No escorrer das águas da enchente que atinge Alagoas emerge outra tragédia: a da imprensa, que por pouco não se afogou na voragem dos números contraditórios de vítimas.
Tudo começou com o assombroso número de “mais de mil desaparecidos”, frise-se bem, só em União dos Palmares, anunciado, com insistência, no Estado e através de redes nacionais de televisão, no mesmo dia em que eclodiu a avalanche.
Qualquer leigo sabia que os números publicados não correspondiam à verdade, tratando-se de gravíssimo equívoco de órgãos de defesa civil repercutido pela imprensa sem nenhum questionamento.
E não vale justificar que os atropelos da tragédia confundiram todo mundo. Aos órgãos públicos cabe a responsabilidade de adotar critérios técnicos eficientes para alcançar resultados eficazes. Do mesmo modo que cabe à imprensa não só informar, como questionar e apresentar versões do mesmo fato para orientar seus públicos.
Resultado (satisfatório, se é que assim se pode dizer, mas constrangedor para a imprensa): os “mais de mil desaparecidos” de União dos Palmares se transformaram em 40 mortos, na tragédia, até agora.
Enchentes: fato novo da campanha
A tragédia das águas é o fato inesperado da campanha eleitoral em Alagoas, trazendo novo foco para a imprensa, exausta de repisar a mesma questiúncula vazia do chapão versus governo do Estado.
Muita coisa muda, agora, a partir das críticas que arrefecem contra o Palácio dos Martírios, em meio ao fechamento das convenções eleitorais e à corrida da oposição em busca de locais seguros para se salvar do afogamento.
Também os recursos e as obras que virão para recuperar os estragos das chuvas precisam ser fiscalizados com rigor, diante do esfregar de mãos de muita gente que está contando com a “ajuda federal” para dar uma força na campanha pelo voto.
Troféu do exagero para Lula
Na tragédia de Alagoas, o troféu do exagero ficou para o presidente Lula, que a comparou com o terremoto no Haiti, que deixou em ruínas o país onde morreram mais de 150 mil pessoas.
Valem as lamentações ao lado da solidariedade e da ajuda ao Estado em flagelo. As comparações exageradas, entretanto, só servem para infundir falsas emoções, que também só servem para confundir as populações aflitas.

