Dilma e o aborto: ‘Sou contra; é uma violência contra a mulher’
Candidata se encontra com religiosos em Belo Horizonte e diz ser vítima de ‘campanha clandestina e oculta’
Atrás de um altar montado na capela do Mercado Central de Belo Horizonte, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, se reuniu com lideranças religiosas nesta quinta-feira. Ao conversar com os religiosos, a petista diz ter ouvido uma “voz cristalina” que se distinguiu do que ela chamou de uma “campanha clandestina e oculta” contra a sua candidatura durante o primeiro turno da eleição. A candidata se referia a boatos que circularam na internet e em ambientes religiosos de que ela seria a favor do aborto.
Confusão na entrevista sem o “paliteiro”
“Foi uma conversa que calou fundo no meu coração”, disse Dilma depois do encontro em Belo Horizonte. Mesmo sem ser questionada pelos jornalistas, ela voltou a dizer, como já fez em várias vezes durante a sua campanha, que é contra a prática do aborto. “Eu sou contra porque é uma violência contra a mulher”, afirmou.
Dilma negou rumores de que o programa de governo usado na sua campanha mudaria o enfoque em relação ao aborto. Segundo a petista, não há o que mudar porque o aborto não estava contemplado no texto do programa.
A petista disse também que espera receber todos os votos mineiros, incluindo o chamado “Dilmasia”, que foi uma combinação de votos, feita no primeiro turno, que misturava o nome Dilma com o do tucano Antonio Anastasia (PSDB), que foi reeleito governador em Minas Gerais.
Questionada se já havia feito um segundo contato com Marina Silva, candidata derrotada oo PV à Presidência, para pedir o seu apoio, Dilma respondeu que respeita a senadora e que é contra este tipo de pressão. “A hora certa vai chegar”, afirmou.
Paliteiro
Dilma concedeu a coletiva a jornalistas na capela do Mercado, que só abre aos domingos, mas que foi aberta hoje atendendo a um pedido da campanha. A visita da petista provocou muito tumulto, onde militantes e jornalistas tiveram de se agachar para acompanhar a entrevista coletiva. Dilma, acostumada com a organização da primeira fase da campanha, disse: “Isto é para vocês verem como faz falta o paliteiro (dos microfones). Pela volta do paliteiro!”, afirmou.
No primeiro turno, Dilma foi criticada por parte dos jornalistas que disseram que o uso do “paliteiro” (uma espécie de púlpito com os microfones dos repórteres) era uma demonstração de que a candidata havia subido no salto alto. Para o segundo turno, a campanha da petista não tem usado mais o “paliteiro”.
Acompanharam a petista o ex-candidato ao Senado Fernando Pimentel (PT), o presidente do PT mineiro, Reginaldo Lopes, e o coordenador de sua campanha, José Eduardo Cardozo.
Carreata
Depois do evento em Belo Horizonte, Dilma seguiu para Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital mineira. Lá, percorreu a região central da cidade em carro aberto.
Via: IG
Lula diz que segundo turno é ‘bênção de Deus’
Após evento no Rio, presidente afirmou também que compreenderá se Marina Silva decidir pela neutralidade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o fato de haver segundo turno nas eleições é uma oportunidade para que os eleitores conheçam melhor cada candidato. “É uma bênção de Deus ter a chance de disputar segundo turno”, disse Lula a jornalistas após participar da inauguração das obras de ampliação do centro de pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro.
Lula disse, ainda, que o “povo já deu seu recado no primeiro turno das eleições” ao destinar 67% dos votos para as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV). “Eles querem uma mulher”. Mas ponderou logo em seguida: “Mas sabemos que eleição é igual a mineração, pois só conseguimos saber o resultado depois da apuração”.
Apoio de Marina
Indagado sobre a disputa de seu partido (PT) pelo apoio de Marina Silva no segundo turno das eleições, Lula disse que compreenderá se ela ficar neutra. “Acho que a Marina é uma extraordinária companheira. Tenho carinho por esta pessoa que ficou no meu governo durante dois terços do meu mandato. Compreendi quando ela saiu e vou compreender a decisão dela (…) Talvez ela fique neutra”.
Jogo sujo
Ao responder outra pergunta sobre a prática de jogo sujo durante as eleições, Lula enumerou algumas situações por que passou ao longo das eleições que disputou antes de chegar ao poder. E disse que sempre há um jogo sujo, uma política rasteira, em época eleitoral. “Falavam mal da minha barba, da cor do meu partido (…), que eu queria acabar com as igrejas evangélicas (…) Temos que nos preocupar é com o povo, temos que falar para eles, é com eles que temos de nos importar”.
Lula participou da inauguração de dez novas alas no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio, cujos investimentos foram de R$ 1,2 bilhão.
Durante a solenidade de inauguração das obras, o presidente ressaltou feitos de seu governo nas áreas de educação, de ciência e tecnologia e na economia. Reiterou que em ao final de seus dois mandatos terão sido gerados 15 milhões de empregos – dos quais 2 milhões de vagas em 2010.
Mercado com título de eleitor
Contou que quando chegou ao poder foi alertado por interlocutores que algumas atitudes suas – como trocar o diretor da Agência Nacional do petróleo (ANP) e indicar José Sérgio Gabrielli para a diretoria financeira da Petrobras – poderiam desagradar o mercado. “Eu fiquei me perguntando se esse mercado tinha titulo de eleitor”, disse, bem-humorado.
Lembrou que logo que assumiu começou a fazer política industrial, quebrando a tradição da Petrobras de encomendar plataformas e navios no exterior. No começo da gestão petista, a Petrobras interrompeu licitações em curso para priorizar a indústria nacional. “A pergunta que fazíamos era se valia à pena ganhar cem milhões (de dólares) na importação de plataforma ou ver milhares de trabalhadores desempregados”.
“Se a gente juntar o que é bom de Estado, com o que é bom de mercado, a gente faz uma ótima parceria”, concluiu o presidente.
Via: IG
Campanhas mostram lógica e visual parecidos em início de 2º turno
Dilma e Serra fizeram eventos políticos com aliados em Brasília. Até nos painéis campanhas se parecem
No início do segundo turno, as campanhas de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT ) adotam visuais e lógicas similares e realçam uma pasteurização da política. Os dois presidenciáveis tiveram como primeiro evento público uma reunião de aliados e posaram para fotos sob grandes painéis. Ambos também procuraram se aproximar do eleitorado da terceira colocada Marina Silva (PV), numa tentativa de herdar os votos da candidata verde.
Em evento realizado no hotel Alvorada, Dilma recebeu governadores e congressistas eleitos no primeiro turno. Ao falar com a imprensa, deixou ser fotografada sob um painel com imagens dela ao lado de Lula e o slogan “Para o Brasil Seguir Mudando”, já adotado no primeiro turno. Serra fez algo bem parecido. No Centro de Convenções Brasil 21, sentou-se ao lado de aliados eleitos e não eleitos sob um painel com novo slogan “Serra é + Brasil” em verde.
A cor e o sinal “+” foi uma referência direta à campanha de Marina Silva (PV), cujo slogan era “Sou + Marina”. Como Serra, a candidata permitia a proximidade dos jornalistas para entrevistas. Dilma não. Preferia usar um pequeno púlpito e uma cerca para separá-la dos jornalistas. Esse estilo adotado no primeiro turno acabou abandonado diante das críticas de que era contra a liberdade de imprensa. Agora no segundo turno, aproxima-se dos repórteres.
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, durante encontro com governadores e senadores da base aliada.
Adversários de Dilma frequentemente tem os passos controlados por sua equipe de comunicação e marketing. Isso porque não ela tem experiência em campanhas políticos (esta é a primeira eleição que concorre a um cargo político. Nesta quarta-feira, foi a vez de Serra ser criticado por um dos seus lados pela excessiva participação de marqueteiros em campanha no primeiro turno. A declaração partiu o ex-presidente e senador eleitor Itamar Franco (PPS-MG).
“Vossa excelência é um homem que não precisa tanto dos marqueteiros. Tem sua vida limpa”, disse. “Seja mais Serra do que um marqueteiro. Seja mais o senhor que um marqueteiro. Porque vossa excelência tem uma vida limpa que pode se comparar com quer que seja. Nós não podemos esconder ninguém do nosso lado”, completou Itamar, referindo-se ao fato de Serra não ter usado a imagem da Fernando Henrique Cardoso na propaganda eleitoral.
Dilma também não foi poupada por seus aliados. O PMDB tornou público nesta quarta-feira que não gostou de o partido ter sido omitido da propaganda eleitoral na TV. A reclamação partiu do próprio candidato a vice de Dilma, Michel Temer: “O que o PMDB reclama é não ter aparecido, por exemplo, nos programas de televisão. Eles achavam que se houvesse uma palavra minha chamando os peemedebistas de todo o Brasil, seria útil”.
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Serra diz ser “ambientalista” e que governaria com PMDB
Em sua primeira agenda pública depois do primeiro turno, tucano diz que PMDB tem identidade com seus projetos
Em sua primeira agenda pública depois do primeiro turno, o presidenciável tucano José Serra afirmou acreditar que conseguirá formar uma maioria no Congresso, caso seja eleito. “Estou plenamente confiante de que, se vencedor, terei uma boa maioria para governar o Brasil”. A declaração foi dada em visita a obras da avenida Jacu Pêssego, que ligará a região do ABC paulista ao Rodoanel.
O candidato minimizou o fato de a base aliada do governo Lula ter alcançado a maioria entre os eleitos para a Câmara dos Deputados e também para o Senado. “Isso daí, no Brasil, nunca é assim. Você tem gente dos partidos que têm mais identidade com projetos nossos”, afirmou. Como exemplo, ele citou o PMDB.
Serra afirmou que, quando foi prefeito de São Paulo, conseguiu aprovar projetos importantes mesmo quando teve minoria. Serra disse também que conseguiu aprovar o projeto dos remédios genéricos no Congresso quando ele foi ministro da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso. E que vai construir uma maioria sem fazer troca-troca. “Sempre tive maioria política para governar, no nosso estilo, sem troca-troca, sem loteamento, com a corrupção deixada de lado”, afirmou.
Apoio do PV
Com relação às alianças para o segundo turno das eleições presidenciais, o tucano disse que o PV esteve com o PSDB tanto em seu governo na Prefeitura quanto no governo do Estado de São Paulo. “O PV fez parte do nosso governo e em boa parte do País isso se repete”, afirmou. O candidato voltou a dizer que os projetos do PSDB, em grande parte, coincidem com as idéias do Partido Verde e que ele é um “ambientalista”.
De acordo com Serra, o posicionamento dele sobre a construção da Usina de Belo Monte, no Pará, é a mesma da ex-candidata Marina Silva, do PV. Marina, que durante a maior parte da sua vida política foi filiada ao PT e serviu ao governo Lula no Ministério do Meio Ambiente até 2006, deixou o governo, entre outros motivos, por discordâncias com a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre a usina de Belo Monte.
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Após reunião com Lula, irmãos Viana querem convencer Marina
Amigo e aliado de Marina, o governador eleito do Acre, Tião Viana, conversou com Lula sobre o possível apoio da candidata ao PT
Principal amigo e aliado de Marina, o governador eleito do Acre, Tião Viana (PT), conversou com Lula nesta segunda-feira sobre o possível apoio da candidata verde à presidenciável Dilma Rousseff (PT) no 2° turno e defendeu que os petistas dêem “um tempo” para que Marina analise o quadro político brasileiro antes de iniciar qualquer tratativa de aliança.
Tião Viana
Viana negou que os petistas acrianos tenham sido escalados pelo presidente Lula exclusivamente para pleitear qualquer acordo com Marina, mas admitiu que o atual governador do Acre, Binho Marques, também do PT, já conversou nesta segunda-feira com a candidata verde a respeito do assunto, e que ele mesmo deve falar com ela nesta terça-feira.
“Achamos que é cedo ainda. O melhor é deixar a ‘poeira’ baixar um pouquinho. Deixa ver qual será o entendimento do PV com a Marina. O governador Binho Marques já fez uma ligação pra ela ontem, não sei o que eles conversaram sobre isso. Vamos aguardar agora qual vai ser o momento dela, com ela vai olhar o Brasil no segundo turno”, disse Tião Viana.
O novo governador acriano afirmou que a candidata do PV está muito cansada em virtude da campanha desgastante, que exigiu muito do preparo físico dela nos últimos 90 dias. Mesmo durante a campanha, Marina confessou várias vezes aos repórteres que a acompanhavam que dormia apenas quatro horas por noite e que, às vezes, se sentia muito indisposta.
“Vou conversar com ela nesta terça e agradecer o apoio que ela me deu nessa eleição. Vou dar meu forte abraço a ela e desejar que ela faça a melhor escolha para o Brasil, que no meu entendimento passa pela Dilma para presidir o nosso País”, destacou o novo governador acriano.
Viana conversou com o iG no aeroporto de Rio Branco, momentos depois de desembarcar no Estado após a reunião que participou com presidente Lula nesta segunda-feira. A reunião de emergência foi convocada pelo próprio Lula entre todos os aliados da campanha para traçar a estratégia de segundo turno para Dilma Rousseff.
A ideia de Lula, segundo Viana, é percorrer o Brasil inteiro ao lado de Dilma nesta última fase da campanha. O próprio Acre já é escala certo da campanha petista nesta segunda fase. No primeiro turno, nem Lula nem Dilma estiveram no Estado antes do pleito.
“O presidente disse que quer entregar o Brasil em boas mãos. E o Brasil em boas mãos é Dilma presidente. Aqui no Acre ele vem para fazer uma caminhada e para rever as obras estruturantes que estão sendo feitas no Estado”, afirmou.
Viana acha que Marina levará em consideração suas raízes no Acre antes de tomar qualquer decisão. Basta lembrar que mesmo estando no PV, Marina apoiou a eleição do petista Tião Viana no Estado. O petista foi eleito com uma margem muito estreita de votos e atribui a vitória apertada também à ajuda de Marina, que reforçou o palanque dele na região.
Outro fator é que o marido de Marina, Fabio Vaz ocupa um cargo de secretário no governo acriano de Binho Marques e tem profunda ligação com os petistas. “Marina jamais vai tomar uma decisão sem levar o Acre em consideração. Ela sabe que temos uma difícil missão no Estado e o melhor para o desenvolvimento da nossa região é ter Dilma na presidência”, argumentou Tião Viana no último domingo, minutos após o anúncio de sua vitória em Rio Branco.
Por conta da reunião de emergência convocada pelo presidente Lula em Brasília, Viana nem teve tempo de se congratular de fato com a militância petista em Rio Branco. Após o discurso de vitória, ele seguiu para Brasília e só retornou no fim da noite desta segunda. Ao desembarcar no Estado, o novo governador foi recebido com festa pela militância, que com bandeiras e apitos, saudaram o novo governador no aeroporto.
Ao discursar, Viana convocou os acrianos a elegerem Dilma como missão essencial para que o País “continue no rumo certo”. Apesar do otimismo, a tarefa não vai ser fácil no Estado, visto que José Serra conquistou no Acre sua maior votação proporcional no País, conquistando 52,1% dos votos válidos. Dilma Rousseff e Marina Silva conquistaram, respectivamente, 23,9% e 23,5%.
Além da derrota na eleição presidencial, os petistas amargaram no Estado uma vitória apertada, vencendo a eleição para o governo estadual com apenas 4,5 mil votos de diferença.
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Dilma diz que tem mais proximidades do que diferenças com Marina
Para a petista, a candidata do PV foi o principal fator que levou as eleições para o segundo turno
Durante a primeira entrevista coletiva após a realização do primeiro turno das eleições, a candidata petista Dilma Rousseff disse a jornalistas nesta segunda-feira que a candidata do PV, Marina Silva, foi o principal fator que provocou o segundo turno. Dilma disse que ligou para a candidata do PV para
Entrevista de Dilma Rousseff em Brasília
parabenizá-la pela disputa e campanha qualificada, mas admitiu que perdeu votos para a candidata verde. “Marina faturou e tirou (votos) do meu adversário”, afirmou.
Sobre o apoio de Marina nesta nova fase da campanha, Dilma afirmou que existem mais proximidades do que diferenças entre as duas, mas que a decisão é de “foro íntimo” da candidata verde e ainda não pediu apoio a ela. “Nao acho adequado especular sobre o que alguém va fazer. Hoje liguei para cumprimenta-lá. Em um segundo momento vamos conversar”, afirmou Dilma. O PV, no entanto, não é esperado na base aliada, segundo a candidata do PT.
Dilma disse ainda que a participação do presidente Lula na campanha é sempre bem vinda, mas ele não é “propriamente um remédio”. “Pode ser a solução”, ponderou.
Cercada por governadores e parlamentares aliados, Dilma falou diversas vezes que agradeceu a Deus pelos 47 milhões de votos apurados nas urnas.
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Dilma e Serra reorganizam estratégia para nova etapa da eleição
Dos dois lados, ordem é levantar os pontos fortes que permitirão ampliar a vantagem sobre o adversário
Um dia depois de a corrida presidencial deste ano ser levada ao segundo turno, PT e PSDB correm para reorganizar suas estratégias e traçar os planos para tentar viabilizar uma vitória na nova fase da disputa. Ontem, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda contabilizava os últimos votos, os dois lados já convocavam reuniões das equipes de coordenação, para reformular agendas e definir a linha que será dada às campanhas a partir de agora.
A ordem, tanto na equipe da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) quanto entre aliados do ex-governador José Serra (PSDB), é definir o quanto antes os pontos fortes que podem ajudar a ampliar a vantagem em relação ao adversário. As duas campanhas terão até o próximo dia 31, data da votação do segundo turno, para ganhar fôlego e garantir o resultado nas urnas.
Do lado do PSDB, predomina a preocupação em não repetir erros que custaram as eleições presidenciais de 2002 e 2006. Nos dois casos, o partido conseguiu chegar à segunda etapa, mas perdeu a eleição na reta final. Dentro da legenda, é consenso que o ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB), agora eleito para o Senado, será peça-chave na estratégia.
Assim que começou a se confirmar a ida ao segundo turno, o nome de Aécio, que recusou a vaga de vice na chapa de Serra, voltou a ser citado como possível coordenador da campanha. Houve até quem cogitasse a possibilidade de uma troca de vice, para fortalecer a chapa de Serra.
Secretário geral da Executiva Nacional do PSDB e representante de Aécio na cúpula tucana, o deputado reeleito Rodrigo de Castro (MG) logo investiu na tese de que o mineiro não deve entrar no comando da campanha. O aliado diz preferir vê-lo como uma espécie de cabo eleitoral de luxo de Serra.
Em seu discurso, Serra disse estar com o “coração leve” com resultado da votação deste domingo e ainda parabenizou Marina Silva, candidata à Presidência pelo PV
“Coordenação de campanha é carregar piano. Aguentar reclamação. Não vejo o Aécio num papel desses. Ele tem de pedir voto, fazer um apelo e percorrer o país como um fato novo na campanha do Serra”, afirmou Castro ao iG na noite deste domingo.
Na campanha petista, a ordem é demandar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva um esforço ainda maior para eleger a candidata. Dias antes da eleição, quando começou a crescer a possibilidade de segundo turno, petistas já se queixavam internamente da postura adotada pelo presidente durante a campanha. Avaliavam que Lula exagerou na dose em comícios e discursos, tirando de Dilma o papel de protagonista da campanha.
A presença do presidente, de qualquer forma, continuará marcante nos programas gravados para o horário eleitoral gratuito, sob comando do marqueteiro João Santana. Com o aumento do tempo de televisão de Serra na nova etapa da disputa, o contraponto à ação liderada pelo chefe da comunicação tucana, Luiz González, também deve ganhar importância na nova etapa.
Cabos eleitorais
Campanha de Dilma deve passar por mudanças no que se refere à agenda e mesmo à participação do presidente Lula
Além de contarem com os dois principais cabos eleitorais, Dilma e Serra terão agora à disposição da campanha aliados que venceram as disputas estaduais neste domingo. O time tucano ganhou a chance de exaltar as vitórias de Antonio Anastasia, eleito em Minas Gerais com 62,7% dos votos, e Geraldo Alckmin, que levou a disputa em São Paulo com 50,6%. A conta inclui ainda o governador eleito do Paraná, Beto Richa, que conseguiu se eleger com 52,4% dos votos.
Petistas, por sua vez, comemoram a vitória na Bahia, com os 63,8% dos votos obtidos pelo governador Jaques Wagner, e no Rio Grande do Sul, onde o ex-ministro da Justiça Tarso Genro voltou ao governo com 54,4% dos votos. De quebra, a sigla terá a ajuda do aliado peemedebista Sérgio Cabral, que venceu a disputa pelo governo do Rio de Janeiro com 66% dos votos.
Cofre
Na segunda etapa das campanhas, tucanos tendem a intensificar a busca por recursos, que acabou prejudicada na primeira fase da eleição. Diante do favoritismo de Dilma nas pesquisas de intenção de voto, aliados de Serra queixavam-se recorrentemente nos bastidores da dificuldade de levantar doações. As promessas, diziam, sempre existiram. Mas em muitos casos não se concretizaram.
Na última prestação de contas, entregue à Justiça Eleitoral no início de setembro, tucanos diziam ter arrecadado R$ 26 milhões. Na mesma época, o cofre de Dilma contava R$ 39,5 milhões.
Nos dois casos, entretanto, a verba foi praticamente toda comprometida na primeira etapa da campanha. Nas mesmas declarações, PSDB e PT alegaram ter gasto, respectivamente, R$ 25,2 milhões e R$ 38,9 milhões.
Via: IG
PSDB já pensa na troca do vice de Serra
Índio da Costa e José Serra (Foto: ObritoNews)
É forte no PSDB a pressão para, no segundo turno, o candidato do PSDB, José Serra, substituir o seu vice, deputado Índio da Costa (DEM).
Os tucanos sonham com duas hipóteses. A primeira, considerada mais remota, é Marina Silva (PV). Mas o projeto do senador para 2014 e as rusgas do primeiro turno deixam essa possibilidade mais difícil.
A segunda é voltar a pressionar o senador eleito Aécio Neves (MG). Na avaliação de alguns tucanões Aécio não tem nada a perder agora.
Uma coisa é certa, o comando do PSDB quer a mudança do vice.
O que pode e o que não pode no dia da eleição
- A manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor por partido político, coligação ou candidato, revelada exclusivamente pelo uso de bandeiras, broches e adesivos.
- Aos fiscais dos partidos que participarem dos trabalhos de votação, só é permitido mostrar o nome e a sigla do partido político ou coligação no crachá. É proibido o uso de bonés ou camisetas com propaganda do candidato.
Não Pode
- Até o término do horário de votação, a aglomeração de pessoas usando camisetas, bonés do partido ou instrumentos de propaganda descritos acima, de modo a caracterizar manifestação coletiva, com ou sem utilização de veículos.
- No recinto das seções eleitorais e juntas apuradoras, é proibido aos servidores da Justiça Eleitoral e aos mesários o uso de bonés, camisetas ou objeto que contenha qualquer propaganda de partido político, de coligação ou de candidato.
- O uso, na propaganda eleitoral, de símbolos, frases ou imagens, associadas ou semelhantes às empregadas por órgão de governo, empresa pública ou sociedade de economia mista. Crime punível com detenção de seis meses a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, e multa no valor de R$ 10.641 a R$ 21.282.
Depende
- Bebida alcoólica – A adoção da Lei Seca depende de cada Estado que impede a venda de bebidas alcoólicas. A decisão é comunicada pela Secretaria de Segurança Pública.
Crimes Puníveis
- A seguir, todos são crimes puníveis com detenção de seis meses a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, e multa no valor de R$ 5.320,50 a R$ 15.961,50.
- Alto-falantes e amplificadores de som, comício ou carreata;
- Recrutar eleitores e fazer boca de urna;
- Divulgação de qualquer espécie de propaganda de partidos políticos ou de seus candidatos.
Via: Uol
Clima de incerteza ganha campanhas do PT e do PSDB
Enquanto possibilidade de segundo turno permeia o time de Dilma, tucanos evidenciam clima de tensão por baixo do discurso otimista
Por trás dos discursos e slogans de vitória, as campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) chegam à reta final sem qualquer certeza do resultado que sairá das urnas. Bem que a candidata petista, sua equipe e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentaram mostrar tranquilidade. Mas longe dos holofotes o medo de que uma eleição dada como ganha há duas semanas não se decida neste domingo fica evidente. Do outro lado da disputa, Serra insiste diante das câmeras em se dizer otimista de que irá ao segundo turno. Nos bastidores, entretanto, o clima é de tensão.
Embora Dilma ainda ostente uma vantagem sobre os adversários – ela tem 55% dos votos válidos de acordo com o tracking Vox Populi/Band/iG –, petistas não poupam nem o presidente Lula. Dizem que ele se expôs além do necessário durante a campanha por pura vaidade, e transformou os comícios em que a protagonista deveria ser Dilma em atos de despedida. “Lula é nossa principal arma. Não é para usar a torto e a direito. É para quando precisa. O exagero acabou banalizando a presença dele e colocando Dilma em segundo plano”, reconheceu um cardeal petista.
Do lado tucano, o clima nos dias que antecedem a ida às urnas é o de que qualquer erro bobo ou notícia negativa pode resultar numa perda de votos que podem fazer falta. Por isso Serra optou por ficar em seu Estado, São Paulo, apesar de ter recebido um convite do ex-governador mineiro e candidato ao Senado Aécio Neves para uma última visita a Minas Gerais nesta sexta-feira.
Na hora de definir a agenda, prevaleceu a escolha por um “Cadeiraço pela acessibilidade no Brasil”, na capital paulista, e uma visita a Suzano, município que fica a 34 km de São Paulo. A agenda segura em solo paulista contrasta com o resto da campanha. Serra foi o candidato ao Planalto que mais viajou pelo País na disputa eleitoral deste ano.
O debate da TV Globo, organizado na noite de quinta-feira, deixou evidentes as preocupações que guiam as duas campanhas. Enquanto Dilma procurava se colocar na defensiva diante do risco de ataques, Serra evitava o confronto. O clima pós-debate era de zero a zero. No entanto, Dilma pareceu mais à vontade diante das perguntas de jornalistas e só interrompeu a coletiva a pedido de sua assessoria.
Dos tucanos que estiveram presentes no encontro, só o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, acompanhou Serra na entrevista coletiva. Aécio saiu pela área especial, mas não deixou de falar com os jornalistas que o procuram. “Só dá para saber se haverá segundo turno no domingo”, resumiu. Guerra tentou se mostrar mais confiante: “Está garantido no segundo turno”. No entanto, falou que o PSDB sofrerá mudanças após as eleições e que Aécio deve ser conduzido ao comando da sigla.
Alerta
No caso do PT, o avanço da senadora Marina Silva (PV-AC) nas pesquisas, somado aos rumores acusando Dilma de ser favorável ao aborto, colocou a equipe petista em estado de alerta. A tensão se amplificou a tal ponto que o PT decidiu instalar na última hora uma central antiboataria em sua sede em São Paulo. Ali, dirigentes do partido identificavam e apuravam rumores do que poderia ser a tal “bala de prata”, denúncia que pulverizaria a candidatura na véspera da eleição sem que houvesse tempo para resposta.
As lembranças de Miriam Cordeiro dizendo para todo o Brasil, em 1989, no programa de Fernando Collor, que Lula tentou obrigá-la a fazer um aborto da filha Luriam tiraram o sono dos petistas. “Temos que estar preparados para tudo. Se colocaram até camiseta do PT em sequestrador chileno (do empresário Abílio Diniz, também em 89) são capazes de qualquer coisa”, disse um dirigente do PT.
Fato Marina
Ao mesmo tempo em que acendeu no PT a preocupação quanto a um segundo turno, Marina transformou-se na grande aposta do PSDB na reta final. Relatório que circula dentro da campanha credita à “onda verde” a possibilidade de segundo turno. O documento foi produzido pelo consultor Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise, que é prestigiado por tucanos. Serra, porém, não gosta de Almeida.
O consultor compara o quadro de 2010 com o de 2002, quando houve segundo turno entre Serra e Luiz Inácio Lula da Silva: “Nas eleições presidenciais anteriores, quando houve um candidato semelhante a Marina, isto é, uma terceira força que disputa pela primeira vez uma eleição presidencial, que foram exatamente os casos de Ciro em 1998 e Garotinho em 2002, eles ficaram com aproximadamente 12% dos votos. Por isso nós fizemos a previsão que a Marina ficaria em torno disso o que resultaria em uma eleição de um turno só. Com o crescimento inesperado de Marina a eleição caminha para o segundo turno”, escreve Almeida.
Contudo, em outro trecho, o próprio Almeida pontua que a possibilidade de vitória de Dilma no primeiro turno não está totalmente descartada: “Ainda há uma certa dúvida em função de outras pesquisas face a face que mostram a Dilma com uma margem suficiente para vencer no primeiro turno mesmo que ela esteja superestimada. No Datafolha ela aparece com 51% dos votos válidos, o que eu acho que significa eleição em dois turnos. Se ela aparecer no Ibope com 54% de válidos aí teríamos a eleição em um só turno”.
Via: IG







