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Armas de última geração no Forte de Guarujá

quarta-feira, janeiro 12th, 2011

Os porta-vozes do PIG-Partido a Imprensa Golpista começaram o ano com todo o gás. De saída, ‘denunciam’  a ‘imoral’ hospedagem do ex-presidente Lula e seus familiares, ‘de graça’, em forte do Exército no litoral de Guarujá(SP). Folha, Estadão, FolhaSP , Veja e Época devem promover  uma cruzada nacional que estenda  a prerrogativa a todos os cidadãos brasileiros. De minha parte, já encaminhei  reserva para o próximo fim de ano.

Afinal, esse tal de Lula deita e rola no rastro dos 87 por cento de popularidade, índice, aliás, constatado ‘apenas’ em pesquisas ‘discutíveis’ de institutos de opinião. Um amigo de Alagoas me questionou, quando de minha recente estada em Maceió: “Onde está a prova técnica da apuração do Ibope, Datafolha e outros? Igual  à ida do homem à Lua. Tudo conversa fiada.”

E os passaportes especiais conferidos aos filhos do ‘apedeuta’, hein? Pode??? É preciso acabar com essa mamata! Em qualquer viagem, a família do governante deveria  viajar de ônibus ou navio cargueiro, ora essa! Quanta petulância desses tabaréus de São Bernardo do Campo! Se pelo menos tivessem nascido nos Jardins paulistanos…

Para meu conterrâneo, o país cresceria de qualquer maneira, por obra e graça da natureza(“É Deus que quer!” – deixou matreiramente de acrescentar).  Além da natureza, claro, a ‘decisiva’ largada de FHC, seu guru, mestre e inspirador. Ele assevera que Fernando Henrique preparou a cama com forro de cetim, onde Lula ‘indevidamente’ chegou ao orgasmo populista nas entranhas do oprimido povo brasileiro.

Mais recente, a notícia de que o Exército adquirira dois equipamentos ‘pesados’ de última geração, movidos a energia nuclear do Irã(secador de cabelos e frízer),  convidando Lula e Dona Marisa Letícia para acionarem os botões das temidas engenhocas bélicas instaladas no ‘bunker’ de Guarujá.

Por conta de um baronato provinciano e  incompetente, que não soube declarar a rica pauliceia independente dos grilhões getulistas, em 1932, agora, sim, o sonho finalmente se tornaria  realidade, ainda que com o alienígena Lula à frente do movimento separatista, garantido pela gloriosa  Força Pública e apoio das ‘antigas’ unidades federais baseadas  no Eldorado de Piratininga, reforçadas por furibundos kamikazes formados na Academia  Aérea de Pirassununga.

Depois da vitória e o subsequente reconhecimento internacional  de United  States, Europa e Bahia, o segundo ato seria  a derrubada do comandante-em-chefe, por desprovido de naturalidade local e deplorável origem, nada confiável,  nos cafundós de Pernambuco.  Previsível a encarniçada disputa pelo trono entre as facções tucanas de Alckmin-Opus-Dei e seu oponente Beato Serra de Aparecida, ambos ungidos por Bento XV.

Desliguemo-nos da digressão virtual  e retornemos ao mundo concreto,  cenário de explícitas sacanagens midiáticas da cambada de sempre contra Lula e engatilhadas para açoitar sua sucessora. Para o PIG, que não logrou impedir a eleição do ‘poste petista’, as miríades  ‘do bem’ não podem aturar essa descendente de búlgaro em Brasília. E prometem marcá-la sob permanente pressão, até que renuncie alegando coação irresistível das forças ocultas.

Pelos textos dos analistas ‘pignianos’, o governo Dilma tem tudo para se transformar em desesperador cenário de ranger de dentes.  Há pouco integrado à Academia Brasileira de Filósofos(disparate que provocou urros fantasmagóricos de Sócrates, Platão e Aristóteles nos  sarcófagos da antiga Grécia), Merval  do Globo prevê inevitáveis tempestades no Planalto. Na mesma linha, Eliane Catanhede, da Folha SP. Sem falar nas demais cassandras da  ‘grande imprensa’,  miniaturizadas em sua credibilidade moral.

Meu amigo alagoano e seus correligionários demotucanos seguem lendo com avidez os ‘tratados filosóficos’ de seus  comentadores ‘especializados’(nas artes do atraso excludente), esquecidos de que seu(nosso) Estado é, proporcionalmente, o maior celeiro da corrupção institucionalizada, cuja comprovação, a olho nu, roda no caótico trânsito da orla de Maceió,   proporcionalmente como maior frota de utilitários de luxo do país(‘Hilux’ de cabine dupla à frente), enquanto a maioria de coestaduanos vive às expensas do Bolsa-Família e programas emergenciais similares.

Projeta-se em Alagoas odioso contraste com um PIB cujo percentual majoritário se baseia no montante de receitas originadas em programas sociais do governo federal e uma população condenada a continuar, ainda por longo tempo, fora dos avanços que o próprio Nordeste experimenta a partir dos marcos do governo Lula.

Salvo para escancarar, como o fez tempos atrás, que o senador do PMDB pulara a cerca, o Partido da Imprensa Golpista veta, em seus veículos do Sul-maravilha, as notícias alvissareiras sobre a construção de um novo tempo nordestino que, no curso do governo Dilma,  consolidará a força econômica de uma região já denominada pelos ufanistas, em sua fé inquebrantável, de ‘nova Califórnia’.

Apesar dos recalcitrantes herdeiros do jurássico   coronelismo, desde as remotas eras do Império, que teimam em não largar o osso e desfilam em seus mirabolantes carrões, com indisfarçável arrogância medieval, não raras vezes à custa de FPM depositado em contas de ‘laranjas’ nos grotões interioranos, verba desviada para comprar os ‘possantes’ nas revendas  automotoras da capital. Se a PF for fundo, como tem feito desde passado recente, verá que a turma de Ali Babá não se limitou aos românticos quarenta lalaus das histórias infantis. Esse detalhe, por conivência, o PIG  ‘estrategicamente’ cuida de esconder.

Postado em  12.jan.2011.

Antônio Manoel Góes, 68, é jornalista e militante de movimentos sociais .

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Lula na ONU?

sábado, abril 3rd, 2010

Coloque-se no lugar das elites que dominam há mais de um século o cenário político-econômico do Brasil. Sinta o desencanto, manifeste o ódio a escapar, em forma de baba peçonhenta, pelos cantos da boca. “Uma tragédia, absurdo dos absurdos a antecipar o fim dos tempos”, indignar-se-á o apoplético ‘antilula’ de carteirinha, para quem finalmente teria chegado o bíblico apocalipse.

Como é que é? Lula na ONU?  E você explodirá de chofre: “Só pode ser piada pronta! Afinal, quem esse cara pensa que é?”  Só que ele, o presidente Lula, não pensa que é. Ele ‘é’.  Nascido nos cafundós de Caetés, agreste de Pernambuco, foi moleque de favela em São Paulo, brincando com parceiros infantes na água fétida dos córregos a céu aberto.

Operário e alçado à liderança no movimento sindical, idealizou, no começo dos anos 1980,  um partido político para se contrapor às velhas estruturas do trabalhismo nacional no pós- redemocratização, gerando renovada perspectiva à luta que sequenciou os tempos mais antigos do proletariado. Esgotado o regime autoritário, a percepção de que a relação nos embates corporativos adquiriu novas roupagens, face à acachapante passagem do Brasil rural para sua(supostamente) moderna versão urbana.

Um ponto convergente para sedimentar interesses sociais-democratas com a clássica visão da ‘ditadura do proletariado’.  O antigo retirante, fugido da seca e da fome nordestinas vivenciou uma passagem meteórica pela trilha sindical em São Paulo. Metalúrgico de São Bernardo, perguntaram-lhe certa feita, uma espécie de teste sobre sua posição no espectro ideológico que herdamos das primeiras e conturbadas décadas do século passado: “Lula, você é de direita ou de esquerda?”. A resposta:”Só sei que sou torneiro-mecânico”.

Candidato à presidência, em 1989,  rotularam-no de incendiário disposto a virar a mesa e criar uma nova ordem social a ferro e fogo. Concorrente com apoio da rede Globo e azarão no começo da campanha, Collor caiu como uma luva no colo das elites, livres daquela reencarnação barbuda do ferrabrás.  O blefe, de vida curta, expirou-se porém em 1992.

Lula e seus próximos aperceberam-se de que o confuso ‘neossocialismo’, gerador de conflitos  insolúveis entre tendências intramuros no PT, responsáveis por defecções do tipo PSTU e sequelas posteriores do PSOL, não ensejou uma agenda ‘confiável’, na perspectiva de reforma sem cicatrizes na  sociedade brasileira. Coube-lhes assumir a social-democracia que os tucanos adotaram como sigla, mas, na prática, trocaram sem pudores pelo neoliberalismo do Estado mínimo de Friedman e outros teóricos  do ‘deus mercado’, em conluio com o PFL-DEM dos coronéis do atraso.

Cumpridos sete anos de dois mandatos, ultrapassando indesculpáveis pisadas de bola de alguns importantes( e íntimos) colaboradores,  Lula tem exercido um governo alicerçado em singular pragmatismo político que o conduziu ao reconhecimento internacional, azeitou a autoestima interna, propiciando-lhe a condição de cidadão do mundo.

Ao preservar nosso preceito constitucional de observância da autodeterminação dos povos, solidarizando-se com a vizinha Venezuela  de um Chavez que enquadrou uma rica oligarquia minoritária e tradicional exploradora de milhões de compatriotas, Lula promoveu competente e civilizada relação com o estadunidense ultraconservador Gorge W. Bush, até ser chamado, pelo sucessor Barack Obama, de ‘o cara’.

O ex-metalúrgico da Aço Villares, aplaudido de pé em Davos e nas instâncias de contraponto do Fórum Social Mundial, viu, a pouco e pouco,  bolsões de brasileiros deixarem o gueto da exclusão social e passarem ‘a comer três vezes ao dia’. As políticas públicas avançam, malgrado desqualificados oposicionistas que  se desdobram na tentativa de ‘melar’ o meio-de-campo do país,  e, quanto mais lhe desferem sórdidos ataques, 83% da população declaram-se satisfeitos com seu governo.

Aproximando-se ao polêmico Irã, Lula questionou  a arrogante decisão israelense em manter um colossal paiol de quase 70 ogivas nucleares garantidoras de um Estado imposto em território usurpado aos palestinos, sob o argumento de os judeus serem o ‘povo eleito’ que faz jus à ‘terra prometida’. Assim,  entende Tel-Aviv, programas atômicos são sua exclusiva e hegemônica reserva de mercado, ao bel-prazer dos sionistas, donos de boa parte do capital especulativo no planeta.

Deu para sentir o drama de condestáveis de araque, do alto de seus grunhidos acadêmicos, do tipo FHC e companhia? Como pode o tal ‘apedeuta‘ chegar ao topo do mundo? Lula não confirma nem desmente, mas há fortes indícios de que seu próximo destino,  a partir de 2011, será um alto posto de negociador da ONU, para aplacar históricas mazelas internacionais. Preferentemente, se possível, depois de eleger sua sucessora, uma ex-guerrilheira urbana seviciada nos porões da ditadura militar.

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‘Cabo’ Lula: 90 por cento no Rio

segunda-feira, março 29th, 2010

Antônio Manoel Góes

RIO DE JANEIRO – Vamos às entrelinhas da última pesquisa Datafolha sobre intenções de votos para a eleição presidencial. Retrocedamos, entretanto, para entender a variação, neste primeiro trimestre, dos números trazidos à luz pelos institutos de opinião. E partamos da premissa de que cada um deles levanta estatísticas em diferentes cidades, nas diversas variadas regiões onde atuam, adstritos à lógica de suas metodologias.

No sábado, 27 de fevereiro, um mês atrás, o   Datafolha confirmava previsões de analistas sobre o crescimento de Dilma Roussef. Ela pulara de 23 para 28% e Serra caíra de 37 para 32%, 5 pontos transferidos de um para a outra, sintoma de migração na preferência dos entrevistados para a pré-candidata do PT.

Ocorre que, nesse sábado, 27, o mesmo Datafolha anunciou Serra com 9 pontos(36%) sobre Dilma(27%), sem explicitar as razões determinantes da reviravolta, pois o tucano vinha patinando e perdendo fôlego a cada pesquisa de intenção de votos em todo o país, em particular no Sudeste e Sul.

Obviamente, qualquer candidato(oficial ou virtual) depende de fatos relevantes que lhe garantam sufocar eventuais manifestações favoráveis ao adversário. Afinal, qual a novidade, ocorrida nos últimos 30 dias, que  teriam feito Serra disparar, do ponto de vista de um eleitorado ainda  desligado quanto ao vaivém das candidaturas ao pleito de outubro?

Em seu universo administrativo de São Paulo, Serra enfrenta graves problemas, entre eles, e mais recente, a greve dos professores estaduais, cujo salário-base não chega a 800 reais, no Estado mais rico da federação. E uma questão crucial: reticente, ele não mostra firmeza para assumir a potencial candidatura, contrariando a expectativa de seu partido face à indefinição prejudicial às alianças na campanha para os governos estaduais.

Enquanto isso, Lula, o cabo eleitoral de Dilma Roussef, segue  sob céu de brigadeiro. ‘Nunca, na história deste país’, um presidente em fim de mandato,  sobrevoou o acervo de realizações da altitude apreciável de 75 a 80% de aprovação de seus governados.

Os institutos de opinião oferecem à análise do eleitor algumas questões pontuais que deixam em polvorosa os bastidores do tucanato, além dos índices que referendam  o governo Lula: 1) – 42% dos entrevistados disseram(ainda) não saber qual o(a) candidato(a) do presidente; 2) 53% gostariam de votar no(a) candidato(a) apoiado por Lula.

Dilma tem discurso consolidado(“Eu continuarei com as benfeitorias do governo Lula e farei muito mais”). E Serra dirá o quê? Se optar, exemplifiquemos, por ‘crescimento com estabilidade e geração de empregos’, tema de inequívoco apelo popular, dará um tiro de AR-15 no pé. Ao confirmar  surrealmente  as conquistas do atual governo, ele “abrirá caminho para Dilma ser apresentada como a ministra que ajudou Lula a conduzir com eficiência a economia brasileira”, conforme avaliação do leitor Adriano Oliveira, postada no site do Instituto Maurício de Nassau. E Adriano arremata: “…alguém do PSDB ou da equipe de Serra está desconectado do mundo.”

Líderes do PSDB não escondem desconforto e perplexidade por Serra não evidenciar um mote  na ‘cantoria’ para convencer o eleitor  curioso em  saber as razões pelas quais deverá votar nele e não em Dilma.  Serra, dirá, sem dúvida, que é competente, mas Dilma mostrará ter competência para continuar(e fazer avançar) os programas do governo Lula.

Por oportuno: pesquisa do Vox Populi, entre 20 e 22 de março, no Rio de Janeiro, divulgada nesta segunda, 28, pelo jornal O Dia, dá conta de que o presidente Lula, ‘cabo’ de Dilma, chegou aos 90% de aprovação dos fluminenses, capital e interior. E mais: 61% dos entrevistados afirmaram que votariam no(a) candidato(a) apoiado(a) por ele.

Convenhamos: a pesquisa  Datafolha, anunciada no último sábado, 27, ficou pelo meio do caminho, sem apresentar os motivos que inflaram Serra e fizeram diminuir os números da candidata petista à sucessão de Lula, sugerida ao partido pelo próprio presidente.

(Postado em 29.03.2010)

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