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Moisés Santana é tudo de bom

quinta-feira, novembro 26th, 2009

Moisés Santana é aquele baiano radicado há mil anos em São Paulo e todo mundo aqui nas Alagoas já o conhece, o Mácleim, o Júnior Almeida, o Wado, a Rosália Brandão, o baixista ex-Cássia Eller atual Zeca Baleiro, Fernando Nunes. Tem gente armando coisas com ele, por aqui e por lá. O nosso Norberto Vinhas, guitarrista, ex-Mácleim, toca com ele faz uma cara.

O Sesc-Alagoas promete trazê-lo ano que vem, para um show e oficinas. Tomara que role mesmo, a gente bota uma pilha, o pessoal da Rádio Educativa, o Júnior Almeida, este blogueiro, vamos ver.

Então é isso. Moisés é brother, gente finíssima, lançando o terceiro álbum (Lua Music), “Verso Alegoriaâ€. Faz uma música elegantérrima, que é pura diversão, e prazer e filosofia. E até protesto, contra discriminações sociais, sexuais e ufanismos gerais. Moisés é dez. Um disco perfeito. Música brasileira cheia de bossas e invenções. Música eletrônica ali, um clássico brasileiro aqui revisitado, gente bacana mexendo em tudo (Gigi Magno, Norberto, Fernando Forni, Rebeca Matta, Maricenne Costa), um cuidado e uma precisão em cada faixa e em cada página do encarte, nas letras e na melodia ousada, nos solos de guitarra e nos falsetes, nos backings, na alegria de fazer um disco cheio de poesia e felicidade.

Meio que uma geléia geral de novo. Lembra um Arrigo Barnabé totalmente pop ou um Tom Zé renascido – se bem que este não morre nunca. Nem Arrigo, e Arrigo está ali mesmo, no vocalzinho safado das meninas, Suzana Salles, Gigi Trujillo etc. Isto é obra-prima, confiram a entrevista.

Como foi o show de lançamento no Sesc-Pompéia?

O show foi muito bom, mas nos preparamos muito pra isso. Foram longos ensaios, pois afinal o terceiro disco você fica mais exigente e também já tem a experiência dos outros. Mas o importante é que é música e diversão, e foi legal fazer.

Quanto tempo pra realizar esse novo trabalho, o CD, gravações, participação de convidados?

Foram dois anos entre a pré-produção, que comecei em meu home studio, ao lado do guitarrista Fred Berlowitz, até o lançamento. Primeiro porque não tínhamos um prazo definido pela gravadora, e segundo porque, com esses avanços tecnológicos, a produção ficou mais simples, mais à mão, mas, também, mais complexa, pois você quer experimentar as possibilidades que essa tecnologia te dá e isso leva um tempo. Tem um amigo que diz que um disco você não termina, mas abandona. É exatamente isso que acontece: uma hora você tem de largar e dá aquilo como pronto. Como trabalhei a produção com Gigi Magno, então tínhamos de decidir a quatro ouvidos.

Puxa, é de longe o melhor dos três CD – isso porque a gente sente o projeto amadurecido, quer dizer, você parece ter encontrado o seu jeito, o seu lugar… A melodia, a letra e o arranjo se complementam, não são uma ou duas faixas legais, o CD todo é harmonioso e cada faixa tem um brilho e uma comunicação definitiva.

Que bom que você vê assim. Para mim, é difícil fazer uma análise e achar que está tudo no lugar. Pois como aquilo é parte de você, é uma coisa viva e passível de reformulações. Mas deixando de tanto cabecismo, foi o melhor que eu e Gigi pudemos fazer dentro das nossas expectativas. Eu gosto desse barato de ele ser diversificado, como se fossem vários singles reunidos. Não é a maneira como se ouve música hoje? Virou assim depois que foi ficando pronto e eu gostei. O retorno que tivemos, principalmente do público, tem sido muito positivo.
As versões, como sempre poderosas, como você consegue? “Juízo Final†está soberba. “O Mistério do Sambaâ€, do Mundo Livre S/A, perfeita.

Cara, esse lance das versões é uma coisa que me estimula muito. Primeiro tem o lance do diálogo. Eu, como compositor, fazendo minha as palavras do outro compositor, e depois tem o lance do que ainda pode ser explorado como arranjos. Essa liberdade de ajustar aquela idéia ao seu conceito musical. Essas duas que escolhi, possuem essa característica de serem músicas definitivas. Outras pessoas até podem escrever sobre esses temas, mas as duas dão conta do recado, ambas com muita simplicidade. Então recriar em cima de coisa que você já vê com essa qualidade não é difícil. “Juízo Final†foi uma idéia de Gigi Magno para uma participação de Maria Alcina em nosso show e que a partir de um loop feito por Norberto Vinhas foi sendo edificada. Depois veio o acordeão do Lucas Vargas. Quer dizer, era uma coisa que a gente fazia em show, sem compromissos (rs). Eu relutei um pouco em gravá-la, pois há já várias regravações de muita qualidade dessa música, mas a banda acabou me convencendo. Ela ficou desse jeito graças à competência de Gigi, que gravou todo mundo (Michelle Abu, percussão, Rogério Bastos, bateria, Norberto no baixo) e depois editou parte por parte, num trabalho muito minucioso. A música “O Mistério do Samba†já tem outra história. Eu queria falar do samba dessa maneira, de que não é preciso ter amarras para estar nesse gênero e achei a letra perfeita para isso. Então eu programei uns loops e junto com Fred fui construindo as frases de guitarras num clima bem dançante. Essa ficou bem com a cara que eu queria. No caso ainda dessas duas versões, eu amarro dois caras que acho que tem muita similaridade no ato de fazerem música, que são Nelson Cavaquinho e Fred 04. Eles possuem muitas coisas em comum. Não foi proposital, mas ficou legal quando vi que eles tinham ficado juntos no CD.

Voltando aos convidados especiais, nos seus discos tem sempre um que é especialíssimo. Fale da sua relação com esses artistas, a começar por Arnaldo Baptista, no disco anterior.
É, de volta aquela questão do diálogo. Eu acredito que música é a arte mais coletiva que existe. Porque ela só acontece à medida que se juntam pessoas. Mesmo que seja voz e violão tem o técnico de som e depois o público. Sem esses dois, nesse caso, não tem show. Então estar junto com as pessoas é fundamental. E quando se coincide que essa pessoa é um Arnaldo Baptista, a satisfação é triplicada. Mas ele é muito simples, apesar de toda a carga mutântica que carrega e isso pode ser conferido no videoclipe que fizemos durante a gravação da música. Então, minha associação é sempre com pessoas que acho que têm a ver comigo ou porque curto muito elas ou porque o que elas fazem tem um ponto de convergência. Tem sido assim com Rebeca Matta, Maricenne Costa, Jussara Silveira, os gêmeos Beto e Rubens Nardo, Maria Alcina, Wanderléa, Andreia Dias, Virgínia Rosa. Quer dizer, essas pessoas toparam participar pelo que ouviram do trabalho, não houve nenhum tipo de estratégia de marketing e tal.

Seu trabalho é sempre muito coletivo, amigos por perto, Gigi, Forni. Como funciona?

Sou muito gregário e essas coisas funcionam mesmo como parcerias. Eu começo uma coisa, jogo na mão deles, pego de volta e a gente vai rolando. A Gigi conheço desde muito tempo e foi com quem dei os primeiros passos aqui em Sampa sem nem pensar em carreira, só de curtição. Eu tinha vindo de uma série de experiências de bandas em Salvador e quando cheguei a São Paulo vi que não ia conseguir fazer o meu som, da minha maneira, ia demorar. Então dei uma parada. Nesse período encontrei a Gigi e fomos desenvolvendo. Nossa parceria vem do fato de a gente gostar das mesmas coisas. Por exemplo, ela tem um álbum de fotos de Rita Lee & Tutti Frutti igual a um que eu tenho, com as mesmas fotos, tiradas das mesmas revistas, isso é um barato, né? Com Forni, já foi um lance de descobrir coisas novas. Eu proponho alguma coisa a ele, que sempre aparece com outra e me surpreende. Ele é um dos produtores mais criativos dessa turma aí e com certeza ainda vai marcar seu nome nessa cena. Mas são muito parceiros produtores, entre eles Teco Fuchs, Rovilson Pascoal, Mano Bap.

O Norberto Vinhas é alagoano (é?). Como aconteceu? E há outros guitarristas poderosos no CD.

Norberto nasceu em Goiânia, correu o mundo com a família e foi parar em Alagoas, onde se tornou esse grande músico que ele é. Nos conhecemos logo que cheguei em São Paulo, e ele já entrou na tour que fiz no Projeto Pixinguinha. Também é um relacionamento de compadres. Os guitarristas do CD são poderosos sim, tem Rodrigo Bragança, que é da banda O Grito, o Rovilson Pascoal, o Fred Berlowitz.

moisés

Não vejo a hora de tocar em Maceió, terra que ainda não conheço apesar da proximidade com Salvador. Mas é só questão de tempo.

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