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A força interior da magnífica reitora


16/03/2010 - 19:45 -

No mês da mulher, resolvi materializar uma homenagem conveniente e sincera para a educadora, sertaneja de Pão de Açucar, Ana Dayse Rezende Dórea. Uma personalidade movida a sonhos e, inevitáveis, realizações. Antes da reitora sonhar, a expansão e interiorização do ensino superior federal no estado era conversa pra boi dormir. Muita promessa política, apolítica e apocalíptica. Ou o aluno se deslocava do interior para Maceió ou seu sonho tornava-se distante, quilômetros a leste, e se assentava frustrado na aridez do segundo grau.  Quando vi a matéria e a foto da reitora Ana Dayse ministrando a aula inaugural do Campus de Delmiro Gouveia, emocionei-me de verdade. Talvez porque eu sempre fui admirador anônimo da determinação, quase obsessão, da nossa pequena grande reitora em levar a realidade da universidade para a vastidão do interior, invertendo e refazendo o trajeto do deslocamento, em respeito a tantos sonhos interrompidos.  Acompanhei a sua luta de Davi contra Golias, literalmente, e a punjante  força do seu  argumento, das horas de debate e de defesa de suas idéias. Se as entranhas de Brasília aparenta ser, para alguns, um ambiente inóspito, um labirinto seco como os lajedos, cortante como as juremas e soturno como as noites do sertão, ela  não mete medo em Ana Dayse.  Nas suas centenas de idas e vindas à capital federal, munida de meiguice e perseverança, a reitora lutou e conquistou apoios, investimentos e admirações, do presidente Lula ao Ministro Fernando Hadad. Uniu a bancada alagoana pelo propósito, através do senador Renan, e unificou numa só voz o desejo dos governantes municipais.  Hoje Arapiraca, Palmeira dos Índios, Penedo, Viçosa, Santana do Ipanema e Delmiro têm Campus da UFAL, novos municípios serão beneficiados em breve com a conquista e os sonhos se enraizarão em todas as microrregiões. A semente acadêmica chegou ao agreste e sertão para germinar o desenvolvimento econômico. Nada mais justo que, no dia de São José, 19 de março, as orações peçam chuva e prosperidade para região. Quem sabe se o semear da reitora Ana Dayse frutifique e se multiplique com a ajuda divina. Aqui em Alagoas, também floresce notícias boas e elas são bem-vindas.

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O P maiúsculo e o p minúsculo da política.


09/03/2010 - 12:02 -

Alagoas é um estado refém da má política e da politicagem. Uma submissão que compromete a dinâmica dos setores público e privado, o equilíbrio da convivência social,  o desenvolvimento local e os resquícios de consciência ética. A má política pulveriza-se devastadora nos diálogos, nas relações pessoais e profissionais, na religião, na cultura e na economia. Surge como quem não quer nada, sem argumentos convicentes, e lança sobre a vítima o seu poder de anestesia assistencialista  ou a terrível arma VNSCQEF ( você não sabe com quem está falando).   A má politica é tema plural nas colunas em jornais, nos blogs e nas discussões em mesa de bar.  Infelizmente, parece que não há outro assunto neste mundo politizado de videntes e estatísticos. Neste caótico universo político, essa dependência quase alcoólica não é anônima, é notória, e revela o vício bienal do “vou me dar bem” ou do triunfo maligno, tão encruados na sociedade. De hoje até o dia 03 de outubro, o ritmo politiqueiro vai reger nossos dias, e  mesmo que você deteste essa forma de fazer política, será inevitavelmente engulido por uma atmosfera de inoperância, boatos e debates recorrentes, eternos e às vezes agressivos. A má política é epidemia. A boa política é antídoto e tem P maiúsculo, tão defendida pelo menestrel Teotônio Vilela. A boa política, sem rabo de palha e  despida de politicagem e politiquices, é uma prática em extinção, plena de sentimento coletivo, sobriedade e, acima de tudo, vergonha na cara.

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Tsunami nos votos. Marola nas críticas.


02/03/2010 - 17:15 -

Há mais de dois meses inseri um post que relatava que Dilma tinha subido a Serra e bicado o tucano de frente. Uma alusão ao crescimento percentual da candidatura da petista linha dura divulgado por um instituto de pesquisa no final do ano passado. Surgiram críticas diversas de analistas de plantão que, cegos pelo exacerbado sentimento partidário, sem tato à razão, pensam e sintetizam com o fígado. Característica de um País feito de técnicos de futebol, publicitários e cientistas políticos. Na verdade, dados  de pesquisa de opinião quando bem interpretados tornam-se informação privilegiada, transformando-se em conhecimento e inteligência competitiva.  Por isso, enquanto discutiam se Plutão era ou não era planeta, Dilma cresceu de novo, encurtando para quatro pontos, anos-luzes de diferença. Há oito anos, acompanho essa migração de almas nas divisões do critério Brasil, saltitando de E para D, de D para C, uma escalada nas classes sociais feita por aqueles que viviam submergidos nas profundezas da linha da miséria e conquistaram o bendito poder de compra. Esses cobiçados consumidores brasileiros não estão discutindo se Lula pegou carona na edificação econômica socialdemocrata, se teve sorte diante das marolas das crises internacionais ou se foi taxado de assistencialista por criar o maior programa de transferência de renda do mundo. É Deus no céu e o presidente na terra, ou vice-versa.  Não fale mal de Lula na frente de Dona Cleide (mãe de sete filhos, analfabeta, moradora de Coxixola na Paraíba) que comprou a primeira TV da sua vida: uma LCD 32 polegadas.  Hoje a classe D fortalecida com um exército de 61 milhões de brasileiros, que ganham de um a três salários mínimos mensais, é a menina dos olhos do varejo nacional, com nada mais, nada menos, que 381 bilhões de reais para torrar. Um montante maior que o da cacifada classe A. E essa força emergente somada a classe C, superdimensionada nos últimos oito anos, explica-nos  o porquê do mito, da aprovação positiva mês a mês e da possível transferência de votos, de gratidão e de consideração. Deixem os números falarem.

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A má educação e o mal condutor.


28/02/2010 - 15:11 -

O condutor que se atreve a trafegar nas entranhas de Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara tem que ter saco tibetano. O que está havendo com o nosso trânsito? Além do enxame de  veículos automotores sem entrada e crédito fácil que empestam nossas vias e das mal sinalizadas obras de saneamento que se eternizam em nosso solo movediço, há algo mais recorrente e irritante nesse pandemônio: o desrespeito as leis de trânsito e o respeito a famigerada lei de Gerson. Carência de educação generalizada que interrompe violentamente o direito do cidadão de ir e vir, omitida pelas mãos nervosas das autoridades da multa. Gente estaciona automóveis nos dois lados dos nossos afunilados corredores de acessos, tranca  semáforos e o fluxo nas principais vias para cortar caminho e levar vantagens, descarrega  mercadorias em horário de pico, pega contramãozinha básica de 20 metros, faz pit stop de vinte minutos para pegar o exame de fezes no laboratório… Fora as carroças, as obras de recapeamento asfáltico às 18h, os eventos quase diários que fecham ruas, tudo, mas tudo mesmo conspiram contra nosso tempo e nossa paciência.  E o que poderemos fazer? Nada. Só entoar dezenas de mantras no previsível e  inevitável engarrafamento de amanhã. Boa sorte a todos.

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E as novidades?


25/02/2010 - 16:23 -

                                                                                                                                                                                                                                                                                         Voltei de férias com a certeza que meu último post à la mãe Dinah foi uma previsão óbvia de um estado de letargia. Mesmo numa realidade política pós-carnaval nada se configura como avanços significativos ou consumação de atos. Tudo parado e sem novidades.  Até a peça orçamentária que move o Estado foi travada e corroída pela engrenagem oxidada do Legislativo.  A saída é pingar sem conta-gotas mais duodécimo para lubrificar e destravar a máquina. Para funcionar, são outros quinhentos.  Enquanto um dialoga tête-à-tête com Deus e tantos outros negociam olho no olho com semideuses, Alagoas e eu pegamos no tranco. Quem sabe após a semana santa as coisas tomem um rumo. Não custa nada rezar.

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Enquanto Alagoas pega no tranco, tiro férias.


04/02/2010 - 16:20 -

Estarei de férias, viajando,  aproveitando o carnaval, o pré e um pouquinho do pós. Uma parada estratégica num período que nada funciona, só engov, imozec e o crescimento percentual de Dilma. Anote aí, daqui a 20 dias tudo ainda estará indefinido: se Cícero vai se candidatar ou não, a briga do duodécimo da ALE e do TC, quem será vice do Chapão, bate-boca pré-eleitoral e violência gratuita nas ruas… E como tudo funciona depois do carnaval, quem sabe retorno com o museu de grandes novidades. Um grande abraço a todos.

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O Haiti é na primeira esquina à direita.


02/02/2010 - 18:32 -

O Santos Futebol Clube, time do rei Pelé, que um dia  chorou e pediu para que cuidassem das criancinhas brasileiras, fez uma grandiosa festa para a volta de Robinho, seu filho pródigo. Todo os quilos de alimentos arrecadados com a pedalada de marketing foram doados para as vítimas do terremoto no Haiti. Interrogações e exclamações! Não entendo porque todas as ações voluntárias  oriundas de sobras e surtos de solidariedade tupiniquim, nos  últimos 30 dias, destinam-se só e  somente para as vítimas da terrível catástrofe no país caribenho. A miséria nas entranhas do nosso País é haitiana, mas, hoje, o Haiti daqui não importa, não sensibiliza o marketing.  Nosso sofrimento interno é esquecido e nossos sentimentos, olhares e ajudas são exportados pela mobilização de eventos sociais, banners piscantes em sites de bancos oficiais e doações milionárias de brasileiros famosos. Parece invenção de emergente para aparecer na Globo? Gente, o Haiti é ali, à direita, na próxima esquina. Não tenho nada contra os haitianos, respeito a dor  de um povo tão sofrido quanto o nosso. Mas o mundo está unido com força-tarefa ajudando a reconstrução do País e acalentando seu povo, com infinitas iniciativas privadas e públicas, com milhões e milhões de dólares de investimentos e com república federativa do Brasil inclusa no rol dos doadores. Acreditem em Gil e Caetano… O Haiti é aqui, a alguns metros da orla marítima, e é muito parecido com o de acolá. O sudeste submerso em enchentes, o nordeste com a terra ardendo que nem fogueira de São João, gente morrendo feito moscas, milhões de almas abaixo da linha da pobreza, nas ruas, no crack e na mira de um “trêsoitão”. Enfim,  deixo um conselho doado (não dado)… caso o nobre espírito solidário baixe num download filantrópico, ávido por uma boa ação, pense no nosso Haiti… pense nos idosos e nas criancinhas órfãs de Zilda Arns… pense na Pastoral da Criança e centenas de entidades com despensas vazias… pense na fome e na sede brasileira. Pense e reze!

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Safena no coração do Nordeste


29/01/2010 - 0:10 -

Viajei de Recife a João Pessoa, de Boa Viagem a Cabo Branco, pela mortífera BR 101 e, juro por Deus,  naveguei por mares nunca dantes navegados, em 80 km liberados de duplicação de rodovia. A BR 101 duplicada é a redenção da economia do Nordeste, do turismo interno ao transporte de bens de consumo, da abertura de fronteiras à queda do índice de mortes estúpidas sobre o antes carcomido asfalto. Estão implantando uma safena no coração do Nordeste e liberando sem oba-oba sua corrente sanguínea. Num Brasil rodoviário, a reconstrução dessa artéria que liga o nordeste dependente ao norte e ao sudeste do Brasil vai bombear o desenvolvimento regional.  Se hoje a economia nordestina pulsa taquicárdica e transporta seu sangue por veia entupida e perigosa, marcando passo, imagine sua pujança após conclusão desta intervenção necessária. E a BR 101 alagoana? Desculpe-me os incrédulos, mas agora a obra será parida à fórceps.  Há alguns dias, o Senador Renan anunciou o início da obra de duplicação dos 248 km da BR 101 alagoana para o mês de março. Os três trechos da maior obra rodoviária federal em Alagoas já foram licitados e agora é só esperar a operação e a alta do paciente. Num futuro breve, a maldita BR 101 será bendita, o nordeste rodoviário se encontrará com a ferrovia transnordestina e a nossa economia será feliz para sempre.

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Santa Usina Nuclear. Proteja-nos do subdesenvolvimento. Amém.


19/01/2010 - 13:20 -

Valei-me meu São Francisco.  Está confirmado: a Eletronuclear entrega ao Ministério de Minas e Energia, dentro de duas semanas, os estudos iniciais relativos a possíveis áreas nordestinas banhadas pelo sofrido rio da integração nacional para a construção de uma central com capacidade para receber até seis usinas nucleares. Segundo o assistente da presidência da estatal, Leonam Guimarães, “não faz sentido construir uma usina em cada Estado”. Agora é só decisão política para decidir qual estado nordestino vai ser favorecido com a usina nuclear em liquidação. A disputa é na tapa. Pernambuco, Sergipe, Bahia e Alagoas estão em leilão político e fiscal e intermináveis conversas de pé de orelha. Como diz a oração de São Francisco: “é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna”. Se Alagoas vencer o certame, conquista definitivamente percentuais preciosos para o seu desenvolvimento econômico. E como tudo tem seu preço, o preconceito crônico a essa matriz energética pode florescer em debate, mas não chega a intimidar o projeto polêmico. Que venha o progresso acompanhado com pituzada nuclear, surubim atômico e uma tigela bem caprichada de pirão radioativo.

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Pesquisas esquizofrênicas. Eleitos por antecipação.


14/01/2010 - 10:15 -

Republico esse post por coerência e por conveniência. Tive acesso a algumas pesquisas quantitativas que vagam de mão em mão nas vielas e encruzilhadas politizadas de Alagoas. De antemão, reitero que eleitoralmente são peças ocas, a não ser o conteúdo de questionários referentes a avaliação de governantes e governos estadual e municipais. Aí sim, o bicho pega. Para Deputado estadual e federal, e, principalmente, Senador da República, tudo não passa de um amontoado de dados circunstanciais, sem liga, sem alicerce, sem clarividência… O terremoto político ainda não aconteceu, pois as placas não se acomodaram com coligações, apoios municipais e alianças brancas. O movimento político é lento na superfície, mas nos bastidores há consistentes abalos sísmicos, digamos que eles estão com um ponto na escala Richter. A lentidão do deslocamento pré-eleitoral é porque todos os envolvidos avaliam a situação com o olho no gato e outro no peixe, à espera do primeiro passo pós-carnaval, depois de um “converseiro comprido” que rompem as madrugadas da Barra de São Miguel, o epicentro dos tremeliques. Acho muito divertidas as precipitadas previsões de mãe Dinah que delineiam a corrida política alagoana em blogs e colunas políticas dos diários locais. Certamente esses achismos compulsivos servem para temperar com especulação as futuras rodadas de negociações e embates no mercado político. Essa é a única explicação plausível! Para aqueles que se dizem eleitos, carregando no sovaco pilhas de pesquisas de opinião pública, é bom antes combinar vitória com o eleitor, com as lideranças municipais e com os representantes de futuros partidos coligados. O tempo urge e nas entranhas madrigais o acasalamento ainda está nas preliminares. Faltam seis meses para o início do “pegapracapar”, por isso cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém… nem aos políticos profissionais.

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