Imprimir Este Artigo
-
Enviar para um amigo
Como forma de acompanhamento prévio da visita que uma comissão de vereadores da Câmara Municipal de Maceió irá realizar, na manhã dessa sexta-feira (21), à Escola de Educação Profissional e Tecnológica de Maceió Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a assessoria de imprensa do Poder Legislativo municipal esteve na unidade educacional para registrar imagens do lugar, no sentido de mostrar o descaso do poder público estadual com a referida escola profissionalizante.
Localizada no Conjunto Colina dos Eucaliptos, no Tabuleiro dos Martins, a realidade da unidade de ensino, apesar de muitos reclames da população que mora no local e nas regiões circunvizinhas, ainda é a mesma de quando ficou pronta, há dois anos: total abandono.
Acompanhada dos lÃderes comunitários, Eliane Prefeita, Fábio Lima e Carlos Vitor, que há muito vêm lutando pela ativação da escola, a equipe de comunicação da Câmara de Maceió registrou imagens e ouviu depoimentos que deveria comover qualquer gestor público.
“Tenho filhos em idade produtiva, mas que ainda não têm um emprego por falta de preparação profissional. Moro aqui em frente a esta escola e imagino o quanto ela poderia ajudar na formação dos meus filhos e de outros jovens por aÃ. Toda esta estrutura foi feita com recursos públicos, do nosso bolso, e não temos o direito sequer de vê-la funcionando†– disse o comerciante de 54 anos, Eduardo Camelo de Lima.
O que dizem as lideranças comunitárias
A lÃder comunitária do Clima Bom, Eliane Prefeita, explicou que desde 2009 as obras da unidade de ensino ficaram prontas. “Já vão completar dois anos que esta escola foi concluÃda, mas nunca ninguém usufruiu de seus serviços. É um verdadeiro elefante branco, que só serviu para enriquecer os bolsos de quem mais tem. Enquanto isto, na localidade onde moro, todos os dias vejo jovens envolvidos com atividades ilÃcitas, quando na realidade poderiam estar se preparando, aqui, para ter seu primeiro emprego†– destacou.
Já Fábio Lima, lÃder da comunidade do Osman Loureiro, explicou que todo ano as lideranças se reúnem para entregar um ofÃcio para o secretário estadual da educação, pedindo solução para a problemática. “Em agosto entregamos um ofÃcio pedindo uma audiência com o secretário Adriano Soares, mas até agora não tivemos uma respostaâ€, disse Lima, sendo emendado pelo lÃder comunitário do Tabuleiro dos Martins, Carlos Vitor. “Já se passaram dois anos e de lá para cá, mais de mil jovens poderiam já ter se qualificado profissionalmente.
São mil jovens, quem sabe os mesmos mil que morreram e foram assassinados devido ao envolvimento com as drogas, por falta de oportunidade de uma educação de qualidadeâ€- completou Vitor.
Como tudo começou
Toda esta discussão em torno da Escola de Educação Profissional e Tecnológica de Maceió Aurélio Buarque de Holanda Ferreira se iniciou após o vereador e atual presidente da Câmara Municipal de Maceió, Galba Novaes (PRB), ter levantado o tema. “Descobri esta escola por acaso há quase dois anos. Costumo fazer trilha na região do Tabuleiro e em uma destas ocasiões me deparei com o prédio e resolvi entrar. Fiquei pasmo ao ver toda esta estrutura de primeiro mundo ser inutilizada. Nós, enquanto legisladores, não podemos permitir que esta situação prossiga†– destacou.
Galba Novaes ainda explicou que em agosto de 2009 o parlamentar enviou ao Procurador Geral de Justiça de Alagoas, Eduardo Tavares, um ofÃcio cobrando do Ministério Público Estadual providências a respeito do não funcionamento da unidade de ensino. “Pedimos que o MPE provocasse a Secretaria Estadual de Educação para que fossem tomadas providências quanto ao caso, afinal, a escola profissionalizante custou aos cofres públicos cerca de dois milhões de reais e, no entanto, nunca teve as portas abertas para que os jovens sejam capacitados. Minha luta já dura dois anos, mas eu não vou desistir até ver o centro profissionalizante funcionando. Espero que esta visita que vamos fazer finalmente nos traga resultados positivos†– explicou Novaes.
Visita prévia
Ao chegar ao prédio do centro de formação profissional, a reportagem da assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Maceió se deparou com uma cena triste: uma grande estrutura abandonada, ocupada apenas por dois cachorros e um vigilante que, de inÃcio, se recusou a receber a imprensa, por medo de sofrer represálias por parte da empresa que trabalha e que presta serviço ao governo: a Vigal.
Só após a imprensa se comprometer que não iria fotografar o vigilante nem divulgar seu nome como também o dia e horário em que a reportagem foi realizada, então foi possÃvel entrar no prédio para registrar imagens. Segundo o relato do segurança do local, há poucos dias, criminosos entraram na escola, renderam o segurança de plantão e roubaram os computadores que deveriam oferecer cursos de informática para os jovens. “Eles entraram aqui, com a farda da Vivo, dizendo que iriam fazer uma limpeza no local. Já no interior do prédio, eles espancaram o segurança e levaram cerca de dez computadores†– relatou o vigilante.
Dentro do centro profissionalizante, salas com estrutura de mármore, pisos em porcelanato, ar-condicionado em todas as salas, banheiros estruturados para deficientes fÃsicos e amplo refeitório. Uma verdadeira escola fantasma, tomada pela vegetação que insiste em esconder o prédio, mesmo com a manutenção escassa, realizada pelos próprios vigilantes. “Vez ou outra vem alguém da Secretaria de Educação dizer que vai ativar a escola, então a gente limpa os matos, que quase cobrem tudo, mas ninguém vem. São apenas promessas e a gente fica triste, pois temos filhos e gostarÃamos muito de poder contar com este centro para a educação profissional deles. Neste Estado, pobre nunca tem vez†– finalizou o segurança.
Comente Agora