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Tributo a Edécio Lopes

sábado, março 27th, 2010

Desde criança me acostumei a presenciar minha mãe ouvindo novela pelo rádio. Meu pai cochilava em uma cadeira de balanço, com o rádio ligado na “Voz do Brasilâ€. Sinal de televisão, quando chegava a São José da Laje, era tão chuviscada que mal podíamos  ver sombras das imagens. Daí a força do rádio. Mudando para Maceió, no início dos anos 70, ouvia o “Tele Discos†do Fernando Correia, assistia no prédio da Praça dos Martírios os programas de auditório da Rádio Difusora – “Geraldo Lopes Show†e “Bossa 0 4†do Haroldo Miranda. O “Chão de Estrelas†do Cláudio Alencar, o “Onde Canta o Sabiá†da Odete Pacheco, o “Domingo é Dia de Praia†do Reinaldo Cavalcante, e tantos outros programas. Entretanto, na minha adolescência, me “amarrava†mesmo era no programa “Manhãs Brasileiras†do Edécio Lopes. Foi o pioneiro nesse modelo de programa com entrevistas e participação dos ouvintes pelo telefone, informando o que acontecia nos diversos bairros da capital e nas cidades do interior. A informática ainda não tinha chegado. Deputados e senadores da bancada alagoana em Brasília, deixavam a capital federal para vir a Maceió, conceder entrevistas ao programa do Edécio Lopes. É bem verdade que, tínhamos aquela época programas recheados de criticas, como os do Marreco, da Odete Pacheco e o “Patrulha do Ar†do Castro Filho. Mas, nenhum no estilo do “Manhãs Brasileirasâ€. O programa do Edécio foi pioneiro e único por um bom longo tempo.  Por perseguição política, foi afastado da emissora onde fazia sucesso com seu programa. Seus perseguidores conseguiram também fechar as portas das outras três emissoras de rádio AM existentes na capital. Até então só havia as rádios Gazeta, Difusora, Palmares e Progresso. Através de amigos fiéis, Edécio consegue espaço em uma recém criada emissora FM. Não havia o costume do rádio FM em Alagoas. Os rádios grandes, valvulados, existentes nas residências e estabelecimentos comerciais e escritórios, não tinham freqüência para captação de FM. Edécio ficou falando para rádios portáteis – uma novidade na época – e as pessoas que possuíam aparelhos de rádio mais modernos, com freqüência também em FM. As forças políticas da época incentivaram a criação de um novo programa, no estilo Edécio Lopes, para abafar a audiência do pioneiro. Edécio perdeu naquela época a audiência jovem, mas, manteve a audiência de seu público do tempo da AM. Já na atualidade, o “Manhas Brasileiras†voltou ao rádio AM, através da Rádio Difusora de Alagoas. Devido ao estilo moderno do jornalismo pelo rádio, com rapidez na informação de externa e, participação dos repórteres nas ruas, a forma tradicional do modelo Edécio Lopes, com entrevistas longas de estúdio, foi sendo prejudicada até que, o programa migrou para a Rádio Educativa. No início do Governo Téo Vilela, ação da Procuradoria determinou que, apenas servidores do Estado – concursados ou comissionados – apresentassem programas nas emissoras públicas do Estado. Edécio, Floraci Cavalcante, Humberto Maia, Sténio Reis e outros, foram afastados do microfone por não integrarem os quadros do IZP. O caso do Edécio era fácil de ser resolvido: ele era funcionário da Assembléia Legislativa. Bastava ser colocado a disposição do Instituto Zumbi dos Palmares. Mas, a comoção com o afastamento de Edécio do microfone, fez com que movimentos de solidariedade tomassem as ruas. Fato que, não aconteceu no passado quando ele foi censurado nas quatro únicas emissoras AM existentes a época. O governador Téo Vilela resolveu a questão com uma só canetada: nomeou Edécio em cargo de comissão para o IZP. Ato contínuo, ele passou a apresentar seu programa na Rádio Difusora de Alagoas. Com o seu falecimento, o rádio alagoano ficou de luto. Muitos tentam imitá-lo e, até afirmam serem pioneiros, esquecendo que, o primeiro, o legitimo, foi Edécio Lopes.

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