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Brasileiros procuram diploma na Ãfrica

09/03/2010 - 7:18 - G1
Arquivo pessoal
Brasileiros procuram diploma na Ãfrica
Cynthia Ruch na comunidade Gugulethu, na Cidade do Cabo

Quando resolveu fazer um curso de inglês no exterior, a administradora de empresas Cynthia Ruth, de 26 anos, não teve dúvidas de que iria para Ãfrica do Sul. Além de ser um destino bastante atraente financeiramente – um real vale cerca de quatro rands -, de ter o apelo da Copa do Mundo, pesou também o fato de “a Ãfrica do Sul ser um lugar exóticoâ€, segundo ela. Os mesmos motivos têm seduzido um número crescente de brasileiros, que em geral vão para a Cidade do Cabo, onde estão concentradas a maioria dos cursos de idiomas e as melhores universidades.

Ainda assim, a quantidade de brasileiros que procuram o país para estudar é pequena se comparada a outros destinos como Austrália, Estados Unidos e Europa. Na Universidade da Cidade do Cabo, por exemplo, do total de 4,5 mil alunos, estudam apenas 18 brasileiros.

Foto: Arquivo pessoal

A brasileira Cynthia Ruch no topo da Table Mountain (Foto: Arquivo pessoal )

“Com toda a divulgação em torno da Copa, a procura aumentou, mas ainda não é grande para cursos de seis meses como o meu. A maioria vem fazer turismo e acaba emendando um curso de inglês de um ou dois meses”, explica a administradora paulista.

No universo acadêmico a Ãfrica do Sul ainda não despontou na preferência dos brasileiros. Há poucos estudantes fazendo pós-graduação ou pesquisa, e uma quantidade ainda menor nos cursos de graduação.

De acordo com o gaúcho Fernando Beltrami, que faz seu mestrado em Ciências do Esporte na Universidade da Cidade do Cabo – a melhor do país e ranqueada entre as 300 melhores do mundo – falta conhecimento e sobra preconceito por parte dos brasileiros.

“Acho que o máximo de brasileiros aqui na universidade foram três, dificilmente passa disso”, conta o estudante que é formado em Educação Física. “Em qualquer universidade americana ou inglesa chovem brasileiros querendo se jogar lá dentro, mas ir para uma africana soa até como piada para os mais desinformados.”

No país desde janeiro do ano passado, ele próprio admite ter vindo para a Ãfrica do Sul mais porque o lugar lhe abriu portas do que por algum interesse acadêmico específico. Mas disse que se surpreendeu com o que encontrou.

“As universidades aqui são referência em várias áreas como medicina, ciências sociais e fisiologia do exercício, que é o que estudo”, destaca Beltrami. “Boa parte desta excelência é herança do Apartheid, quando muitos brancos sul-africanos estudaram em universidades inglesas ou americanas e trouxeram o conhecimento para cá.”

Ciências sociais é campo promissor no país
Na área médica, a Ãfrica do Sul foi o primeiro país a realizar um transplante de coração em humanos, em 1967, pelo cirurgião Chistiaan Barnard. O curso de turismo também é muito forte, já que o setor representa a segunda maior indústria nacional, depois da mineração.

Outro campo que vem ganhando importância é o de ciências sociais. O que se justifica pelo fato de a Ãfrica do Sul ser um país complexo, que há menos de 20 anos deu fim ao Apartheid, e por isso com muitas questões sociais e raciais a serem discutidas.
Foi exatamente isso que atraiu o doutorando Gustavo Gomes, cuja pesquisa busca comparar o reconhecimento legal da união civil de pessoas do mesmo sexo na Ãfrica do Sul e no Brasil. Segundo ele, o país africano é o único do hemisfério sul a ter uma lei nacional que reconhece o casamento entre homossexuais.

Foto: Arquivo pessoal

O brasileiro Gustavo Gomes em numa feira livre da Cidade do Cabo (Foto: Arquivo pessoal)

“É um país bom para pensar; repleto de contradições e curiosidades ainda pouco exploradas. Por exemplo, é um lugar super preconceituoso, mas que ao mesmo tempo tem uma lei que protege a união dos homossexuais. É um lugar fascinante para se fazer pesquisas, eu recomendo”, elogia o paulista.

Segundo Gustavo, o país tem bibliotecas e arquivos bastante organizados, o que facilita o trabalho do pesquisador. Outras vantagens são as facilidades de ter o currículo brasileiro reconhecido pelas universidades sul-africanas e para tirar o visto de estudante.

“Isso sem falar da hospitalidade do povo sul-africano. Fui muito bem recebido e amparado”, completa.

Ãfrica do Sul tem graduação em Gênero
As universidades sul-africanas também dão bastante destaque ao estudo da relação entre homens e mulheres. A Universidade da Cidade do Cabo oferece uma graduação em Gênero. O campo é importante porque culturas de diversas etnias estão centradas na figura masculina. No povo zulu, por exemplo, apenas os homens podem ser polígamos.

Outra graduação curiosa é em Desenvolvimento Social, que estuda a gestão de Ongs e mecanismos de política social. Há também o curso em Orçamento de Engenharia, em que o universitário se especializa em calcular o custo e a qualidade dos materiais usados na construção civil.

Apesar da variedade de opções, quem quiser fazer um curso de inglês ou graduação na Ãfrica do Sul deve esperar a Copa terminar, porque os preços, principalmente do aluguel de quartos e residências estudantis, estão subindo por causa do Mundial.

- Eu não estarei aqui durante a Copa, mas já estou pagando o preço por ela. Moro perto do estádio Green Point e já fui avisada que o aluguel vai aumentar. Se não fosse por isso, poderia até ficar mais tempo – reclama Cynthia.

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