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Regina Duarte mostra seu anjo da guarda

01/03/2010 - 7:05 - G1
O Fuxico
Regina Duarte mostra seu anjo da guarda

Toda história de vida daria uma novela. Tem drama, romance, comédia, suspense e vários encontros marcantes. E a história de hoje daria uma novela das boas. A gente vai conhecer o Anjo da Guarda de uma atriz que todo o Brasil admira já faz tempo: Regina Duarte.

A primeira coisa que Regina queria ser na vida era um menino. Ela adorava brincar com os garotos. Regina acreditava que se passasse por debaixo de um arco-íris o seu desejo seria atendido e ela trocaria de sexo.

“Eu lembro quando fiz 15 anos. Minha mãe me ajudou a maquiar para a nossa comemoração caseira dos meus 15 anos. Eu me olhei no espelho e disse: “Nossa, é legal ser mulher…â€, conta Regina.

Regina virou uma adolescente muito bonita e descobriu como era bom ser mulher. Mais do que isso! Descobriu como era bom ser atriz. E o seu primeiro papel foi o de palhaço no Auto da Compadecida de Ariano Suassuna.

“Eu já era atriz amadora, e viemos pra São Paulo pra saber o que tinha que fazer pra fazer publicidade. Meu pai foi perguntar isso numa agência de publicidade que ele encontrou nas páginas amarelas da lista telefônicaâ€, lembra Regina.

O fotógrafo deu uma boa olhada na Regina. Gostou do rosto dela, pegou a sua máquina fotográfica e fez as fotos ali mesmo, na rua. Uma semana depois das fotos, Regina recebe um telefonema que começa a mudar a vida dela.

“Olha aqui é o do estúdio tal e você foi escolhida pra fazer uma campanha publicitáriaâ€, diz Regina.

A partir daí, Regina Duarte nunca mais parou. Foi um trabalho atrás do outro. Até que em um belo dia a nossa mocinha tem o seu primeiro encontro com o anjo da guarda dela.

O Anjo da Regina Duarte é o Eriberto Monteiro, pai do Eriberto Leão e marido da dona Telma. Enquanto Regina estrelava várias novelas de grande sucesso, Eriberto tinha o seu primeiro emprego como office-boy, se formava em economia, conhecia, namorava e casava com a Telma, tinha filhos e se tornava um consultor de economia de cantores, jogadores de futebol e artistas.

Regina tinha sido convidada pra fazer “O Cangaceiro Trapalhãoâ€. O encontro aconteceu nos escritórios da produtora do Renato Aragão.

“Eu fui até o escritório dele no Jardim Botânico para discutir cláusula de contrato. O Daniel Filho era o diretor do filmeâ€, conta Regina.

“E o Daniel entra com uma pessoa, pessoa meio baixinha. E o Renato Aragão vira pra mim e pergunta se eu conhecia a Regininha. Não dei bolaâ€, lembra Eriberto. “Lógico que assim que ela saiu da sala e aí eu já me dei conta que eu estava conhecendo a Regina Duarte e veio realmente à minha mente um trabalho que ela tinha feito em Selva de Pedra. E uma das cenas que realmente me marcou foi uma cena que eu acho que ela rola com o carro ou acidente, e o carro cai na ribanceira e explode. Ela já era a Namoradinha do Brasil, já feito tinha grandes personagens, inclusive Malu Mulherâ€.

Como em toda boa novela, o destino ia dar uma força no próximo encontro entre Regina e Eriberto.

“E em 1984, ela me procurou porque queria ver se eu não podia dar uma ajuda para ela para discutir um contrato com a TV Globo, que era um contrato pra ela fazer a novela Roque Santeiroâ€, conta Eriberto.

Eriberto entra definitivamente na vida de Regina Duarte e em menos de uma semana ela assina o seu novo contrato com a TV Globo. Com o contrato assinado, Regina Duarte voltava a ser protagonista da novela das 8 em um dos melhores papéis da sua vida: a viúva Porcina. Uma nordestina bem arretada. Bem parecida com a Telma, a mulher do Eriberto. Então, por que não apresentar as duas! Podia dar boa coisa…

“Quando Eriberto sugeriu sobre a Regina ter contato comigo para falar por causa do sotaque de nordeste, eu achei engraçado, porque eu achava que eu não tinha mais. ‘Eu já falo como paulista’, eu achavaâ€, lembra Telma.

Depois do enorme sucesso de Roque Santeiro, Regina fez outra grande novela: Vale Tudo, de Gilberto Braga.

“Eu acho que a novela fez uma síntese do país num momento em que o país tava precisando se ver. E ainda vinha com aquela música do Cazuza. ‘Brasil mostra a tua cara’â€, comenta Regina.

“E eu vi que ela ia fazer uma filha de um sucateiro. E eu tinha um fornecedor que havia começado vendendo ferro velho na rua e essa pessoa virou um dos maiores industriais na venda de aço no Brasil. Então pela segunda vez eu ajudei um pouco a Regina no laboratório artístico”, afirma Eriberto.

“Então vem a novela Por Amor, e aí também tem uma outra parte interessante desta novela que ela vem fazendo o trabalho também com a Gabriela Duarte. E no final dessa novela tem uma cena super emocionante: a mãe troca o filho da filha, e no final tem essa revelação, até hoje me deixa emocionado”, confessa Eriberto.

“Se eu assistir essa cena agora, eu choro mais uma vezâ€, revela Regina.

A relação profissional virou uma bela amizade. E não é pouco tempo, não. São 27 anos juntos.

“Eu guardo grandes e boas lembranças dessa fase toda nossa de trabalho, de vida, de lazer, de diversão, de famíliaâ€, diz Eriberto.

Tudo ia muito bem. Até que o Eriberto surpreendeu a Regina mais uma vez.

“Liguei para a dona Regina Duarte e contei que ia me aposentarâ€, lembra Eriberto. “Ela disse: ‘O que? Roberto Marinho na tua idade fundou a Globo!’.

“O artista é um vendedor de ilusão e às vezes ele pode iludir a si próprio. Eu acho que ensinei a Regina a encarar um pouco mais a realidadeâ€, diz Eriberto.

“A gente já viveu coisas muito fortes e muito bonitas. Com ele eu me sinto tão à vontade, com ele eu sinto que eu posso ser eu. Pra mim anjo é isso, me ensina, me esclarece e me deixa livre pra fazer minhas opçõesâ€, completa Regina.

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