A polarização eleitoral em Alagoas, nos dias que restam da campanha, ocorre também entre o prefeito de Maceió, Cícero Almeida, e o senador Renan Calheiros.
Como nenhum dos dois quer perder a eleição, o bonde e o trem VLT, todas as fichas são jogadas. Renan tem respaldo do Palácio do Planalto para o qual a vitória de Ronaldo Lessa é questão de honra e por isto mesmo são mobilizadas forças-tarefas em várias frentes.
Cícero Almeida, com as pesquisas favorecendo Teotonio Vilela, – embora muita água poluída ainda corra sob a ponte do Salgadinho, – sabe que sua sobrevivência política está agora nas mãos do governador do PSDB para apresentá-lo como seu candidato à sucessão de 2014.
Esquerda vítima de tsunami
Katia Born, Heloísa Helena, Regis Cavalcante, Paulão, Jurandir Bóia, Eduardo Bomfim – uns mais situados como suplentes, outros nem tanto, – foram colhidos pelo tsunami que atacou as urnas e as esquerdas alagoanas.
O tema é palpitante e merece análises aprofundadas. Os partidos de esquerda não se renovaram ou o eleitor de Alagoas, que jamais saiu do sistema feudal do voto de cabresto, aplicou um providencial “chega pra lá” contra quem não comprou votos?
Show de horror na propaganda
É preciso insistir na mudança da lei eleitoral para mudar a propaganda política. Os congressos e assembléias eleitos, em todo o país, deverão cuidar do assunto, para que não tenhamos que amargar ainda a enxurrada de agressões dos piores “espetáculos” exibidos no rádio e na TV.
Por que o que é proibido, na propaganda comercial,- por questões de ética e de estética, – é permitido às escâncaras, na propaganda política-eleitoral?
Magistratura: “presente do papai”
Quando concorri – e fui aprovado, na primeira fase – para Juiz de Direito de Alagoas, ao final, quando fui reprovado, na parte prática, por falta insignificante de pontos, ouvi de um candidato “aprovado” – ao descermos a escada de um edifício – que “aquela sua “aprovação” fora um “presente” de seu pai, também juiz, que lhe presenteara também com o “botom”, que exibia, na camisa, todo “orgulhoso”.
Está nesses conchavos de origem antiga para preenchimento de cargos tão importantes, no Estado, a razão por que o Tribunal de Justiça faz agora ”limpeza de área”, extornando da magistratura pessoas de conduta e capacidade inadequadas para julgar situações e vidas humanas.
Crime organizado com milícias
Grupos de extermínios, chamados modernamente de “milícias”, fazem a “festa” agora nos sistemas de condomínios de Maceió. Sucessivas gestões da Segurança, em Alagoas, atrasaram o combate ao crime organizado porque se preocuparam mais para negar a existências da ação bandida do que para combatê-la.
Por isto, se deve insistir: sensatamente, toda autoridade policial que declarasse não existirem grupos de extermínio em Alagoas deveria ser “exterminada” de imediato do governo, para cortar tentáculos do mal pela raiz.
A praxe antiga, no Estado, de negar a ação de grupos de extermínio, é adotada feito “mantra” por autoridades e políticos, alguns deles, comprovadamente, mentores e/ou integrantes do famigerado Sindicato do Crime.
Debate de liberdades em Macondo
Soa estranho e contraditório que o debate sobre liberdade de imprensa tenha adquirido matizes tão fortes ao ser deflagrada a campanha eleitoral com Dilma e Lula (esquerda socialista-progressista) “capitalizando” a imagem de solapadores das liberdades versus José Serra (social-democracia à la UDN-conservadora) como o paladino dessas prerrogativas tão caras à humanidade e conquistadas à custa da derrocada do absolutismo.
Estranho mais ainda, que as simpatias internacionais do governo Lula se situem na linha dos que desprezam as liberdades políticas, – uns por tradição fascista-absolutista, outros por transmutações e acrobacias teóricas esquerdóides.
Conclusão: nesta quadra, nazi-fascismo e esquerda se encontram, e “não mais se fala em “ditadura do proletariado”, mas em ditaduras de coronéis populistas mesmo (outrora tão combatidas), bem ao estilo de Macondo. (vide Gabriel Garcia Márquez).


