirma.
O ponto contra é a atual popularidade do presidente que, até então, não era tão alta. “Hoje é mais difícil, porque Lula dá esse respaldo a sua candidata. E o voto dela é o mais consolidado. Mas esse problema com a Receita Federal está tomando conta das manchetes. Precisa ver se isso se reflete nas próximas pesquisas”, aponta.
Já Claudio Couto é tácito. “Serra só vai ganhar se descobrirem que Dilma está envolvida na morte de Eliza Samudio [ex-amante do goleiro Bruno].”
Roriz recorre ao STF contra veto à sua candidatura
Esta é a primeira vez que um recurso de candidato barrado pela Lei da Ficha Limpa chega ao STF
O candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que negou o registro de sua candidatura com base na aplicação da Lei da Ficha Limpa. O registro da candidatura de Roriz foi negado, primeiramente, pelo Tribunal Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). O candidato entrou com recurso no TSE, que manteve a decisão anterior. Esta é a primeira vez que um recurso de candidato barrado pela Lei da Ficha Limpa chega ao STF.
A defesa do candidato tem como base o artigo 16 da Constituição, que regula que uma lei que altere o processo eleitoral só poderá ser aplicada em eleição que ocorra após um ano do início de sua vigência. O recurso foi registrado na última segunda-feira e ainda não foi julgado pelos ministros do Supremo.
No início de agosto, o TRE do Distrito Federal se recusou a registrar a candidatura de Roriz ao governo. No final do mesmo mês, o caso chegou ao TSE, que manteve a decisão anterior, não autorizando o registro da candidatura de Roriz. Agora, a defesa do candidato dará sua cartada final, ao entrar com recurso no STF, que é a última instância. Enquanto o caso ainda tramita, Roriz tem o direito de manter o seu nome na urna eletrônica e fazer campanha normalmente.
Via: IG
Serra: a partir de agora, presidente do PSDB falará sobre sigilo
Em visita a feira religiosa em São Paulo, tucano diz que não é ‘cristão de boca de urna’ e canta música gospel
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse hoje que não vai mais falar sobre o episódio da quebra de sigilo fiscal da sua filha e de pessoas ligadas ao PSDB. “Tenho falado todos os dias há uma semana. O presidente do partido, Sérgio Guerra, é que vai continuar tratando”, afirmou o candidato. Ele disse que voltará a tratar do tema em um outro momento. “Trata-se de um crime contra a Constituição e da utilização do governo para fins de natureza política, partidária e eleitoral”, afirmou.
Serra canta música gospel “Vai dar tudo certo”
Serra visitou a Expocristã, um evento de produtos voltados para o público evangélico, e aproveitou para ressaltar os valores cristãos e cutucar, indiretamente, aqueles que usam a religião para motivos eleitorais. “Os valores de Cristo são os meus valores. Não sou cristão de boca de urna para agradar eleitor, conquistar votos e no dia seguinte esquecer o assunto. Pratico o Cristianismo na minha vida pessoal e política”, afirmou.
A Expocristã representa um mercado que movimenta R$ 1 bilhão por ano. Entre os estandes da exposição, pode-se encontrar desde agências de turismo que vendem pacotes para a Terra Santa até óleos para unção e embalagens descartáveis para o vinho e o pão em celebrações religiosas. Na visita, Serra disse ainda que, embora haja diferentes doutrinas cristãs, “todas convergem no que é essencial de que Jesus é a verdade e a justiça, que fazem bem ao povo e fariam bem à política”.
Ao parar no estande da gravadora IVC, especializada em música gospel, o candidato cantou várias músicas com o quarteto vocal IVC Vida Nova. No repertório, cantou “Glória Glória Aleluia” e duas vezes a música “Vai Dar Tudo Certo”, do compositor Valdeci Aguiar.
Via: IG






