Dilma: ‘Sou outra pessoa, muito melhor’
Esbanjando bom humor, candidata petista diz que campanha foi uma experiência que mudou sua vida
A presidenciável do PT, Dilma Rousseff, fez ontem um balanço de sua campanha antes do debate entre os candidatos. “Sou outra pessoa, muito melhor. Tem uma pessoa que entrou e outra que vai sair”, afirmou a candidata, acrescentando que a campanha foi uma experiência que mudou a sua vida.
Em entrevista aos jornalistas no início da noite de ontem, no Rio, Dilma esbanjou bom humor. Não se incomodou com perguntas sobre o seu peso nem com as comparações que jornais europeus fizeram, chamando-a de “dama de ferro”. Sobre os quilos a mais que ganhou nesses últimos três meses, disse: “Não me pesei pra não ficar triste”. Em relação às comparações da imprensa europeia, afirmou: “Não me incomodo, não”.
O bom humor da candidata reflete o momento atual da campanha, segundo os assessores de Dilma. Os motivos para isso são as pesquisas de intenção de voto, que mostram que ela parou de cair e pode vencer no primeiro turno, e também a estratégia, considerada bem sucedida, de conter a perda de votos no segmento evangélico por causa de boatos de que ela seria a favor do aborto. Com isso, o clima de preocupação, que ficou evidente no último comício da campanha na segunda-feira, em São Paulo, parece ter se dissipado.
Dilma brincou com os jornalistas e estendeu a entrevista por mais de 15 minutos além do que estava previsto. “No Brasil não se faz campanha sisuda nem certinha. Quanto mais você quer organizar, menos organizada ela fica”, afirmou em relação à campanha. Entre as coisas que a emocionaram, ela disse que foi o contato com a população, a alegria das pessoas e as manifestações de agradecimento, principalmente das pessoas mais pobres. Dilma disse que o momento mais emocionante aconteceu quando um homem, de origem humilde, tirou o chapéu para agradecer pela melhora que o governo fez pela vida dele. A candidata contou essa passagem com voz embargada e olhos marejados. “Eu faço parte de um projeto que deu certo. E eles (a população) sabem o que nós fizemos”, afirmou.
Apesar da rotina estressante, a candidata afirmou que não viu o tempo passar. “Não é pesado, é alegre fazer campanha no Brasil”. Quando um jornalista perguntou como ela se sentia agora que a campanha está desacelerando, Dilma respondeu com outra pergunta: “Está desacelerando? Pra quem?”. No final da entrevista, fez questão de distender a tensão entre a campanha e a imprensa. “O que houve não foi um estresse. Todos os lados têm o direito de dar a sua opinião”, afirmou.
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No último debate, Serra deve baixar tom e Dilma colará em Lula
Tucano tentará empurrar disputa para o segundo turno e petista deve rebater rumores sobre aborto; Marina vai manter tom crítico
A três dias da eleição, os principais candidatos à Presidência enfrentam-se na noite desta quinta-feira no último debate antes da ida às urnas. Na dianteira da disputa, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) enfrentam-se hoje à noite em frente das câmeras da TV Globo. O formato do evento forçará a troca de propostas em pelo menos metade do tempo de confronto. Serão quatro blocos (dois com temas sorteados na hora) em que Serra tentará levar a disputa ao segundo turno, Marina superá-lo nas intenções de voto e Dilma garantir a vitória já no domingo.

De olho no segundo turno, Serra não partirá para o ataque. Sua postura será parecida com a que teve no debate da TV Record, realizado domingo passado. O plano é fazer críticas pontuais ao governo sem ser agressivo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou à candidata apoiada por ele.
Integrantes da equipe de comunicação tucana argumentam que o debate da Globo servirá para “firmar convicções”. Ou seja, garantir o eleitor que tende a votar em Serra e ainda está indeciso. Como aposta na ida de Serra ao segundo turno, o grupo não acredita que o debate terá capacidade de alterar profundamente o atual quadro eleitoral.
“A ideia não é de confronto, é de paralelismo, de comparação. Eleição não é uma guerra, eu não vejo adversário como inimigo”, disse Serra na noite de ontem, ao ser questionado sobre o debate.
O time serrista avalia que o formato do evento ajuda o candidato. No primeiro e terceiro blocos, haverá sorteio dos temas das perguntas a serem feitas. Foram pré-selecionados e divulgados para os candidatos 19 temas. A TV Globo, porém, colocará na urna apenas 12. Isso impede a formulação de perguntas prévias, o que obriga os debates a estarem mais preparados para perguntar de improviso.
Ainda de acordo com a equipe de Serra, a abordagem de temas como escândalo da Receita Federal e o esquema de lobby na Casa Civil não devem ter destaque. Seriam mais adequados se o evento fosse promovido por um jornal, por exemplo, em que o público-alvo fazem parte das faixa A e B. Para equipe de Serra, a velha máxima do marketing “o mais importante é a forma e não o conteúdo” é o que mais valerá.
O marqueteiro João Santana, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o deputado federal Antônio Palocci conversam com Dilma no intervalo do debate
Boatos
Dilma Rousseff também deve manter a estratégia dos outros debates de que participou, ou seja, vai reforçar o discurso sobre as realizações do governo Luiz Inácio Lula da Silva, fazer a comparação com os oito anos do tucano Fernando Henrique Cardoso e reiterar suas propostas para áreas chave, como saúde, educação e segurança.
Além disso, Dilma deve aproveitar a oportunidade para intensificar o discurso de compromisso com valores cristãos e negar que tenha defendido a legalização do aborto. Se for questionada sobre o assunto, Dilma dirá que nunca defendeu o aborto e que os boatos nesse sentido são invenções de simpatizantes da campanha tucana, disseminadas pela internet.
A avaliação da campanha petista é que os boatos sobre o aborto e não as denúncias de corrupção na Casa Civil foram a principal causa das oscilações negativas de Dilma nas últimas semanas. Ontem à noite, o próprio presidente Lula entrou em campo para tentar conter os rumores. No final, a exemplo do que fez nos últimos programas de TV, Dilma deve fazer um apelo à militância para que evite o clima de já ganhou e vá para as ruas no dia da eleição.
“Até o final da semana passada, a campanha estava igual àquele time que está ganhando por dois a zero, relaxa, toma um gol e corre o risco de levar o empate. A militância tem que despertar”, disse um integrante da campanha.
Depois de participar de um encontro com religiosos em Brasília, Dilma reuniu-se com o publicitário João Santana e coordenadores da campanha para definir a estratégia para o debate da Globo, que é considerado decisivo. Ela viajaria ainda na noite de quarta-feira para o Rio de Janeiro e deve passar todo o dia de hoje se preparando para o debate.
Verdes
A orientação da campanha de Marina Silva (PV) é de que a candidata continue pontuando incisivamente as diferenças do projeto dela para o dos principais adversários, Dilma e Serra, como aconteceu no último debate. Atrás nas pesquisas, mas em tendência de alta, a candidata do PV não deve escolher um único adversário.
Ainda assim, o coordenador geral da campanha, João Paulo Capobianco, diz que a candidata não pretende ser agressiva com nenhum dos dois principais adversários. “A nossa avaliação é que conseguimos chegar até aqui com um discurso de coerência e não vamos abandonar o tom propositivo na reta final. Essa foi a diferença que destacou a campanha de Marina até aqui e vamos acentuar isso nesse último debate”, afirmou Capobianco.
Mesmo negando qualquer atitude agressiva, Capobianco não descarta a hipótese de Marina se valer dos últimos escândalos, como a quebra de sigilo e o caso Erenice Guerra durante o embate. A equipe prepara a candidata para responder a eventuais ataques em relação a corrupção no Ibama ou críticas relacionadas a sua conduta pessoal e do seu vice, sócio da Natura.
A análise que predomina na coordenação da campanha é a de que ela também pode se tornar alvo dos adversários, pois seria é o fiel da balança para, eventualmente, levar a disputa ao segundo turno.
“Marina responderá respeitosamente qualquer assunto colocado em pauta no debate. Ela não vai se esquivar de nenhum assunto. A intenção do PV é mostrar a diferença de projetos e do Brasil que queremos no futuro”, argumenta o coordenador da campanha verde.
A transmissão do embate começa às 22h00, após a novela “Passione”.
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Lula garante que Dilma é contra aborto
Ao final do comício na capital sergipana, presidente é abordado sobre o tema quando cumprimentava populares
Ao final do comício desta noite em Aracaju, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu descer do palanque para cumprimentar os populares mais próximos. Abordado por uma eleitora, foi perguntado se a candidata Dilma Rousseff era a favor do aborto.
“Eu posso lhe garantir que ela é contra”, afimou o presidente, acrescentando ainda que nem ele nem a primeira-dama Marisa Letícia indicariam uma pessoa para a condição de candidata a presidente da República que tivesse uma posição favorável.
Antes disso, durante o comício, o presidente foi diversas vezes interrompido em seu discurso por gritos como “Lula, eu te amo” e “Lula, guerreiro do povo brasileiro”. Ao pedir votos para a presidenciável, disse que “Dilma está sendo vítima de uma campanha num mundo subterrâneo da política da forma mais vergonhosa”, acrescentando: “Eu já fui vítima disso e nós conseguimos vencer”.
O presidente também recorreu ao tom maternal que esteve presente em vários momentos da campanha. “Nós não precisamos ser governados. Precisamos ser cuidados, como uma mãe cuida de seus pequenos”, sentenciou.
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Os mágicos cinco pontos que decidem a eleição presidencial
Em 1989, Fernando Collor ficou com 53% dos votos válidos no segundo turno. Fernando Henrique Cardoso ganhou em 1994 com 55% e foi reeleito com 53%. Lula ficou a menos de quatro pontos de ganhar no primeiro turno de 2002 e a menos de dois pontos percentuais da reeleição no primeiro turno de 2006. Agora, os mágicos cinco pontos vão decidir a vitória de Dilma Rousseff em 3 de outubro. Ou vão lhe dar uma passagem para o segundo turno em 31 de outubro contra o adversário do PSDB, José Serra — a menos que haja uma reviravolta nunca vista em relação às tendências de opinião e Marina Silva, do PV, surpreenda todo mundo.
A primeira vista, está aí um país coerentemente dividido, oscilando entre governo e oposição, entre PT e PSDB e sobretudo entre Lula e anti-Lula desde a redemocratização. De fato, nada regeu mais essas duas décadas de política do que a presença de Luiz Inácio Lula da Silva.
A coesão das forças anti-Lula foi elemento estabilizador de dois críticos anos da redemocratização: do processo de impeachment de Collor em setembro de 1992 ao lançamento do Plano Real, em julho de 1994, passando pelo plebiscito, que poderia mudar tanto a República quanto o presidencialismo, e o instável governo Itamar Franco. Se não houve espaço para aventuras golpistas é porque do outro lado havia Lula e seu capital de mais de 40% de votos válidos. Se o Plano Real foi o primeiro a dar certo depois de cinco tentativas anteriores de estabilização, é porque, entre outros motivos, a coesão política e empresarial se fazia necessária para evitar os riscos de uma vitória de Lula naquele ano.
Mas então chegou 2002 e os mágicos cinco pontos mudaram de lado e assim permanecem nessa eleição, sugerindo o mesmo e coerente corte. No anti-lulismo de 2002 e, sobretudo em 2006, houve quem traçasse um país separado entre Norte e Sul (especialmente Nordeste e São Paulo), pobres e ricos, periferia e centro, povo e elite, Bolsa-Família e carteira assinada. Nada mais ilusório.
Os mágicos cinco pontos não têm dono. Eles oscilam, em primeiro lugar, ao sabor de uma onda nacional capitaneada pelo discurso do que representa o novo. Em 1994, o novo era a estabilidade econômica trazida pelo Real. Em 1998, novo era o medo de perdê-la. Em 2002, o novo era a necessidade de redistribuir renda e provar o avanço institucional. A Carta ao Povo Brasileiro foi o símbolo dessa mudança e a clássica frase de Lula, de que “a esperança venceu o medo”, talvez seu diagnóstico.
Cinco pontos mágicos, que representam 10% do eleitorado porque o que soma para um é tirado do outro, são compostos também por pequenas circunstâncias locais. Em 1994, FHC se elegeu perdendo em dois Estados (um deles o Rio Grande do Sul que depois ficaria com Geraldo Alckmin e contra Lula no segundo turno de 2006). Quatro anos depois, a derrota se ampliou para 11 Estados, alguns de eleitorado grande, como Rio de Janeiro e Ceará. Sempre por causas diversas, como a quantidade de aposentados no Rio, após uma reforma previdenciária que taxou aposentadorias e pensões, ou a presença de Ciro Gomes na disputa, levando 34% do Ceará.
Vencendo em todos os Estados, menos em Alagoas, Lula fez 61,2% dos votos válidos do segundo turno contra José Serra em 2002. E perdendo em sete estados, incluindo São Paulo, fez 60,8% dos votos contra Geraldo Alckmin em 2006. A maior vantagem proporcional de Alckmin se deu em Roraima, onde o governo sofria o desgaste de apoiar a Reserva Raposa do Sol, que não dá votos.
A onipresença de Lula (com o seu oposto, o anti-Lula), a instituição do segundo turno e, depois, da reeleição, além da força dos dois principais partidos, PT e PSDB, deram ao Brasil essa face polarizada. Vista de longe, as duas metades são semelhantes como na sobreposição de imagens de gêmeos: social democrata, moderna, urbana, tolerante, democrática. E isso explica em grande parte o avanço institucional dos últimos anos.
Mas vista de perto, no detalhe do que motiva esses 10% do eleitorado a oscilar entre um ou outro lado, ela é mais complexa, dependente de fatores regionais, de lideranças locais, da capacidade de mobilização e convencimento de cada campanha ou candidato. Se houvesse uma regra geral para entender esse eleitorado flutuante, ela não estaria nos candidatos nem nos partidos. Mas no discurso desse “novo” que sempre vence. O Collor de 1989 era o novo da direita, contra nomes como Paulo Maluf ou Aureliano Chaves. E seu discurso representava isso pela proposta de abertura econômica e reforma do Estado. O Lula de 1989 era o novo da esquerda, contra nomes como Leonel Brizola ou partidos como o PCB. E o eleitor dessa velha esquerda foi às urnas na mesma semana em que o Muro de Berlim caiu.
O Brasil colhe agora a maior safra de notícias positivas vividas por uma geração que cresceu ou nasceu na chamada década perdida. O fato de que a eleição de 2010 ainda não esteja totalmente decidida mostra apenas a incerteza do que efetivamente representa o novo a partir do pós-Lula.
Dilma diz que ‘só se fosse louca’ comentaria 2º turno
Em Brasília, candidata petista toma cafezinho ‘na faixa’ com aliados e não circula pelo local para evitar tumulto
Dilma em Brasília
Na entrevista, Dilma comentou a pesquisa Datafolha e disse ser “normal subidas e descidas” nesta fase da eleição, mas fez um apelo à militância: “Não esmorecer, ir para rua e disputar voto a voto. Peço serenidade porque estamos no rumo certo. (..) Manter o nível, não brigar, não ter baixaria. Buscar o voto e não achar jamais que resolvemos as coisas antes da hora”, ponderou.
Pesquisa Datafolha divulgada na madrugada de hoje aponta que a petista não tem mais a garantia de vitória no primeiro turno. Para vencer as eleições já na primeira fase, é necessário ter 50% mais um voto. Dilma disse que até domingo outras pesquisas virão e, por isso, não recomenda “gastar todas emoções” hoje. “Regra do jogo é a seguinte: primeiro tem o primeiro turno. Resolve isso e depois vê: se o primeiro turno vira segundo ou se acaba no primeiro. Ninguém tem como antecipar nada”, afirmou.
Roteiro
Após conceder a coletiva, Dilma tomou café e comeu salgadinhos na lanchonete Tupã acompanha pelo candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, o deputado federal Geraldo Magela e o candidato ao Senado pelo PDT, Cristovam Buarque. Dilma posou para fotógrafos, brincou com uma criança que furou o cerco da campanha e se despediu da militância.
O dono do estabelecimento disse que a campanha escolheu o local , mas não pagou o café. Segundo os funcionários, o café e os salgadinhos foram um “oferecimento” a Dilma.
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Lula e Dilma mostram preocupação com documentos na votação
Presidente faz apelo a militantes para que não se esqueçam de que na hora do voto é preciso o título e mais outra identificação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, manifestaram preocupação quanto à exigência de dois documentos na eleição de domingo. Para Dilma, a exigência significa uma barreira para alguns segmentos do eleitorado.
Questionada se a exigência atrapalha os eleitores de baixa renda menos informados, Dilma respondeu:
“Nós não tememos bem isso. O que achamos é que, quando se criam certas regras, pode-se prejudicar segmentos da população. Um deles são os índios, que têm este problema com a identidade. Quanto menos barreira tiver, desde que se mantenha o controle, não vejo problema”.
Segundo a candidata, a nova regra pode criar problemas para os eleitores. “Acho que pode (criar problemas) e não é só para o eleitor de baixa renda, não. Tanto que o prazo (para tirar segunda via do título de eleitor) foi prorrogado”, disse ela.
Já Lula foi enfático ao pedir, durante comício no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, que o eleitorado não se esqueça de levar além do título um documento com foto.”Não se esqueçam pelo amor de Deus de levar um documento com foto”, afirmou.
No comício, o presidente sugeriu ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), candidato a vice de Dilma, que o Congresso vote no ano que vem uma lei autorizando a confecção de um novo modelo de título de eleitor com foto.
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Vamos acabar com esta história de tucano governando SP, diz Lula
Em comício na capital paulista, presidente centra esforços na tentativa de levar Aloizio Mercadante para o segundo turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante último comício da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo
Em seu último comício na capital paulista antes das eleições, no sambódromo do Anhembi, nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a presidenciável Dilma Rousseff de lado e centrou esforços em defesa do candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante.
Debaixo de chuva, o presidente pediu que os eleitores deem uma oportunidade ao senador, e disse que o Estado de São Paulo tem uma dívida com o seu povo. “Não basta eleger a Dilma. É preciso acabar com esta história de tucano governando São Paulo”, disse Lula, para quem os adversários tucanos “já tiveram a chance deles” no Estado. “Tá na hora de colocar uma estrela para governar este Estado, que é o Estado mais extraordinário do Brasil, que é o Estado de São Paulo.”
Lula centrou o discurso na questão da educação e afirmou que SP tem mais vagas em universidades particulares do que em públicas. Nas contas do petista, 92% dos estudantes no Estado estudam na rede particular de ensino superior. Ele afirmou que apenas 96 mil estudantes têm possibilidade de cursar uma universidade pública – número, segundo ele, menor do que os 136 mil alunos matriculados no Prouni em São Paulo. O tema é uma das principais bandeiras usadas por Mercadante para atacar a gestão tucana no Estado.
O presidente pediu ainda aos eleitores que assistam ao debate desta terça-feira entre os candidatos ao governo de SP na TV Globo, e conclamou os militantes a convencerem seus vizinhos tucanos, ou aqueles “que têm medo do PT”, a compararem o desempenho de Mercadante com o do adversário dele. Lula não citou o ex-governador Geraldo Alckmin, líder em todas as pesquisas de intenção de voto.
Quando falava sobre o sucesso da capitalização da Petrobras, ocorrida semana passada, Lula teve que interromper o discurso, ao emocionar-se com uma faixa, de 20 metros de comprimento por 20 de largura, estendida sobre a plateia com a inscrição: “Valeu, companheiro Lula”. Ao ver a faixa, disse que deveria se conter: “O ego está crescendo, tenho três meses ainda como presidente e ainda tenho muita coisa pra fazer”. Por fim, disse que quem deveria agradecer era ele.
No discurso, Lula disse ainda ter orgulho de ter participado de um momento de radicalização do movimento sindical, nos anos 1970, quando era presidente do sindicato dos metalúrgicos no ABC paulista. O resultado da radicalização, disse Lula, é que hoje, como ele na Presidência, o Brasil tem taxas de desemprego menores do que os de países desenvolvidos, como a Alemanha.
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Se eleito, Tiririca corre o risco de não assumir cargo
Procuradoria Eleitoral investiga se há irregularidade em documentos que mostram a escolaridade do candidato
A candidatura de Francisco Everardo Oliveira Silva, o “Tiririca”, será mantida, de acordo com informações da Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP), pois o procedimento de registro do candidato já foi deferido em 19 de agosto. No entanto, Tiririca pode não assumir o cargo de deputado federal mesmo se vencer as eleições. Isso pode ocorrer caso a Procuradoria constate algo irregular nos documentos que informam a escolaridade do candidato.
Se for comprovado que Tiririca é analfabeto, ele pode ser vetado por inelegibilidade constitucional, conforme artigo 14, parágrafo 4º da Constituição Federal. A Procuradoria informou que está tomando as providências para apurar o caso e vai solicitar o registro de candidatura ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) para examinar o que de fato foi apresentado pela candidato em relação à sua escolaridade.
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Em debate, Indio critica Serra e Palocci leva tombo
Enquanto os principais candidatos à Presidência debatiam em frente às câmeras da TV Record na noite deste domingo, fogo amigo e reclamações davam o tom das conversas nos bastidores. Nos corredores da emissora, nem mesmo o deputado Indio da Costa (DEM-RJ), candidato a vice na chapa presidencial tucana, disfarçou o incômodo com o desempenho do presidenciável José Serra (PSDB). “Não está indo bem”, afirmou Indio, contrariado. “Estão fazendo pesquisa qualitativa. Na hora em que ele fala, dizem: ‘O filho da p…não responde’”, emendou o vice, contrariado.
Alheio às declarações que o aliado dava nos corredores, Serra aproveitava os intervalos para chamar a toda hora o mediador Celso Freitas. Cochichou no ouvido do jornalista pelo menos cinco vezes. Em alguns casos, o tom era de reclamação. O tucano queixou-se, por exemplo, de uma das perguntas feitas por jornalistas da emissora aos candidatos.

O candidato José Serra (PSDB) cumprimenta Dilma Rousseff (PT) na entrada do debate da TV Record
Durante o debate, a petista Dilma Rousseff dava sinais de tensão, não sorria e falava pouco. Mas alguns membros da platéia encarregaram-se de preencher a cota de reclamações dos governistas.
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, por exemplo, irritou-se diante das críticas feitas pelo candidato do PSDB à empresa. Sentado perto do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) – um dos coordenadores da campanha da petista Dilma Rousseff – Gabrielli puxou o petista e cobrou que seja dada uma resposta aos ataques.
Quem mais chamou a atenção, entretanto, foi o coordenador geral da campanha petista, deputado Antonio Palocci (PT-SP). No intervalo do primeiro para o segundo bloco, o ex-ministro da Fazenda tomou um tombo, mas levantou-se rapidamente. Em outro momento, Indio da Costa por pouco não se juntou ao petista. Escorregou e quase caiu enquanto ajeitava o colarinho.
No primeiro intervalo, o vereador Alfredo Sirkis (PV-RJ) e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), comentavam, em tom de ironia, afirmações do candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio.
Passou despercebida, por outro lado, a gafe da presidenciável verde Marina Silva, que trocou o nome do mediador Celso Freitas para Carlos Freitas. A candidata do PV, de qualquer forma, reservou os intervalos para outra tarefa. Achou melhor mudar o visual e tirou a pashmina colorida que vestia sobre o terninho branco na primeira etapa do debate. E aproveitou para colocar os óculos, que não vinha usando até ali.
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Lula abre ofensiva para eleger senadores da base aliada
Presidente age para minimizar os riscos de Dilma Rousseff, se eleita, enfrentar uma oposição forte no Congresso
Na reta final da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal cabo eleitoral de Dilma Rousseff (PT) na disputa presidencial, intensificou esforços para tentar eleger, em 3 de outubro, o maior número de senadores de sua base aliada. Desde o início da campanha eleitoral, Lula vem repetindo a aliados que fará o que for necessário para assegurar a Dilma uma base sólida no Congresso para um eventual governo a partir de 2011.
A ordem é evitar que a petista, se eleita, enfrente as mesmas dificuldades vividas por ele próprio em oito anos de governo. No Senado, Lula acumulou derrotas como a derrubada da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), em 2007. Em seus discursos, Lula faz questão de frisar, sempre que pode, que há, por parte do governo, a preocupação em relação à base de apoio que seu sucessor irá herdar a partir de 2011. “Não podemos deixar a Dilma na mão de senadores como eu fiquei”, afirmou Lula, em comício realizado em Ribeirão Preto (SP), na semana passada.
Como parte da estratégia, o presidente reservou espaço na agenda nas últimas duas semanas para gravar mensagens de apoio a vários postulantes a uma cadeira na Casa. Em São Paulo, por exemplo, ele gravou, no meio da semana, mensagem de apoio conjunta para Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PC do B). Dirigentes petistas avaliam que a presença de Lula na TV minimize as chances de uma surpresa na reta final da campanha. A preocupação, no momento, é com a possibilidade de tucano Aloysio Nunes Ferreira herdar boa parte dos votos do peemedebista Orestes Quércia, que deixou a disputa para tratar um câncer.
Internamente, Lula tem se movimentado para tentar aparar as arestas entre Marta e Netinho – a coordenação petista em São Paulo enfrentou dificuldades, durante todo o período eleitoral, para unir os candidatos em um mesmo evento. Marta optou por um voo solo: contratou seu próprio marqueteiro – Duda Mendonça – e, sempre que pode, evitava fazer corpo-a-corpo ao lado de Netinho.
Lula entrou em campo também em Minas Gerais, onde o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) figura na terceira posição entre os candidatos ao Senado – atrás do ex-governador Aécio Neves (PSDB) e do ex-presidente Itamar Franco (PPS). Assim como fez em São Paulo, o presidente gravou mensagens de apoio para o aliado. “Ele está ajudando bastante, tem consciência de que o Senado será importantíssimo”, afirmou Pimentel.
Além do ex-prefeito, ganharam mensagens exclusivas de Lula candidatos como Marcelo Crivella (PRB) e Lindberg Farias (PT) – empenho que já resultou na queda do opositor Cesar Maia (DEM), então favorito para abocanhar a segunda vaga. Vanessa Grazziotin (PC do B), no Amazonas, Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT), em Pernambuco, também receberam apoio de Lula na TV. Amazonas e Ceará são os Estados pelos quais foram eleitos dois dos mais ferrenhos críticos do presidente Lula: Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).
Atualmente o governo conta com 46 parlamentares na Casa filiados a partidos aliados. O problema, no entanto, são as dissidências dentro das siglas – caso, por exemplo, do senador Pedro Simon (PMDB), um dos mais críticos opositores do governo. Com base em projeções feitas pelo Diap, o departamento intersindical de assessoria parlamentar, devem ser eleitos 38 senadores da base aliada – entre as 54 vagas em disputa.
Via: IG






