Murici – Apenas 15 dias após abrir seu primeiro negócio, o alagoano Eudes Roselino dos Santos, de 31 anos, viu a enchente levar todo o equipamento que adquiriu para a lan house recém-inaugurada em Murici (AL). A chuva destruiu nove computadores, três aparelhos de televisão e três videogames. O investimento, que passou de R$ 50 mil, se dissolveu na enxurrada. Localizada a 60 quilômetros da capital Maceió, Murici é uma das 19 cidades atingidas pela enchente, que devastou parte do estado em meados de junho. A chuva deixou mais de 69 mil alagoanos desabrigados. Em Pernambuco, foram atingidos 80 mil moradores de 39 cidades.
Para ajudar empreendedores como Eudes a reerguer seus negócios, o Sebrae implementou o SOS Empresas nos dois estados. Desde o inÃcio do mês, técnicos da instituição percorrem as cidades para levantar o número de empresas atingidas e fazer um inventário das perdas. A partir daÃ, o Sebrae vai quantificar o volume necessário para restabelecer essas empresas. “No primeiro momento, o resgate foi de sobrevivência, de salvamento de vÃtimas. Agora o resgate deve ser da cidadania e isso passa pelo apoio aos empresários que perderam tudo. É preciso dar ocupação a essas pessoasâ€, afirma a assessora da Presidência do Sebrae, Raissa Rossiter, responsável pelo projeto.
A estimativa é de que, assim como Eudes, mais de 3 mil empresários tenham perdido seus negócios em Alagoas. Em Pernambuco, a previsão é que outros 15 mil empreendedores tenham sido prejudicados. Somente em Alagoas o prejuÃzo deve passar de R$ 120 milhões em perdas de máquinas e equipamentos, de matéria-prima e da própria estrutura fÃsica das empresas. Os técnicos do Sebrae em Pernambuco ainda estão levantando as perdas dos empresários.
Centro de Atendimento Empresarial
Em cada uma das 19 cidades de Alagoas será montado um Centro de Atendimento Empresarial (CAE) para atender os empresários. Em Pernambuco, as cinco cidades mais atingidas já contam com um centro e as outras 32 receberão um CAE itinerante. Os técnicos do Sebrae vão ajudar as vÃtimas a elaborar um projeto de crédito e de negócios. Esse projeto vai atender empresas formais e informais, que chegam a 70% do total, de acordo com estimativa da instituição. A idéia é auxiliar os empresários a aplicar os recursos que serão utilizados para reiniciar os negócios. “O dinheiro precisa chegar a esses empresários. E nós vamos ajudar na reorganização e acompanhar para saber se eles vão conseguir sobreviver com as dÃvidasâ€, afirma a diretora-técnica do Sebrae em Alagoas, Renata Fonseca.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) disponibilizou R$ 1 bilhão para que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o Banco do Nordeste emprestem com condições diferenciadas para os empreendedores dos dois estados, com taxas e prazos de financiamento melhores que os de outras linhas de financiamento. Para facilitar o acesso ao crédito, o Sebrae propôs aos três bancos que isentem o empreendedor de apresentar a declaração de imposto de renda da pessoa jurÃdica do ano anterior e a de faturamento.
A instituição defende ainda que seja implementada alguma ação para atender os informais, como no caso de Eudes, que ainda não tinha regularizado sua empresa. Para reerguer as paredes e comprar todo o equipamento, ele estima que sejam necessários mais de R$ 50 mil. “Preciso de um empréstimo para montar a empresa de novo. Aà sim, quero me formalizar e tocar meu negócio e minha vidaâ€, conta.
Os CAE serão montados nas estruturas das prefeituras. Em cada um deles haverá dois funcionários do Sebrae para tirar dúvidas. Em muitos haverá ainda agentes financeiros dos bancos públicos. “Não vamos só elaborar um projeto de crédito e ir embora. Iremos ajudar esses empreendedores a começar da forma mais adequada, a usar tecnologia e soluções oferecidas pelo Sebraeâ€, afirma a gerente de PolÃticas Públicas do Sebrae em Alagoas, Izabel Vasconcelos, responsável pelo projeto. “Precisamos ainda garantir que vão aplicar corretamente o dinheiro. Não podem pegar o financiamento e comprar bens para a casa, por exemplo. Têm que aplicar na empresa para terem retorno no futuroâ€, completa.
Dezenove cidades foram atingidas em Alagoas
Em Alagoas, o Sebrae articula ainda outros benefÃcios em âmbito local. Das 19 cidades, 15 estão em estado de calamidade pública e quatro, em emergência. Entre as medidas apoiadas pela instituição destaca-se a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para os produtos comercializados por estas empresas até o fim de 2010. O projeto aguarda votação na Câmara Legislativa. O Sebrae no estado ainda articula com os prefeitos de 12 das 19 cidades que ainda não aprovaram a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas para que a regulamentem
Mais de 80 mil desabrigados em Pernambuco
Das 39 cidades atingidas em Pernambuco, 12 estão em estado de calamidade pública e 27, em emergência. Nas 12 cidades em situação mais grave, a estimativa do Sebrae no estado é que 3 mil empresários tenham perdido praticamente todos os bens. Eles são prioridade no atendimento da instituição, que ainda não terminou o levantamento das perdas. “Estamos aplicando questionários para levantar todo o volume de perdas desses empreendedores. Ao todo, 15 mil empreendedores, entre urbanos e rurais, serão entrevistadosâ€, afirma a gestora do projeto no estado, Ana Cláudia Arruda.
Serviço:
Agência Sebrae de NotÃcias – (61) 2107-9110 e 2107-9106
Sebrae em Pernambuco – (81) 2101.8499
Sebrae em Alagoas – (82) 4009-1660
Fonte: Agência SEBRAE de NotÃcias



