A presidente Dilma Rousseff vem a Alagoas para lançar, dia 25 de julho, na cidade de Arapiraca, o Programa “Água para Todos”. Mais uma viagem. Um Programa do projeto “Brasil sem Miséria”. Mais uma tentativa de tirar da miséria um povo que vive e morre na miséria.
Venha, Presidente, não para passear em nossas praias, andar em nossos bosques e beber da Fonte da Juventude, mas para admirar as “CRISTALINAS” águas do Salgadinho, ficar atônita com a devastação das matas, a poluição dos rios e nascentes e, por isso, chorar com a morte da fé em melhores dias vindouros.
Venha, Presidente, não para ficar impressionada com o verde dos extensos canaviais e com as gigantescas colméias que produzem o financeiramente doce ouro branco dos donos da economia do Estado, mas para pisar no solo que outrora foi ensopado com o sangue daqueles que lutaram pela liberdade e pelo direito a vida e assim, sentir diante da sofrida história de nossa terra, a obrigação de se redimir fornecendo os meios necessários para que se aumente o poder dos fracos.
Venha, Presidente, não para se hospedar e proteger nos castelos fortificados que pertencem à Realeza do Açúcar, mas para ver o tamanho das casas construídas com verba pública para as famílias brasileiras vítimas do sistema ou desabrigadas pelas intempéries, ouvir o clamor daqueles que perderam seus entes queridos devido a violência que campeia sem controle pelo Estado e o canto triste dos ébrios indigentes que nas madrugadas frias se desfazem em pranto porque a cheia levou sua residência e apesar das promessas ele e sua família ainda moram num desprezível abrigo ou barraco de lona.
Venha, Presidente, não para se alimentar com iguarias afrodisíacas, se contentar com o comum falatório dessas ocasiões ou coroar o rei ou a rainha da Realeza do Açúcar, mas para externar sua perplexidade por saber que a terra da “Tróia Negra” continua sendo manobrada pela classe contra a qual milhares de palmarinos morreram lutando, se nutrir, como a grande maioria dos alagoanos, de um punhado de farinha azeda e um taco de “pior-sem-ela” e, se joio houver em meio ao trigo, instalar a guilhotina em praça pública para ceifá-lo.
Venha, Presidente, mas não traga seu Conselho Médico para lhe atender em caso de necessidade. Deixe para ser atendida pela Saúde Pública onde é mais fácil ir de joelhos ao Juazeiro de meu “Padinho Ciço” pagar uma promessa porque se curou, do que pegar uma ficha de atendimento com rapidez e ser atendido sem que se tenha a paciência do profeta Jó.
Venha, Presidente, conhecer o único Estado da Federação que parou no tempo, pois permanece no Ciclo do Açúcar, ou seja, ainda mantém milhares e milhares de trabalhadores e grande parte de sua economia sob o tacão das botas de mais ou menos vinte e três privilegiadas famílias, e constatar que onde existe o culto ao latifúndio e a vassalagem à monocultura da cana de açúcar, os ricos ficam mais ricos, os pobres, miseráveis e os miseráveis, vivos ou moribundos, esquecidos, por mais úteis e nobres que um dia tenham sido.
Aloisio Vilela de Vasconcelos
Professor da UFAL

