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Como manipular a imprensa em proveito político

quinta-feira, abril 1st, 2010

O contexto pré-eleitoral de Alagoas é propício à análise do comportamento da imprensa para se obter o quadro real da sociedade perante o poder político. Em verdade, os donos dos veículos de comunicação, em qualquer parte do país, acham que a sociedade deve dançar de acordo com a “música” que eles executam em suas páginas e noticiários.

A interação do leitor é mínima e inócua e serve para camuflar uma pretensa democracia da imprensa, que atua, verdadeiramente, em função de seus interesses econômicos, necessitando, para isto, coonestar com a política da cúpula e com a cúpula da política (o trocadilho é necessário).

Em Alagoas, se a política da cúpula não satisfaz, – embora o governo do Estado mantenha sempre azeitadas as contas dos veículos de comunicação, – estes jogam suas fichas na cúpula da política, que acena com perspectivas tentadoras. Nomes dos bois: a política da cúpula é comandada pelo governador Teotonio Vilela, que, com exceção do Sistema Pajuçara de Comunicação, só encontra espaço significativo, na imprensa, para o governo, com matérias publicitárias.

A cúpula da política, no Estado, comandada pela dobradinha dos senadores Renan Calheiros e Fernando Collor, – além de dominar a maioria dos meios de comunicação, carrega o peso financeiro (por que não dizer “rolo compressor”?) da política da cúpula do Palácio do Planalto. A conclusão é óbvia: as manchetes dos jornais diários Gazeta de Alagoas, Tribuna de Alagoas e O Jornal vêm sempre recheadas dos fatos mais negativos para o governo do Estado. Fatos que seriam minimizados ou até escondidos, se o governador, pré-candidato, estivesse em ampla vantagem nas pesquisas pré-eleitorais.

Nos próximos meses, a regência da imprensa alagoana para fazer a sociedade dançar conforme sua melodia e ritmo vai depender da tendência política-eleitoral majoritária do Planalto. O interesse dos meios de comunicação contrasta com os interesses políticos maiores da sociedade. Mas os donos dos órgãos de imprensa acham, naturalmente, que o destino da sociedade deve estar condicionado a seus próprios interesses políticos e econômico-financeiros imediatos.

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Imprensa e poder na Terra do Sol

terça-feira, março 2nd, 2010

“A opinião pública acometendo os reis, mesmo sobre seus tronos, os forçará a conter-se nos limites de uma autoridade legal.” Tão nobre desígnio encimava a primeira página do primeiro jornal que circulou em Alagoas, o célebre Íris Alagoense, que teve sua primeira edição impressa na Bahia, em 1831.

O Íris, depois mudaria o nome para O Federalista Alagoense, que circulou até 1836. Porta-voz da Sociedade Patriótica de Maceió, o “jornal político, literário e mercantil” era administrado e editado pelo seu único redator, o jornalista francês Adolphe Emile de Bois Garin, vindo de Recife, onde editara o periódico Espelho das Brasileiras.

Antes do Íris Alagoense, a publicação de jornais, em Alagoas, era proibida pelo Império. Moacir Medeiros de Sant’Ana, autor da História da Imprensa de Alagoas, registra: “A imprensa, que tanto temor causara aos interesses coloniais de Portugal, chegava a Alagoas com suas características essenciais: o inconformismo e a crítica a todas as formas de poder absoluto.”

Pois não é que Bois Garin, o editor do primeiro jornal alagoano, suspendeu a sua publicação ao sofrer um atentado praticado por quatro homens, sendo atingido com um tiro de pistola?!

O Íris transformado em O Federalista Alagoense, aí atuou o primeiro jornalista alagoano, Afonso de Albuquerque Melo, padre e deputado provincial, natural da antiga cidade de Alagoas (atual Marechal Deodoro).

Em seus 170 anos, a imprensa de Alagoas abre um fosso enorme entre o propósito inicial da Sociedade Patriótica de Maceió, que se caracterizava pela defesa do ideário político contrário ao absolutismo, e as empresas jornalísticas atuais, defensoras do imediatismo-pragmatismo político de seus proprietários, que varia de eleição a eleição.

Sob o domínio permanente da “oligarquia imortal” que atua desde a instauração da República, a imprensa de Alagoas apenas mascara seu “ideário” de “porta-voz da coletividade”. Em verdade, existe a imprensa alagoana para defender e fazer perpetuar o mando da oligarquia agro-pastoril-açucareira, intransigente ao extremo quanto à modificação do perfil econômico-social do Estado.

Conclusão óbvia, embora polêmica: a imprensa, em Alagoas, como em qualquer parte do país, não é o “quarto poder”, como, de modo romântico e escamoteador da realidade, costuma-se apelidá-la.

Imprensa, pois, confunde-se com o próprio poder e, sem ela, o exercício deste, nas sangrentas terras das Alagoas, somente seria possível, exclusivamente, pelo acionar do velho trabuco papo-amarelo, similar da pistola que tentou calar o editor francês do nosso Íris primeiro.

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