Entendido como a participação organizada da sociedade, o associativismo pode dar ao trabalhador e à trabalhadora uma visão de negócio que ele e ela não compreendiam. É isso o que está ocorrendo na comunidade rural Taboquinha, em Arapiraca. Lá, um grupo de 21 mulheres se organizou, passou por capacitação e está vendendo bolos e doces ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Por conta disso, nesta sexta-feira (4) elas recebem a visita de um outro grupo de mulheres, também agricultoras, que estão passando por uma capacitação sobre polÃticas públicas e organização social. Esse grupo é formado por 28 mulheres de Alagoas, Pernambuco, Bahia e Sergipe, que participam de um curso promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
A capacitação é divida em três módulos, e o segundo está sendo realizado em Maceió desde o dia 1º de dezembro, com encerramento nesta sexta-feira, durante visita à comunidade Taboquinha. “É lá que haverá o intercâmbio; e Taboquinha foi escolhida porque já tem um nÃvel de organização muito elevado, elas vendem para o PAA, estão bem organizadasâ€, comenta Analine Specht, da Assessoria Especial de Gênero, Raça e Etnia do MDA.
O empreendedorismo das mulheres de Taboquinha começou a partir do acompanhamento de técnicos extensionistas da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri). Elas se interessaram em produzir bolos e doces. Depois disso, foram capacitadas em associativismo. Agora, elas vendem a produção para o PAA Compra Direta Local da Agricultura Familiar.
Cada uma das 21 participantes pode vender ao programa até o limite semestral de R$ 3.500. “É renda garantida no final do mês e melhoria das condições de vidaâ€, explica a extensionista social da Seagri, Valdenice dos Santos. Ela e o técnico agrÃcola Elielton Amaral, da gerência da Seagri em Arapiraca, acompanham o grupo e fornecem orientações sobre produção, comercialização e associativismo.
“Organização é uma questão educativa e processual, ela acontece a longo prazoâ€, revela Valdenice. Para o engenheiro agrônomo José Chaves, gerente regional da Seagri, a organização desse grupo de agricultoras serve de exemplo para todo o Estado. “Isso acontece também porque o técnico vive a realidade da comunidade, desenvolve um trabalho pioneiroâ€, afirma Chaves.
Entre os produtos comercializados com o PAA, estão broas, bolo de milho, bolo de macaxeira, bolo de massa puba, bolo de coco e de mamão. “Tudo é feito com produtos da agricultura familiar da própria regiãoâ€, salienta a extensionista Valdenice dos Santos.
Assim como ocorre com as outras modalidades do PAA, os produtos adquiridos são doados para escolas, creches, hospitais e entidades sociais.


